Suzano destaca sustentabilidade como estratégia de negócio durante a São Paulo Innovation Week
𝙍𝙚𝙞𝙣𝙖𝙡𝙙𝙤 𝘾𝙖𝙣𝙩𝙤 - Durante o evento, debate reuniu lideranças corporativas e do terceiro setor para discutir governança, mecanismos de financiamento e o papel crucial da agricultura familiar na transição de cadeias produtivas livres de desmatamento.

Por Reinaldo Canto, especial para a Envolverde
A sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial reputacional para se tornar elemento central da estratégia de negócios das grandes empresas. Essa foi uma das mensagens mais fortes do painel “Capital Inovador para Destravar Cadeias Agropecuárias Responsáveis e Livres de Desmatamento”, realizado na sexta-feira, 15 de maio, durante a São Paulo Innovation Week.
O debate reuniu Sarita Severien, gerente de Clima e Carbono da Suzano; Beatriz Domeniconi, especialista em ESG do Agrobusiness do Itaú BBA; Daniel Brandão, diretor de soluções agrícolas da Vox Capital; e Marcos Gambi, gerente de finanças agrícolas da The Nature Conservancy (TNC), que atuou como moderador.
Sustentabilidade e Competitividade na Escala Global
Entre os participantes, a fala de Sarita Severien chamou atenção pela objetividade ao relacionar sustentabilidade, governança e competitividade. Representando uma das maiores empresas do setor de papel e celulose do mundo, ela reforçou que a Suzano incorporou definitivamente os compromissos socioambientais ao centro de suas operações.
A Suzano colocou a sustentabilidade na sua estratégia de negócio. Boas práticas de sustentabilidade no agro são os maiores seguros para o que vem
A executiva destacou que transparência, governança e uso de dados são fundamentais para garantir credibilidade aos mecanismos de financiamento climático e aos projetos voltados para cadeias produtivas livres de desmatamento.
“Transparência, governabilidade e dados nos levam longe, mas precisamos de boas práticas, senão não atende o que se espera”, explicou.
Ao abordar a escala das operações da companhia, Sarita lembrou que a Suzano planta atualmente cerca de 1,2 milhão de árvores por dia. Mais do que um dado impressionante, a informação demonstra o tamanho do desafio de conciliar produtividade, preservação ambiental e responsabilidade social.

Governança em Financiamentos Sustentáveis
Outro ponto importante foi a defesa de mecanismos robustos de governança para os financiamentos sustentáveis.
“Mecanismos de financiamento precisam ter governança muito forte. Tem que comprovar que está transformando de uma maneira positiva”, ressaltou.
Sarita também destacou que a relação com instituições financeiras exige um elevado nível de transparência e acompanhamento permanente de metas.
“Nossa fábrica é a maior do mundo certificada pelo IFC e com financiamento do BNDES. Os bancos requerem de nós muita transparência. Estamos sempre evoluindo e buscando atingir metas”, afirmou.
A Inclusão Estratégica da Agricultura Familiar
Durante o painel, ela ainda chamou atenção para um tema muitas vezes negligenciado nos grandes debates sobre sustentabilidade: o papel estratégico da agricultura familiar.
Segundo Sarita, boa parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros é produzida pelos pequenos agricultores, justamente os que mais enfrentam dificuldades para acessar linhas de financiamento e apoio técnico.
A observação traz um componente importante para o debate sobre transição sustentável no campo brasileiro. Falar em agro responsável não significa apenas discutir grandes cadeias exportadoras, mas também construir mecanismos capazes de incluir os pequenos produtores no processo.
Complexidade e os Desafios do Setor Financeiro
A representante do Itaú BBA, Beatriz Domeniconi, destacou que sustentabilidade no agronegócio envolve elevada complexidade técnica e regulatória.
Sustentabilidade é um trabalho complexo e o agro é a cereja do bolo
Ela observou que o ambiente corporativo relacionado à captação de recursos sustentáveis vem amadurecendo rapidamente, embora ainda existam muitas “áreas cinzas” relacionadas ao monitoramento e à definição de critérios.
“Quando deve ser monitorada? Quais mecanismos? Existem diversos desafios”, comentou.
Beatriz destacou ainda que práticas agrícolas mais produtivas tendem a reduzir impactos ambientais e aumentar eficiência.
Já Daniel Brandão, da Vox Capital, trouxe uma visão direta sobre os desafios climáticos ligados ao uso da terra.
Estamos diante do desafio de reduzir emissões. Cerca de 50% estão ligadas ao uso do solo e áreas degradadas e entre 25% e 30% às práticas agrícolas
Segundo ele, o Brasil precisa aumentar sua produção sem avançar sobre novas áreas de vegetação nativa.
“Tem que produzir mais sem desmatar”, resumiu.
Brandão defendeu a criação de incentivos econômicos e fiscais que recompensem produtores comprometidos com práticas sustentáveis.
“Para não desmatar legalmente é necessário incentivo fiscal. É o que propomos nesse fundo: além de práticas agrícolas mais sustentáveis, oferecer redução de juros e mais tempo para pagar em contrapartida à melhoria das práticas e ao desmatamento zero”, explicou.
Ele também reconheceu a dificuldade de mobilizar capital privado para determinadas atividades.
“Quando se fala em pecuária os investidores sobem pelas paredes”, comentou.
O Novo Patamar do Agro Brasileiro
O painel mostrou que o debate sobre sustentabilidade no agro brasileiro está entrando em uma nova etapa. Não se trata mais apenas de discurso ou marketing corporativo. O tema passa cada vez mais por governança, métricas, monitoramento, acesso a crédito e capacidade de demonstrar resultados concretos.
Nese contexto, a Suzano aparece como um exemplo de empresa que tenta alinhar escala produtiva, financiamento e compromissos ambientais em uma mesma estratégia. Em um cenário de emergência climática e pressão crescente por cadeias livres de desmatamento, iniciativas desse tipo tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
Envolverde

Reinaldo Canto
LONG BIO Jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente, diretor de projetos especiais do Instituto Envolverde. LONG BIO Jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente, diretor de projetos especiais do Instituto Envolverde. LONG BIO Jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente, diretor de projetos especiais do Instituto Envolverde. LONG BIO Jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente, diretor de projetos especiais do Instituto Envolverde. LONG BIO Jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente, diretor de projetos especiais do Instituto Envolverde.





