A trajetória da ACAFF e o talento de Miriam na Copa Elas Jogam

O cenário do futebol feminino no Brasil sempre foi marcado pela escassez de oportunidades e pela falta de incentivo. Meninas que sonham em construir uma carreira na modalidade enfrentam, desde cedo, a ausência de espaços inclusivos e o preconceito.

Atualizado em 30/07/2026 às 18:07, por Redação Envolverde.

Meninas da equipe Sub-15 da ACAFF (Foto: Copa Elas Jogam)

Por Ana Claudia MAchado, sob supervisão de Alice Marcondes - 

Enquanto o contexto dizia não, para a sorte das cerca de 450 atletas da ACAFF (Academia de Futebol Feminino), Isaac Guimarães decidiu dizer sim. Em 2016, o treinador, que até então trabalhava em escolinhas de futebol masculino, resolveu transformar essa realidade em São Bernardo do Campo. Foi assim que fundou a ACAFF, criando um espaço dedicado ao desenvolvimento de meninas no futebol, com treinos estruturados e um trabalho de formação contínuo.

Em São Bernardo não tinha nenhum campo que tivesse um espaço só para mulheres. Vimos a necessidade de ter um local exclusivo entre os 36 campos da cidade. Criamos a ACAFF com a metodologia de preparar para competir, não apenas juntar um time para um campeonato e depois acabar, mas oferecer uma temporada real de desenvolvimento

Isaque Guimarães, fundador da ACAFF

O projeto, que começou com apenas 15 alunas, cresceu rapidamente. Em 2017, já reunia 190 atletas e, nos anos seguintes, chegou à marca de 850 meninas matriculadas em um único ano.

Atualmente, a escolinha atende cerca de 450 atletas, com idades entre 6 anos e a categoria adulta. Esse trabalho de formação já rendeu frutos importantes para o futebol feminino. A ACAFF revelou atletas como Amanda Vital, com passagens por Corinthians, Ferroviária e equipes do futebol universitário dos Estados Unidos.

Isaque Guimarães, fundador da ACAFF (Foto: Copa Elas Jogam)

O compromisso da ACAFF com o desenvolvimento de suas atletas se reflete dentro de campo. Na Copa Elas Jogam, um dos destaques da equipe é Miriam, da categoria Sub-15. Em três jogos, a atacante marcou dois gols e teve papel importante na campanha que garantiu a classificação da equipe para as semifinais. Sua trajetória também é construída com o apoio da família, que acompanha de perto sua caminhada no futebol desde a infância.

"Ela começou muito pequena. Vendo os primos jogarem e nas aulas de educação física da escola, a professora percebeu o talento dela. Ela começou na escolinha aos 5 anos de idade e não parou mais. Na ACAFF, ela já está há um ano e a evolução é visível."

Mãe de Miriam, em entrevista

Mais do que revelar talentos, a ACAFF constrói um espaço onde meninas encontram oportunidades para se desenvolver dentro e fora de campo. Com o apoio das famílias e o comprometimento das atletas, o projeto segue consolidando sua atuação e contribuindo para fortalecer o futebol feminino em São Bernardo do Campo.

 

Jogadora Miriam, destaque da equipe Sub-15 da ACAFF (Foto: Copa Elas Jogam)

O próximo desafio: ACAFF classificada no Sub-15 e no Sub-17

Com uma campanha consistente na fase de grupos, a ACAFF garantiu vaga nas semifinais da Copa Elas Jogam nas duas categorias em que disputa a competição: Sub-15 e Sub-17.

Equipe Sub-17 da ACAFF (Foto: Copa Elas Jogam)

A torcida já pode se preparar para uma manhã decisiva na Nossa Arena, no próximo domingo, 2 de agosto.

Semifinal – Sub-15
ACAFF × Tiger
🕘 9h00

Semifinal – Sub-17
ACAFF × Corinthians
🕤 9h40

Local: Nossa Arena


Envolverde


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