Ambiente

10 coisas sobre testes em animais que vão te surpreender

Por Olhar Animal – 

Este ano, o Lush Prize celebra 10 anos. Durante esse tempo, premiou 2,7 milhões de libras em 35 países a 126 cientistas, ativistas e educadores que trabalham para erradicar os testes em animais e, como tal, garantir um nível mais elevado de segurança pública.

O Lush Prize surgiu em 2012 como um projeto conjunto entre a Lush e a Ethical Consumer Research Association.”O seu objetivo era acelerar a substituição dos testes em animais nos testes de segurança de produtos, distinguindo e financiando projetos estratégicos e intervenções por todo o mundo”, afirma a Lush em comunicado.

“Ao longo dos anos, ficámos impressionados com a ciência desenvolvida capaz de prever com precisão e eficácia os dados de segurança relevantes para o ser humano. Contudo, sentimo-nos horrorizados com a continuidade dos testes em animais e com o facto de ainda termos de lutar contra isso”, diz. Além disso, sublinha, “a legislação contraditória significa que os testes em animais proibidos por uma lei continuam e aumentam sob outras, pelo que mais do que nunca, continuam a existir animais a sofrer com estes testes”.

Em homenagem a uma década de Lush Prize, a consultora científica Rebecca Ram destaca 10 coisas sobre testes em animais que poderão surpreendê-lo.

Confira:

1- Ainda acontece!

“Infelizmente, os testes em animais não são (ainda) uma página nos livros de história e centenas de milhões de animais ainda sofrem todos os anos em laboratórios de todo o mundo. Isto inclui testes de segurança (para ingredientes em, por exemplo, produtos químicos, medicamentos, cosméticos) e investigação científica experimental. Mais de três milhões de animais foram utilizados em experiências só no Reino Unido em 2021 e 192 milhões de animais são utilizados todos os anos, a nível mundial. [RR1] Este número é uma estimativa inteligente, uma vez que muitos países não publicam (ou mesmo contam) o número de animais que utilizam.

Sim, até mesmo na Europa

Um grande problema na União Europeia (UE) são dois pontos legislativos contraditórios. Em 2013, a Cosmetics Directive pôs em vigor uma proibição de cosméticos testados em animais. No entanto, uma iniciativa legislativa de testes de produtos químicos conhecida como REACH (Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Substâncias Químicas) interrompeu o progresso. A REACH foi aprovada em 2007, e exige que as empresas que fabricam ou importam produtos químicos na Europa cumpram determinados critérios por lei. Como tal, há um processo a seguir:

Os ingredientes devem primeiro ser registados na Agência Europeia dos Produtos Químicos;
Devem depois ser fornecidos dados de segurança extensivos sobre o ingrediente;
A falta de quaisquer dados de segurança, pode implicar a realização de testes em animais se não houver outro método disponível.
Embora os testes em animais ao abrigo da REACH só devam ser realizados como último recurso, os grupos de bem-estar animal estimam que 2,6 milhões de animais foram utilizados para testes ao abrigo da REACH desde o início do regulamento [RR2].”

2- Nem todos os testes em animais são legalmente requeridos

“Alguns testes em animais são legalmente requisitados (por exemplo, para produtos tais como drogas ou produtos químicos) e mesmo aqui há uma vasta margem para melhorias na utilização de métodos que não envolvam animais. Trata-se de testes ‘regulamentares’. No entanto, a grande maioria do uso de animais para testes não são regulamentares, mas sim de investigação ‘básica’ ou experimental, que é muito raramente (se alguma vez) recusada a aprovação e usada nova abordagem, os métodos que não utilizam animais poderiam, em vez disso, ser muito melhor investigados para esta finalidade.”

3- Tradição e rotina, não ciência

“Muitas vezes o uso de animais continua devido à conveniência ou tradição, uma vez que aqueles que realizam e aprovam os testes estão tão habituados aos animais, que continuam a usá-los, ainda que exista uma obrigação legal de usar métodos que não sejam em animais sempre que possível. Tal é a tendência para os testes em animais que os investigadores que propõem novos métodos relevantes para o ser humano são frequentemente aconselhados a realizá-los em animais.”

4- A segurança não é comprovada

“Os testes em animais revelaram-se pouco fiáveis na sua capacidade de prever a saúde e segurança humana. Os testes em animais não conseguem acompanhar a vasta quantidade de substâncias químicas emergentes que requerem testes e milhares de substâncias químicas ainda com riscos desconhecidos, apesar de décadas de testes em animais [RR3]. 90% dos novos medicamentos falham durante os testes (clínicos) em seres humanos, medicamentos aprovados anteriormente em testes (pré-clínicos) baseados, em grande parte, em animais. Os animais podem reagir de formas que os humanos não reagiriam, por exemplo, existem produtos que poderiam ser seguros e eficazes para nós, mas que são rejeitados com fundamento nos testes em animais [RR4].”

5- Os testes em animais não são fiáveis

“Os animais são fracos modelos para os seres humanos e raramente sofrem de doenças humanas. Isto é bem conhecido na ciência, pelo que os animais são rotineiramente modificados geneticamente (GM) aos milhões todos os anos, para tentar criar artificialmente doenças, tais como perturbações neurológicas como a doença de Parkinson, falência de órgãos ou cancro. Os animais geneticamente modificados são agora um grande negócio, existindo vários laboratórios, por todo o mundo, especializados no seu fornecimento.”

6- Os testes em animais são demorados e dispendiosos

“Por exemplo, um único teste a um produto químico para verificar o seu potencial de causar cancro pode demorar até dois anos a ser realizado, utilizar 860 roedores, custar entre dois e quatro milhões de dólares, e no total pode demorar cinco anos para planear, realizar e analisar os resultados [RR5]. Os novos métodos de abordagem têm o potencial de serem mais rápidos, mais baratos e mais fiáveis. Como o custo médio de obter a aprovação de um novo medicamento custa mais de dois mil milhões de dólares e leva 10-12 anos, isto significa que as empresas desperdiçam milhares de milhões de dólares. Como foi observado num estudo recente de Thomas Hartung e da equipa do Centre for Alternatives to Animal Testing (CAAT). ‘muitos testes em animais são simplesmente demasiado dispendiosos, demoram demasiado tempo e dão resultados enganosos’, quando os métodos sem animais – as chamadas New Approach Methodologies (NAMs) – são mais eficientes, rentáveis, e crucialmente mais precisos em termos de impacto na saúde humana, de facto ‘o desempenho das novas abordagens sem animais é frequentemente tão elevado que tornaram a experimentação animal obsoleta…’.”

7- São utilizadas em testes praticamente todas as espécies de animais

“A maioria dos animais utilizados são ratos, aves e peixes. Macacos e cães são também utilizados rotineiramente em testes de drogas, mas quase todas as outras espécies animais são também utilizadas
de alguma forma. Quase todos os animais que possas imaginar são utilizados na investigação laboratorial. E um teste não corresponde apenas a um animal … Só um teste químico (por exemplo, para anomalias reprodutivas) pode usar 3200 animais.”

8- Os mesmos tipos de testes em animais são repetidos

“Estes são frequentemente chamados de ‘modelos bem estabelecidos’ que repetem os mesmos tipos de procedimentos. Estes podem ser estudos experimentais ou testes para os mesmos químicos feitos repetidamente, por exemplo, uma análise dos dados químicos da UE descobriu recentemente que, para dois químicos, os mesmos testes oftalmológicos cruéis em coelhos haviam sido realizados 90 vezes [RR6].”

9- Existe melhor ciência à nossa disposição

“A grande maioria dos testes em animais é alegadamente em benefício do ser humano, mas não são relevantes para o ser humano. Ao invés, muitos dos novos métodos que combinam in vitro (células humanas, tecidos, mini órgãos e ‘chips’) e in silico (técnicas informáticas de ponta e inteligência artificial) estão a avançar e a gerar resultados mais relevantes para o ser humano.”

10- As Metodologias da Nova Abordagem vacilam devido a um sistema regulador que não é concebido para estas

“Antes de um método poder ser utilizado para fins regulamentares, deve ser validado e inserido nas diretrizes oficiais de testes… Os reguladores só aceitam testes feitos de acordo com estes métodos internacionalmente, para assegurar que as empresas submetem dados consistentes, mantidos dentro de um padrão elevado. Mas o processo para obter a aprovação de novos métodos é penosamente lento. Os testes têm de ser validados e capazes de provar a consistência dos resultados, bem como que coincidam com os resultados encontrados nos testes em animais. Isto perpetua um sistema defeituoso. No entanto, os métodos sem animais não são concebidos para imitar testes não fiáveis em animais, mas sim para fornecer uma ciência mais avançada, relevante em termos humanos para os testes de segurança e investigação. Melhor para os animais e melhor para nós.”

Fonte: Notícias ao Minuto / mantida agrafia lusitana original

*Crédito imagem destacada: Shutterstock

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