ODS 15

Balanço do maior projeto de conservação de espécies ameaçadas do Brasil

Em 10 anos, Pró-Espécies: Todos contra a Extinção avaliou o estado de conservação de quase 20 mil espécies da fauna e da flora e realizou mais de 225 expedições de campo

Balanço do maior projeto de conservação de espécies ameaçadas do Brasil

Reconhecido mundialmente como o maior projeto voltado para a avaliação do estado de conservação das espécies da fauna e da flora, o Pró-Espécies: Todos contra a extinção apresentou no final de maio, durante evento de comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade, 22/05, no auditório do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, balanço das atividades e ações desenvolvidas.

A iniciativa que criou mecanismos para a redução de ameaças a pelo menos 290 espécies categorizadas como Criticamente em Perigo (CR), das quais 193 não contavam com nenhum instrumento de conservação, realizou nos últimos 10 anos 19.264 avaliações de espécies, sendo, 4.315 da flora e 14.949 da fauna. Foram 225 expedições de campo feitas em parceria com Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Jardim Botânico do Rio de Janeiro e centenas de outros parceiros que resultaram na redescoberta e descrição de pelo menos 10 espécies.

Um esforço fundamental em um país que tem 4.457 espécies em risco, sendo 147 no bioma Marinho, 267 no Pampa, 3.448 na devastada Mata Atlântica, 2.319 no Cerrado invadido pela monocultura de grãos alimentícios para exportação, 1.615 na Caatinga, 149 no Pantanal e 531 na Amazônia.

“É um dia especial e de comemoração. Temos muitas entregas porque temos trabalhado muito no sentido de fortalecer nossas ações em prol da conservação da biodiversidade como o projeto Pró-Espécies que existe já há alguns anos e com impactos muito significativos para nossas espécies ameaçadas. Se de um lado temos a preocupação da nossa biodiversidade de onde ela está, de outro lado também temos a preocupação de devolver a biodiversidade para onde ela deveria estar” afirmou Rita Mesquita, Secretária Nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

O projeto foi instituído em 2014 e está em seu último ano de execução. As atividades se desenvolvem em 12 estados, em 62 milhões de hectares e investimentos de R$ 62,5 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) em projetos, por exemplo, de proteção de peixes amazônicos e marinhos, eglas (da família dos crustáceos) da Mata Atlântica, invertebrados terrestres e aquáticos, répteis, aves, mamíferos e muitas plantas. A iniciativa é implementada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e tem o WWF-Brasil como executor.

Em seis anos, o projeto apoiou a elaboração e implementação de 21 Planos de Ação Nacionais e Territoriais para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PANs e PATs). E das 193 Espécies Criticamente em Perigo (CR) de extinção, que não contavam com instrumentos de conservação, agora estão contempladas: 112 da Flora, 50 Peixes Continentais, 19 Invertebrados Terrestres, 6 Invertebrados Aquáticos, 2 Peixes Marinhos, 2 Répteis, 1 Ave e 1 Mamífero.

Espécies exóticas invasoras

Durante o evento, o Ministério lançou o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida (PGADPRR) e três manuais específicos para ambientes terrestres, marinhos e dulcícolas. Os documentos inovadores visam fortalecer a capacidade do país em identificar e mitigar a introdução e a propagação de espécies exóticas invasoras que podem causar sérios impactos ao meio ambiente, à economia e à saúde pública.

As espécies exóticas invasoras reconhecidas como uma das principais causas de perda de biodiversidade em termos globais, com estimativas de que influenciam 25% dos eventos de extinção de plantas e 33% de animais. Do ponto de vista de perdas econômicas, uma análise recente organizada na base de dados Invacost, aponta um custo médio de U$S 26,8 bilhões dólares por ano devido a perdas de produção e custos de controle.

No Brasil, já foram identificados pelo MMA juntamente com diversos setores (setor público, econômico e terceiro setor) aproximadamente 445 espécies exóticas invasoras, sendo cerca de 255 espécies da fauna e 190 da flora. Além disso, foram identificadas cerca de 50 espécies exóticas de fauna e 48 da flora ausentes ou contidas com risco de invasão no Brasil.

O lançamento é resultado do Programa Nacional de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida para Espécies Exóticas Invasoras (PNADPRR), desenvolvido no âmbito do Pró-Espécies e tem o objetivo de viabilizar a aplicação de medidas de erradicação e

controle, denominadas ações de resposta rápida, a focos iniciais de invasão biológica ou a novas ocorrências de espécies exóticas, maximizando dessa forma as oportunidades de eliminação definitiva desses problemas e reduzindo custos.

O Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida funcionará como um guia para a tomada de decisão, desde o recebimento de uma notificação pelo órgão competente até a execução de ações de resposta, monitoramento e repasse. Já os manuais foram elaborados de modo a oferecer uma explicação detalhada de cada passo a ser seguido nos diferentes ambientes, como informações complementares sobre métodos e técnicas de monitoramento e controle.

Esses documentos vão fornecer diretrizes práticas e acessíveis para profissionais e instituições envolvidos na gestão ambiental tanto na esfera pública – estados e Unidades de Conservação (UCs) -, quanto na privada. “O objetivo principal é que os manuais facilitem a compreensão dos processos de detecção precoce e das alternativas que a gente têm para aplicação do protocolo, permitindo que as ações de uma notificação de ocorrência dessas espécies exóticas tenham agilidade. A proposta é maximizar a possibilidade de erradicação e contenção ou controle desses novos casos de invasão”, acrescentou o coordenador geral do Departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, Ronaldo Morato.

Cada manual contém ainda uma série de anexos de apoio à operacionalização do programa com uma breve descrição de vias/vetores de introdução e dispersão de espécies exóticas invasoras, um diretório de fontes de informação e contatos, com potencial aplicação para a formação da Rede de Colaboradores, exemplos de planos de resposta rápida, materiais e equipamentos básicos para ações de manejo e modelos de aplicação prática do Protocolo Geral.

Campeão de Biodiversidade

O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta. São cerca de 100 mil espécies de animais vertebrados e invertebrados habitando o país, sendo mais de duas mil espécies de peixes catalogadas, a maior variedade do mundo, 1.800 diferentes espécies de aves de tamanhos e cores diversas. Estima-se, ainda, entre 90 mil e 120 mil espécies de insetos vivem no país, E até os fungos, nem sempre lembrados e visíveis, o Brasil tem 10% das 5 mil espécies que existem.

Acesse aqui os documentos:

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