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Sociedade

O que ganhamos se o Minhocão de SP virar parque


por Marcia Hirota*

[caption id="attachment_119853" align="aligncenter" width="520"] A High Line em Nova York era um viaduto como o Minhocão de São Paulo. Virou parque. Foto: Divulgação/SOS Mata Atlântica[/caption]   Uma proposta que até pouco tempo parecia mais cenário de obra de realismo fantástico, acaba, pela primeira vez, de ganhar uma possibilidade real de se concretizar: a transformação do Minhocão, via expressa de 2,8 km que liga a região central à zona oeste da cidade de São Paulo, em parque municipal. O fato é que o novo Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo, em vigor desde 31 de julho, determina a desativação do Elevado Costa e Silva como passagem viária. Já sobre quando e como isto deverá acontecer, a Lei não é tão específica – não há prazos definidos para a desativação, que pode acontecer por meio da demolição ou da transformação, total ou parcial, da obra em parque. Recentemente, a implosão do Elevado da Perimetral para a revitalização e reurbanização da área portuária no Centro do Rio de Janeiro chamou a atenção de todos. Assim como o Minhocão, o viaduto costumava ser criticado por ser causador de diversos transtornos. Entre os principais, ter mudado a estética da região. Neste caso, a opção foi pela demolição. Se em São Paulo a opção for pelo parque, as vantagens são muitas, a começar pela ampliação da cobertura vegetal numa região tomada por concreto e aridez, além da oferta permanente de uma área de lazer, já acostumada a receber a população para caminhadas, corridas e passeios de bicicleta no período da noite ou aos finais de semana, quando a circulação de carros é proibida. E os benefícios vão além, como mostra o bom exemplo do “High Line Park”, o parque do momento de Nova York. Lá, moradores do entorno de uma antiga linha elevada de trem, que estava abandonada desde a década de 1980 e gerava degradação para o bairro, se uniram para pedir um parque no local. O grupo não só conseguiu impedir a demolição da estrutura, como também liderou um movimento que, em 2009, a transformou em espaço público. A Prefeitura de Nova York investiu no paisagismo um valor alto – US$ 100 milhões. Porém, segundo Amanda Burden, que era a responsável pelo planejamento urbano da cidade no período, o retorno foi enorme. Estima-se que a valorização imobiliária e a atração de novos investimentos na área geraram US$ 2 bilhões em receitas adicionais na economia. O que a cidade, os moradores e empresários ganham com essas áreas? Parques tornam a vizinhança mais valiosa e promovem a valorização dos imóveis. Um estudo da New York City Commercial Real Estate (CBRE) analisou a região de cinco parques e mostrou que, em média, escritórios fronteiriços aos parques tinham aluguel 44% maior do que os localizados um quarteirão mais distantes. O Bryant Park – que na década de 1980 era reduto de traficantes de drogas – foi o que mais valorizou os imóveis (63% comparado aos localizados um quarteirão de distância), seguido pelo Madison Square Park (54%), a High Line (51%), o Battery Park (39%) e o Hudson River Park (14%). É claro que esse é um movimento que, se não for bem administrado, traz consequências negativas geradas pela especulação imobiliária, mas esse é um tema para outro artigo. Além da questão econômica, tem também o bem-estar promovido por áreas verdes urbanas. Para Amanda, essas áreas públicas têm cinco principais funções: propiciam recreação, socialização, bem-estar espiritual, valorização econômica e geram orgulho ao cidadão. No entanto, não adianta criar um parque sem pensar no design e, principalmente, na manutenção – só o High Line tem custo anual de US$ 10 milhões para deixar a manutenção em dia. “Se um banco quebra e não é arrumado, no dia seguinte ocorre um crime, pois acham que ninguém está vendo”, afirma ela. Nossa luta é por mais áreas verdes e florestas nas áreas urbanas e no entorno das cidades. Afinal, o capítulo de meio ambiente da Constituição Federal diz que todos nós temos “direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida“. Exemplos dessa busca não faltam em São Paulo, onde movimentos lutam pelo Parque da Augusta e pela integridade do Parque Burle Max, ou seja, pelo bem comum e pela coletividade. A decisão se o Minhocão será ou não transformado em parque urbano fica para os próximos capítulos. Como os exemplos mostram, esse seria um ótimo caminho e depende da nossa mobilização! * Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica. ** Publicado originalmente publicado no Blog do Planeta e retirado do site SOS Mata Atlântica.
Crédito: chalabala/Fotolia.com

Educação

“Sr. criatividade” quer levar o século 21 a escolas brasileiras


por Vinícius de Oliveira, do Porvir

Projeto EdgeMakers integra disciplinas de criatividade, design thinking, empreendedorismo e fluência digital em um novo currículo. Dentro de alguns anos você vai ouvir falar de carreiras como piloto de drone civil (avião não-tripulado), especialista em sustentabilidade, consultor genético e diretor de cyberseguranca com muita frequência. São os chamados empregos do século 21, que vão demandar novas habilidades, como criatividade e empreendedorismo por parte dos profissionais. Como você viu no especial sobre especial sobre Personalização do Ensino feito pelo Porvir, escolas ainda mantém um sistema típico do século 20, enquanto o mundo já pede novas habilidades dos alunos. Não há receita de bolo, mas não falta quem queira trazer para o país um novo olhar para a educação. Um dos últimos a chegar é o norte-americano John Kao, também conhecido como “senhor criatividade”, que promete despertar o estudante brasileiro para a inovação. [caption id="attachment_119861" align="aligncenter" width="601"] Crédito: chalabala/Fotolia.com[/caption]   Com experiência de quem já foi tecladista de Frank Zappa, mas também construiu base sólida com formação em medicina e filosofia pela Universidade de Yale e MBA em Harvard (onde também lecionou por 14 anos e lançou o currículo de criatividade e inovação), Kao se considera um “ativista de inovação”. Seu mais novo projeto, EdgeMakers, se propõe a tratar do tema desde cedo, a partir do sexto ano do ensino fundamental, numa idade em que, segundo ele, adolescentes estão começando a se distanciar da escola. O sistema integra disciplinas de criatividade, design thinking, empreendedorismo e fluência digital em um novo currículo. “O conteúdo digital que eles recebem fora da escola é tão maior que o aprendizado que os prepara para a vida acontece com o time de esporte, com amigos e na internet”, diz. A educação tradicional enfrenta problemas em muitos países, com alta evasão. Nos Estados Unidos, mais de 20% alunos não terminam o ensino médio. No Brasil, estes números atingem 52%, segundo o IBGE. “Educação é um serviço que é detestado por seus clientes”, diz Kao. Para ele, atualmente um jovem pode fazer tudo certo, estudar certo, ter boas notas, obedecer as regras do sistema e não se dar bem. Mas qual o motivo? “Empregos de hoje estão desalinhados com o sistema de ensino. Estou certo de que existe um espaço entre o que a crianças estão recebendo e o que elas precisam”, explica. Segundo o pesquisador, a criatividade das crianças e dos jovens é um dos recursos mais subutilizados do planeta. “Pense em plantar muitas e muitas sementes e imaginar o impacto que isso terá no futuro”, explica. Nos EUA, três quartos das crianças estão interessadas em abrir uma empresa. Mais de 80% estão incomodadas com o estado das coisas no mundo e outros 30% fazem trabalho voluntário. “Os sinais estão dados sobre o desejo de aprender, como ser empreendedor”, afirma. No Brasil, o projeto EdgeMakers já realizou pilotos com 500 alunos nos colégios particulares Pueri Domus, COC e Dom Bosco, localizados em São Paulo. Dentre outras atividades, alunos participaram de programas colaborativos para desenvolver “a mochila ideal” e de sustentabilidade envolvendo o próprio ambiente escolar. A intenção de Kao é iniciar uma imersão no mercado brasileiro em janeiro, mas para isso precisa estabelecer parcerias com escolas, governos e fundações. [caption id="attachment_119863" align="aligncenter" width="501"] Foto: Vinícius de Oliveira[/caption]   “Escolas são o parceiro ideal porque o ambiente da sala de aula permite o desenvolvimento do trabalho colaborativo que planejamos quando você pensa em uma aula por semana durante cinco anos. Teremos materiais que pais poderão trabalhar com seus filhos e também analisamos boot camp (intensivo) para proporcionar uma versão resumida”, explica. Apesar disso, o “ativista de inovação” diz não querer ser inimigo do sistema. Para ele, a plataforma EdgeMakers funciona como uma vitamina para a vida escolar balanceada. “Não quero discutir currículo básico, aulas de geometria, história do Brasil, mas há muita coisa que não é tratada”. * Publicado originalmente no site Porvir.
Foto: http://www.shutterstock.com/

Ambiente

Sustentabilidade e Tecnologia: inimigos ou aliados?


por Cecília Vick*

[caption id="attachment_102169" align="alignright" width="300"] Foto: http://www.shutterstock.com/[/caption] O crescente desenvolvimento tecnológico resultou em um grande problema ambiental: o lixo eletrônico. Dados do relatório da ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial), de 2013, mostram que o Brasil produz, em média, 1 milhão de toneladas de resíduos tecnológicos por ano. Quanto mais aparelhos eletrônicos disponíveis, maior será o consumo de energia elétrica. Apenas em 2013 o Brasil teve um crescimento de 3,5% no uso de eletricidade, de acordo com pesquisa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia. Foram 463,7 mil gigawatts-hora (GWh), puxado pelo consumo residencial (aumento de 6,1%). Os números reforçam o caráter de vilão que a tecnologia tem quando o assunto é meio ambiente. Afinal de contas, o desenvolvimento da área fez crescer a quantidade de poluentes emitidos pela sociedade, resultando em mais agressão contra a natureza. É importante ter consciência de que todas as soluções tecnológicas também são agentes de poluição. Porém, com o bom uso, os mesmos dispositivos que agridem o planeta também podem contribuir para práticas sustentáveis. A tendência é conhecida como “TI Verde” e consiste no desenvolvimento de tecnologia que contribui para evitar o desperdício de materiais e diminuir o consumo de energia elétrica. O conceito permite uma melhor conscientização das pessoas acerca do tema. Com uma conectividade cada vez maior, mais ferramentas são criadas para mostrar soluções sustentáveis que podem ser adotados por todos. Estimulada no ambiente corporativo, a prática de TI Verde ainda é tímido no residencial. São ideias simples, mas eficazes. A troca de lâmpadas incandescentes pelas de LED economizam energia elétrica. Criar instalações que interrompem o fluxo de energia para carregadores de celulares quando o dispositivo estiver com a bateria cheia e, até mesmo, a aquisição de produtos com o selo de eficiência energética. Informar-se sobre o descarte correto de equipamentos tecnológicos pode ser muito útil, já que muitos possuem materiais tóxicos, como as baterias de celulares e notebooks. Algumas cidades brasileiras já implantaram centros de resíduos com o objetivo de realizar uma reciclagem adequada. Estes espaços devem se ampliar tal qual o mercado de dispositivos tecnológicos. Se a tecnologia será a vilã ou aliada para um mundo melhor, só os usuários conseguirão responder. * Cecília Vick é diretora executiva da GreenClick, empresa que contribui com a neutralização da emissão de CO2 no país.
Foto: Lidyane Ponciano

Ambiente

Para resgatar o Grande Sertão que está em toda parte


por Inês Castilho, do Outras Palavras

[caption id="attachment_119869" align="aligncenter" width="485"] Foto: Lidyane Ponciano[/caption]   Inspirados em Guimarães Rosa, movimentos e ativistas encontram-se em Minas e descobrem que nova relação com natureza tornou-se aspiração universal. Em pouquíssimo tempo – nos últimos cinquenta anos – o sertão do Rosa foi alcançado e incorporado pela cidade, tornando-se uma extensão do mundo urbano, ou melhor, uma extensão de sua periferia – tornando-se, pois, o sertão, a periferia da periferia. Tal incorporação evidencia a problematização da relação cidade/campo – cada vez mais imbricada. É interessante observar (adotando a reflexão proposta por Adriana Ferreira de Melo em “Sertões do mundo, uma epistemologia”) que as noções clássicas de sertão como lugar bárbaro, desconhecido, perigoso porque não civilizado, para além do espaço-sertão do interior do país, onde ainda são tênues os processos de modernização, passam a ser aplicadas aos espaços hipermodernizados da sociedade contemporânea, como as favelas das grandes cidades. Monoculturas dementes transformaram rapidamente a paisagem e a ecologia do sertão. O cerrado foi devastado para produzir carvão para a indústria siderúrgica – seguido pelas florestas do deserto verde (eucaliptos), da pecuária intensiva e do agronegócio. Tal investida estimulou o êxodo rural e o consequente adensamento das periferias das cidades, acentuando o caráter precário, instável e marginal deste amplo segmento da população. O “desenvolvimento” predador, invasivo e excludente revela-se na crescente produção e exportação de commodities do setor agropecuário, bem como na profunda crise hídrica que afeta a “caixa d’água do Brasil”, assoreando e escasseando as águas do rio São Francisco, nordeste adentro, e comprometendo o abastecimento de água à população da cidade de São Paulo. Vale registrar que, paralelo a este processo e, como resistência ao mesmo, organizou-se e avançou a luta pela terra na região noroeste de Minas, que hoje concentra a grande maioria dos assentamentos de reforma agrária no estado. A região, parte substantiva do sertão roseano, é considerada pelo governo do estado como a última fronteira agrícola; e foi nesta paisagem e neste contexto que foi realizado o “Caminho do Sertão – de Sagarana ao Grande Sertão Veredas.” Confira na entrevista com Alvaro Malaguti. O que anima uma caminhada pelo sertão? Quais os objetivos da iniciativa? A princípio, vemos o “Caminho do Sertão”, realizado no final de julho, como um desdobramento do esforço de desenvolvimento sustentável, iniciado na década passada, nos polos que se traduzem, hoje, em partida e chegada do mesmo. O “Encontro dos parceiros pelo desenvolvimento sustentável do Vale do Rio Urucuia”, posteriormente transformado em “Festival Sagarana: feito Rosa para o Sertão”, realizado em Sagarana, no Distrito de Arinos; e o “Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas”, em Chapada Gaúcha, podem, facilmente, ser identificados como precursores desse evento, que agora vem unificar uma e outra iniciativa. Tendo em comum, além da agenda de desenvolvimento socioeconômico e ambiental regional, fortes referências à obra de João Guimarães Rosa como motivação e pontos de alinhamento. O Caminho do Sertão visa chamar a atenção das três esferas públicas para a necessidade de integrar o esforço de organização e mobilização social em curso no território desde a virada do milênio, no intento de promover o desenvolvimento sustentável regional, bem como difundir a obra de Guimarães Rosa como elemento dinamizador da identidade cultural e da noção de pertencimento à região. Objetiva, também, atrair e seduzir novos agentes/atores – ativistas sociais, ambientais, acadêmicos e culturais, amantes da obra do Rosa e/ou do sertão, para a articulação de novas parcerias e intervenções no território. Os parceiros do “Caminho” sentimo-nos animados, ainda, pela atmosfera de desafio e superação, por denotar esforço continuado, processo coletivo, horizonte comum, solidariedade e respeito às particularidades e aos ritmos distintos dos envolvidos. A proposta tem um quê de provocação, pois, para passar sete dias caminhando com um grupo de pessoas desconhecidas no sertão mineiro é preciso, ao caminhante, permitir-se um tempo a si mesmo, um intervalo, um hiato, uma pausa na correria, na tensão, no automatismo que nos envolve em nosso atribulado cotidiano. Por que o sertão? O Caminho propõe, entre outras coisas, uma revisitação ao imaginário do sertão brasileiro e suas diversas dimensões. Vale lembrar que Sertão é uma ideia-força profundamente arraigada na cultura brasileira, tanto no imaginário popular, quanto no pensamento social. Historicamente o sertão se constituiu como uma referência espacial e mítica essencial para os debates sobre a identidade e o futuro do Brasil que permearam o país desde o final do século XIX e ao longo de todo século XX. Hoje, no século XXI, o conceito de sertão se amplia e passa a incorporar novas categorias sociológicas e de pensamento, para a abordagem de questões socioespaciais e filosófico-existenciais. O sertão se mantém nos espaços que estão à margem dos processos de modernização e se revela presente também naqueles espaços hipermodernizados como as periferias dos grandes centros urbanos – confirma-se o dizer do Rosa/Riobaldo: “o sertão está em toda parte”, “o sertão é do tamanho do mundo”. A noção de sertão adotada pelo caminho (Sertões do mundo, uma epistemologia, de Adriana Ferreira de Melo) permite, ainda, tratar da invisibilidade, do silêncio, da marginalização e da exclusão impostos aos saberes e fazeres populares e suas respectivas comunidades e modos de vida peculiares. Abordagem que se estende aos demais segmentos sociais que resistem à submissão e aos imperativos do pensamento único hegemônico. Questões que nos levam da ecologia – strictu senso – à ecologia dos saberes (conceito do Boaventura Souza Santos), da padronização/massificação ao direito à alteridade, revelando todo o potencial contestatório associado à palavra sertão. Qual o tecido sociopolítico da região atravessada pelo caminho? Há diversos conflitos e disputas instalados no território: terra, água, diversidade sociocultural, biodiversidade. A estrutura fundiária é injusta e fonte do contraditório social instalado na região. De um lado temos a indústria exportadora de commodities do agronegócio ocupando vastas extensões e monopolizando o uso da água nas irrigações; de outro, a maior concentração de assentamentos de reforma agrária do estado de Minas Gerais em regime de subsistência ou com baixa produção de excedentes comercializáveis. Na dimensão ambiental, a devastação do cerrado e o consequente comprometimento das veredas e da biodiversidade revelam um quadro preocupante com mudança no regime de chuvas e o consequente desabastecimento, insegurança e conflitos hídricos, aridez e ameaça de desertificação. A população nativa do sertão que não migrou para as cidades foi expulsa para os grotões, seja pela grilagem de suas terras, seja pela expansão do agronegócio. Tal população vem resistindo, a duras penas, com suas práticas socioculturais que lhes conferem identidade e lhes garantem o sustento. Mas o apelo da vida urbana tem atraído a juventude rural que, gradativamente, se desvincula das práticas tradicionais. Quais os grupos que apoiam o Caminho? São várias entidades. Todas aquelas nascidas do esforço de desenvolvimento sustentável e inclusivo no território e que trabalham com as questões de defesa ambiental, de cultura, identidade, produção e comercialização em bases solidárias e sustentáveis. As principais são a ADSVRU – Agência de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Vale do Rio Urucuia; a Copabase – Cooperativa de Agricultores Familiares em Bases Solidárias; o Cresertão – Centro de Referência em Tecnologias Sociais do Sertão; a Central Veredas de Produção e Comercialização do Artesanato, o movimento nativista baiangoneiro/UNIFAM, a Fundação Pró-Natureza – FUNATURA – associada à luta pela criação e implantação do Parque Nacional Grande Sertão Veredas desde 1989 pelo IBAMA e o Instituto Rosa e Sertão que, criado em 2007 no Município de Chapada Gaúcha/MG por iniciativa de professoras municipais de educação infantil e fundamental e de moradores de comunidades tradicionais e agentes culturais, busca a valorização do território em que atua, um lugar rico por sua multiplicidade cultural e ambiental, e trabalha o sertão roseano visto como um grande mosaico turístico-cultural, sob a perspectiva do desenvolvimento regional sustentável. Contamos também com a cobertura colaborativa da rede Fora do Eixo. Qual é o perfil dos caminhantes selecionados para o “Caminho”? Ativistas culturais (literatura, artes plásticas e cênicas, fotografia, circense, músicos e compositores, produtores culturais), ambientais, militantes do desenvolvimento territorial sustentável, economia popular solidária, amantes do “Brasil Profundo” e estudiosos e pesquisadores da obra de Guimarães Rosa; lideranças populares dos movimentos e organizações não-governamentais e moradores do entorno do caminho, totalizando 70 caminhantes. Teria o Caminho também uma dimensão espiritual? A iniciativa tem, inegavelmente, um conteúdo político, mas também uma dimensão cultural e filosófico-existencial, na medida em que propõe o caminhar como forma de acesso a nova percepções, em um momento em que as instituições políticas, as formas de representação e o próprio modelo de organização da sociedade encontram-se profundamente desgastados. Partimos do pressuposto de que a grande crise que vivemos é uma crise de sentido, uma crise de narrativa. Para mobilizar corações, corpos e mentes num engajamento existencial, apoiamo-nos, novamente, no Rosa e associamos a palavra travessia, uma imagem constante em sua obra, à transitoriedade da vida, à impermanência que caracteriza e fundamenta nossa existência. O distanciamento de tal compreensão, ou a negação em incorporá-la e habitá-la revela a necessidade de reflexão e posicionamento pessoal e coletivo, avançando rumo à cidadania planetária, rumo à noção de comunidade de destino (proposto pelo pensador francês Edgard Morin), onde o futuro de todos está implicado e, portanto, de corresponsabilidade com o princípio vida que nos atravessa. O filosófico-existencial assenta-se, também, na dimensão relacional da experiência do viver. Viver é interagir e realizar trocas com o mundo ao redor. Daí a proeminência do outro, o respeito à alteridade. Desenvolver a capacidade de escuta é o que proporciona a abertura incondicional para o verdadeiro diálogo e o que permitirá sair de si e peregrinar por percepções terceiras. O diálogo é, pois, o grande orientador das condutas e dos comportamentos. Assim, propõe-se uma jornada existencial, na medida em que a travessia do sertão proporcione o encontro, a escuta e o diálogo com as estórias de Rosa, com as estórias e histórias do povo sertanejo de Minas Gerais e, ainda, com as trajetórias e visões pessoais dos caminhantes, levando-os a refletir sobre as próprias questões e as socioambientais. Propõem-se um grande diálogo a apontar para o autoencontro de toda verdadeira caminhada. Por tudo isso afirmamos: Ninguém atravessa o sertão impunemente: ao final revela-se e apura-se que o “sertão está dentro da gente”(JGR). A experiência proporcionada aos caminhantes transita por todas estas vertentes. Como a obra de João Guimarães Rosa inspira o caminho? A figura da viagem, do deslocamento, da travessia, é recorrente na obra do Rosa, que sugere “Viajar! – mas de outras maneiras: transportar o sim desses horizontes…” O “Caminho do sertão – de Sagarana ao Grande Sertão: Veredas” apresenta aos caminhantes a oportunidade de viajar sob a égide da mais autêntica simplicidade e autonomia – o seu próprio corpo. Convida-se a bastar-se de pouco, contentando-se com o necessário, compreendendo que a viagem é a percepção da vida como passagem, transitoriedade, travessia; é travar contato com a amplitude da realidade sertaneja, seus ritmos, temporalidades, saberes e fazeres. É educar o olhar para apreender e “transportar (consigo) o sim desses horizontes”, numa reflexão filosófico-existencial pródiga e marcante. Em sua obra, Rosa deu voz aos excluídos ou desvalorizados pela sociedade (os loucos, os velhos, os bêbados, as mulheres, as crianças, o andarilho, os fora-da-lei, o sertanejo, etc….) e lhes conferiu a devida legitimidade para o verdadeiro diálogo. Daí a valorização da escuta e do diálogo. Entre visões distintas da realidade e entre os saberes e fazeres populares/tradicionais e o saber culto/acadêmico. A dimensão existencial encontra-se na construção do sertão roseano que, para além da ambiência geográfica, é um convite à poética da imensidão e da universalidade. É humildade e reverência ante o mistério das dimensões físicas e metafísicas da realidade. O sertão que é “o mundo” e “está dentro da gente”, evoca a complexidade abissal da existência humana, seus sonhos, utopias e incertezas, suas angústias e dúvidas. Qual o número de edições do caminho e como a proposta se financia? Esta primeira edição foi um projeto piloto e foi apoiado pela Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais. Pretendemos que seja a primeira de muitas até alcançar a dinâmica de se estabelecer como uma rota sócio-eco-literária de peregrinação permanente no sertão mineiro/roseano dos vales dos rios Urucuia e Carinhanha, com a implantação dos receptivos turísticos de base comunitária e, assim, alcançar a autossustentação. Qual a avaliação do Caminho do Sertão? Positiva e promissora. Ante o ineditismo e a logística complexa para a sua viabilização nos sentimos vitoriosos com a realização e com o grau de satisfação manifestado pelos caminhantes ao final do percurso. Confirmou-se o potencial da proposta para um possível e desejável circuito de turismo de base comunitária no sertão urucuiano inspirado e apoiado na grandiosa obra do Guimarães Rosa. Confirmou-se também o potencial de sensibilização para com a problemática do cerrado, do direito à terra e da cultura das comunidades tradicionais sertanejas. Os caminhantes passaram a conhecer melhor o sertão mineiro, suas peculiaridades, ameaças e possibilidades e, por conhecer podem então amá-lo e protegê-lo. Só se protege e cuida aquilo que se ama. Só se pode amar aquilo que se conhece. * Publicado originalmente no site Outras Palavras.


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Em agosto, a fonte eólica atingiu a capacidade instalada de 5 gigawatts o suficiente para abastecer uma cidade do tamanho de São Paulo

Energia eólica deve corresponder a 11% da produção nacional em dez anos, diz EPE

[caption id="attachment_96932" align="alignright" width="420"] Em agosto, a fonte eólica atingiu a capacidade instalada de 5 gigawatts o suficiente para abastecer uma cidade do tamanho de São Paulo[/caption] Investimentos na matriz eólica contribui para a geração de energia limpa A participação da energia eólica na matriz energética brasileira deve atingir 11% nos próximos dez anos. Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, esta é a perspectiva com que o governo federal está trabalhando. Ele acrescentou que, atualmente, este é o tipo de energia que mais vai crescer no período depois da hídrica e que a produção no Brasil já ultrapassou a da energia nuclear. Em agosto, a fonte eólica atingiu a capacidade instalada de 5 gigawatts (GW), o suficiente para abastecer, na média, cerca de 4 milhões de residências ou 12 milhões de pessoas, o que corresponde a uma cidade do tamanho de São Paulo. O presidente da EPE deu as declarações ao participar da abertura do 5º Brazil Windpower, promovido anualmente pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), pelo Conselho Global de Energia Eólica (Gwec) e pelo Grupo CanalEnergia. O encontro reúne representantes das principais empresas da cadeia produtiva da indústria de energia eólica. Tolmasquim também informou que o leilão de energia de reserva de 2014, que vai ocorrer no dia 31 de outubro, tem registrado um grande interesse e atingiu mais de mil inscritos. Ele destacou que embora ainda não tenha terminado o processo de habilitação técnica, deve haver um número razoável de usinas habilitadas. "Como os preços-teto são bastante atrativos nos três produtos, tanto no hídrico, como no térmico e eólico/solar, acredito que vai ter muito interessado em participar. As perspectivas são muito boas", informou destacando que o leilão vai ser competitivo com diferentes tipos de tecnologia e de combustível. Ainda na abertura a presidenta da ABEEólica, Elbia Melo, disse que o setor está muito otimista neste momento. "Ano passado nós já estávamos muito felizes porque havíamos participado de um leilão de reserva e tínhamos boas sinalizações de contratação. Terminamos o ano de 2013 com resultado surpreendente, muito acima da melhor expectativa" disse. Segundo a presidenta, a perspectiva de contratação para o ano que vem, é boa porque o setor está em um processo de desenvolvimento. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Cristina Indio do Brasil, da Agência Brasil
Reservatório da Hidrelétrica de Xingó (AL). Foto: ANA

Agência prorroga redução de descarga mínima no rio São Francisco

[caption id="attachment_119841" align="alignright" width="275"] Reservatório da Hidrelétrica de Xingó (AL). Foto: ANA[/caption] O Diário Oficial da União desta terça-feira, 26 de agosto, publica a Resolução nº 1.258/2014, da Agência Nacional de Águas (ANA), que prorroga até 30 de setembro a redução temporária da descarga mínima defluente dos reservatórios de Sobradinho e Xingó, no rio São Francisco. Com isso, ambos continuam autorizados a liberar a partir de 1.100m³/s, em vez do patamar mínimo de 1300m³/s. A Resolução amplia o prazo anterior, que era até 31 de agosto. A diminuição da vazão foi solicitada à ANA pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A redução temporária da vazão mínima defluente dos reservatórios de Sobradinho e Xingó leva em consideração a importância dos reservatórios de Sobradinho, Itaparica (Luiz Gonzaga), Apolônio Sales (Moxotó), Complexo de Paulo Afonso e Xingó para a atendimento dos usos múltiplos da bacia. Além disso, a medida deve-se ao menor volume de chuvas na bacia do São Francisco nos últimos anos. Desde a Resolução ANA nº 442, de 8 de abril de 2013, está em vigor o patamar mínimo de 1.100m³/s. De acordo com as resoluções da ANA sobre o tema, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), responsável por aplicar a redução temporária, está sujeita à fiscalização da Agência. A CHESF também deve dar publicidade das informações técnicas da operação aos usuários da bacia e ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) durante o período de vazões defluentes mínimas reduzidas. Ainda no rio São Francisco, ANA e ONS autorizaram a redução da vazão defluente do reservatório Três Marias de 190m³/s para 170m³/s, desde o dia 20 de agosto. O objetivo é preservar os estoques hídricos do reservatório até da estiagem. * Publicado originalmente no site da Agência Nacional de Águas.


por Redação da ANA
Foto: © Riku Kettunen, via Flickr

Moradores de Helsinki não terão razões para andar de carro até 2025

[caption id="attachment_119826" align="aligncenter" width="450"] Foto: © Riku Kettunen, via Flickr[/caption]   Dispor de um sistema de transporte público confiável e eficiente é uma meta de muitas cidades para desincentivar o uso dos automóveis e, assim, evitar os danos ambientais que eles causam. Há poucos dias, o poder público de Helsinki (Finlândia) anunciou um ambicioso plano que busca fazer com que seus cidadãos não tenham motivos para utilizar os carros em 2025. A meta, nesse sentido, é integrar vários modais ao seu sistema de transporte público. O engenheiro de transporte do Departamento de Planejamento de Helsinki, Sonja Heikkilä, destaca que o plano não pretende proibir os automóveis, mas entregar mais opções de mobilidade sustentável com o objetivo de que as pessoas sintam-se completas com o transporte público. O objetivo, segundo o engenheiro, é mudar o paradigma de como nos movemos dentro da cidade - um tema complexo, porque muitas pessoas não querem renunciar aos seus carros, mas é possível pois a maioria está interessada em cuidar do meio ambiente e poupar dinheiro. Para muitos jovens, o carro não é mais o símbolo de status que foi para seus pais, aponta Heikkilä ao Helsinki Times, com base em pesquisas. Essa percepção acerca da juventude é uma das apostas da capital finlandesa para que o plano seja um sucesso, levando-se em conta que um sistema de transporte público eficiente ajudaria a manter tal paradigma pelos próximos dez anos. Demanda O projeto de Helsinki, cidade com cerca de 600 mil habitantes, é baseado no conceito de que o transporte público precisa atender a uma demanda personalizada da população. Assim, quando uma pessoa precisar de transporte, poderá planejar sua viagem em aplicativos para smartphones nos quais sejam indicados horários, origem e destino, e se prefere ônibus, bicicletas, táxis, metrôs ou trens, para uso individual ou compartilhado com outros usuários. A forma de pagamento estaria centrada em uma plataforma universal, independentemente do meio de transporte escolhido. Uma das opções sugere que os cidadãos paguem pelos serviços conforme o número de quilômetros percorridos. Outra alternativa propõe que se possam comprar quilômetros mensais. [caption id="attachment_119827" align="aligncenter" width="450"] finlandia2-ecod.jpg[/caption]   É possível? Atualmente, o transporte público de Helsinki é operado unicamente pela Autoridade de Transporte Regional. Heikkilä acredita que o plano poderia funcionar melhor em 2025 com a inclusão de outros operadores. Por enquanto, está previsto que o plano funcione no final de 2014, numa versão piloto, em Valilla, um bairro central da cidade finlandesa, com o intuito de que seja ampliado posteriormente para outras áreas de Helsinki. Um projeto semelhante tem sido desenvolvido em Hamburgo, na Alemanha, batizado de Green Network. Lançado em 2013, o plano busca eliminar o uso dos automóveis nos próximos 20 anos por meio da conexão com todas as áreas verdes da cidade, pelas quais os cidadãos poderão chegar a diferentes lugares caminhando ou de bicicleta. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
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Para transformar o lixo em energia

Tecnologias já existentes permitiriam converter resíduos orgânicos em biogás — preservando atmosfera, evitando expansão de aterros e reduzindo extração de combustíveis fósseis O lixo que produzimos diariamente, também chamado, de modo mais técnico, de “resíduos sólidos urbanos – RSU”, tem como destino final lixões a céu aberto (17,8%), aterros sanitários (58%) e aterros controlados (24,2%). A quantidade gerada, no Brasil, chega a aproximadamente 200.000 toneladas de lixo por dia, sendo a região Sudeste responsável por quase metade desse total. Os dados são da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) de 2012, ano da mais recente publicação sobre o tema. Diante disso, fica no ar a pergunta: não poderia ao menos parte desse lixo, esteja ele no lixão ou no aterro, ser utilizado para gerar energia e, desta forma, reduzir o volume ocupado em seu local de origem? A resposta é sim. Antes de mais nada, vamos analisar a sua composição. O lixo é composto por uma série de materiais que podem ser separados em dois grupos: orgânicos e recicláveis (várias lixeiras públicas são rotuladas desse modo). Para simplificar, pense assim: os orgânicos são aqueles biológicos (“que têm vida”), ou seja, alimentos principalmente, e os recicláveis são aqueles não biológicos (“que não têm vida”), ou seja, recipientes em geral (latas, embalagens, sacos, garrafas, etc) e outros. Os materiais recicláveis geralmente demoram muito tempo, de meses a anos, para sofrer decomposição e, portanto, liberar algum tipo de gás ou substância que possa ser aproveitada para gerar energia. Além disso, a melhor destinação de um material, antes de tornar-se resíduo, seria em primeiro lugar a sua reutilização, seguida, aí já como resíduo, da sua reciclagem (incluindo, quando for o caso, a compostagem – tipo de reciclagem do lixo para posterior utilização como adubo agrícola) – para, só então, participar do processo de geração de energia. Já os materiais orgânicos são a parte do lixo que é decomposta por microorganismos, gerando produtos como gases e substâncias líquidas tóxicas que, em pouco tempo, podem contaminar o ar, o solo e os lençóis freáticos. Esses gases é que devem ser objeto de estudo. A mistura de gases produzida pela parte orgânica do lixo é conhecida como biogás, cujo principal componente é o gás metano (CH4), que tem um efeito estufa 20 vezes mais intenso que o gás carbônico. Esse gás é o principal componente, também, do que chamamos de gás natural, que é utilizado em alguns veículos e em usinas termelétricas. Ou seja, ele pode ser queimado para gerar energia a partir de uma determinada fonte que, no caso em questão, pode ser o lixo que produzimos. O ideal não é simplesmente queimá-lo para evitar o seu acúmulo e liberação para a atmosfera e sim utilizá-lo para gerar energia. Dessa forma, estaríamos contribuindo para gerar eletricidade, de modo sustentável, para populações que moram próximo aos locais de sua produção, ou seja, não precisaríamos extraí-lo de alguma reserva fóssil que o contenha e ainda estaríamos diminuindo o volume de lixo armazenado. Nesse ponto, é importante colocar uma questão antiga que existe entre os especialistas da área: a produção de energia a partir do lixo não vai poluir o meio ambiente, como já fazem outras usinas? Essa discussão torna-se particularmente relevante se, com a produção de energia, houver a liberação de gases poluentes na atmosfera. Pode-se dizer que, hoje, esse problema está bem equacionado, pois esse tipo de usina utiliza filtros que evitam, ou pelo menos mitigam o lançamento desses gases para o meio externo. Portanto, politicas públicas e parcerias público-privadas deveriam ser implementadas com mais ênfase no país para tornar esse modo de produção de energia viável, principalmente do ponto de vista econômico. Países europeus, Estados Unios e Japão estão muito mais avançados nessa área. Esse tipo de produção de energia, desde que viável, com certeza ajudaria tanto em questões energéticas quanto na questão da destinação final dos resíduos sólidos urbanos, o lixo nosso de cada dia. * Publicado originalmente no site Outras Palavras.


por Carlos Sanches, para o Outras Palavras
Agricultor orgânico Slawek Dobrodziej com voluntários de Varsóvia trabalhando em sua propriedade. Foto: Cortesia de Malgosia Dobrodziej

Agricultura orgânica abre espaço na Polônia

[caption id="attachment_119804" align="aligncenter" width="529"] Agricultor orgânico Slawek Dobrodziej com voluntários de Varsóvia trabalhando em sua propriedade. Foto: Cortesia de Malgosia Dobrodziej[/caption]   Varsóvia, Polônia, 27/8/2014 – O agricultor polonês Salwek Dobrodziej tem uma forma original de se preparar para o triatlo: nada em um lago atrás de sua casa, corre ao redor de seus 11 hectares para cuidar de seus cultivos e no final do dia pedala 40 quilômetros em sua bicicleta até o povoado mais próximo onde faz compras. Essa é a energia que se necessita para ser um agricultor ecológico na Polônia. Dos 1,8 milhão de agricultores, apenas 267 mil têm o certificado orgânico (embora alguns deles só tenham pradarias e não necessariamente produzam alimentos) e apenas 300 deles cultivam alimentos. As autoridades polonesas vivem cortando subsídios para a agricultura ecológica no médio e longo prazos, e praticamente eliminaram o apoio público às hortas ecológicas. Tudo isto ocorre no contexto das últimas políticas nacionais, adotadas em paralelo ao novo orçamento da União Europeia para o período 2014-2020. Os pequenos agricultores orgânicos devem enfrentar os complicados procedimentos burocráticos necessários para obter fundos nacionais e europeus. Dobrodziej e sua mulher, Malgosia, claramente estão decididos a superar os entraves. Nos últimos oito anos, o casal conseguiu construir uma fazenda de produção ecológica no povoado de Zelisxewo, perto da cidade de Szczecin. Vendem cerca de cem tipos de frutas e verduras em várias cidades do país, inclusive em Varsóvia. Segundo Malgosia, contadora da fazenda familiar, os primeiros anos foram particularmente difíceis. Vender grandes quantidade de um só produto às empresas processadoras de alimentos não foi rentável para eles. A agricultura orgânica, que não usa pesticidas, exige muito trabalho manual, e o que as empresas pagam não basta para cobrir os custos. A família conseguiu acesso a alguns fundos nacionais e europeus, mas a quantia total só deu para comprar o maquinário básico. Com os recursos europeus, a pessoa beneficiada costuma precisar financiar uma parte, o que significa se endividar com os bancos. O casal conseguiu ter mais recursos quando diversificou sua produção e encontraram novas oportunidades de mercado vinculando-se diretamente aos consumidores nas grandes cidades. Foi um grande ponto de inflexão conseguir vender em um grande mercado de produtos ecológicos de Varsóvia. Além do mais, esse ano, pela primeira vez, começaram a vender aos consumidores por meio de dois programas de agricultura com apoio comunitário nas cidades de Szczecin e Poznan. Estes são modelos que funcionam graças ao fato de aproximadamente 30 consumidores pagarem adiantado as verduras que receberão todas as semanas entre os meses de verão e outono. A ideia é que os consumidores compartilhem os riscos com os agricultores. Quando entram no programa, os primeiros se comprometem a aceitar as verduras que o agricultor for capaz de produzir segundo as condições climáticas. Também podem participar como voluntários na fazenda, o que lhes dá alguns conhecimentos do trabalho agrícola que a maioria das pessoas desconhece. Segundo Malgosia, o modelo mostrou ser uma excelente forma de garantir certa estabilidade financeira às pequenas fazendas. O primeiro modelo foi criado em 2012 na Polônia. A iniciativa se propagou e já há seis. Se prevê que serão criados outros no próximo ano, devido à boa recepção por parte dos consumidores e da comunidade de produtores. “Agora temos muito trabalho, passamos muito tempo fazendo pacotes de meio quilo de verduras para vender nos comércios orgânicos”, explicou Malgosia. “O modelo parece promissor, porque nos libertamos do calvário de empacotar e também obtemos algum dinheiro no início da temporada, que podemos investir nas máquinas que precisamos”, acrescentou. “Creio que pode servir para muitos agricultores poloneses, porque o modelo é realmente viável economicamente”, afirmou Sonia Priwieziencew, que junto com seu companheiro, Tomasz Wloszczowski, tem uma fazenda ecológica de seis hectares no povoado de Swierze Panki, 120 quilômetros a nordeste de Varsóvia, que há três anos participa desta iniciativa de consumidores e agricultores. “O modelo de agricultura com apoio comunitário pode ajudar a promover a biodiversidade porque os consumidores compram diferentes tipos de verduras e produtos, bem como propagar o modelo orgânico certificado que atualmente só é desenvolvido de forma marginal na Polônia”, disse Priwieziencew. Ela é muito crítica sobre o enfoque que as autoridades dão à agricultura orgânica. Apesar de a grande maioria dos agricultores poloneses terem pequenas áreas, as políticas do governo e da União Europeia são mais favoráveis à produção industrial em grande escala. Apesar da nova Política Agrícola Comum, adotada este ano em Bruxelas, que, supõe-se, oferece uma pauta agrícola para a UE nos próximos anos e preconiza a produção orgânica e de pequena escala como forma de garantir a segurança alimentar, limitar a mudança climática e preservar a biodiversidade, as políticas e o financiamento nacionais não necessariamente a respeitam, especialmente na Europa central e oriental. Mas este mês, em Varsóvia, foi aberta a primeira cooperativa de produtores que vende verduras e outros produtos, cujos membros podem comprar com desconto se trabalharem de forma voluntária na fazenda. Esse tipo de iniciativa existe em diferentes cidades polonesas e inclusive em bairros. A nova paixão pela agricultura urbana fez com que museus de Varsóvia e de outras cidades colocassem suas áreas verdes à disposição da população local interessada em cultivar verduras. “Cada uma dessas iniciativas dá aos pequenos produtores ecológicos uma nova oportunidade para vender mais e se desenvolver”, disse o ativista Piotr Trzaskowski, que criou o primeiro modelo de cultivo orgânico com apoio comunitário em Varsóvia. “Esses agricultores devem sobreviver porque são os verdadeiros guardiões da terra e do ambiente, ao contrário dos produtores convencionais de grande escala que convertem a terra em mercadoria, comprando-a, usando-a e ignorando o impacto sobre a biodiversidade, as pessoas e o ambiente”, enfatizou. Envolverde/IPS


por Claudia Ciobanu, da IPS
Educacaolivros

Discussão sobre avanços e desafios da educação Amazônica deve continuar

  O Seminário de Educação do Campo abordou em seus dois dias vários aspectos relacionados à educação no campo, passando por temas como a formação dos professores e a pedagogia utilizada no processo de aprendizagem das crianças do interior do Estado. A iniciativa foi uma parceria da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) com o Fundo das Nações Unidas para a Criança (Unicef), e apoio da Secretaria de Estado e Qualidade de Ensino (Seduc-AM). No primeiro dia, foi promovido um olhar panorâmico sobre a realidade atual na educação no campo na Amazônia, passando pelo tipo ideal identificado no Projeto Caboclo, de Darcy Ribeiro, quase implementado no país em meados de 1997, e a situação atual da educação indígena e ribeirinha nos planos de educação municipais da Amazônia. “Se o projeto tivesse sido implementado, o que não ocorreu pela fatalidade do falecimento de Darcy, certamente estaríamos em um patamar a frente na educação no Brasil. O que importa é que com ele muito pode ser aprendido, muito pode ser realizado, para vencermos a utopia de termos uma educação de qualidade na Amazônia”, avaliou o superintendente geral da FAS, Virgílio Viana. As políticas públicas atuais foram avaliadas, quando analisadas seu potencial para o enfrentamento da realidade existente. Segundo pesquisa promovida pelo Programa de Educação e Saúde da FAS, a grande maioria dos 671 alunos avaliados em oito municípios do interior do Estado não apresentavam, aos 13 anos de idade, as habilidades requeridas para serem considerados alfabetizados, o que deveria ter sido consolidado aos oito anos. A pesquisa foi aplicada nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDSs) Rio Negro, Mamirauá, Cujubim, Juma, Uatumã e na Floresta Estadual (Florest) Maués. “Está claro que é necessária ação voltada para educação em todas as esferas. Esse debate é muito importante porque reúne instituições de vários eixos, para discutirem um desafio que só pode ser vencido de forma conjunta: levar educação de qualidade para as comunidades ribeirinhas da Amazônia”, explicou Marcelo Mazzoli, coordenador nacional de educação do Unicef. O seminário também serviu para exposição com a apresentação de experiências exitosas de educação na Amazônia. Atualmente, existem experiências positivas de promoção da educação em regiões ribeirinhas, como os sete Núcleos de Conservação e Sustentabilidade (NCSs) da FAS, que levam educação, saúde e empreendedorismo em unidades de conservação (UCs) atendidas pelo PBF. No último dia de atividades do seminário, foi promovida uma visita técnica na comunidade do Tumbira, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro. O roteiro incluiu uma visita ao Núcleo de Conservação e Sustentabilidade (NCS) Agnello Uchoa Bittencourt, um espaço de educação que conta com salas de aula, biblioteca, laboratório de informática, posto de saúde e laboratório de inovação tecnológica. “Essas reflexões foram todas guardadas, e comporão uma publicação que servirá de orientação para dezenas de prefeitos espalhados pela Amazônia. Estamos criando uma própria agenda para a Amazônia, queremos aproveitar esse espaço para que todos os atores se fortaleçam, queremos que essa utopia se torne uma realidade”, comentou Unai Sacona, representante da Unicef para a Amazônia. Em dezembro próximo, a ideia é a realizar uma nova edição do seminário, que envolverá lideranças de vários segmentos, incluindo indígenas, extrativistas e quilombolas. O evento deve elaborar propostas para serem apresentadas aos novos governos, que tomam posse em janeiro de 2015. * Publicado originalmente no site Fundação Amazônia Sustentável.


por Fundação Amazônia Sustentável
Empresas podem contribuir muito para a melhoria da mobilidade urbana. Foto: Tommy Wells

Fórum aborda envolvimento das empresas no uso da bicicleta para o trabalho

[caption id="attachment_119831" align="aligncenter" width="450"] Empresas podem contribuir muito para a melhoria da mobilidade urbana. Foto: Tommy Wells[/caption]   A Prefeitura de Salvador promove no dia 5 de setembro, em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), o II Fórum Salvador Vai de Bike com o tema As Empresas, a bicicleta e a cidade, que tem como objetivos envolver os empresários na propagação do uso da bicicleta no trabalho e também dinamizar os negócios do setor. A expectativa do presidente da Fecomércio, Carlos Andrade, e do prefeito ACM Neto, é reunir 300 participantes entre empresários e autoridades. O evento acontece das 8h30 às 13 horas na Casa do Comércio, e tem também o apoio da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado da Bahia (FCDL-BA), Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e o Grupo de Líderes Empresarial (Lide). O entendimento do município, como esclarece o secretário do Escritório de Projetos Especiais do Gabinete do Prefeito e coordenador do Movimento Salvador Vai de Bike, Isaac Edington, é que as empresas podem contribuir muito para a melhoria da mobilidade urbana, ao criarem condições para que, cada vez mais pessoas, possam usar a bicicleta para se deslocar até o trabalho. Para conversar sobre esse assunto, contribuindo com o processo de engajamento das empresas locais nessa causa, o II Fórum Salvador Vai de Bike convidou José Lobo, diretor da organização Transporte Ativo(RJ) - uma das mais respeitadas no País, com expertise em planejamento cicloviário e defensora da utilização de meios de transporte à propulsão humana. Locomoção e transporte Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes e Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e similares (Abraciclo), por exemplo, revelam que cerca de 50% do total de bikes vendidas no Brasil é voltada para a locomoção e transporte. Os bike negócios também estão na pauta do Fórum. Às vésperas de completar um ano em exercício, o Movimento Salvador Vai de Bike observa o incremento dos negócios relacionados a bicicleta. Desoneração Empresários do segmento acreditam que é possível avançar mais e atrair investimentos, no entanto para que isso aconteça é necessário desonerar as atividades relacionadas à fabricação de bikes e peças; e promover a substituição tributária para que as bicicletas sejam equipamentos mais acessíveis. Esse tema será abordado por Marcelo Maciel, presidente da Aliança Bike, entidade nacional que congrega fabricantes, importadores, fornecedores, distribuidores e lojistas de bicicletas, acessórios, partes e peças, bem como, associações, instituições e pessoas físicas que promovem o uso da bicicleta enquanto meio de locomoção efetivo do brasileiro. Também participará do Fórum, o empresário Tito Caloi (foto), presidente da Tito Bikes, empresa fundada depois que a família Caloi vendeu o negócio. Outro ponto importante é a bicicleta inserida na cadeia logística como interessante alternativa para o chamado “último quilômetro”, considerado atualmente como um dos setores mais caros, menos eficientes e mais poluentes.   SERVIÇO: O que – II Fórum Salvador Vai de Bike Tema -“As Empresas, a bicicleta e a cidade” Data – 05/09/204 Local – Casa do Comércio Horário – 8:30 às 13 horas Acesso – Só para convidados * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
consumoconsciente

Produção e consumo sustentáveis são tema de seminário

Encontro avaliará plano de ação do Ministério do Meio Ambiente Com o objetivo de estimular o consumo sustentável e a produção mais limpa, os setores público e privado reúnem-se na quinta-feira (28/08), em Brasília, para debater o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS). O seminário é o segundo de uma série de debates realizados pelo país promovidos pelo Instituto Cidade Sustentável (ICS), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de Brasília (Fibra). Os seminários são ferramentas de divulgação e adesão de todos os segmentos econômicos e sociais envolvidos no primeiro ciclo do PPCS, que se encerra neste ano e possui os seguintes segmentos prioritários: educação para o consumo; compras públicas sustentáveis; agenda ambiental para a administração pública; aumento de reciclagem de resíduos sólidos; varejo sustentável e construções sustentáveis. Para o diretor do Departamento de Produção e Consumo Sustentável do MMA, Ariel Pares, o evento servirá para colher subsídios para o segundo ciclo do plano, previsto para acontecer de 2015 a 2018. “Os debates se inserem nas parcerias do MMA que visam, entre outros pontos, à melhoria da eficiência ambiental no processo produtivo”, destaca. Sustentabilidade O seminário de Brasília tem como público-alvo gestores públicos, agentes econômicos, representantes da indústria, comércio e prestadores de serviços; representantes da sociedade civil; órgãos de proteção e defesa do consumidor; associações de classes empresariais e civis e instituto de estudos e pesquisas ligados às universidades. O presidente do Instituto Cidade Sustentável, Paulo Sérgio da Silva, explica que a novidade deste seminário é trazer o setor financeiro para o debate. Ele lembra que as instituições financeiras precisam estruturar suas políticas de responsabilidade socioambiental a partir da Resolução 4.327 de 25/04/2014 do Banco Central. Os próximos eventos acontecem no dia 18 de setembro em Salvador, 6 de novembro em São Paulo, 3 de dezembro em Belo Horizonte e em Manaus, com data a definir. O primeiro ocorreu em maio, em Porto Alegre. * Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.


por Tinna Oliveira, do MMA

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X ENAU – Águas Urbanas: Um Tema Multidisciplinar

data 16/09/2014 até 18/09/2014

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Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
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