Marina Silva alerta para aumento da vulnerabilidade da Amazônia e do Pantanal diante da crise climática

Ex-ministra afirma que altas temperaturas e seca extrema aumentam risco de incêndios florestais e diz que Pantanal pode desaparecer em 50 anos

Atualizado em 08/06/2026 às 16:06, por Redação Envolverde.

Marina Silva e Gabriella Lourenço

por Gabriella Lourenço, especial para a Emvolverde - 

A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, alertou para os impactos do super El Niño e do agravamento das mudanças climáticas sobre a Amazônia e o Pantanal durante entrevista concedida na Rio Nature and Climate Week, no Rio de Janeiro.

Segundo Marina, apesar da redução dos índices de desmatamento e queimadas registrada no último ano, as altas temperaturas e os longos períodos de seca continuam ampliando a vulnerabilidade dos biomas brasileiros.

“A gente conseguiu reduzir o desmatamento na Amazônia em 50%. Reduzimos no ano passado os incêndios em 75% na Amazônia e 98% no Pantanal”, afirmou.

A ambientalista destacou, no entanto, que o superaquecimento global cria condições favoráveis para novos incêndios florestais.

“Quando você tem um superaquecimento da temperatura, tem toda uma matéria orgânica bastante ressecada a ponto de combustão”, disse.

Referente aos impactos do avanço do agronegócio no Pantanal, a ex-ministra declarou que o governo federal vem implementando medidas de proteção ao bioma, incluindo ações de prevenção e controle do desmatamento.

“Hoje nós temos uma lei de proteção do Pantanal feita pelo governo do estado, que precisa ser implementada”, reiterou.

Segundo ela, o Pantanal enfrenta atualmente três frentes de fragilização: o desmatamento, a redução das precipitações e o aumento das ondas de calor.

“O período chuvoso diminuiu muito e, com as ondas de calor, há muita evapotranspiração”, explicou.

Marina alertou ainda que especialistas apontam risco de colapso ambiental no bioma caso o atual cenário climático permaneça.

“Se isso continuar, segundo os especialistas, essa junção de mudança climática e evapotranspiração em alta intensidade pode fazer com que a gente perca o Pantanal em 50 anos”.

Ao final da entrevista, a ministra defendeu a atuação conjunta de governos, produtores rurais e comunidades tradicionais no enfrentamento da crise climática.

“É fundamental que todos façam a sua parte, dos governos aos agricultores e às comunidades indígenas”, concluiu.

Entrevista na íntegra

Pergunta: Quais os impactos do super El Niño na Amazônia?

Marina Silva: “A gente conseguiu reduzir o desmatamento na Amazônia em 50%. Reduzimos no ano passado os incêndios em 75% na Amazônia e 98% no Pantanal. Mas quando você tem um superaquecimento da temperatura, tem toda uma matéria orgânica bastante ressecada a ponto de combustão. E ainda tem pessoas criminosas que ateiam fogo propositalmente.”

Pergunta: E quais são os efeitos do avanço do agro no Pantanal?

Marina Silva: “Hoje nós temos uma lei de proteção do Pantanal feita pelo governo do estado, que precisa ser implementada. Estamos fazendo já a implementação do plano de prevenção e controle do desmatamento no Pantanal e todo um regramento para que aquele bioma, que é muito vulnerável, seja protegido. Ele está sofrendo três frentes de fragilização: os desmatamentos, que graças a Deus a nossa gestão diminuiu significativamente; as baixas precipitações — o período chuvoso diminuiu muito — e, com as ondas de calor, há muita evapotranspiração.

Se isso continuar, segundo os especialistas, essa junção de mudança climática e evapotranspiração em alta intensidade pode fazer com que a gente perca o Pantanal em 50 anos.

Portanto, é fundamental que todos façam a sua parte, dos governos aos agricultores e às comunidades indígenas.”

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Gabriella Lourenço, 17 anos, é estudante do Instituto Alpha Lumen e jovem liderança socioambiental. Descendente dos povos originários Puris e Tamoquim, atua na promoção da educação ambiental e da ciência. Realizou estudos em técnicas jornalísticas, participou por três anos do Projeto VERUS de jornalismo científico-ambiental e possui diversos cursos na área socioambiental. Já entrevistou especialistas nacionais e internacionais sobre clima e sustentabilidade e participou de simpósios, seminários e eventos ambientais. Foi a primeira adolescente palestrante do Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental e integra as Comissões de Justiça e Paz e Socioambiental Diocesana de São José dos Campos.

Envolverde

 

 


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