Por Deivison Pedroza* – 

Não faz muito tempo fomos pegos de surpresa com a notícia de que alguns locais que se encontravam em quarentena apresentaram uma melhora em seu cenário ambiental. Seria arriscado demais afirmar que talvez a COVID-19 seja uma resposta do planeta ao comportamento predatório do ser humano?

Se analisarmos o nosso tempo de existência nessa cápsula flutuante no espaço, e compararmos esse tempo com as 24 horas de um dia, veremos que o relógio dedicado a participação do ser humano no planeta seria contabilizado com apenas alguns segundos. Porém, o dano provocado direta e indiretamente pela ação do homem vem acelerando esse ponteiro.

Lugares onde se afirmava não ser possível fazer temperaturas negativas chegou a ficar debaixo de neve. Ciclones na América do Sul também aconteceram, assim como tremores de terra onde não existem falhas geológicas. O planeta vem dando sinais de esgotamento do comportamento humano e sua estúpida lógica de acreditar ser proprietário dele.

O fenômeno do aquecimento global, projeção catastrófica capaz de provocar opiniões tão divididas entre os que não acreditam na possibilidade da interferência humana e aqueles defensores de novas alternativas para diminuir a velocidade do cronômetro que se aproxima do fim, não consegue chegar a um consenso. Sem acordos os países não cumprem o que comprometem em reuniões de discussão do tema, selando acordos ilusórios e sem validade. E então, bastam alterações no tabuleiro econômico para deixar essas políticas de lado, em prol dos interesses individuais de cada nação.

Enquanto vivemos nessa “guerra” ideológica, o planeta segue vendo seus recursos naturais sendo consumidos em uma velocidade maior do que sua capacidade de se regenerar. Porque, apesar das maravilhas que ele é capaz de nos fornecer, a ganância do homem vem ultrapassando o equilíbrio que essa célula tenta a todo custo manter. A cada ano a capacidade de o planeta suprir nossa necessidade é adiada em um mês. Nos falta sabedoria para deixarmos de ser a incongruência da equação.

E tudo isso ocorre enquanto cientistas e ambientalistas tentam nos avisar do perigo que estamos correndo. Lembro de ter lido recentemente sobre a descoberta de vírus desconhecidos que existem há milhares de anos e encontram-se sob a camada de gelo que vem derretendo ano a ano, a chamada Permafrost. Vírus esse que poderia provocar uma pandemia igual ou até mais violenta que a atual.

Sobre o Coronavírus, sabemos que ele já existe há muito tempo, e o que enfrentamos hoje é uma mutação sua. Será então que a COVID-19 não poderia ter sua origem, a causa da sua mutação, da mesma ação humana que desequilibra o meio ambiente? Isso só o tempo e muita pesquisa poderá nos responder.

Imagens de satélite tem nos mostrado que nessas “férias forçadas da humanidade” os indicadores de poluição e emissões dos gases do efeito estufa têm diminuído. A natureza é rápida quando quer recuperar seus espaços. Esperamos que a humanidade saiba respeitar e entender tão rapidamente quanto o meio ambiente seu papel nessa equação, para que possamos aprender a como conviver em harmonia com ele. Caso contrário, quanto tempo ainda nos restará?

*Deivison Pedroza é CEO da Verde Ghaia

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