A ‘mochila acadêmica ‘.
Um amigo que frequentou a universidade comigo (a USP) na graduação em História, ficou surpreso que o livro que eu tenha pinçado como ‘marcante’ seja ‘O Declínio da Civilização Ocidental’, de Oswald Spengler, pois ele sabe que sou tarada pelo Arnold Toynbee, autor de ‘ A Humanidade e a Mãe Terra’ e um dos pioneiros na abordagem ambiental da história das civilizações.
Voltarei a ele amanhã, pois realmente sou fã de sua obra, tornada ‘cult’ nos meios ambientalistas.
Hoje, e para responder ao questionamento do meu colega, aí vão – depois de muito peneirar e hesitar, os 7 livros que fizeram a minha cabeça na fase mais acadêmica da minha vida dos anos 70′ aos anos 90′).
Naturalmente, todo estudante é um aprendiz de feiticeiro…
- Marc Bloch – o único e seminal livro que escreveu no campo de concentração sobre sua concepção de História;
- A História Social da Criança e a Familia, de Philipp Ariés, que observou – visitando museus e especialmente as pinturas – que as crianças eram retratadas como mini-adultos e fundou a história baseada em iconografia;
- Um Estudo da História, de Arnold Toynbee onde ele associa a queda de certas civilizações ao esgotamento dos recursos naturais;
- A Era das Revoluções, Eric Hobsbawn – o título revela o conteúdo magistral desse livro;
- Um Mundo Assombrado por Demônios – Carl Sagan, completado por ‘O Romance da Ciência ‘; apaixonantes;
- A Voz do Passado, de Paul Thompson – porque sempre tive interesse em história oral;
- O Declínio da Civilização Ocidental, Oswald Spengler.
Entre um e outro, algumas centenas. Mas estes que menciono foram moldando minha maneira de pensar e a minha sensibilidade.
Em termos teóricos, vi grande utilidade e vejo até hoje, na obra de Karl Manheim sobre o conceito de ‘ideologia’.
Bem, é isso caro colega que jantou comigo a comida barata no CRUSP (restaursnte universitário) e discutiu inúmeros textos que avidamente absorvíamos em nossa jornada de estudantes.
Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”. Foi vice-presidente do Conselho do Greenpeace de 2006-2008.