Adaptar é o Melhor Seguro para o Brasil frente à Gestão do Risco Climático - Artigo 7

𝙁𝙚𝙧𝙣𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙁𝙞𝙜𝙪𝙚𝙞𝙧𝙚𝙙𝙤 - Coluna Envolverde – Emergência Climática: E nós com isso? A mudança do clima não é um evento futuro; é uma variável presente que já altera o comportamento da nossa economia e o bem-estar social de muitas pessoas. Segundo o IPCC – Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas da ONU. Adaptar-se é o processo de ajuste dos sistemas naturais e humanos aos efeitos reais ou esperados do clima. No Brasil, isso significa migrar de uma postura reativa para uma estratégia de resiliência climática, tema que trarei na próxima coluna.

Atualizado em 06/07/2026 às 15:07, por Redação Envolverde.

Logo da politica nacional de adaptação climática

por Fernando Figueiredo, especial para a Envolverde -

Diferente da mitigação (que busca reduzir as causas), a Adaptação foca em lidar com as consequências e riscos mapeados . É o conjunto de ações para prevenir danos de eventos extremos: como as secas e enchentes severas, reduzir a vulnerabilidade de cidades, de economias e ecossistemas. 

Você já deve ter vivido alguma questão climática e sabe o transtorno que ela gera. Já pensou se um evento extremo paralisasse sua região ou cadeia de suprimentos hoje ... quanto tempo e qual custo trariam para sua operação, para os consertos, para se recuperar? ... difícil prever, mas te garanto que o custo dessa paralisia é maior do que o investimento para preveni-lo. 

Nós temos o Plano Nacional de Adaptação (PNA) que engloba riscos e ações para 11 Setores Estratégicos do Brasil 

Instituído em 2016, o PNA é o roteiro brasileiro para gerir o risco climático em nosso país. Ele integra a colaboração entre governo, setor privado e sociedade civil, cobrindo 11 setores vitais do país, que listo abaixo com alguns pontos que cada um tem a fazer ... e que se você atua ou tem interesse em algum setor pode acessar para conhecer com mais detalhes:

  1. Agricultura: Proteção da produção contra quebras de safra.
  2. Recursos Hídricos: Garantia de abastecimento em secas extremas.
  3. Segurança Alimentar e Nutricional: Resiliência da cadeia de suprimentos.
  4. Biodiversidade: Proteção de ecossistemas que prestam serviços ambientais.
  5. Cidades: Urbanismo resiliente a inundações e ondas de calor.
  6. Gestão de Risco de Desastres: Sistemas de alerta e resposta rápida.
  7. Indústria e Mineração: Continuidade operacional e segurança de barragens.
  8. Infraestrutura: Proteção de portos, estradas e redes de energia.
  9. Povos e Populações Vulneráveis: Justiça climática e proteção social.
  10. Saúde:  Prevenção de doenças agravadas pelo clima.
  11. Zonas Costeiras: Defesa contra a erosão e a subida do nível do mar.

Mas você pode estar pensando, é muito amplo e desafiador a complexidade do tema, e realmente é ! Por isso temos que conhecer e exigir de nossos governantes ações alinhadas ao temática de adaptação com urgência e consistência. 

É um tema estratégico não só para o Brasil como para todos os países. No Brasil criamos para embasar nossas ações o AdaptaBrasil  ligado ao MCTI – Ministério da Ciência e Tecnologia que tem um painel atualizado do Brasil e das suas cidades com os riscos e o que existe de informação disponível sobre o município ...  vale uma visita para conhecer os riscos que já estão mapeados nas nossas cidades, é onde vivemos e podemos fazer algo para mitigar riscos. 

O AdaptaBrasil, foi instituído em 2020, pois para planejar, precisamos de dados. Ele consolida informações que permitem analisar os impactos climáticos observados e projetados em todo o território nacional. Ele é a base científica da nossa NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) que falei na coluna passada, permitindo que as decisões de investimento sejam baseadas em evidências, e não em suposições.

Como soluções concretas hoje acontecendo no Brasil, a adaptação moderna tem diversas frentes de trabalho e tecnologias, uma delas é a própria natureza, são as SBN - Soluções Baseadas na Natureza, que são inteligentes, sustentáveis, reduzem custos e riscos climáticos, seguem alguns exemplos:

  • Na Infraestrutura Urbana: Criação de "Cidades Esponja" com jardins de chuva e parques lineares que absorvem enchentes, evitando o colapso do sistema de drenagem.
  • No Agronegócio: Uso de genética avançada para sementes resistentes ao calor e o plantio direto para conservar a umidade do solo.
  • Nas Zonas Costeiras: Recuperação de manguezais que funcionam como barreiras naturais contra ressacas, sendo muito mais eficientes e baratos que muros de concreto.

Trazendo para um lado importante do tema, um dos tripés do desenvolvimento sustentável ... o econômico, que alinhado ao social e ambiental precisam ainda encontrar sua equidade de impactos e resultados

Foi feito um estudo que apresenta a lógica econômica da adaptação: Ele traz que investir $1 vai economizar $7 no futuro, se escolhermos adaptar como forma complementar a mitigação para reduzir riscos climáticos ... se investirmos hoje economizamos na frente e menos pessoas irão sofrer as consequências da Emergência Climática. 

  • A Métrica: De acordo com a Global Commission on Adaptation (GCA), em seu relatório "Adapt Now", cada US$ 1 investido em adaptação pode gerar até US$ 7 em benefícios, evitando perdas futuras e impulsionando a inovação.

Fonte: Relatório Adapt Now: A Global Call for Leadership on Climate Resilience

A ciência econômica na adaptação é clara: investir preventivamente em resiliência é significativamente mais barato do que reconstruir.

Com esta informação, finalizo a coluna e deixo algumas perguntas para sua Reflexão pelo olhar de empreendedor, gestor e cidadão:

  • Já parou para analisar a adaptação como estratégica, proteção de valor do seu patrimônio ou este assunto entrar como gasto somente? Você adaptar sua infraestrutura é, na verdade, proteger a sua vida, da sua família e do seu lado econômico contra a volatilidade climática.
  • No seu dia a dia você inclui em sua análise e decisões as questões climáticas ou segue somente no “Business as Usual”* e reativo? Sua tomada de decisão estratégica hoje considera algum impacto das mudanças climáticas? Tem alguma análise ou cenário para os próximos 3,5 ou 10 anos como traz o Adapta Clima.

*"negócios como de costume"

  • Nós que vivemos na sua grande maioria em cidades escolhemos a Prevenção ou a Reação? Estamos dispostos a investir R$ 1 agora para evitar o gasto de R$ 7 no futuro? Podemos exigir isso dos nossos governantes? O que podemos fazer ? 

Boas reflexões e adaptações no pensamento ... Estamos na sala da Emergência Climática ... o tempo é fundamental para Todos Nós ... ou não!?  

Organizações citadas

Adapta Brasil - Início | AdaptaBrasil MCTI  https://adaptabrasil.mcti.gov.br/

Metas Plano Clima Adaptação - - https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/mudanca-do-clima/adaptacao

IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - https://www.ipcc.ch/

Adapta Now: https://gca.org/reports/adapt-now-a-global-call-for-leadership-on-climate-resilience/

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Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da "bolha" da sustentabilidade.

Envolverde


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