Os rinocerontes brancos da África do Sul já não correm perigo de extinção após intensos esforços de conservação. Foto: Kanya D’Almeida/IPS

Ambiente

Freio ao tráfico de vida silvestre é fundamental para a biodiversidade


por Stella Paul, da IPS

[caption id="attachment_123231" align="aligncenter" width="529"] Os rinocerontes brancos da África do Sul já não correm perigo de extinção após intensos esforços de conservação. Foto: Kanya D’Almeida/IPS[/caption]   Pyeongchang, Coreia do Sul, 17/10/2014 – Maheshwar Basumatary, de 33 anos, por mais de cinco anos ganhou a vida matando animais selvagens nas florestas protegidas do Parque Nacional de Manas, uma reserva de tigres e elefantes na fronteira entre Índia e Butão que foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Mas, em 2005, Basumatary entregou sua arma à polícia e desde então se dedica a cuidar de filhotes abandonados de rinocerontes e de leopardos. Agora ele trabalha para o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal e é um símbolo da conservação da vida silvestre. Incorporar a população local à proteção da fauna é uma forma eficaz de frear a caça ilegal, o contrabando e a venda ilegal de animais, afirmou à IPS Maheshwar Dhakal, do Ministério de Ambiente e Conservação dos Solos do Nepal. No contexto da 12ª Conferência das Partes (COP 12) do Convênio sobre a Diversidade Biológica (CDB), que começou dia 6 deste mês e termina hoje nesta cidade sul-coreana, Dhakal afirmou que a pobreza e a perspectiva de maiores rendas levam os habitantes locais ao crime ou a serem cúmplices de crimes contra a vida silvestre. “Os esforços de conservação também devem gerar oportunidades de subsistência dentro das populações locais”, recomendou. “Todos querem ganhar mais e viver bem. Se você encontra uma maneira de incentivar a proteção da vida silvestre, as pessoas acompanharão”, assegurou Dhakal, cujo país se aproxima rapidamente da meta de “caça ilegal zero”. A caça e o comércio ilegais da vida silvestre são uma ameaça universal, que coloca em risco de extinção espécies inteiras e provoca perdas econômicas. Segundo o mais recente informe de situação da CDB, Perspectivas da Diversidade Mundial 4 (GBO 4), o tráfico de vida silvestre movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano. O negócio ilícito também prospera na Ásia, onde representa aproximadamente US$ 19 bilhões anuais, segundo a Rede de Controle da Vida Silvestre da Associação de Nações do Sudeste Asiático. As autoridades confiscam periodicamente contrabando de peles e outras partes de animais como crocodilos, serpentes, tigres, elefantes e rinocerontes. A matança de tigres e rinocerontes é uma preocupação específica na região, já que ambos correm risco iminente de extinção. Um dos maiores campos de extermínio dos caçadores furtivos é o Parque Nacional Kaziranga, no nordeste da Índia, também declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco e onde se encontram dois terços dos grandes rinocerontes unicórnios que restam no mundo. Em 2013, havia 2.553 desses animais no Parque, mas os caçadores mataram 126 nos últimos 13 anos, segundo o ministro de Ambiente e Florestas do Estado, Rakibul Hussain. O Parque conta com a maior densidade de tigres em todo o mundo e em 2006 foi designado oficialmente como uma reserva desses felinos. Também existe um vínculo direto entre o tráfico de animais e os conflitos políticos, segundo um informe conjunto do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Interpol, que calcula o volume exato desse comércio ilegal em US$ 213 bilhões ao ano. Grande parte desse dinheiro “ajuda a financiar organizações criminosas, insurgentes e terroristas, ameaçando a segurança e o desenvolvimento sustentável de muitos países”, diz o informe. Vários grupos insurgentes da África central e ocidental são financiados com o comércio ilegal de animais e de madeira, incluindo a venda de marfim, e recebem entre US$ 4 milhões e US$ 12 milhões por ano, segundo o estudo. Outro informe divulgado em fevereiro pela organização independente britânica Chatham House, também conhecida como Instituto Real de Estudos Internacionais, aponta o exemplo do extremista Exército de Resistência do Senhor (LRA), que extrai as presas de elefantes na República Democrática do Congo para trocar por armas de fogo e munições com soldados sudaneses ou caçadores ilegais. Mas o problema não acaba aí. Maadjou Bah integra a delegação na COP 12 da Guiné, país da África ocidental onde em março surgiu um foco de ebola que, após sua passagem pelas vizinhas Libéria e Serra Leoa, matou quatro mil pessoas até agora. Bah explicou à IPS que a caça e o comércio ilegais de espécies silvestres aumenta a possibilidade de o vírus do ebola se propagar para outros países. Embora o governo da Guiné tenha denominado como área “protegida” 30% de suas florestas, as fronteiras são porosas e o tráfico é uma ameaça contínua. O ebola é transmitido pelos primatas e morcegos frutíferos. Como a venda desses morcegos integra a cadeia mundial do tráfico ilegal de vida silvestre, é possível que o vírus chegue além das fronteiras onde se concentra a epidemia atualmente, explicou Anne Helene Prieur Richard, diretora do Diversitas, um instituto de pesquisa da biodiversidade com sede em Paris. “Não o sabemos com certeza científica, já que há uma brecha de conhecimento. Mas, sem dúvida, o risco existe”, esclareceu à IPS. A caça ilegal é em parte consequência da lentidão na aplicação da lei, segundo o brasileiro Braulio Ferreira de Souza Dias, secretário-executivo do Convênio sobre a Diversidade Biológica. “A sua aplicação deve ser uma prioridade dos governos”, afirmou à IPS. “Isso pode ser alcançado, entre outros métodos, proporcionando às forças da ordem a capacitação e o equipamento necessários para reprimir a atividade ilegal. Os guardas florestais, por exemplo, devem estar devidamente equipados, técnica e financeiramente, para prevenir o delito”, acrescentou. “Há uma necessidade de capacitar as unidades da ordem pública”, explicou Dhakal. “Mas isso não significa apenas participar de painéis e capacitações. Significa armas, ferramentas e tecnologias”, acrescentou. “Devem ter armas adequadas, bem como ferramentas para recopilar provas e registros. Precisam de transporte e comunicações móveis para agirem rapidamente e com acerto. Sem isso, apesar das detenções, não haverá condenações devido à falta de evidências”, ressaltou. Isso é especialmente importante nas florestas em fronteiras, onde a falta de cercas adequadas permite que os caçadores ilegais se desloquem livremente entre os países. Envolverde/IPS  
Linhas da rede elétrica em Antiga e Barbuda. Este país do Caribe toma medidas para conseguir segurança energética mediante tecnologias limpas. Foto: Desmond Brown/IPS

Ambiente

Antiga e Barbuda aposta nas energias renováveis


por Desmond Brown, da IPS

[caption id="attachment_123232" align="alignright" width="332"] Linhas da rede elétrica em Antiga e Barbuda. Este país do Caribe toma medidas para conseguir segurança energética mediante tecnologias limpas. Foto: Desmond Brown/IPS[/caption] Bahia Hodges, Antiga e Barbuda, 17/10/2014 – Ruth Spencer é uma pioneira da energia solar em Antiga e Barbuda, onde promove as tecnologias renováveis e colabora para que seu país cumpra o objetivo de reduzir em 20% o uso de combustíveis fósseis até 2020. Ela também acredita que as pequenas organizações não governamentais têm que desempenhar um papel crucial nos grandes projetos que procuram atender os problemas causados pela queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás. Spencer, coordenadora nacional do Programa de Pequenas Doações (PPD), do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), em Antiga e Barbuda, está à frente da iniciativa de reunir representantes da sociedade civil, do setor empresarial e de organizações não governamentais para capacitá-los sobre os perigos da mudança climática. “O PPD/GEF será o mecanismo para chegar às comunidades e prepará-las de antemão para o que virá”, indicou à IPS. O PPD no Caribe oriental está a cargo do escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) em Barbados. “Como a mudança climática tem forte impacto nas ilhas gêmeas de Antiga e Barbuda, é importante reunirmos todos os atores”, apontou Spencer, economista especializada em desenvolvimento da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, que também coordena a Rede de Áreas Marinhas do Caribe Oriental, fundada pelo governo alemão. “Os desenvolvimentos costeiros correm um grande perigo e gostaríamos de compartilhar as conclusões do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) com eles para que vejam por eles mesmos o que dizem todos os cientistas”, acrescentou. “Estamos em uma ilha pequena e temos de construir sinergias e redes e nos associarmos. Com a informação se manterão informados e realizaremos um acompanhamento para que juntos possamos atender o problema de maneira holística”, afirmou Spencer. O IPCC enviou aos governos um rascunho final do informe de síntese, que descreve um cenário difícil sobre as causas do aquecimento global e as consequências sobre os humanos e o ambiente. O documento também apresenta algumas respostas para o fenômeno. Ruleta Camacho, coordenadora de projeto para o mecanismo de gestão sustentável dos recursos ilhéus, do Ministério do Ambiente de Antiga e Barbuda, disse à IPS que há observações documentadas sobre como o aumento do nível do mar causa a erosão da costa e a destruição de infraestrutura na região. Ela também disse que há provas da acidificação dos oceanos e do branqueamento dos corais, um aumento na prevalência de eventos climáticos extremos, como chuvas excessivas e secas prolongadas, tudo o que prejudica a indústria turística. “As secas e as chuvas têm um impacto no turismo por terem consequências nos serviços complementares. As secas afetam a produtividade de alimentos locais, bem como o fornecimento de água do setor hoteleiro”, detalhou Camacho. “As chuvas causam inundações, por isso se passa dias sem ser possível chegar a certos locais. Além disso, prejudica os hotéis, já que afeta os turistas e também o pessoal. Se uma tempestade nos atinge, temos queda instantânea e significativa da produtividade do setor hoteleiro”, acrescentou. Antiga e Barbuda, conhecida por suas arenosas praias e seus centros turísticos de luxo, recebe quase um milhão de visitantes por ano. O turismo representa entre 60% e 75% do produto interno bruto e emprega quase 90% da população. A especialista Ediniz Norde concorda que o aumento do nível do mar, provavelmente, piore o estresse ambiental ao causar escassez de água doce. “Em Saint John (capital de Antiga e Barbuda), há muito tempo vivemos a invasão de água salgada até a rua Tanner, que a dividiu em duas. Era uma única rua e agora a percorre uma grande canaleta”, contou Norde. “Agora temos ideia de como a água pode chegar longe, isso é o ambiente que podemos perder, o espaço de terra que podemos perder em Saint John. É uma realidade que não poderemos evitar se não agirmos agora”, ressaltou. Na medida em que o clima continuar esquentando, as chuvas em Antiga e Barbuda diminuirão, segundo os prognósticos, e os ventos e as precipitações associadas a tempestades causadas por furacões poderão se intensificar. Os cientistas dizem que essas mudanças provavelmente amplifiquem o impacto do aumento do nível do mar nas ilhas. Porém, Camacho afirma que a mudança climática oferece oportunidades para Antiga e Barbuda e que este país tem um papel a cumprir para implantar medidas de mitigação. Segundo ela, essas medidas e a construção de infraestrutura de energias renováveis podem significar benefícios econômicos de longo prazo. “Se reconvertermos a população o mais rápido possível em termos de capacitação técnica e nos voltarmos ao mercado renovável podemos, de fato, marcar a tendência no Caribe e oferecer serviços a outros países da região. Isso é um passo econômico decisivo”, afirmou Camacho. “Além do mais, o quanto antes nos voltarmos ao mercado renovável menores serão nossos custos de energia, e se pudermos baixá-los, abriremos a produtividade econômica a outros setores, não só no turismo. Se pudermos baixar nosso gasto em eletricidade teremos fundos para melhorar o turismo e oferecer um produto melhor”, ressaltou Camacho. Envolverde/IPS  
Cidade de São Paulo vista do Alto. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Sociedade

A utopia é urbana – e a distopia também: sobre urbanismo ecológico e outros conflitos


por Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz

[caption id="attachment_123171" align="aligncenter" width="524"] Cidade de São Paulo vista do Alto. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas[/caption]   Enquanto São Paulo ferve e seca, com racionamento de água por toda a cidade e umidade do ar a níveis desérticos, em uma sala no Centro Cultural Vergueiro, na última terça-feira (1410), o “Simpósio Internacional Urbanismo Ecológico”, organizado pela Harvard University School of Design, em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Programa Cidades Sustentáveis, reuniu arquitetos, urbanistas e demais interessados, para discutir o futuro das cidades e a necessidade de mudanças drásticas na forma como ocupamos o espaço e utilizamos nossos recursos. O simpósio compõe o lançamento do livro de mesmo nome em português (R$ 120, Editora GGilli) Mas o que seria um urbanismo ecológico? Na abertura do evento, Mohsen Mostafavi, um dos organizadores da publicação, deu sua contribuição para a discussão. Decano e professor de Arquitetura na Harvard Graduate School of Design, Mostafavi destacou algumas palavras chaves que explicam o conceito. Antecipar, interagir, colaborar, mobilizar, sentir, medir, curar, colaborar, produzir, adaptar, incubar e colaborar. Sim, colaborar aparece três vezes. Para o pensador das cidades, essa é uma dimensão que não pode ser negligenciada. “Eu quero deixar claro que estamos imaginando a cidade como um espaço importante de participação. Precisamos trabalhar juntos e precisamos dos recursos e conhecimentos da cidade partindo de diversas e múltiplas perspectivas que se encontram.” A referência, explicita, vêm do fôlego das ruas espanholas, árabes, turcas, americanas e brasileiras. “O espaço público é o primeiro a ser ocupado – veja a praça Tahrir (Egito), Taksim (Turquia), ou o Zucotti Park (Nova Iorque) – e têm sido cada vez mais tema de debate e preocupação ao redor do mundo”, avalia, ao reforçar a importância do espaço público não apenas como um lugar do encontro, mas também da diferença. “Temos que valorizar a cidade como um lugar de conflito, de discordância, por isso as praças têm sido tão importantes para a cidades: elas são a manifestação da diferença, a visualização do conflito”, afirmou ao ventilar a ideia de um “urbanismo do antagonismo” e terminar sua apresentação com um vídeo de dança nas ruas de Oakland, na Califórnia. Nele, quatro jovens negros ocupam duas esquinas. Após dois carros policiais passarem e interpelarem os jovens, se inicia uma encenação de TURF (estilo sincrético de dança surgido nas ruas de Oakland que bebe do break ao jazz), em memória do irmão de um deles, morto naquela intersecção. O “corner”, ou esquina, é um lugar tradicionalmente ocupado nos bairros negros norte-americanos. Um espaço de convívio e tensão – pelo histórico de violência policial nas grandes cidades americanas e pela falta de lugares públicos que possam ser ocupados nas regiões mais pobres. Como resultado, os corners concentram todo tipo de atividade – inclusive as ilícitas. O vídeo de 2009, analisa Mostafavi, exemplifica essa ideia de espaço público e apresenta processos de transformações do espaço urbano, de apropriações subjetivas e emancipadoras.   Mas o que isso tem a ver com ecologia? Aparentemente, nada. Praticamente, tudo. A ideia de um urbanismo ecológico, mais do que pensar a cidade como algo isolado e cinza, tenta ver as diversas matizes de cores da malha urbana. E não apenas o verde. O urbano é entendido como um ecossistema em constante mutação pela ação humana. Trata-se, então, de empoderar os cidadãos como agentes dessa mudança. A proposta é sintetizada pela frase do biólogo e antropólogo Gregory Batteson, trazida na apresentação de Charles Waldheim, durante o Simpósio. “Nós não estamos fora da ecologia para a qual planejamos – nós somos sempre e inevitavelmente uma parte dela. Nisso repousa o charme e o terror da ecologia.” Ou como afirma Gareth Doherty, que assina o livro ao lado de Mostafavi, “o ambiente, as relações sociais e a subjetividade humana são aspectos essenciais de um urbanismo igualitário e sustentável”. Essa noção – de que pensar a ecologia urbana transcende o meio-ambiente e nos compõe de maneira integral – está cada vez mais presente em conversas sobre sustentabilidade, como mostra a reportagem do Portal Aprendiz sobre a Virada Sustentável. Afinal, os citadinos são os principais conhecedores e interessados na saúde da cidade. E o urbanismo? A cidade como condição humana As ideias de Mostafavi encontraram eco nas falas do sóciologo urbano Carlos Vainer, carioca e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em sua provocativa apresentação, o docente elaborou sua visão sobre a cidade como condição humana. “O filósofo alemão Ernst Cassirer afirma que pensar o futuro faz parte da condição humana e eu vejo a cidade nesse mesma chave: como a mais plena realização da sociabilidade. A utopia, quando imaginamos o futuro, é urbana”, ressalta, evocando os desenhos de cidades futuristicas. Dentro do campo das utopias, Vainer localiza dois polos: a utopia igualitária – imaginada pelos socialistas utópicos do séc. 19 – e a cidade silenciada e autoritária – pensada pelos regimes fascistas do século passado . E localiza o presente no que denomina “urbanismo pós-moderno”, que seria a cidade-empresa, cidade-competitiva, cidade-privatizada, na qual o Estado abandona suas pretensões de modificiar a cidade e as transfere para a iniciativa privada, como aconteceu em São Paulo e no Rio de Janeiro com as parcerias público-privadas e as concessões urbanísticas. “Nessa cidade, onde se propugna a morte das utopias, a negociação substitui a cidade coletiva. Trata-se de prevernir danos e evitar o conflito – que é pensado como uma dinâmica entrópica, ou seja, um gasto de energia. Evitar o conflito é mobilizar para imobilizar”, reflete Vainer. Para o sociólogo, isso acontece quando o cidadão não é visto como um coletivo, mas como um indivíduo social. “Enquanto o valor regente da urbanidade for a competividadade mercantilizada e mercantilizadora, o direito à cidade é negado e a urbanidade é destruída.” Apesar do pessimismo, ele observa a emergência de novas utopias nas praças e ruas. “Nos espaços públicos, as pessoas renegam a cidade mercantilizada e os citadinos dialogam entre si e não com o grande capital. Observamos então as batalhas das cidades: da competitiva contra a do bem-viver, da empreendedora contra a justa, da smart contra a sábia, da cidade do espetáculo contra a da festa”, finaliza. “É sempre muito cedo ou tarde demais para pensar no futuro das cidades” Se São Paulo fosse uma pessoa, ela estaria inchada e obesa. Sofreria de insuficiência renal pois não sabe o que fazer com sua água. Bronquite crônica pelo ar que respiramos. Diarreia por não termos resolvido o saneamento, um caso grave de diabetes e uma disfunção cognitiva por negar que tudo isso está acontecendo. Além de uma impotência enorme para lidar com isso. “Mas pelo menos, é mais fácil um paciente se recuperar no UTI que na Igreja”, brincou, arrancando risos da plateia, o patologista de doenças urbanas, Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo (USP). A realidade paulistana atual é uma metáfora precisa (ver box) da cidade anti-ecológica, competitiva, destrutiva e destruidora. Sua situação – à beira da calamidade – sobrevoou e pontuou grande parte das falas dos palestrantes, na difícil tarefa de imaginar outra cidade em meio ao caos urbano iminente. Ou como sintetizou o físico indiano Homi Bhabha, lembrado por Waldheim, “é sempre muito cedo ou tarde demais para pensar no futuro das cidades”. E o que nubla a visão do horizonte? Para a urbanista Cecília Polacow Herzog, da Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), vivemos hoje em cidades vulneráveis à beira da incerteza. O principal obstáculo para um urbanismo ecológico, de acordo com ela, é a orientação economicista e voltada ao lucro, que faz surgir empreendimentos imobiliários a qualquer custo e que deixarão marcas indeléveis no tecido metropolitano. “Perdemos serviços ecossistêmicos, fragmentamos nossos territórios assim como fizemos com o nosso conhecimento. É necessário transformar as cidades e torná-las resilientes. Natureza não é opcional. Precisamos sair do cinza da geometria de controle cartesiana, reativa à crise, com programas emergenciais, para algo orgânico e rotineiro”, defende. A cidade, acredita ela, é o principal habitat da humanidade. E a ciência de pensá-las, declarou Ermínia Maricato, urbanista da Universidade de São Paulo (USP) durante o evento, não deixa dúvidas: “O urbanismo ou é ecológico ou não é”. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
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Educação

Movimento propõe cinco atitudes para mudar a educação


por Tatiana Klix, do Porvir

Nova campanha do Todos pela Educação pretende engajar famílias, escolas e comunidades para acelerar avanços educacionais no país “Todos somos educadores”. Com essa frase, Cidinha, 49 anos, encerra um dos vídeos da campanha de mobilização social lançada nesta terça (14) pelo movimento Todos Pela Educação para engajar a sociedade pela melhora da educação brasileira. Mãe, avó e líder comunitária, ela conta que, ao perceber o valor da educação na vida das pessoas, decidiu lutar para que toda a comunidade tenha acesso a um ensino de qualidade. Mesmo com pouco repertório, começou estudando em casa para poder ajudar o filho. Agora, ela motiva outros pais fazerem o mesmo. Suas atitudes são defendidas pela campanha como forma de acelerar os avanços educacionais no Brasil. O Todos pela Educação, que já vem trabalhando com metas e bandeiras endereçadas ao poder público para garantir qualidade e acesso à educação no Brasil, pretende agora envolver famílias, escolas e comunidades pelo mesmo objetivo. [caption id="attachment_123142" align="aligncenter" width="530"] Foto: Vectoraart/Folia.com[/caption]   Para que tais objetivos sejam alcançados, as cinco atitudes incentivadas são: valorizar os professores, a aprendizagem e o conhecimento; promover habilidades importantes para a vida e para a escola; colocar a educação escolar no dia a dia; apoiar o projeto de vida e o protagonismo dos alunos e ampliar o repertório cultural e esportivo das crianças e dos jovens. Elas foram identificadas por meio de estudo realizado em 2013 a partir de entrevistas com pais, alunos, professores diretores, coordenadores pedagógicos e especialistas em cidades nas cinco regiões do Brasil. A campanha chamada de Todos Somos Educadores foi idealizada voluntariamente pela DM9DDB, do Grupo ABC, e foca na promoção das cinco atitudes por meio de depoimentos reais de pessoas que se comprometem com a educação no seu dia a dia. “Não se coloca somente a criança na escola: precisamos colocar a escola nas crianças”, afirmou Nizan Guanaes, do Grupo ABC e também sócio fundador do Todos Pela Educação, no lançamento do movimento em São Paulo. O material é composto por peças para mídias impressa, eletrônica e digital. No site www.5atitudes.org.br, as atitudes são aprofundadas e há exemplos práticos de como desenvolvê-las. Há também vídeos que inspiram e material para espalhar a ideia, além de um canal para que as pessoas possam contar histórias inspiradoras. Além disso, o Todos Pela Educação publicou dois livros, o 5 Atitudes pela Educação – Orientações para Coordenadores Pedagógicos, com textos de Ana Maria Machado, Ilan Brenman, Pedro Bandeira, Ricardo Azevedo e Walcyr Carrasco, e 100 perguntas que vão dar o que falar, destinado a famílias. A segunda publicação apresenta questões, como “Se você fosse um super herói, quem seria?” e Quem é ou foi seu professor preferido?”, e espaços para respostas para estimular que pais ou responsáveis dialoguem com crianças e jovens sobre o temas como cultura, esporte, sentimentos, infância e outros. * Publicado originalmente no site Porvir.


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A espécie mais conhecida de Santa Lúcia é o papagaio-de-santa-lúcia, em perigo de extinção. Foto: Steve Wilson/cc by 2.0

Solução para a mudança climática está na biodiversidade

[caption id="attachment_123120" align="alignright" width="391"] A espécie mais conhecida de Santa Lúcia é o papagaio-de-santa-lúcia, em perigo de extinção. Foto: Steve Wilson/cc by 2.0[/caption] Pyeongchang, Coreia do Sul, 16/10/23014 – A extraordinária biodiversidade dos países do Caribe, que já sofre impactos humanos como a exploração da terra, contaminação, espécies invasoras e cultivo excessivo de espécies de valor comercial, agora sofre a ameaça adicional da mudança climática. Por ocasião da 12ª Conferência das Partes (COP 12) do Convênio sobre a Diversidade Biológica (CDB), que começou dia 6 e termina hoje, em Pyeongchang, na Coreia do Sul, o coordenador de biodiversidade de Santa Lúcia, Terrence Gilliard, disse à IPS que a mudança climática tem um considerável impacto nessa ilha caribenha. “Houve denúncias de descoloração dos corais pela elevação da temperatura marinha, e se alargou a safra produtiva de alguns produtos agrícolas”, disse Gilliard, que também é funcionário de desenvolvimento sustentável e ambiental de seu país. “Fenômenos meteorológicos extremos, como o furacão Tomás, em 2010, e a tempestade de Natal de 2013, “provocaram grandes deslizamentos de terra nas áreas de floresta e a perda de vida silvestre. Extensos períodos de seca limitam as existências de água e afetam a produção agrícola”, acrescentou. Embora Santa Lúcia tenha superfície inferior a 616 quilômetros quadrados, sua fauna e flora são excepcionalmente ricas, com mais de 200 espécies únicas, entre elas 7% das aves e assombrosos 53% dos répteis do mundo. A espécie mais conhecida do país é o papagaio-de-santa-lúcia (Amazona versicolor). Outras espécies  de interesse como o cedro lápiz, o coral chifre de cervo e a cobra corredora de Santa Lúcia. Esta última, confinada à ilha María Mayor, de 12 hectares, possivelmente seja a serpente mais ameaçada do mundo. A corredora de Antiga, uma pequena e inofensiva serpente que se alimenta de lagartos nessa ilha, sofreu a implacável depredação de mangustos e ratos, e em 2013 restavam apenas cerca de 1.020 exemplares. Helena Brown, coordenadora da Divisão Ambiental do Ministério de Saúde e Meio Ambiente de Antiga, disse que o país tem dois programas de conservação dedicados à corredora e outra espécie em perigo de extinção, a tartaruga Carey. “Trabalha-se muito, mas são apenas duas espécies entre muitas. A biodiversidade é importante para nossa saúde, nossa posição, nosso atrativo com país e é importante que a conservemos e utilizemos de maneira sustentável, para as gerações futuras”, pontuou à IPS. A Agência Ambiental e de Planejamento da Jamaica afirma que os ecossistemas dessa ilha mais vulneráveis às consequências da mudança climática são os arrecifes de coral, as florestas das terras altas e os mangues costeiros. A Jamaica tem mais de oito mil espécies registradas e ocupa o quinto lugar mundial em espécies endêmicas. A ilha tem 98,2% das 514 espécies autóctones de caracol de terra e 100% das 22 espécies autóctones de anfíbios. Sua rica diversidade de espécies marinhas inclui espécies de peixes, anêmonas, corais negros, moluscos, tartarugas, baleias, golfinhos e peixe-boi. As florestas cobrem quase 30,1% do país e há dez bacias hidrológicas com mais de cem rios e riachos, bem como cursos de água subterrâneos, lagoas e mananciais. Em São Cristóvão e Neves os efeitos da mudança climática ainda não são muito visíveis. “Será preciso mais tempo para confirmar algumas das mudanças sutis que são observadas. Por exemplo, em alguns casos parece haver períodos mais longos de seca que afetam os ciclos naturais de algumas plantas e também dos cultivos agrícolas”, apontou o diretor de Ordenamento Territorial e Ambiental do Ministério de Desenvolvimento Sustentável, Randolph Edmead. “A temporada de chuvas parece mais curta e quando chove os episódios são mais intensos, com inundações repentinas”, acrescentou Edmead. Muitas das atividades e lugares relacionados com o turismo em São Cristóvão e Neves se baseiam na biodiversidade, como os arrecifes de coral. Ele também afirmou que estes arrecifes nutrem a pesca, que é uma importante fonte de alimento. “A renda gerada com essas atividades incentiva o desenvolvimento e também é importante para os meios de vida” da população, destacou Edmead. Além disso, a biodiversidade das florestas é uma parte importante do produto turístico do país. “A biodiversidade também ajuda a proteger a erosão dos solos, que é importante não só para a agricultura, mas também para a proteção de infraestruturas vitais”, ressaltou. O diretor-executivo do CDB, o brasileiro Braulio Ferreira de Souza Dias, afirmou à IPS que a mudança climática é uma ameaça importante para a biodiversidade e pediu que haja avanço na COP 20 da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontecerá em dezembro em Lima, no Peru. [caption id="attachment_123121" align="alignleft" width="340"] Diretor-executivo do Convênio das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CDB), Braulio Ferreira de Souza Dias. Foto: Desmond Brown/IPS[/caption] “As ameaças à biodiversidade continuam. Mas de onde surgem essas ameaças? Das políticas públicas, empresariais e de outros fatores que aparecem no setor socioeconômico: crescimento demográfico, aumento do consumo, mais contaminação, mudança climática. São alguns dos grandes impulsionadores da perda da biodiversidade”, afirmou Dias. “Se não avançarmos nas negociações para reduzir as emissões de gases-estufa, a perda de biodiversidade provavelmente continuará”, pontuou Dias, que também apresenta a biodiversidade como parte da solução para o problema da mudança climática. Uma gestão melhor das florestas, dos mangues e de outros sistemas pode ajudar a reduzir os gases-estufa, destacou. “Também podemos melhorar a adaptação porque esta não tem a ver apenas com a construção de muros para barrar a elevação do nível do mar nas zonas costeiras. Trata-se de ter ecossistemas mais resistentes aos diferentes cenários da mudança climática”, explicou o diretor do CDB. “Precisamos conservar melhor os ecossistemas de nossa paisagem, ter uma paisagem mais diversificada com um pouco de floresta, mangues, zonas de captação protegidas. Atualmente, vamos para as paisagens mais simplificadas, apenas as grandes extensões de monoculturas, as grandes cidades, dessa forma seguimos na direção errada”, enfatizou Dias. Envolverde/IPS


por Desmond Brown, da IPS
Segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira vem sendo retirada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mesmo sem o aval das agências reguladoras.  Foto: Sistema Cantareira Foto: Divulgação/Sabesp

Sabesp captou mais água que o permitido no volume morto do Cantareira

[caption id="attachment_121570" align="alignright" width="277"] Segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira vem sendo retirada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mesmo sem o aval das agências reguladoras.  Foto: Sistema Cantareira Foto: Divulgação/Sabesp[/caption] A água da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira vem sendo retirada mesmo sem o aval das agências reguladoras A água da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira vem sendo retirada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mesmo sem o aval das agências reguladoras e contrariando a liminar do juiz da 3ª Vara Federal de Piracicaba, de acordo a Agência Nacional de Água (ANA). Uma vistoria feita no reservatório Atibainha, um dos cinco que compõem o sistema, às 17h de terça-feira 14, mostrou que o nível armazenado estava 38 centímetros abaixo da cota limite autorizada pela ANA. O Atibainha tinha, naquele dia, 776,62 metros de profundidade, enquanto o mínimo permitido é 777 metros. As informações constam de ofício enviado pelo presidente da ANA, Vicente Abreu, ao superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), Alceu Segamarchi Junior. A ANA encontrou irregularidades na divulgação da medição feita pela Sabesp. No dia 14, a companhia informava que o reservatório Atibainha estava em 777,02 metros, em vez dos 776,62 metros encontrados na vistoria. “Constata-se que os dados do sistema da Sabesp estão divergentes daqueles verificados em campo”, diz o documento. No ofício, a ANA pede ao Daee que tome “providências cabíveis em caráter de urgência, devido à rigorosa estiagem na região”. Também é solicitada uma nova vistoria conjunta entre a ANA e o Daee para verificar a real situação dos demais reservatórios do Cantareira. No último dia 10, a Sabesp enviou pedido às agências reguladoras para começar a captar a água da segunda cota do volume morto. O requerimento diz que a operação integrada do sistema equivalente “compensará as possíveis retiradas do reservatório Atibainha”. O pedido não foi autorizado pela ANA, que exigiu da Sabesp informações sobre quais seriam os novos níveis limite para os reservatórios Cachoeira e Jaguari-Jacareí. Segundo o documento, para o uso da água do reservatório Atibainha, é preciso propor uma nova cota limite, acima dos limites já autorizados, nos reservatórios Jaguari-Jacareí e Cachoeira A Sabesp precisa considerar, também, a liminar da Justiça de Piracicaba e atestar que o uso da segunda cota não prejudicará a vazão necessária para que a água chegue por gravidade à bacia do Rio Piracicaba. Em resposta aos ofícios da ANA, a Sabesp informou que não está descumprindo nenhuma decisão judicial. “A empresa esclarece que há no Sistema Cantareira ainda 40 bilhões de litros contando com a primeira reserva técnica. Há ainda mais 106 bilhões de litros da segunda reserva técnica de um total de 450 bilhões de litros”. * Edição: Marcos Chagas. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Fernanda Cruz, da Agência Brasil
Serra do Gandarela (MG). Foto: © Alice Okawara / SerradoGandarela.org

Governo anuncia novas áreas protegidas, mas lista de espera ainda é grande

[caption id="attachment_123158" align="aligncenter" width="509"] Serra do Gandarela (MG). Foto: © Alice Okawara / SerradoGandarela.org[/caption]   As vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o governo federal anunciou a criação de uma série de áreas protegidas que a sociedade civil reivindicava e que estavam paradas há anos. A maior parte delas na Amazônia. De uma só tacada, em menos de 24 horas, foram publicadas no Diário Oficial a criação de seis novas Unidades de Conservação e a ampliação de outras duas. Juntas, elas acrescentam ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC um total nada desprezível de cerca de 260 mil hectares em biomas como a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. (Veja o quadro*) Desse total, o estado do Amazonas ganhou cerca de 30 mil hectares com a ampliação da Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá. O Pará foi contemplado com 58 mil hectares. São três novas Resex Marinhas no estado: Mocapajuba, Mestre Lucindo e Cuinarana. A já existente reserva de Araí-Peroba cresceu em 50,5 mil hectares. Isso não quer dizer que a pressão não irá continuar sobre essas áreas. É que o decreto da Presidência da República que criou as Resex marinhas no Pará também abriu a possibilidade para atividades de mineração nas áreas que circundam as reservas. Também foram excluídas várias áreas do interior dos perímetros das Reservas Extrativistas, livrando-as da desapropriação. “Na entorno das unidades de conservação (zona de amortecimento), as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre as áreas protegidas. Ao invés de constar do plano de manejo (documento que estabelece as formas de uso e gestão da unidade), essa medida veio, estranhamente, no decreto de criação.”, considera Jean François Timmers, Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil. A Mata Atlântica foi contemplada com o Parque Nacional Guaricana, no Paraná. Já o Cerrado, que andava esquecido das políticas de criação de áreas protegidas, ganhou hoje o Parque Nacional da Serra do Gandarela e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeiras, que só tomou impulso após uma greve de fome e sede feita por populações tradicionais da região na Praça dos Três Poderes em maio deste ano em Brasília. Já o parque do Gandarela não contemplou os pleitos comunidades e desconsiderou em seu formato final a importância dos aquíferos, a biodiversidade e outros atributos da serra que leva o nome da UC. Atualmente cerca de 3% do Cerrado estão protegidos em UCs de proteção integral. Com as áreas de uso sustentável, como as que acabam de ser criadas, esse número chega, no máximo a 8%. Segundo Júlio César Sampaio da Silva, coordenador do Programa Cerrado Pantanal, do WWF-Brasil, a criação de UC é crucial para manter a integridade de áreas relevantes à conservação, dada a velocidade com que o bioma é modificado. No entanto, ele ressalta que não basta criar as áreas. É preciso garantir recursos para a sua efetiva implementação. “Muitas das áreas protegidas criadas pelo governo sofrem com a falta de pessoal, equipamento e recursos financeiros”, diz ele. Os sem-decreto Apesar de o anúncio de criação das novas ter sido bem recebido, a lista das áreas que deveriam receber semelhante tratamento do governo ainda está por ser atendida. A expectativa de entidades como o WWF-Brasil e a Coalizão Pró-UCs para os próximos quatro anos é que sejam criados 27 milhões de hectares de novas UCs para tornar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação representativo de todos os biomas brasileiros. “Além disso, precisamos incrementar o orçamento anual para manejo das UCs federais em R$ 188 milhões e regularizar pelo menos dois milhões de hectares de passivo fundiário em UCs prioritárias”, lembra o superintendente do WWF-Brasil. Outras Unidades de Conservação de grande relevância, como Maués (AM), Boqueirão da Onça(BA), Campo dos Padres (SC), Alcatrazes (SP) e ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos (BA) ficaram de fora do pacote do governo. “Algumas dessas áreas, com altos níveis de pressão e importância biológica singular precisam ser vistas com prioridade”, considera Timmers. É o caso do Boqueirão da Onça e Toca da Boa Vista, em estudo desde 2002, que abrigam o um dos maiores e mais conservados remanescente de Caatinga do Brasil, uma das maiores cavernas do planeta, além de outros ambientes e espécies sob ameaça, entre as quais a onça pintada, pinturas rupestres e recursos naturais e turísticos. * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por WWF Brasil
lixao

Prorrogação de prazo dos lixões atende reivindicação de prefeitos, diz CNM

[caption id="attachment_108973" align="alignright" width="380"] O período fixado em lei para que depósitos de lixo a céu aberto fossem transformados em aterros sanitários acabou em 2 de agosto.[/caption] O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, disse nesta quarta-feira que a prorrogação do prazo para o fim dos lixões é uma reivindicação dos prefeitos, que têm dificuldades de cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10). A prorrogação até 2018 foi aprovada na noite de terça-feira pela Câmara dos Deputados, por meio de emenda à Medida Provisória 651/14. A MP ainda precisa ser votada pelo Senado. Ziulkoski ressaltou que o custo para transformar todos os atuais lixões em aterros sanitários está estimado em R$ 70 bilhões. “Não adianta dizer que é o prefeito que tem que resolver, onde está a União para resolver isso? Onde está o próprio Congresso, que fez a lei? Onde estão os governadores? Onde está o cidadão, que é o maior poluidor?", questionou. A Política Nacional de Resíduos Sólidos definiu os parâmetros básicos para coleta, reciclagem e destinação do lixo e estabeleceu prazo até 2 de agosto deste ano para a extinção dos lixões e para a criação de aterros sanitários. Caso não cumpram a regra, os municípios poderão responder por crime ambiental, com multas que variam de R$ 5 mil a R$ 50 milhões; e os prefeitos, por improbidade administrativa. Desrespeito O deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ) afirmou, no entanto, que a prorrogação do fim dos lixões é uma má solução para os problemas apontados pela CNM. "Teria sido muito mais inteligente negociar termos de ajustamento de conduta com o Ministério Público”, declarou. Sirkis reconheceu que vários municípios não têm recursos e precisam de apoio dos governos federal e estaduais, mas considerou a prorrogação do prazo um desrespeito aos municípios que acabaram com os lixões. “Acho que criar uma lei e depois não respeitá-la, e criar uma outra para quem não respeitou a lei, é um desrespeito para quem de fato se esforçou e cumpriu aquele prazo", afirmou. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o governo é contra essa prorrogação e que a presidente Dilma Rousseff poderá vetá-la. Íntegra da proposta: MPV-651/2014 * Edição: Pierre Triboli. ** Publicado originalmente no site Agência Câmara.


por Luiz Gustavo Xavier, da Agência Câmara
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Dia Mundial da Alimentação leva à reflexão sobre o desperdício

[caption id="attachment_123147" align="aligncenter" width="450"] Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil[/caption]   Anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de comida são desperdiçadas em todo o mundo, o que representa 33% de tudo que é produzido no planeta, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) [vide infográfico abaixo]. A informação serve de alerta no Dia Mundial da Alimentação, comemorado em 16 de outubro. Com o objetivo de mostrar as causas dessa realidade e recomendar ações para reduzir o desperdício, foi divulgado o relatório Desperdício e perda de alimentos no contexto de sistemas alimentares sustentáveis. O documento foi elaborado por um painel de especialistas apoiados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o documento, o desperdício está presente em toda a cadeia produtiva. Por exemplo, logo no início acontece a falta de cuidado no manuseio da colheita e depois há o transporte mal programado e armazenamento inadequado em termos de temperatura e umidade. Além disso, quando o alimento chega ao consumidor, seja ele doméstico ou para comércio (restaurantes), as perdas continuam. “Isso acontece principalmente por costumes já arraigados, como hábito de comprar mais do que o necessário e falta de planejamento, sendo influenciadas por técnicas de marketing que encorajam a comprar sempre mais”, afirma o documento. O desperdício de alimentos também impacta o sistema econômico, pois gera perdas financeiras e reduz o retorno sobre o investimento; o social, impedindo o desenvolvimento e o progresso; e o ambiental, com impacto direto na biodiversidade com uso excessivo dos recursos naturais e geração exacerbada de lixo, que além de ser um problema de espaço, também gera emissões de metano, gás do efeito estufa. Par a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes, evitar o desperdício de alimentos é essencial para diminuir impactos na natureza e, assim, garantir a fonte de alimentos e a manutenção da vida de todas as espécies, incluindo a humana. “Muitas vezes as pessoas não fazem esta ligação, mas a biodiversidade é a base para o desenvolvimento das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais, que dão origem ao alimento que consumimos”, comenta Nunes. Alternativas O relatório da ONU aponta algumas soluções para a redução do desperdício tanto em nível de produção como de consumo. Segundo o texto, é preciso investir em tecnologia na colheita e melhoria nas práticas de armazenamento e transporte. Além disso, é importante contar com o apoio da indústria alimentícia para que melhorem as informações de validade, consumo e armazenamento no rótulo dos produtos. Modificar o comportamento do consumidor também é muito importante, por isso é necessário comunicar diretamente a esse público os benefícios do consumo equilibrado, ampliando a consciência para a redução de lixo orgânico. No Brasil, um movimento que incentiva a utilização integral dos alimentos é o Gastronomia Responsável, lançado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em 2010, na capital paranaense, onde conta com 28 restaurantes participantes e que comercializam os chamados ‘pratos responsáveis’. As receitas que levam esse selo possuem impacto reduzido para o meio ambiente e seguem os quatro princípios do movimento: aproveitamento integral dos alimentos, utilizar alimentos orgânicos, usar fornecedores locais para reduzir a emissão de CO2 e não utilizar espécies ameaçadas de extinção. Além de ir em um dos 51 restaurantes participantes – distribuídos em oitos estados do Brasil – e optar pelos pratos responsáveis, o público pode participar do movimento criando suas próprias receitas e compartilhando-as no site www.gastronomiaresponsavel.com.br, que reúne receitas e dicas responsáveis para aproveitamento dos alimentos. “As cascas dos alimentos, por exemplo, podem ser utilizadas em outros pratos, como farofas e doces, como é o caso da casca de banana. Por outro lado, as folhas de legumes, como a beterraba, podem ser utilizados para incrementar saladas”, indica o chef curitibano Celso Freire, curador do movimento. Para Malu Nunes, a alimentação responsável é uma tendência mundial. “Estão surgindo diversas iniciativas estimulando as pessoas a refletirem sobre a forma com que se alimentam, e esperamos que nesse Dia Mundial da Alimentação esse movimento se fortaleça”, conclui. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Índio Guarani-Kaiowá protesta em Brasília. Foto: ©Egon Heck/CIMI

Guarani-Kaiowás reagem à decisão do STF

[caption id="attachment_123176" align="aligncenter" width="505"] Índio Guarani-Kaiowá protesta em Brasília. Foto: ©Egon Heck/CIMI[/caption]   Diante de mais um episódio de violação de seus direitos constitucionais, lideranças Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul se mobilizaram em Brasília na terça e na quarta-feira (15) em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). A reação do povo indígena – vítima do maior genocídio étnico em curso no País e que há décadas luta pela demarcação de suas terras – se dá pela recente anulação do STF da Portaria 3219 que, em 2009, reconheceu a Terra Indígena Guyraroká como de ocupação tradicional. “Ou o governo e a Justiça demarcam nossas terras ou que nos enterrem de vez nelas”, declarou a liderança Ava Jeguaka Rendy’ju. A homologação pela presidente da República, Dilma Rousseff, é o único procedimento administrativo que faltava para finalizar o a demarcação da TI Guyraroká. “A coisa está tão absurda que hoje querem nos penalizar por termos sido expulsos de nossos territórios. Nos expulsaram de nossa terra à força e agora dizem que não estávamos lá em 1988 e por isso não podemos acessar nossos territórios?”, questiona a liderança Ava Kaaguy Rete. Vítimas dos projetos de colonização, os Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul foram expulsos de suas terras tradicionais e confinados em oito pequenas reservas. Desse processo resultam os graves conflitos com fazendeiros armados, mortalidade infantil, saúde precária e uma altíssima taxa de suicídios (73 casos em 2013, de acordo com dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena) e homicídios (62% dos casos de assassinatos de indígenas no Brasil ocorreram em MS). As lideranças Guarani protocolaram nesta quarta um memorial sobre o contexto histórico e a situação de extrema vulnerabilidade a que está submetido seu povo no Mato Grosso do Sul (MS). Na terça-feira, elas entregaram duas cartas – uma da Aty Guasu (Grande Assembleia Guarani-Kaiowá) e outra da comunidade Kurusu Ambá - nos gabinetes dos 10 ministros do STF a fim de reivindicar a garantia do direito às suas terras tradicionais. Entenda o caso. Saiba mais sobre os Guarani Kaiowá aqui. * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Clarissa Beretz, do Greenpeace
O Horário brasileiro de verão começa à 0h do próximo dia 19. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Economia com horário de verão será menor

[caption id="attachment_123182" align="aligncenter" width="450"] O Horário brasileiro de verão começa à 0h do próximo dia 19. Foto: José Cruz/Agência Brasil[/caption]   O horário de verão 2014/2015 deverá resultar em uma economia de R$ 278 milhões em termos de geração de energia térmica, informou ontem (14) o Ministério de Minas e Energia. Este ano o horário de verão, que começa à meia-noite de sábado (18), será estendido em uma semana, por causa do carnaval. Pela estimativa, o ganho econômico deve ser menor que o do horário de verão 2013/2014, quando chegou a R$ 405 milhões a economia com a redução da necessidade de energia de térmicas. O secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Ildo Grüdtner, explicou que o valor é menor devido à escassez de chuvas que elevou o uso da energia gerada pelas usinas térmicas. “Será menor que o valor do ano passado porque temos despacho maior de geração térmica pela situação hidrológica que passamos.” De acordo com Ildo Grüdtner, o horário de verão representará ainda uma economia de R$ 4,5 bilhões em investimentos que não precisarão ser feitos pelo setor para a construção de usinas térmicas. No Brasil, a estimativa é reduzir 4,5% na demanda de energia no horário de pico, entre 18h e 21h, o que representa 2.595 megawatts. À meia-noite de sábado, os relógios têm de ser adiantados em uma hora nos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que adotam o horário de verão. A mudança de horário vai até 22 de fevereiro de 2015. A medida é adotada para economizar energia no horário de maior consumo. “Buscamos maior aproveitamento da luz do sol e maior racionalidade no uso da energia elétrica”, disse o secretário. Pelo decreto que instituiu o horário de verão, a medida deve ser iniciada sempre no terceiro domingo de outubro e encerrada no terceiro domingo de fevereiro do ano subsequente. Mas, no ano em que houver coincidência com o domingo de carnaval, o fim do horário de verão deve ser no domingo seguinte. O objetivo é evitar que, em meio a um feriado, algumas pessoas esqueçam de ajustar os relógios. * Edição: Nádia Franco. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Yara Aquino, da Agência Brasil
Agenda-Brasil-Sustentável_Logo

Agenda Brasil Sustentável pede reforma política

Documento lançado por mais de 60 entidades, entre as quais o Instituto Ethos, busca conhecer propostas dos candidatos a presidente sobre o tema. As mais de 60 entidades que participam da iniciativa Agenda Brasil Sustentável decidiram concentrar os esforços para cobrar dos candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial suas propostas sobre reforma política e sua posição acerca da emenda constitucional para o estabelecimento da obrigatoriedade do Programa de Metas. O novo enfoque foi estimulado pelo expressivo resultado do plebiscito popular sobre reforma política realizado no início de setembro deste ano, que questionava se os brasileiros são favoráveis à convocação de uma constituinte exclusiva sobre esse tema. A campanha, organizada pela Plenária Nacional dos Movimentos Populares, coletou 7,7 milhões de votos. Desse total, 97% optaram pelo “Sim”, isto é, querem uma assembleia constituinte exclusiva para a reforma política no país. O número de votos coletados é cinco vezes maior do que o número de assinaturas da iniciativa popular que criou a Lei da Ficha Limpa. Brasil Sustentável Lançada em junho deste ano, a Agenda Brasil Sustentável reúne 63 entidades da sociedade civil – entre as quais o Instituto Ethos, a Rede Nossa São Paulo, a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), a Fundación Avina e a Agenda Pública –, com o objetivo de influenciar a agenda dos candidatos nas eleições de 2014 sobre temas essenciais para o Brasil. Conheça mais sobre a iniciativa no site www.agendabrasilsustentavel.org.br/. Para acessar o documento da Agenda Brasil Sustentável sobre reforma política, clique aqui.


por Redação da Agência Brasil

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