Fábulas Fabulosas: O homem que soluçava
Por Samyra Crespo* – Era uma vez um TIRANO VITUPERANTE, num reino imaginário, que tinha por hábito praticar diariamente o destempero com seus empregados, súditos e quem mais encontrava pela frente: escolhia sempre as palavras mais azedas, mais ferinas e degradantes – chulas – para dirigir-se a quem quer que fosse.
Por Samyra Crespo* –
Era uma vez um TIRANO VITUPERANTE, num reino imaginário, que tinha por hábito praticar diariamente o destempero com seus empregados, súditos e quem mais encontrava pela frente: escolhia sempre as palavras mais azedas, mais ferinas e degradantes – chulas – para dirigir-se a quem quer que fosse. Seu alvo preferido eram as mulheres, os jornalistas e certas emissoras de televisão. Mas não poupava as minorias nem os vulneráveis. E por sofrer de um daltonismo ao contrário – só enxergava o vermelho, o resto para este desditoso tirano era tudo branco e preto. E à noite, em sua cama, só o visitava a escuridão.
Um dia, sem a audiência costumeira, de acólitos e puxa sacos que o aplaudiam, começou a praguejar sozinho diante do espelho, e por uma auto-magia, mesmerização ou auto hipnotismo, ENGOLIU as próprias palavras. Que gosto amargo!!! Como tijolos e gilletes elas foram pesando, rasgando, queimando, causando soluços que passaram de desconfortáveis a dolorosos. Até que lhe atingiram os intestinos. Foi então que ele compreendeu toda a sina dos dragões que cospem fogo.
Louise Hay, uma autora conhecida no mundo das “terapias holísticas “, afirma em seus livros que cada doença está ligada a uma emoção. E que as emoções em desequilíbrio causam doenças e destroem nossos órgãos. Assim, o medo causa as doenças da bexiga, os afetos mal resolvidos se manifestam nos cardíacos e a raiva no pâncreas e nos intestinos.
Para ela a raiva seria a mais destrutiva das emoções.
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Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”. Foi vice-presidente do Conselho do Greenpeace de 2006-2008.

Samyra Crespo
Samyra Crespo é historiadora, pesquisadora e uma das pioneiras mais expressivas do movimento ambientalista e da ecologia social no Brasil. Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), construiu uma trajetória marcante na articulação entre ciência, políticas públicas e engajamento da sociedade civil. Destacou-se ao conceber e coordenar por mais de duas décadas a pesquisa pioneira "O que o brasileiro pensa do meio ambiente", estudo fundamental para compreender a percepção pública sobre a pauta ecológica no país. Com participação decisiva na Eco-92 e na construção da Agenda 21 Brasileira, presidiu o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2013–2016) e atuou como pesquisadora titular do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Integrou o Conselho do Greenpeace Brasil, esteve à frente do programa ambiental do ISER e foi professora visitante na Universidade de Colúmbia (EUA). Sua atuação segue como referência central para os debates de sustentabilidade, justiça socioambiental e governança democrática no Brasil.





