Pesquisa global revela que cidadãos apoiam a criação de um Parlamento Mundial

À medida que a democracia enfrenta pressões em todo o mundo e a confiança no direito internacional diminui, uma nova pesquisa global revela que os cidadãos da grande maioria dos países apoiam a ideia de criar um parlamento mundial eleito pelos cidadãos para lidar com questões globais.

Atualizado em 22/01/2026 às 12:01, por Inter Press Service.

Uma pesquisa global realizada em 101 países revela apoio majoritário à criação de um parlamento mundial eleito pelos cidadãos para lidar com questões globais, refletindo uma preocupação generalizada com uma ordem internacional ultrapassada e antidemocrática. Crédito: Democracy Without Borders

Por Democracia Sem Fronteiras

BERLIM, Alemanha, janeiro de 2026 (IPS) - À medida que a democracia enfrenta pressões em todo o mundo e a confiança no direito internacional diminui, uma nova pesquisa global revela que os cidadãos da grande maioria dos países apoiam a ideia de criar um parlamento mundial eleito pelos cidadãos para lidar com questões globais.

A pesquisa, encomendada pela organização Democracia Sem Fronteiras e realizada em 101 países, representando 90% da população mundial, constatou que 40% dos entrevistados apoiam a proposta, enquanto apenas 27% se opõem. Trata-se da maior pesquisa já realizada sobre o tema.

O apoio é mais forte nos países do Sul Global, especialmente na África Subsaariana, e entre grupos frequentemente sub-representados nos sistemas políticos nacionais — jovens, minorias étnicas e pessoas com menor renda ou nível de escolaridade. Em 85 dos 101 países pesquisados, mais entrevistados apoiam a ideia do que se opõem a ela.

“A mensagem é clara: pessoas em todo o mundo estão prontas para expandir a representação democrática para a escala global”, disse Andreas Bummel, Diretor Executivo da organização Democracia Sem Fronteiras. “Esta pesquisa mostra que existe um grupo global crescente que deseja ter voz nas decisões que afetam a humanidade como um todo”, acrescentou.

As conclusões surgem num momento em que o sistema internacional está sob crescente pressão devido às alterações climáticas, guerras, conflitos geopolíticos, ressurgimento do autoritarismo e estagnação da cooperação global. Os resultados sugerem que muitos cidadãos — especialmente nos países menos poderosos — veem um parlamento mundial como um caminho para uma governação global mais justa e eficaz.

Em países com liberdades políticas limitadas, o apoio a um parlamento mundial é particularmente elevado. De acordo com a organização Democracia Sem Fronteiras, isso indica uma percepção pública de que instituições democráticas globais poderiam contribuir para o avanço da democracia também em âmbito nacional.

Notáveis ​​33% dos entrevistados em todo o mundo optaram por uma posição neutra, o que sugere desconhecimento do conceito. Uma análise dos resultados da pesquisa argumenta que isso indica um amplo espaço para o engajamento público. Se a ideia ganhar visibilidade, o apoio poderá crescer substancialmente, afirma o estudo.

“O sistema internacional criado no século passado para prevenir guerras e violência em massa se baseia nas Nações Unidas. Mas muitos Estados-membros da ONU não representam seus povos. Representam elites autoritárias opressoras que tomaram o poder.”

A proposta de um parlamento mundial eleito pelos cidadãos pode ser um passo vital na discussão sobre a construção de uma ordem global mais democrática”, disse Oleksandra Matviichuk, diretora do Centro para as Liberdades Civis na Ucrânia, laureada com o Prêmio Nobel da Paz.

Segundo a pesquisa, a oposição líquida encontrada em cada país está mais concentrada nas democracias de alta renda. “Isso não é uma rejeição à democracia. É um lembrete de que o privilégio pode gerar complacência e que aqueles que se beneficiam dos arranjos existentes podem subestimar a urgência com que eles precisam ser renovados”, comentou George Papandreou, membro do Parlamento grego e ex-primeiro-ministro.

A organização internacional da sociedade civil Democracy Without Borders defende a criação de uma Assembleia Parlamentar das Nações Unidas como um passo rumo a um parlamento mundial democrático. A organização afirma que os resultados da pesquisa reforçam a urgência de os governos democráticos considerarem essa proposta de longa data.

Escritório da ONU do IPS

IPS/Envolverde


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