Inteligência Artificial e automação redefinem o futuro e a eficiência do setor de energia até 2030
Estudo global revela urgência de líderes industriais em adotar operações autônomas para enfrentar custos crescentes, escassez de talentos e a explosão na demanda por eletricidade impulsionada por data centers.

Por Redação da Envolverde –
O setor global de energia e produtos químicos está cruzando um ponto de inflexão decisivo. Pressionadas pela necessidade urgente de descarbonização, pelo envelhecimento da força de trabalho e por uma demanda sem precedentes de eletricidade — puxada pela própria expansão da Inteligência Artificial (IA) —, as indústrias correm contra o tempo para automatizar suas operações.
Um novo estudo global encomendado pela Schneider Electric, líder em tecnologia de energia, revela que o segmento caminha rapidamente para atingir quase 50% de automação total até 2030. Atualmente, cerca de um terço (31,5%) das atividades dessas indústrias já operam de forma totalmente autônoma.
O Relatório Global de Maturidade em Autonomia, que ouviu 400 executivos seniores em 12 países, aponta que avançar na autossuficiência operacional virou prioridade "crítica" para os próximos cinco anos para 31,5% dos líderes, saltando para 44% quando o horizonte é de uma década. Em contrapartida, menos de 5% dos entrevistados globalmente enxergam a automação como algo secundário.
O nó energético da era digital
A transformação ocorre no centro de uma convergência histórica entre eletrificação, digitalização e automação. O apetite global por IA, sustentado por nuvens de hiperescala e pela expansão massiva de data centers, está gerando uma pressão inédita sobre a infraestrutura energética global.
Projeta-se que a demanda mundial por eletricidade voltada a essas tecnologias alcance quase 1.000 TWh até 2030.
Para evitar o colapso e garantir a resiliência climática e operacional, os sistemas energéticos precisam se tornar flexíveis e altamente eficientes. Nesse cenário, 49% dos executivos apontam a IA como o principal motor para acelerar a autonomia industrial, seguida por soluções de cibersegurança, computação em nuvem (edge computing), gêmeos digitais e automação aberta definida por software.

Os riscos da inércia: econômicos e humanos
Adiar a modernização tecnológica projeta um cenário alarmante para a competitividade e sustentabilidade das empresas. De acordo com os líderes ouvidos no levantamento, os principais riscos de atrasar a transição para sistemas autônomos são:
- Aumento dos custos operacionais: apontado por 59% dos executivos;
- Agravamento da escassez de talentos: uma realidade para 52% das empresas, que enfrentam uma força de trabalho em processo de aposentadoria;
- Perda de competitividade no mercado: um temor compartilhado por 48% dos gestores.
Apesar do senso de urgência, a transição enfrenta barreiras complexas de infraestrutura e cultura organizacional. Os altos custos iniciais lideram os obstáculos (34%), seguidos pela dependência de sistemas legados antigos (30%), resistência interna à mudança (27%), preocupações com cibersegurança (26%) e incertezas regulatórias (25%).
Para Gwenaelle Avice Huet, vice-presidente executiva da Schneider Electric, a transição para a autossuficiência não deve ser vista como uma ameaça ao emprego, mas como uma evolução nas relações de trabalho e eficiência ecológica:
"A autossuficiência está rapidamente se tornando o novo modelo operacional da indústria. À medida que a IA avança e os sistemas energéticos enfrentam pressões crescentes, as operações autônomas estão se provando essenciais para resiliência e competitividade. E essa mudança não se trata de substituir pessoas, mas de capacitá-las a se concentrarem em trabalhos de maior valor, fortalecer a segurança e elevar competências. Aqueles que escalarem agora irão moldar a próxima era do desempenho industrial."
Assimetria global e o papel da inovação
O ritmo de adoção dessas tecnologias desenha um mapa desigual pelo planeta. Atualmente, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e da Ásia lideram os índices de maturidade tecnológica e implementação. No entanto, a América do Norte desponta como a região que planeja a aceleração mais agressiva nos próximos cinco anos, impulsionada justamente pela sua gigantesca infraestrutura de data centers. Já a Europa caminha em um ritmo constante, porém mais lento.
Analistas independentes reforçam que o setor está amadurecendo mais rápido do que o previsto pelo próprio mercado. Segundo Gaurav Sharma, analista do mercado de energia e colaborador da pesquisa, ferramentas como a automação aberta definida por software estão ditando as regras do jogo. "Em um mercado no qual confiabilidade, segurança e redução de carbono são agora inegociáveis, essas tecnologias surgem como a forma mais eficaz de as empresas entregarem 'mais com menos'", pontua.
Da teoria à prática sustentável
O relatório lista exemplos práticos de como a autonomia operacional já está sendo aplicada para reduzir a pegada ecológica e otimizar recursos:
- Modernização em Refinarias: Na Refinaria Scotford da Shell, no Canadá, sistemas de automação aberta definida por software estão garantindo maior flexibilidade operacional.
- Combustíveis Limpos de Nova Geração: Na instalação Power-to-X de Kassø, na Dinamarca (projeto da European Energy que se consolidou como a primeira planta de e-metanol comercialmente viável do mundo), a inteligência industrial e o monitoramento remoto apoiados por IA operam em conjunto para viabilizar a produção de combustível limpo com o mínimo de intervenção humana e máxima eficiência de recursos.
Ao conectar eficiência energética, gestão de dados em tempo real e preservação do capital humano, a virada de chave para a autonomia industrial desenha o panorama do que se espera para a indústria do futuro: um ecossistema mais inteligente, menos intensivo em carbono e preparado para as demandas do século XXI.
O estudo foi realizado em parceria com as consultorias Censuswide e Development Economics, combinando entrevistas com 400 tomadores de decisão em quatro regiões-chave (América do Norte, Europa, Ásia e GCC) com pesquisas secundárias junto a especialistas globais.
Envolverde - com informações da assessoria da Schneider Electric





