Gentileza gera gentileza

Não é fácil ser solidário e gentil quando as contas não estão em dia.

O dinheiro tem o poder de influenciar nossos planos e emoções. De fato, é mesmo improvável que alguém endividado até o pescoço, atolado em cheques especiais impagáveis ou faturas de cartão superlativas, encontre tempo, disposição e energia para pensar em algo que não seja o dinheiro (ou a falta dele). Não há dúvida que é muito mais fácil ser ético, solidário e gentil quando as contas estão em dia e o futuro assegurado por bom planos de investimento.

Mas há gente, no entanto, que, mesmo tendo grana, exagera na dose e dá ao assunto mais atenção e trela do que ele merece. Sem nem ter a desculpa de ser profissional da área (!) vive só de pensar e falar sobre dinheiro. Gente assim é chata, sem assunto nem charme e, pior, quase sempre atropela os sentimentos e ouvidos dos outros.

Num e noutro caso –no excesso ou escassez de atenção ao dinheiro–, a indelicadeza de sentimentos resulta na ausência de gentileza com o próximo. E, assim, o mundo vai ficando cada vez mais árido, mais tenso e cada vez menos cordial.

Pensava sobre isso quando tropecei numa notícia que divido com vocês: a revista francesa de Psicologia organizou, pelo segundo ano, a “Jornada da Gentileza” (La Journée de La Gentillesse). Inspirada pelo World Kindness Day, que é praticado em 15 países, teve como objetivo deslanchar um milhão de ações positivas na família, no trabalho e entre os amigos.

Iniciativas como essas, por pueris e ingênuas que possam parecer, colocam sob a guarda dos holofotes, pelo menos por um dia, aquilo que deveria ser realmente importante na vida. Saber que existem pessoas espalhadas por tantos países que se ocupam em incentivar a gentileza, torna, por si só, o mundo um pouco melhor. E isto é muito bom. E é lindo.

* Cássia D’Aquino é especialista em Educação Financeira.

** Publicado originalmente no site Mulheres em Ação da BM&F Bovespa.