Metas baseadas na Ciência - Science Based Targets initiative (SBTi): Um Desafio para Todos - Artigo 15

𝗙𝗲𝗿𝗻𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗙𝗶𝗴𝘂𝗲𝗶𝗿𝗲𝗱𝗼 - A Science Based Targets initiative (SBTi) é uma organização global sem fins lucrativos que ajuda empresas e instituições financeiras a definirem metas de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) alinhadas ao que a ciência climática considera necessário para limitar o aquecimento global a 1,5°C (ou abaixo de 2°C), seguindo o Acordo de Paris

Atualizado em 31/08/2026 às 19:08, por Redação Envolverde.

Foto de dois cientistas em uma bancada de pesquisa.

por Fernando Figueiredo - Coluna Envolverde – Emergência Climática: E nós com isso? 

Na prática, a SBTi cumpre três papéis centrais:

  • Define padrões e critérios para que as metas sejam consideradas "baseadas na ciência".
  • Valida as metas propostas pelas empresas, conferindo credibilidade.
  • Promove boas práticas e dá suporte técnico para a descarbonização corporativa.

O diferencial em relação a outros compromissos voluntários é o rigor: a meta não é apenas uma promessa, mas um compromisso quantificado, com prazo e metodologia verificável, alinhado a cenários científicos de descarbonização.

Você pode estar se perguntando por que estou trazendo um tema tão técnico e específico, como inventários de carbono e metas de redução baseadas na ciência nas minhas colunas. A resposta tem várias frentes, mas trazendo para o nosso dia a dia: Nós, cidadãos e consumidores, precisaremos conhecer este tema para fazer melhores escolhas sobre o que consumimos, de quem compramos produtos, serviços e quais empresas estão nessa trilha da descarbonização. Afinal, se uma empresa deseja sobreviver no médio e longo prazo, ela precisará planejar e atuar de forma a reduzir seus riscos e construir reputação para os seus negócios, e Nós vamos escolher e privilegiar as organizações que estão nessa trilha. 

Fernando Figueiredo

As mudanças climáticas não são mais uma ideia abstrata do futuro, ou algo que um dia vamos vivenciar. Já estamos vivendo isso hoje, e essa é uma certeza científica, quer acreditemos ou não, as emissões antrópicas geradas pelo modo de vida do Homo Sapiens estão acelerando o processo. 

Os dados científicos e os eventos climáticos estão aí para nos provar isso. O lado positivo é que hoje também temos as tecnologias e soluções capazes de mudar esse quadro. Porém, elas demandam uma mudança de visão e de alocação de recursos, tema que fica para um próximo artigo.

Na sua empresa, negócio, organização governamental ou não governamental onde trabalham ou atuam, vocês já analisam as implicações climáticas ligadas a operação de vocês, os riscos e oportunidades ligadas a essa agenda? Tem dimensão do que elas vão exigir no curto, médio e longo prazo? 

A SBTi foi fundada em 2015, como uma colaboração entre cinco organizações: CDP (plataforma global de disclosure ambiental), United Nations Global Compact (UNGC) o Pacto Global da ONU, We Mean Business Coalition, World Resources Institute (WRI) e World Wide Fund for Nature (WWF).

Os números oficiais atuais trazem o seguinte panorama: 14.017 empresas no mundo com metas ou compromissos, 11.730 com metas validadas, 2.733 com metas net zero e 2.447 com compromissos ativos.

Alcançar mais de 11.700 empresas validadas fortaleceu o papel da SBTi na vanguarda da ambição climática corporativa, apoiando ações climáticas credíveis e responsáveis em larga escala. É também uma conquista e um desafio significativo para as próprias empresas, cuja liderança climática está ajudando a acelerar a transição para uma economia de emissões líquidas zero, um desafio para qualquer negócio.

Vale salientar que a grande maioria desse movimento está mais forte entre as empresas europeias, que representam uma fatia substancial das 11.730. A Ásia teve um crescimento expressivo nos últimos tempos, e o Japão possui hoje o maior número de empresas validadas no mundo, mais de 2.000, seguido por Reino Unido, Estados Unidos e China.

O Brasil conta com mais de 50 empresas com metas climáticas ambiciosas, o que mostra que o movimento já acontece por aqui e quem está nele sabe os desafios que ele traz. 

São muitos desafios neste momento que vivemos, e na semana passada, no evento Sustentável do CEBDS, o CEO do GHG Protocol, Tim Mohin, esteve presente e trousse em sua fala que reportar emissões vai deixar de ser opcional. Em um período, algo como 5 anos, para as grandes corporações vai se tornar uma obrigação, impulsionada pelos riscos climáticos e pela pressão de investidores.

Medir, reportar, usar a ciência e padrões internacionais comparáveis são caminhos sem volta que as Mudanças Climáticas estão trazendo. Os negócios e o mundo estão ficando mais complexos, precisamos acompanhar e entender o que está acontecendo. A questão não é "se vou reportar", e sim "quando vou começar".

Boa leitura e reflexão!

Organizações e Referencias 

SBTi – Science Based  Target Initiative - Ambitious corporate climate action - Science Based Targets Initiative   https://sciencebasedtargets.org/

Metas Baseadas em Ciência para Governos Subnacionais - CDP  

O Impulso da Ação Climática Corporativa Cresce À medida que o SBTi alcança 10.000 empresas com metas validadas - Iniciativa de Metas Baseadas em Ciência

Net-Zero_Full-Paper_Brazilian-Portuguese.pdf  https://files.sciencebasedtargets.org/production/files/Net-Zero_Full-Paper_Brazilian-Portuguese.pdf

Mátéria Tim Mohin CEO GHG Protocol 

‘Reportar emissões, cada vez mais, passa a ser uma obrigação’, diz Tim Mohin, CEO da GHG Protocol  https://oglobo.globo.com/economia/transicao-energetica/noticia/2026/08/20/reportar-emissoes-cada-vez-mais-passa-a-ser-uma-obrigacao-diztim-mohin-ceo-da-ghg-protocol.ghtml

WRI – World Resources Institute - Science Based Targets initiative (SBTi) | World Resources Institute   https://www.wri.org/initiatives/science-based-targets

WWF – World Wide Fund for Nature 

 Iniciativa de Metas Baseadas em Ciência | WWF   https://wwf.panda.org/discover/our_focus/climate_and_energy_practice/what_we_do/climatebusiness/science_based_targets_initiative/

CDP – Carbon Disclousure Project 

CDP: Transformando transparência em ação   https://www.cdp.net/pt

_______________________________________________________________________________________________________________________

Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da "bolha" da sustentabilidade.

Envolverde


Leia também:

/apidata/imgcache/bfd8ca8ce541a6435be8698bff132bae.jpeg?banner=middle&when=1789596504&who=161