Mais de 53 mil crianças foram assassinadas na América Latina em sete anos

Em sete anos, entre 2015 e 2022, 53.318 crianças e jovens foram assassinados na América Latina, evidenciando que a violência continua sendo uma ameaça à vida e ao bem-estar de milhões de menores, revelou um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Atualizado em 02/02/2026 às 16:02, por Inter Press Service.

Crianças caminhando na rua protestando contra a violência

Correspondente da IPS

WASHINGTON – O documento “Violência contra crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe”, elaborado em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), revela ainda que, entre 2021 e 2022, a taxa de homicídios de mulheres jovens duplicou, passando de 2,13 para 5,1 mortes por 100 mil habitantes.

A violência letal está ligada ao crime organizado, ao fácil acesso a armas, às desigualdades sociais e a normas de gênero prejudiciais.

No entanto, de modo geral, a violência está presente desde muito cedo. Seis em cada dez crianças até aos 14 anos são submetidas a alguma forma de castigo violento em casa, enquanto um em cada quatro adolescentes sofre bullying na escola. O abuso em ambientes digitais também está a aumentar.

Roberto Benes, diretor regional do UNICEF, observou que “diversos locais e situações na região apresentam riscos e perigos reais para as crianças”.

“Todos os dias, milhões de crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe vivem expostos à violência, em casa, na escola e em comunidades com presença de gangues”, explicou Benes.

Por sua vez, Jarbas Barbosa, diretor da OPAS, destacou que “a violência tem um impacto profundo e duradouro na saúde física e mental de crianças e adolescentes, e viola o seu direito de crescer em ambientes seguros, em casa, na escola e na comunidade”.

Os dados do estudo, que se concentra em adolescentes de 15 a 17 anos, mostram tendências contrastantes por sexo. Enquanto a taxa de homicídios entre as adolescentes duplicou, entre os rapazes diminuiu de 17,63 para 10,68 mortes por 100.000 habitantes, um nível ainda considerado elevado.

Além disso, na região, seis em cada dez crianças e adolescentes de até 14 anos são submetidos a algum tipo de disciplina violenta em casa, enquanto um em cada quatro adolescentes de 13 a 17 anos sofre bullying.

Quase uma em cada cinco mulheres na América Latina e no Caribe relata ter sofrido violência sexual antes dos 18 anos. E, cada vez mais, essa violência ocorre em ambientes digitais, embora os dados disponíveis ainda sejam limitados.

O relatório foi validado durante uma consulta regional realizada em outubro de 2025, com mais de 300 participantes, incluindo ministros e altos funcionários dos setores da saúde, educação, justiça e proteção infantil, bem como representantes da sociedade civil, líderes jovens e parceiros internacionais.

O estudo UNICEF-OPAS propõe soluções baseadas em evidências: fortalecer as leis de proteção à criança, controlar o acesso a armas de fogo, capacitar professores, policiais e profissionais de saúde, apoiar pais e responsáveis, investir em ambientes educacionais seguros e ampliar os serviços de resposta.

Barbosa afirmou que “os serviços de saúde desempenham um papel fundamental na prevenção e resposta: quando os profissionais de saúde identificam precocemente pessoas e grupos em risco e fornecem apoio oportuno e de qualidade, isso pode fazer uma diferença real para os sobreviventes, suas famílias e comunidades”.

Benes afirmou que “sabemos como acabar com a violência. Na América Latina e no Caribe, são necessárias políticas públicas fortes e contínuas para prevenir e combater a violência em todas as suas formas, para que todas as crianças possam crescer em um ambiente seguro”.

AE/HM

IPS/Envolverde


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