A Urgência Absoluta na Proteção da APA da Baleia Franca

Manobra legislativa na Câmara dos Deputados ameaça extirpar a faixa terrestre da unidade de conservação federal mais visitada do país, abrindo caminho para a especulação imobiliária predatória.

Atualizado em 04/07/2026 às 19:07, por Redação Envolverde.

A aprovação da urgência para o Projeto de Lei nº 849/2025 na Câmara dos Deputados acendeu o alerta máximo para a conservação no Brasil. A proposta da deputada Geovania de Sá (Republicanos-SC) visa extirpar toda a faixa terrestre da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca a partir da linha de preamar. Sob este rito acelerado, o projeto pode ir a Plenário sem passar pelas comissões temáticas, atropelando o debate democrático.

Criada em 2000, a unidade protege 156,8 mil hectares em dez municípios catarinenses. Eliminar a porção terrestre deixará dunas, restingas, lagoas e manguezais vulneráveis. Estes ecossistemas protegem a linha de costa contra a crise climática, abrigam espécies ameaçadas como a baleia-franca-austral e sustentam a pesca artesanal.

9 Milhões

De visitantes anuais (dados de 2025), sendo a unidade

federal mais visitada do país.

156,8 mil

Hectares de biodiversidade e ecossistemas sob grave

risco de desmonte.

O falso dilema econômico e a pressão imobiliária

A retórica de que a proteção impede o progresso é falsa. Como unidade de uso sustentável, a APA compatibiliza a presença humana e a economia. Em 2025, foi a unidade federal mais visitada do país, com 9 milhões de visitantes, gerando emprego e renda através do turismo de natureza.

Notas da Rede Pró-UC e do ICMBio confirmam que a APA não impede a regularização fundiária. O real motor do PL é a pressão imobiliária sobre áreas frágeis. Fiscalizações em Laguna (SC) já haviam flagrado centenas de construções ilegais em dunas. Estas invasões foram condenadas pelo STJ e STF, que determinaram as suas demolições. O projeto tenta, na prática, anistiar crimes ambientais e legalizar o ilegítimo.

'Estamos falando de uma tentativa de transformar um dos últimos refúgios naturais do litoral catarinense num segundo Balneário Camboriú, substituindo ecossistemas preservados por pressão da especulação imobiliária

Angela Kuczach, Diretora Executiva da Rede Pró-UC

Desmantelar a faixa terrestre da APA é um retrocesso ecológico intolerável. A Envolverde exige o arquivamento imediato do PL 849/2025. O desenvolvimento verdadeiro faz-se com a natureza, nunca contra ela.

Envolverde       


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