Metas baseadas na Ciência - Science Based Targets initiative (SBTi): Um Desafio para Todos - Artigo 15
𝗙𝗲𝗿𝗻𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗙𝗶𝗴𝘂𝗲𝗶𝗿𝗲𝗱𝗼 - A Science Based Targets initiative (SBTi) é uma organização global sem fins lucrativos que ajuda empresas e instituições financeiras a definirem metas de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) alinhadas ao que a ciência climática considera necessário para limitar o aquecimento global a 1,5°C (ou abaixo de 2°C), seguindo o Acordo de Paris

por Fernando Figueiredo - Coluna Envolverde – Emergência Climática: E nós com isso?
Na prática, a SBTi cumpre três papéis centrais:
- Define padrões e critérios para que as metas sejam consideradas "baseadas na ciência".
- Valida as metas propostas pelas empresas, conferindo credibilidade.
- Promove boas práticas e dá suporte técnico para a descarbonização corporativa.
O diferencial em relação a outros compromissos voluntários é o rigor: a meta não é apenas uma promessa, mas um compromisso quantificado, com prazo e metodologia verificável, alinhado a cenários científicos de descarbonização.
Você pode estar se perguntando por que estou trazendo um tema tão técnico e específico, como inventários de carbono e metas de redução baseadas na ciência nas minhas colunas. A resposta tem várias frentes, mas trazendo para o nosso dia a dia: Nós, cidadãos e consumidores, precisaremos conhecer este tema para fazer melhores escolhas sobre o que consumimos, de quem compramos produtos, serviços e quais empresas estão nessa trilha da descarbonização. Afinal, se uma empresa deseja sobreviver no médio e longo prazo, ela precisará planejar e atuar de forma a reduzir seus riscos e construir reputação para os seus negócios, e Nós vamos escolher e privilegiar as organizações que estão nessa trilha.
As mudanças climáticas não são mais uma ideia abstrata do futuro, ou algo que um dia vamos vivenciar. Já estamos vivendo isso hoje, e essa é uma certeza científica, quer acreditemos ou não, as emissões antrópicas geradas pelo modo de vida do Homo Sapiens estão acelerando o processo.
Os dados científicos e os eventos climáticos estão aí para nos provar isso. O lado positivo é que hoje também temos as tecnologias e soluções capazes de mudar esse quadro. Porém, elas demandam uma mudança de visão e de alocação de recursos, tema que fica para um próximo artigo.
Na sua empresa, negócio, organização governamental ou não governamental onde trabalham ou atuam, vocês já analisam as implicações climáticas ligadas a operação de vocês, os riscos e oportunidades ligadas a essa agenda? Tem dimensão do que elas vão exigir no curto, médio e longo prazo?
A SBTi foi fundada em 2015, como uma colaboração entre cinco organizações: CDP (plataforma global de disclosure ambiental), United Nations Global Compact (UNGC) o Pacto Global da ONU, We Mean Business Coalition, World Resources Institute (WRI) e World Wide Fund for Nature (WWF).
Os números oficiais atuais trazem o seguinte panorama: 14.017 empresas no mundo com metas ou compromissos, 11.730 com metas validadas, 2.733 com metas net zero e 2.447 com compromissos ativos.
Alcançar mais de 11.700 empresas validadas fortaleceu o papel da SBTi na vanguarda da ambição climática corporativa, apoiando ações climáticas credíveis e responsáveis em larga escala. É também uma conquista e um desafio significativo para as próprias empresas, cuja liderança climática está ajudando a acelerar a transição para uma economia de emissões líquidas zero, um desafio para qualquer negócio.
Vale salientar que a grande maioria desse movimento está mais forte entre as empresas europeias, que representam uma fatia substancial das 11.730. A Ásia teve um crescimento expressivo nos últimos tempos, e o Japão possui hoje o maior número de empresas validadas no mundo, mais de 2.000, seguido por Reino Unido, Estados Unidos e China.
O Brasil conta com mais de 50 empresas com metas climáticas ambiciosas, o que mostra que o movimento já acontece por aqui e quem está nele sabe os desafios que ele traz.
São muitos desafios neste momento que vivemos, e na semana passada, no evento Sustentável do CEBDS, o CEO do GHG Protocol, Tim Mohin, esteve presente e trousse em sua fala que reportar emissões vai deixar de ser opcional. Em um período, algo como 5 anos, para as grandes corporações vai se tornar uma obrigação, impulsionada pelos riscos climáticos e pela pressão de investidores.
Medir, reportar, usar a ciência e padrões internacionais comparáveis são caminhos sem volta que as Mudanças Climáticas estão trazendo. Os negócios e o mundo estão ficando mais complexos, precisamos acompanhar e entender o que está acontecendo. A questão não é "se vou reportar", e sim "quando vou começar".
Boa leitura e reflexão!
Organizações e Referencias
SBTi – Science Based Target Initiative - Ambitious corporate climate action - Science Based Targets Initiative https://sciencebasedtargets.org/
Metas Baseadas em Ciência para Governos Subnacionais - CDP
Net-Zero_Full-Paper_Brazilian-Portuguese.pdf https://files.sciencebasedtargets.org/production/files/Net-Zero_Full-Paper_Brazilian-Portuguese.pdf
Mátéria Tim Mohin CEO GHG Protocol
‘Reportar emissões, cada vez mais, passa a ser uma obrigação’, diz Tim Mohin, CEO da GHG Protocol https://oglobo.globo.com/economia/transicao-energetica/noticia/2026/08/20/reportar-emissoes-cada-vez-mais-passa-a-ser-uma-obrigacao-diztim-mohin-ceo-da-ghg-protocol.ghtml
WRI – World Resources Institute - Science Based Targets initiative (SBTi) | World Resources Institute https://www.wri.org/initiatives/science-based-targets
WWF – World Wide Fund for Nature
Iniciativa de Metas Baseadas em Ciência | WWF https://wwf.panda.org/discover/our_focus/climate_and_energy_practice/what_we_do/climatebusiness/science_based_targets_initiative/
CDP – Carbon Disclousure Project
CDP: Transformando transparência em ação https://www.cdp.net/pt
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Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da "bolha" da sustentabilidade.
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