ODS 5

O corpo e o direito à folia no carnaval  

Mulheres têm o direito á diversão sem importunação.

O corpo e o direito à folia no carnaval  

por Darlene Menconi – especial para a Envolverde

Arremessou no chão o terninho e os sapatos de salto alto como se arrancasse de si uma incômoda camada de pele.

Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 Igualdade de Gênero

Depois vestiu maiô e óculos de natação, enrolou uma toalha de banho na cintura. E saiu para o bloco de carnaval na Vila Madalena.

Em meio à multidão, encontrou outra foliã de toalha, maiô e snorkel. Abraçaram-se feito velhas amigas que se encontram por acaso, num sábado de verão.

Dançaram juntas, embaladas pela voz da cantora Suzana Salles, cujo vestido bordado com abridores de lata de alumínio brilhava dentro do trio elétrico.

Aquelas cenas impactaram minhas retintas calejadas.

Os corpos são mais do que apenas formas físicas no carnaval; são veículos de expressão artística e cultural.

Nos desfiles das escolas de samba, o brilho das plumas, os paetês e as cores vibrantes das fantasias muitas vezes são usados para destacar a beleza dos corpos de passistas e rainhas de bateria com pernas, coxas e glúteos esculpidos, exuberantes.

São imagens que reforçam a representação idealizada dos corpos femininos, alimentam padrões inatingíveis de beleza e reforçam estereótipos.

E por isso é tão impactante o que ocorre nos blocos do carnaval de rua de São Paulo.

A Estética Carnavalesca

A ousadia das roupas, a criatividade dos adereços e a diversidade dos corpos e danças contam histórias, homenageiam tradições e destacam a rica herança cultural brasileira.

Nos bloquinhos do carnaval paulistano é possível ver um desfile de adiposidades, magrezas extremas, carnes moles, flácidas, felizes.

Corpos de todos os tipos, tamanhos e idades são exibidos sem pudor, em uma manifestação de criatividade e liberdade.

Mulheres, sobretudo, estão se apropriando do espaço carnavalesco, em um movimento crescente para desafiar padrões e celebrar a diversidade. Características consideradas “imperfeitas” são exibidas como um ato de ativismo, aceitação, autoestima e poder pessoal.

Ora reprimido, ora negligenciado pelo poder público na maior cidade do país, o direito à folia nas ruas tem pouco mais de uma década. E mostra como o carnaval se exprime como festa popular e manifestação artística, mas também como exercício de um direito cultural.

Em 2013 havia 42 blocos de rua. Em 2023, mais de 600 desfilaram pela capital paulista, que passou a ter um dos maiores carnavais de rua do Brasil.

Nem tudo são flores, porém. Falta garantir proteção e segurança às meninas e mulheres. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva feita em janeiro de 2024 revela que 7 em cada 10 mulheres têm medo de assédio no carnaval.

A prevenção e o combate às agressões sexuais e demais violências contra as mulheres se dá com políticas públicas, como ficou evidente no caso do jogador de futebol Daniel Alves, preso na Espanha, acusado de estupro.

Uma das razões é o protocolo “No Callem”, adotado na Catalunha, que garantiu a abordagem imediata do agressor, e sua posterior prisão, o acolhimento e a proteção à vítima, assegurando seu anonimato e coletando provas e testemunhos.

É assim que se garante o exercício da cidadania. Qual sua opinião sobre o assunto?

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Darlene Menconi jornalista multimídia, especializada em Tecnologia, Sustentabilidade e Liderança Feminina. Participa do Conselho editorial da Envolverde.

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