ODS 13

A falta que ela me faz: cidades brasileiras não estão preparadas para enfrentar os fenômenos climáticos

Foto: Marcus Millo de Getty Images
Foto: Marcus Millo de Getty Images

Por Reinaldo Canto, especial para Envolverde

Não tem sido por falta de alertas. os cientistas e ambientalistas já cantaram essa bola há muito tempo. Anos após anos o IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU na sua sigla em inglês), vem publicando relatórios sobre a necessidade de os seres humanos mudarem a maneira de se relacionar com o planeta; hábitos de consumo e uma efetiva redução no uso de energias fósseis como petróleo, carvão e gás natural.

O que antes era chamado de mudança climática se transformou em emergencia climática e nesse cenário de caos que já temos visto no Brasil e no mundo, os gestores públicos tem se mostrado totalmente despreparados para o enfrentamento desses fenômenos cada vez mais graves e persistentes.

O que está acontecendo agora no Rio Grande do Sul nos deixa a todos perplexos, tristes e chocados. Uma quantidade de água sem precedentes deixou o estado, literalmente, debaixo d´água. Mas não foi inédito ou totalmente surpreendente. Algo muito parecido já havia acontecido ano passado no litoral norte de São Paulo. Nas duas situações chuvas como essas jamais haviam sido registradas. E sem necessidade de bola de cristal ou previsões catastróficas, podemos afirmar que novos episódios como esses vão continuar a vitimar pessoas e destruir cidades.

Não adianta chorar por aquilo que não foi feito, Mas é preciso agir já, imediatamente, sem demora. O poder público precisa trabalhar com urgência para tornar nossas cidades mais resilientes e capazes de, minimamente, enfrentar os fenômenos climáticos extremos.

Existem muitas ações que podem ser tomadas principalmente pelas prefeituras:

Cuidar e ampliar as áreas verdes com plantio de árvores na cidade ajudam a reduzir a sensação de calor, absorvem parte da água das chuvas e também retiram carbono da atmosfera principal fator do aquecimento global;

Incentivar a troca de veículos do transporte público movidos a diesel ou gasolina por elétricos que não emitem gases de efeito estufa, melhoram a qualidade do ar e ainda reduzem os níveis de ruído nas cidades;

Atenção especial com cursos d´água que passam dentro ou próximos das cidades. Rios e córregos limpos e com suas margens protegidas por saudáveis matas ciliares irá ajudar e muito para que eles não transbordem inundando as ruas, casas e comércio causando inúmeros prejuízos.

Uma cidade que promove a economia circular, ou seja, que seus resíduos possam ser reutilizados ao invés de serem descartados, garante que esses materiais não vão parar em terrenos baldios ou rios que agravam o aquecimento global e ainda podem ser vetores para a transmissão de doenças. Essa uma medida com ganhos múltiplos para a saúde pública e a economia local.

Importante também estar atento as famílias que vivem em habitações precárias principalmente em morros e encostas. essas pessoas serão as primeiras a sofrerem as consequências dos fenômenos climáticos extremos. Portanto, o poder público precisa garantir lugar seguro para que essas famílias possam viver com segurança.

Não são todas, mas parte dessas ações, sem dúvida, custam dinheiro e, invariavelmente, os valores devem sair dos cofres públicos, mas a alternativa é infinitamente mais custosa em sofrimento e perdas econômicas.

O certo é que muito precisa ser feito tudo pra ontem, sem mais demora.

Envolverde