emissoes

Ambiente

Tecnologias evitarão emissões de poluentes?


por Washington Novaes*

Por onde vamos caminhar? Cientistas que se têm dedicado à área do clima não se cansam de advertir que é preciso mudar radicalmente, e com urgência, nossos modos de consumir energia (e emitir poluentes). Os mais céticos, entretanto, lembram que o país mais empenhado nessa direção, a Alemanha, não tem conseguido mudar o quadro - pois, embora esteja fechando usinas movidas pela queima de carvão e estimule formatos alternativos de energia, ainda assim o consumo desse combustível fóssil bateu o recorde de duas décadas em 2013. Na China - país que mais investe hoje em energias renoveis - também o consumo de carvão continua a bater recordes. O Painel do Clima discutiu esse assunto na última reunião, em Berlim. Por isso cresce também o número dos que acreditam que os caminhos para reduzir emissões estejam em novas tecnologias, que permitam continuar a usar as fontes poluentes, mas impedindo ao mesmo tempo que os gases cheguem à atmosfera. Como há quem acredite que novas tecnologias permitirão reduzir o fluxo de rios e evitar grandes inundações, desviando para afluentes os resíduos que assoreiam os cursos d'água ou criando lagos artificiais às margens. Os adeptos de novas tecnologias começam a entusiasmar-se. Como, por exemplo, os que propõem e já estão testando tecnologias para usar energia excedente de usinas eólicas ou solares, que custaria muito caro estocar em baterias, estocando-a em blocos de lama gelados nos períodos em que as usinas estejam paradas por falta de ventos ou de sol. Outro caminho é o de empresas que vão usar baterias de lítio para abastecer carros elétricos - uma tecnologia que já foi testada com êxito em carros elétricos esportivos, mas não nos veículos comuns (New Scientist, 8/3). Outra empresa ainda trabalha com a tecnologia de estocar energia num tipo de vidro quase líquido, viscoso, produzido especialmente para isso - e que pode ser bombeado para onde for necessário. O projeto piloto será numa fábrica de alumínio. Quase 150 anos depois do livro Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne, desenvolvem-se ainda projetos para converter a energia térmica do mar em formatos utilizáveis e que substituam os atuais poluentes. Segundo a New Scientist, é um caminho em desenvolvimento numa das grandes empresas do setor, a Lockheed Martin, que afirma poder prover até 4 mil vezes a energia consumida em um ano no mundo. Basicamente, trata-se de bombear água de temperaturas mais profundas e mais frias para camadas a 100 metros da superfície, mais quentes. E através de um sistema que usa amônia, o vapor trazido de maior profundidade, com temperaturas 20 graus inferiores, aciona uma turbina que gera eletricidade. O sistema poderia operar durante as 24 horas do dia. Seria adequado para regiões tropicais e subtropicais. Uma usina de 100 MW custaria US$ 790 milhões para implantar. E a energia produzida custaria US$ 0,18 por quilowatt/hora (hoje as usinas a carvão têm custo de US$ 0,14 e as solares, de US$ 0,14 a US$ 0,26). Já há projetos em Okinawa (Japão), no Havaí, na Holanda e em Curaçau (Caribe). Em parte deles a energia solar é usada para aquecer a água mais profunda. Mas têm sido criticado por cientistas conceituados, segundo os quais se corre o risco de proliferação de algas com sua transposição para áreas mais ricas em nutrientes e livres de bactérias. Já os donos da tecnologia asseguram que não; e que a tecnologia pode gerar 50% da energia consumida no mundo, sem contribuir para o aumento da temperatura planetária. No Canadá vai entrar em atividade um projeto que captura o dióxido de carbono de uma usina movida a carvão, a maior do país, antes que ele se dissipe na atmosfera: 90% de 1,1 milhão de toneladas será levado por encanamentos para um aquífero salino, de modo a ser sepultado quilômetros abaixo do solo. É um caminho que também já mereceu críticas fortes de cientistas, para quem o sepultamento da poluição pode contaminar aquíferos e provocar abalos sísmicos. Mas para outros é esperança de continuar utilizando o carvão. Por isso mesmo, continua de pé ainda a tecnologia de sequestrar gases da queima do carvão e utilizá-los na geração de energia - e isso seria suficiente para atender às necessidades de várias gerações à frente. Um dos caminhos seria a gaseificação subterrânea do carvão, a 300 metros da superfície, como se faz na Rússia desde a era de Stalin. Bombas especiais conduziriam os gases para a profundidade, onde seriam queimados, e outras trariam o produto para a superfície, onde seria utilizado como combustível, depurado da poeira do carvão, resfriado, comprimido e levado por tubulações para os locais de consumo. O relato na New Scientist (15/1) é do respeitado articulista Fred Pearce, segundo quem esse processo, se chegar à escala desejada, poderá permitir a utilização de "trilhões de toneladas de carvão", hoje condenadas por causa das emissões. E por isso já há testes também na China, na África do Sul e no Canadá, que têm grandes estoques de carvão. Na mesma direção de evitar emissões estão as experiências com veículos elétricos - como as que permitem utilizar baterias sem fio, que recarregam de energia o veículo quando ele estaciona para receber passageiro. Nas baterias utilizadas até aqui é preciso encontrar um posto de reabastecimento e ali permanecer durante horas, com o veículo conectado por cabo à fonte de energia. A nova tecnologia foi desenvolvida há décadas, mas a baixa eficiência não permitia sua utilização em escala maior. Agora, baseia-se em indução eletromagnética, com as próprias baterias do veículo, que transfere a energia com 90% de eficiência. E justamente por essa razão já está chegando a vários países. Serão as tecnologias que tornam viáveis fontes condenadas capazes de substituí-las a tempo de evitar o agravamento dos problemas do clima? * Washington Novaes é jornalista. ** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.
Superfuracão Hayian, 2013, Filipinas: 5 mil mortos, 1,5 milhão de desabrigados e mais lenha na fornalha das finanças globais

Economia

Quando a catástrofe climática vira produto financeiro


por Razmig Keucheyan*

[caption id="attachment_111658" align="aligncenter" width="485"] Superfuracão Hayian, 2013, Filipinas: 5 mil mortos, 1,5 milhão de desabrigados e mais lenha na fornalha das finanças globais. Ilustração: Patricio Bisso[/caption]   “Derivativos climáticos”, “obrigações de catástrofe”, “bolsa de troca de riscos”… Em torno dos novos desastres naturais surge universo de oportunidades e acumulação Em novembro de 2013, o “supertufão” Haiyan atingiu o arquipélago das Filipinas: mais de 6 mil mortos, 1,5 milhão de lares destruídos ou danificados, US$ 13 bilhões de danos materiais. Três meses depois, duas corretoras privadas de seguros, Munich Re e Willis Re, acompanhadas por representantes da Secretaria Internacional de Estratégias para a Redução de Riscos de Desastres das Nações Unidas (UNISDR), apresentavam aos senadores filipinos um novo produto financeiro desenvolvido para cobrir eventuais déficits do Estado em termos de gestão de desastres climáticos: o Philippines Risk and Insurance Scheme for Municipalities (Prism), um tipo de título com altos rendimentos que os municípios ofereceriam, em caso de catástrofe, a investidores privados [1]. Estes últimos se beneficiariam de taxas de juros vantajosas subsidiadas pelo Estado, mas, caso houvesse sinistro de uma força ou desastre predefinidos, perderiam seus investimentos. “Derivativos climáticos” (weather derivatives), “obrigações de catástrofe” (catastrophe bonds) e outros produtos de seguro climático fazem muito sucesso. Além dos países asiáticos, o México, a Turquia, o Chile e até mesmo o estado norte-americano do Alabama, duramente afetado pelo furacão Katrina em 2005, recorreram a eles de uma forma ou de outra. Para os promotores desses instrumentos, trata-se de confiar ao mercado financeiro os seguros de riscos naturais, inclusive os prêmios; avaliações de ameaças e ressarcimento das vítimas. Mas por que o mercado financeiro cobre danos causados pela natureza justamente agora, que ela mostra sinais cada vez mais claros de desgaste? Durante muitos séculos, a Terra forneceu ao sistema econômico matérias-primas e recursos naturais a preços baixos. O ecossistema também conseguia absorver os dejetos da produção industrial. Mas essas duas funções não se realizam mais tão facilmente. Não só o preço das matérias-primas e da gestão de dejetos aumenta, como a multiplicação e o agravamento dos desastres naturais fazem subir o custo global dos seguros. Isso exerce uma pressão para diminuir as taxas de lucro dos atores industriais. Desse modo, a crise ecológica não é apenas o reflexo, mas também a provável causadora de uma crise do capitalismo. Nesse contexto, a “financeirização” parece oferecer uma escapatória: as companhias de seguros e de resseguros (ver boxe) colocam em jogo novas formas de dissipar o risco, das quais a principal é a titularização de riscos climáticos − uma transposição para a esfera meteorológica dos mecanismos testados com o sucesso que conhecemos no sistema imobiliário americano… Entre os produtos mais fascinantes desse novo arsenal financeiro está o cat bond, diminutivo de catastrophe bond, ou seja “obrigação de catástrofe”. Uma obrigação é um título de crédito ou uma fração de dívida liquidável em um mercado, e sujeita a uma cotação. A particularidade dos cat bonds é que eles não surgem de uma dívida contraída por um Estado para renovar suas infraestruturas ou por uma empresa para financiar sua inovação, e sim da natureza e seus perigos. Eles abrangem uma eventualidade que pode ocorrer, mas sem certeza; sabe-se apenas que ocasionará desgastes materiais e humanos importantes. A partir daí, trata-se de dispersar os riscos naturais no espaço e no tempo, tornando-os financeiramente insensíveis. Conforme os mercados se desdobram em escala mundial, esses riscos ficam em evidência máxima. Esse prodígio da engenharia financeira nasceu em 1994, logo após uma série de desastres com custos fora do normal (o furacão Andrews na Flórida em 1992, o terremoto de Northridge na Califórnia em 1994) obrigar a indústria de seguros a encontrar novos recursos. Desde então, foram emitidos cerca de duzentos cat bonds, 27 apenas em 2007, totalizando US$ 14 bilhões. Furacão no Caribe vs. tsunami na Ásia Como todo título financeiro, as obrigações climáticas têm de se submeter ao crivo das agências de classificação de risco – Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s –, que geralmente dão a eles a medíocre nota BB, o que significa que eles possuem risco. O valor de um cat bond flutua no mercado em função da maior ou menor probabilidade de que a ameaça venha a acontecer e em função da oferta e procura do título em questão. Acontece que esses títulos continuam circulando quando uma catástrofe se aproxima e mesmo durante seu desenrolar; por exemplo, durante uma onda de calor na Europa ou de um furacão na Flórida. É o que os traders especialistas chamam de live cat bond trading – comércio ao vivo de títulos [2], o que faz sentido em razão de sua composição característica. Uma bolsa de valores de títulos chamada Catastrophe Risk Exchange (Catex), localizada em Nova Jersey, surgiu em 1995. Um investidor excessivamente exposto aos tremores de terra californianos poderá diversificar seu portfólio trocando seus cat bonds por outros de furacões no Caribe ou de tsunamis no Oceano Índico. A Catex também serve para fornecer base de dados a seus clientes, permitindo a avaliação de riscos. Protagonistas do dispositivo, as agências de modelização se rendem ao catastrophe modeling, ou seja, à modelização das catástrofes. Seu objetivo é calcular a natureza e reduzir quanto for possível a incerteza. Existe um pequeno número de agências de modelização de negócios no mundo, a maioria delas norte-americana: Applied Insurance Research (AIR), Eqecat e Risk Management Solutions (RMS). Em função de variáveis como velocidade dos ventos, tamanho dos ciclones, temperaturas e características físicas da zona em questão (material utilizado na construção, tipo de terreno, população), elas avaliam o custo de uma catástrofe, bem como as indenizações a serem pagas pelas seguradoras. E, consequentemente, determinam o preço do cat bond. A maioria das obrigações desse tipo emitidas até hoje partiu de seguradoras e resseguradoras. Mas, desde meados dos anos 2000, os próprios países colocam no mercado cat bonds “soberanos” – da mesma forma que se fala em dívida soberana. Essa tendência, lançada pelos teóricos contemporâneos de seguros advindos da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, uma das escolas de comércio mais prestigiadas do mundo, é fortemente encorajada pelo Banco Mundial e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse deslocamento ilustra a ligação estreita que se estabelece entre a crise de orçamento dos países (endividamento e queda de suas receitas) e a crise ambiental. Por causa da dificuldade que atravessam, os países se mostram cada vez menos capazes de assumir o custo dos seguros contra desastres climáticos pelos meios convencionais, ou seja, principalmente por impostos. E essa incapacidade fica a cada dia mais evidenciada conforme aumentam o número e o poder dos cataclismos causados pelas mudanças climáticas. Para governos em apuros, a financeirização dos seguros de riscos climáticos representa um sopro de oxigênio: a titularização como substituto ao imposto e à solidariedade nacional. Esse é um ponto de fusão entre a crise ecológica e a financeira, como mostra o exemplo mexicano. Furacões no Golfo do México, terremotos, deslocamentos de terra ou erupções do Popocateptl: o México parece cercado por ameaças “naturais”. Segurador em última instância em caso de catástrofes, o Estado indeniza as vítimas com o orçamento federal, ou seja, graças aos impostos, segundo o princípio da solidariedade nacional consubstancial ao Estado-nação moderno. Em 1996, o governo lançou o Fondo de Desastres Naturales (Fonden), destinado na época a fornecer ajuda de urgência aos sinistros e permitir a reconstrução das infraestruturas. Esse dispositivo funcionou até uma série de catástrofes com custo exorbitante se abater sobre o país. Em 2005, o governo federal gastou US$ 800 milhões para cobrir esses danos, quando só tinha… US$ 50 milhões para gastar. (3) Critérios muito rigorosos A ideia de titularizar o seguro de riscos de tremores de terra se concretizou no ano seguinte, com o incentivo do Banco Mundial. Em 2009, o país decidiu incluir no dispositivo os furacões, o que deu origem a um programa “multicat”, que cobria uma multiplicidade de riscos. Estavam presentes na mesa de negociações somente pessoas de alto gabarito: o ministro das Finanças do México, representantes da Goldman Sachs e da resseguradora Swiss Re Capital Markets, encarregados de vender o programa aos investidores. A Munich Re também estava presente, bem como dois grandes escritórios de advocacia norte-americanos, Cadwalader, Wickersham & Taft e White & Case. A Applied Insurance Research (AIR), agência de modelização encarregada de estabelecer os parâmetros para o lançamento da obrigação – o nível de gravidade no qual os investidores perderiam seu dinheiro –, elaborou dois modelos: um para os terremotos e outro para os furacões. Depois de estar registrado nas Ilhas Cayman pela Goldman Sachs e pela Swiss Re, o cat bond foi vendido aos investidores em turnês de promoção organizadas pelos bancos. Cada vez que uma catástrofe abate o México, a agência AIR determina se o acontecimento corresponde aos parâmetros estabelecidos pelos contratantes. Se for o caso, os investidores devem colocar o dinheiro à disposição do Estado do México. Caso contrário, não gastam nada e continuam lucrando com o seguro. Em abril de 2010, um terremoto arrasou o estado da Baja California, mas seu epicentro se encontrava ao norte da zona delimitada pelo cat bond. Resultado: o dinheiro da obrigação não foi liberado, e o México continuou pagando juros. Da mesma forma, quando um furacão atingiu o estado de Tamaulipas dois meses depois, sua força foi inferior ao nível predeterminado, e o México não viu a cor dos dólares. Os critérios são tão rigorosos que apenas três dos duzentos cat bonds emitidos em quinze anos foram acionados (The Economist, 5 out. 2013). No Sudeste Asiático, região particularmente exposta, a introdução de cat bonds soberanos se opera segundo modalidades particulares [4]. Na Indonésia, maior país muçulmano do mundo, os princípios de seguros islâmicos, o takaful, se aplicam. Sem poder ignorar que o setor apresenta após uma década um crescimento anual de 25% (contra os 10% obtidos pelo mercado tradicional de seguros), a resseguradora Swiss Re se esforça para reforçar sua sharia credibility, segundo sua própria expressão [5]. Os países em desenvolvimento são com frequência os mais duramente afetados por catástrofes climáticas, tanto por razões geográficas como por não possuírem os mesmos meios de enfrentá-las que os países ocidentais. O aumento do nível do mar atinge tanto a Holanda como Bangladesh, mas é preferível enfrentar as ondas em Amsterdã a encará-las em Munshiganj. [6] As obrigações de catástrofe – ou, em outro gênero, os créditos de carbono – não são os únicos produtos financeiros ligados a processos naturais. Os derivativos climáticos, por exemplo, propõem aos investidores apostas em relação ao tempo que faz, ou seja, sobre as variações da meteorologia que não representem uma interrupção no curso normal da vida social. Desde eventos esportivos a colheitas, passando pelo granizo, concertos de rock e variações no preço do gás, bem como diversos outros aspectos das sociedades modernas são influenciados pelo tempo. Estima-se que um quarto da riqueza anual produzida pelos países desenvolvidos esteja suscetível a sofrer impactos em relação ao tempo.7 O princípio do derivativo climático é quase infantil: uma quantia financeira é liberada para o lucro de quem o adquiriu caso as temperaturas – ou algum outro parâmetro meteorológico – superem, ou não atinjam, um nível predeterminado; por exemplo, se o frio – e, portanto, os gastos com energia – excede certo nível ou se a chuva restringe a frequentação de um parque de diversões durante o verão. No ramo agrícola, alguns derivativos têm como subjacente – o ativo real sobre o qual um instrumento financeiro versa – o tempo de germinação das plantas. Um índice como o “grau por dia de crescimento” (growing degree days) mede a diferença entre a temperatura média que uma plantação necessita para amadurecer e a temperatura real, ativando o pagamento de determinada quantia caso seja ultrapassado um nível estabelecido. Em caso de um swap (“troca”), duas empresas afetadas de maneira oposta pelas variações climáticas podem decidir se segurarem mutuamente. Se uma empresa de energia perde dinheiro em caso de inverno pouco rigoroso e o mesmo ocorre com uma empresa de eventos esportivos em caso de inverno muito rigoroso, elas se cobrem com um montante predeterminado conforme o termômetro sobe ou desce.8 Os ancestrais dos derivativos climáticos apareceram na agricultura no século XIX, principalmente nos Estados Unidos, no Chicago Board of Trade. Eles tratavam de matérias-primas como algodão e trigo.9 No momento da liberação e da aglutinação dos mercados financeiros, nos anos 1970, e da proliferação dos derivativos, os subjacentes potenciais se multiplicaram. Pioneiras nesse ramo, as multinacionais de energia, entre elas a Enron, encontraram nos derivativos um meio de “suavizar” seus riscos de perdas.10 Desse modo, após o inverno de 1998-1999, particularmente brando nos Estados Unidos por causa do fenômeno La Niña, algumas termelétricas decidiram utilizar os derivativos para se “cobrir” – para essas empresas, as flutuações de alguns graus implicavam variações financeiras colossais. A partir de 1999, os derivativos climáticos passaram a ser trocados no Chicago Mercantil Exchange, historicamente especializado em produtos agrícolas. O surgimento desses produtos financeiros está atrelado ao movimento de privatização dos serviços meteorológicos, principalmente nos países anglo-saxões: são eles que, em última instância, determinam o nível que precisa ser atingido para que um derivativo seja acionado. Em um artigo intitulado “Pourquoi l’environnement a besoin de la haute finance” [Por que o meio ambiente precisa da alta finança], três teóricos de seguros sugerem atualmente a implantação do species swap, um tipo de derivativo que trata do desaparecimento de espécies.11 A interpenetração das finanças e da natureza assume aí uma de suas formas mais radicais: tornar a preservação das espécies rentável para as empresas, a fim de incentivá-las a tomar conta da biodiversidade. Na verdade, essa missão custosa cabe hoje ao Estado, cujos cofres estão cada dia mais vazios. Ainda nesse tema, o aumento da crise fiscal justifica a financeirização da natureza. Imaginemos que o estado da Flórida assine um contrato de species swap com uma empresa, tendo como subjacente uma variedade de tartaruga ameaçada que vive nos arredores da contratante. Se o número de espécimes aumentar por causa da atenção dedicada pela empresa, o estado paga juros a esta; porém, se as tartarugas rarearem ou se aproximarem da extinção, é a empresa que tem de pagar ao estado, para que este possa iniciar uma operação de salvação. As “hipotecas ambientais” (environmental mortgages) – tipo de subprime cujo subjacente não é um bem imobiliário, e sim uma parte do meio ambiente –, os títulos garantidos por florestas (forest backed securities) e ainda os mecanismos de compensação de zonas úmidas (wetlands), legalizados nos Estados Unidos pela administração do presidente George H. Bush durante os anos 1990, constituem outros exemplos de produtos financeiros desse tipo. O capitalismo, segundo o teórico do ecossocialismo James O’Connor, implica “condições de produção”.12 À medida que se desenvolve, enfraquece e até destrói suas condições de produção. Se o petróleo barato permitiu durante mais de um século o funcionamento daquilo que Timothy Mitchell chama de “democracia do carbono”,13 sua escassez aumenta consideravelmente os custos da indústria. O capital precisa dessas condições de produção, mas não consegue evitar que, por sua ação, as fontes se esgotem. É o que O’Connor chama de “segunda contradição” do sistema: aquela entre o capital e a natureza, ao passo que a primeira opõe o capital e o trabalho. Essas duas contradições se entrelaçam: o trabalho humano gera valor transformando a natureza. A primeira contradição conduz a uma baixa tendenciosa da taxa de lucro, ou seja, ao surgimento de crises profundas do sistema. A segunda induz a um encarecimento crescente da manutenção das condições de produção, que pesa igualmente na queda da taxa de lucro, pois volumes crescentes de capitais empregados nessa manutenção – por exemplo, para pesquisas de reservas de petróleo, cujo acesso está cada vez mais difícil – não são transformados em lucro. Nessa configuração, o Estado moderno tem um papel de interface entre o capital e a natureza: ele regula o uso das condições de produção para que elas possam ser exploradas. O objetivo do ecossocialismo consiste em desfazer o tríptico formado pelo capitalismo, a natureza e o Estado. Trata-se de impedir este último de trabalhar a favor dos interesses do capital e reorientar sua ação a favor do bem-estar da população e da preservação do equilíbrio natural. A conferência Paris Climat 2015 (COP 21), na qual o governo do presidente François Hollande parece estar depositando grandes esperanças, oferecerá ao movimento global pela justiça climática uma chance de expressar essa reivindicação. Listas negras O seguro moderno é indissociável do resseguro – o “seguro das seguradoras” –, que o segue como sua sombra. Ele permite às seguradoras se prevenirem contra riscos que julgam importantes, por isso contratam um seguro para seguros. O mecanismo é o mesmo que no grau inferior: a seguradora paga um montante à resseguradora, que lhe pagará indenizações caso ocorra algum sinistro. Esse montante normalmente é reinvestido pela resseguradora em outros títulos financeiros, cujos lucros servem para reembolsar as seguradoras. Sendo assim, as resseguradoras ocupam desde o século XIX a vanguarda da finança internacional. O setor – hoje em dia dominado pelas companhias Munich Re (fundada em 1880) e Swiss Re (criada em 1863) – surgiu após incêndios que devastaram grandes cidades. Em 1842, Hamburgo ardeu em chamas; as seguradoras alemãs entraram em situação de calamidade, e assim nasceu o resseguro. Diversos tipos de risco reviraram o setor recentemente: terrorismo, riscos tecnológicos e multiplicação de desastres naturais – principalmente por causa das mudanças climáticas – com custos cada vez mais elevados. A Swiss Re produz dados anuais bem completos, compilados em uma revista chamada Sigma, sobre a amplitude dos desastres humanos e seus danos materiais.1 Os números tratam principalmente dos bens assegurados, ou seja, dos totais que as seguradoras e resseguradoras pagaram a seus clientes. Nela é possível constatar que, nos países em desenvolvimento, apenas 3% dos bens perdidos são segurados, contra mais de 40% nos países desenvolvidos.2 Com US$ 75 bilhões, o furacão Katrina, que atingiu a região de Nova Orleans em 2005, é considerado até hoje o episódio mais custoso da história em danos segurados desde 1970 – época na qual esses dados começaram a ser compilados. A conta sobe para até US$ 150 bilhões se adicionarmos os bens não assegurados. Aparecem em seguida na lista o terremoto seguido de um tsunami no Japão em 2011 (US$ 35 bilhões) – que ocasionou a catástrofe nuclear de Fukushima –, o furacão Andrews de 1992 nos Estados Unidos (US$ 25 bilhões) e os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 (US$ 24 bilhões); estes últimos foram os mais custosos na categoria que a Swiss Re chama de “técnicos”, ou seja, sem relação com um fenômeno natural. Na França, em 2003, ano da onda de calor, o custo agregado dos cataclismos naturais passou de 2 bilhões de euros, um recorde para o país. Nos últimos vinte anos, o principal risco natural eram as inundações, seguidas pelas secas. Dos 25 desastres mais custosos no período entre 1970 e 2010, mais da metade ocorreu após 2001. O número de furacões de categoria 4 ou 5 dobrou em 35 anos (5 é a força máxima dos ventos). Esse tipo de acontecimento pode ter um custo material elevado e um custo humano baixo, e vice-versa. Os mais mortíferos foram as tempestades e inundações causadas em 1970 pelo ciclone Bhola em Bangladesh (Paquistão Oriental na época) e no estado indiano de Bengala, que fez em torno de 300 mil vítimas. Em terceiro lugar está o tremor de terra no Haiti em 2010, com 222 mil mortos. A onda de calor e a seca europeia em 2003, que provocaram a morte de 35 mil pessoas, ficam em 12o segundo lugar na lista. Aliás, esse é o pior desastre na Europa, que ocupa com os Estados Unidos as mais altas posições do ranking de desastres mais custosos financeiramente. Isso comprova, se necessário, o impacto do desenvolvimento econômico sobre mortalidade nessas situações. No ano de 2011 – último com números disponíveis –, a Swiss Re contabilizou 325 catástrofes, das quais 175 foram consideradas “naturais” e 150 “técnicas”. A essa segunda categoria, a resseguradora julgou sábio acrescentar… a Primavera Árabe. (R.K.) – Referências 1 Imelda V. Abano, “Philippines mulls disaster risk insurance for local governments” [Filipinas refletem sobre seguros contra riscos de desastres com governos locais], Thomson Reuters Foundation, Londres, 22 jan. 2014. 2 Cenas burlescas foram descritas por Michael Lewis, “In nature’s casino” [No cassino da natureza], New York Times Magazine,26 ago. 2007. 3 Erwann Michel-Kerjan (org.), “Catastrophe financing for governments: learning from the 2009-2012 Multicat Program in Mexico” [Financiamento de catástrofes pelos governos: aprendendo com o Programa Multicat do México de 2009-2012], OECD Working Papers on Finance, Insurance and Private Pensions, n.9, Paris, 2011. Esse relatório serve de fonte para os dois próximos parágrafos. 4 “Advancing disaster risk financing and insurance in ASEAN countries. Framework and options for implementation” [Avançando sobre financiamento e seguros contra riscos de desastres nos países da Asean. Quadro e opções de aplicação], Banco Mundial, Washington, abr. 2012. Disponível em: . 5 Cf. “Insurance in the emerging markets: overview and prospects for Islamic insurance” [Seguros nos mercados emergentes: visão geral e prospecção para seguros islâmicos], Sigma, n.5, Zurique, 2008. 6 Ler Donatien Garnier, “Au Bangladesh, les premiers réfugiés climatiques” [Em Bangladesh, os primeiros refugiados climáticos], Le Monde Diplomatique, abr. 2007. 7 Frédéric Morlaye, Risk management et assurance [Gerenciamento de riscos e seguro],Economica,Paris, 2006. 8 Melinda Cooper, “Turbulent worlds: financial markets and environmental crisis” [Mundos turbulentos: mercado financeiro e crise ambiental], Theory, Culture & Society, n.27, Londres, 2010. 9 Para uma história desses produtos financeiros, cf. William Cronon, Nature’s metropolis. Chicago and the Great West [Metrópoles da natureza. Chicago e o Grande Oeste], WW Norton, Nova York, 1992, capítulo 3. 10 John E. Thornes, “An introduction to weather and climate derivatives” [Uma introdução para derivativos climáticos e de tempo], Weather, v.58, Reading (Reino Unido), maio 2003; Samuel Randalls, “Weather profits. Weather derivatives and the commercialization of meteorology” [Lucros sobre o clima. Derivativos climáticos e a comercialização da meteorologia], Social Studies of Science, n.40, Kingston, 2010. 11 Cf. James T. Mandel, C. Josh Donlan e Jonathan Armstrong, “A derivative approach to endangered species conservation” [Uma abordagem derivativa para a conservação de espécies ameaçadas], Frontiers in Ecology and the Environment, n.8, Washington, 2010. 12 James O’Connor, Natural causes. Essays in ecological marxism [Causas naturais. Ensaios sobre ecologia marxista], Guilford Press, Nova York, 1997. 13 Timothy Mitchell, Carbon democracy. Le pouvoir politique à l’ère du pétrole [Democracia do carbono. O poder político na era do petróleo], La Découverte, Paris, 2013. 14 Cf. e especialmente “Catastrophes naturelles et techniques en 2011” [Catástrofes naturais e técnicas em 2011], Sigma, n.2, Zurique, 2012. Os dados apresentados provêm desse exemplar. 15 Koko Warner et al., “Adaptation to climate change. Linking disaster risk reduction and insurance” [Adaptação às mudanças climáticas. Ligações entre redução de riscos de desastres e seguros], Secretaria Internacional de Estratégias para a Redução de Riscos de Desastres das Nações Unidas (UNISDR), 2009. * Razmig Keucheyan é conferencista de sociologia da Universidade Paris-Sorbonne. ** Publicado originalmente no no Le Monde Diplomatique e retirado do site Outras Palavras.
Foto: http://www.shutterstock.com/

Economia

Contra a ladainha midiática


por Luiz Gonzaga Belluzzo*

[caption id="attachment_100182" align="alignleft" width="300"] Foto: http://www.shutterstock.com/[/caption] A correlação entre crescimento e poupança afirma a anterioridade do primeiro, atesta relatório do FMI Nas páginas dos cadernos de economia, os ditos formadores de opinião rezam a ladainha da economia virtuosa: a baixa taxa de poupança agregada determina a reduzida taxa de investimento e, consequentemente, o medíocre crescimento brasileiro. Custaria pouco consultar o recém-publicado World Economic Outlook. Esse relatório semestral do FMI oferece um tratamento econométrico cuidadoso aos interessados no tema Crescimento x Poupança. É obrigatório alertar o leitor não especialista para as limitações preditivas dos procedimentos econométricos. Seja como for, o teste de causalidade de Granger aplicado a um amplo painel de países desenvolvidos e emergentes atesta: o crescimento do PIB precede as variações na taxa de poupança. Diz o relatório: “A análise cuida da direção de causalidade entre poupança e crescimento do PIB no curto e no médio prazo. Trata-se de observar em que medida o crescimento do PIB ou a taxa de poupança privada de períodos anteriores antecipam variações em uma ou outra das variáveis. O resultado da análise sugere que uma elevação na taxa de poupança antecipa um crescimento mais baixo do PIB no curto e no médio prazo. Em contraste, elevações na taxa de crescimento do PIB antecipam taxas de poupança mais elevadas. A correlação entre crescimento e poupança afirma a anterioridade do crescimento sobre a poupança e não o contrário”. Os economistas da chamada corrente principal não conseguem enfiar o dinheiro, os bancos e o crédito em seus modelos de equilíbrio geral, deterministas ou estocásticos. Persistem em sua batalha ideológica em prol dos preconceitos do senso comum e na contramão dos movimentos da economia capitalista guiados pelo domínio absoluto da circulação monetária, o que envolve o pagamento de salários com o propósito de capturar lucros, sob as regras e desregramentos do dinheiro de crédito criado pelos bancos e assemelhados. Para juntar ofensa à injúria, essa economia é dotada de um setor de meios de produção especializado, incumbido de abrigar em sua força material a sede de crescimento dos senhores do dinheiro. O avanço da “economia de mercado” produziu a separação material entre os bens de consumo e os bens de produção. Assim, por sua “natureza” material, os bens de produção não podem ser consumidos, ou melhor, o seu “consumo” só pode ocorrer ao longo do tempo, se mobilizados pelos gastos de investimento. Para tanto, os intrépidos empresários, ao recorrer ao dinheiro dos bancos, arrostam os riscos de inadimplemento ou, ao utilizar suas reservas monetárias, enfrentam as agruras da iliquidez. Com isso, “financiam” o pagamento de mais salários no afã de conquistar lucros acrescentados. Dos salários pagos e dos lucros realizados saem as poupanças privadas que vão se juntar ao estoque já existente de riqueza financeira da sociedade. Assim, ao comentar a equação: “Lucros Brutos = Investimento Bruto + Consumo dos Capitalistas”, o economista polonês Michael Kalecki pergunta: significa ela, por acaso, que os lucros, em um dado período, determinam o consumo e o investimento dos capitalistas, ou o inverso disto? A resposta a essa questão, diz ele, depende de se determinar qual desses itens está sujeito diretamente às decisões dos capitalistas. Fica claro que os capitalistas podem decidir consumir e investir mais em um dado período do que no precedente. Mas eles não podem decidir ganhar mais. São, portanto, suas decisões de investimento e consumo que determinam os lucros (e a poupança privada derivada dos salários e demais rendimentos) e não vice-versa. Na versão keynesiana do princípio da demanda efetiva, o investimento e o crédito são as variáveis independentes que determinam a criação da renda monetária e, portanto, a distribuição do valor criado pelo gasto na produção de bens de consumo e bens de produção entre lucros e salários. Nesta economia com grande concentração de capital fixo e dominância dos bancos na intermediação financeira, a dinâmica de longo prazo está fundada na busca do aumento da produtividade social do trabalho, o que, por sua vez impulsiona a competição pela inovação tecnológica. Seriam os autores do estudo das relações entre crescimento e poupança – os economistas do FMI Davide Furceri, Andrea Pescatori e Boqun Wang – sorrateiros keynesianos, talvez ardilosos schumpeterianos ou, pior, perigosos marxistas? A ascendência italiana de Furceri e Pescatori é altamente suspeita e deveria ser submetida à inspeção e monitoramento dos protoliberais brasileiros que ora se ocupam em vasculhar desenvolvimentistas nas universidades. Já o chinês Wang... * Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial da Carta Capital. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.
Cartaz de uma greve de trabalhadores das redes de fast food de Nova York reclamando maiores salários, em julho de 2013. Foto: Annette Bernhardt/cc by  2.0

Economia

Executivos dos Estados Unidos ganham 331 vezes mais do que um empregado médio


por Jim Lobe, da IPS

[caption id="attachment_111639" align="aligncenter" width="550"] Cartaz de uma greve de trabalhadores das redes de fast food de Nova York reclamando maiores salários, em julho de 2013. Foto: Annette Bernhardt/cc by 2.0[/caption]   Washington, Estados Unidos, 22/4/2014 – Uma pesquisa divulgada na semana passada pela maior federação sindical dos Estados Unidos conclui que, em 2013, os diretores executivos das principais corporações do país ganharam 331 vezes mais dinheiro do que o trabalhador médio. De acordo com a base de dados 2014 Executive PayWatch da Federação Norte-Americana do Trabalho e do Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), os executivos de 350 empresas do país ganharam, em média, US$ 11,7 milhões no ano passado, e o trabalhador médio recebeu US$ 35,293 mil. Os mesmos chefes obtiveram, em média, renda 774 vezes maior do que os trabalhadores que receberam o salário mínimo federal de US$ 7,25 por hora, ou pouco mais de US$ 15 mil ao ano, segundo essa base de dados. Outra pesquisa sobre as principais cem corporações norte-americanas, divulgada no dia 13 pelo jornal The New York Times, mostra que a compensação média de um diretor dessas empresas foi ainda maior no ano passado: US$ 13,9 milhões. Esse informe, o Equilar 100 CEO Pay Study, conclui que, em conjunto, esses altos executivos embolsaram US$ 1,5 bilhão em 2013, pouco mais do que no ano anterior. Como nos últimos anos, quem ganhou mais dinheiro foi Lawrence Ellison, diretor-executivo da Oracle: US$ 78,4 milhões. Os dois estudos, divulgados enquanto dezenas de milhões de pessoas apresentam sua declaração anual de impostos, lançam lenha no acalorado debate sobre o aumento da desigualdade de renda no país. O fenômeno saltou para primeiro plano com o movimento Ocupa Wall Street, de 2011. O presidente Barack Obama o descreveu como “o desafio que define nosso tempo”, enquanto se coloca em marcha a campanha pelas eleições de metade de mandato. Obama tentou dar uma resposta aumentando o salário mínimo e estendendo os benefícios por desemprego e o pagamento de horas extras aos trabalhadores federais, entre outras medidas. O fato de Obama mirar a desigualdade e os perigos que esta apresenta lhe deu certo apoio intelectual, e inclusive teológico, nos últimos meses. Em uma revisão de sua tradicional ortodoxia neoliberal, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou no mês passado um estudo sobre os efeitos negativos da desigualdade no crescimento econômico e na estabilidade política. Sua diretora-gerente, Christine Lagarde, advertiu que desigualdade gera “uma economia da exclusão” e que ameaça “o precioso tecido que mantém unida nossa sociedade”. O papa Francisco também se pronunciou reiteradamente sobre os perigos da desigualdade econômica, por exemplo, em uma reunião privada que manteve no mês passado com Obama no Vaticano. O informe Global Risks, do Fórum Econômico Mundial, publicado em janeiro, afirma que a acentuada desigualdade de renda será o maior risco para a estabilidade mundial na próxima década. Enquanto isso, um novo estudo do economista francês Thomas Piketty, O Capital no Século 21, que compara a desigualdade de hoje com as do final do século 19, recebe críticas favoráveis em praticamente todas as publicações dominantes. A obra se baseia em dados de dezenas de países do Ocidente que remontam há dois séculos. Piketty argumenta que são necessárias medidas radicais de redistribuição, como um “imposto mundial sobre o capital”, para reverter as atuais tendências para uma desigualdade maior. O autor esteve na semana passada em Washington para falar a especialistas de vários centros de pensamento. A decisão da Suprema Corte de Justiça, que no começo deste mês ampliou os limites das contribuições que os ricos podem fazer aos partidos políticos e às campanhas eleitorais, faz muitos temerem que a democracia norte-americana esteja no caminho de se converter em uma plutocracia. De todos os países do Ocidente, os Estados Unidos registram a maior disparidade de renda, segundo várias medições. Em seu livro, Piketty mostra que essa desigualdade atual norte-americana excede a que tinha a Europa em 1900. A diferença de 331 a um entre o que recebem os 350 diretores-executivos e o trabalhador médio é coerente com a brecha salarial característica da ultima década. Esta realidade contrasta drasticamente com a que existia depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1950, por exemplo, os salários dos diretores das corporações eram 20 vezes maiores do que os dos trabalhadores. Em 1980, antes que o governo de Ronald Reagan (1981-1989) começasse a implantar suas políticas econômicas da “magia do mercado”, era preciso multiplicar por 42 o salário de um trabalhador para obter o de um alto executivo, segundo Sarah Anderson, veterana observadora das compensações, do Instituto de Estudos Políticos de Washington. “Não creio que alguém, exceto, talvez, Ellison, possa dizer que os gerentes de hoje são uma forma evoluída do homo sapiens em comparação com seus predecessores de 30 ou 60 anos”, brincou Bart Naylor, promotor de políticas financeiras na organização Public Citizen. “Os que criaram a indústria farmacêutica e a de alta tecnologia eram altos executivos e não drenavam a economia do modo como fazem os executivos de hoje”, apontou à IPS. “A máquina de recompensas para executivos está arruinada”, acrescentou. O mortificante para os sindicalistas é que muitas dessas empresas afirmam que não podem se dar ao luxo de aumentar os salários de seus trabalhadores. “A Pay Watch chama a atenção para o demencial nível de compensações dos diretores-executivos, enquanto os trabalhadores que geram esses lucros corporativos não conseguem receber o suficiente para cobrir seus gastos básicos”, ressaltou o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka. “Considerem que os benefícios por retirada do presidente da Yum Brands, dona da KFC, Taco Bell e Pizza Hut é de mais de US$ 232 milhões, com impostos diferidos. É bastante obsceno para uma corporação que emprega mão de obra barata”, argumentou Anderson. Atualmente, o Congresso analisa várias medidas para abordar o assunto, embora a maioria delas conte com a oposição dos republicanos, que são maioria na Câmara de Representantes. Porém, um projeto tributário apresentado pelo presidente republicano do poderoso Comitê de Meios e Arbítrios dessa casa pode pôr fim a uma clara injustiça, a que exime os executivos de pagarem impostos pelos “honorários por desempenho” que recebem quando cumprem certas metas fixadas pela direção da empresa. Alem disso, a Comissão Nacional de Valores começa a aplicar uma norma pendente há algum tempo, que exigirá das corporações com cotação na bolsa que revelem a renda de seus diretores-executivos, comparados com os de seus empregados de tempo integral, parcial, temporário e periódico, tanto norte-americanos quanto estrangeiros. Envolverde/IPS


receba nossa newsletter

email: *


Kiruba Shankar. Foto: Flickr

Eventos marcam o 44º aniversário do Dia da Terra

  [caption id="attachment_111662" align="aligncenter" width="508"] Kiruba Shankar. Foto: Flickr[/caption]   Data foi criada em 1970 para conscientizar sobre a importância da preservação da natureza; organizações em todo o mundo lançam formas participativas de chamar a atenção para problemas ambientais Nesta terça-feira, dia 22 de abril, celebra-se o Dia Internacional da Mãe Terra, mas o que se percebe é que atualmente não há muitos motivos para comemorações: o planeta enfrenta uma grave crise ambiental, com problemas que vão desde contaminação de água, solo e ar por produtos químicos a uma taxa de extinção de espécies sem precedentes, passando por questões agrárias e de direitos da terra de povos indígenas e efeitos devastadores das mudanças climáticas. Todos esses problemas nos lembram o quanto o planeta se encontra em uma situação delicada, e o Dia da Terra nasceu para isso mesmo: conscientizar a população sobre a importância da preservação da natureza e chamar a atenção para os problemas ambientais. A data foi criada em 1970 pelo senador norte-americano Gaylord Nelson depois de um vazamento de petróleo que o ocorreu no estado da Califórnia. O senador, inconformado com a situação, pensava em alguma forma de fazer com que as pessoas ficassem mais cientes de acontecimentos como esse e que percebessem os impactos que isso tem em suas vidas. Pouco depois, veio a ideia. “Surgiu na minha cabeça. É isso! Por que não ter um [dia] de conscientização ambiental e envolver a todos?”, revelou Nelson posteriormente. Logo na primeira edição do Dia da Terra, o evento fez sucesso: no auge do movimento hippie e com o início da conscientização ambiental, 20 milhões de norte-americanos participaram da comemoração, que levou à criação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e dos atos do Ar Limpo, Água Limpa e das Espécies Ameaçadas. De lá para cá, a celebração foi abrangendo cada vez mais países, até que, em 1990, se tornou oficialmente global, com 140 nações participando. Em 2000, mais de 180 países comemoraram o Dia da Terra e, em 2009, as Nações Unidas renomearam a data, chamando-a de Dia Internacional da Mãe Terra, embora o nome mais curto tenha se popularizado mais. Atualmente, governos, organizações e pessoas realizam eventos para lembrar a data, que possui site próprio ressaltando os principais acontecimentos que marcam o Dia da Terra. Em 2014, a National Geographic estima que mais de um bilhão de pessoas participarão de alguma forma do evento, que neste ano enfatiza a importância da educação na conscientização ambiental e o papel da urbanização sustentável para um planeta melhor. Segundo o site do Dia da Terra, a data promete ter eventos de peso. Na Tunísia, a Organização Maya, ONG do Instituto Superior de Ciências Biológicas Aplicadas de Túnis (ISSBAT) que promove tecnologias limpas e adaptação às mudanças climáticas, realizará a ‘Go Greener Maya Competition’, através da qual o instituto promoverá ideias para reduzir, reciclar e/ou reusar resíduos no ISSBAT, ajudando a diminuir a quantidade de lixo gerada pela instituição. No Iraque, a Iraqi Green Peace Organization (IGPO) planeja criar clubes ambientais em escolas primárias para ensinar as crianças a protegerem as cidades e aumentarem o número de espaços verdes urbanos. Também trabalharão com os estudantes em uma campanha de reflorestamento para escolas, em parceria com fundações locais e voluntários da comunidade. Em Genebra, na Suíça, a Escola Internacional de Genebra realizará uma ‘liquidação verde’ e um bazar de alimentos orgânicos para arrecadar fundos e plantar árvores em escolas. Também haverá atividades como jogos de reciclagem e artes e ofícios ambientais. Em Dublin, será realizado o ‘Acampamento Eco-Explorador para Crianças’ de 22 de abril a 25 de abril. As crianças de cinco a 12 anos explorarão a ecologia urbana local, farão medições climáticas, investigarão a vida selvagem urbana e descobrirão os espaços verdes de Dublin. No Brasil, o dia também será marcado por comemorações, e alguns artistas brasileiros, como Caetano Veloso, Lenine, Criolo e Emicida se reuniram na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, para gravar um videoclipe que foca na preservação ambiental. O trailer e o videoclipe da música ‘Eu estou vivo’, uma iniciativa da ONG Rainforest Alliance, já estão disponíveis no youtube, e é possível fazer download da música através de uma doação para a ONG. 'Selfie' para a conscientização ambiental Como as mídias sociais tornaram o público cada vez mais participativo na produção de conteúdo, o Dia da Terra também não ficou fora desse fenômeno. Assim, a NASA criou a campanha ‘#Global Selfie Earth Day’, que visa estimular as pessoas a fazerem ‘selfies’ – aqueles auto-retratos feitos com câmeras e celulares – com o meio ambiente como pano de fundo, sejam montanhas, parques, o céu, rios, lagos ou qualquer outra paisagem natural. O objetivo da agência espacial norte-americana, além da conscientização ambiental, é coletar imagens da Terra para criar uma espécie de ‘colagem’ para um grande retrato do planeta. Para participar, é só tirar uma ‘selfie’ com uma paisagem natural de fundo e com alguma forma de identificação – uma plaquinha como o modelo criado pela NASA, ou mesmo palavras escritas na areia, ou com pedras, ao fundo – e publicar no Twitter, Instagram ou Google+ com a hashtag #GlobalSelfie, ou na página do Facebook #GlobalSelfie event. “O Dia Internacional da Mãe Terra é uma chance de reafirmar nossa responsabilidade coletiva para promover a harmonia com a natureza em um tempo em que nosso planeta está sob ameaça das mudanças climáticas, da exploração insustentável dos recursos naturais e outros problemas causados pelo homem. Quando ameaçamos nosso planeta, minamos nosso próprio lar – e nossa sobrevivência no futuro. Neste dia internacional, vamos renovar nossas promessas para honrar e respeitar a Mãe Terra”, afirmou Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, em uma mensagem. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
Diego Cánepa. Foto: Presidência do Uruguai

O Uruguai não é “pirata” por legalizar a maconha

[caption id="attachment_111635" align="alignleft" width="380"] Diego Cánepa. Foto: Presidência do Uruguai[/caption] Viena, Áustria, 22/4/2014 – A decisão do governo uruguaio de regulamentar a produção, distribuição e venda de maconha, para combater o narcotráfico e abordar problemas de saúde pública foi condenada pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife). Raymond Yans, presidente desta agência da Organização das Nações Unidas (ONU), acusou as autoridades do Uruguai de terem uma “atitude pirata” diante das convenções do fórum mundial sobre as drogas. O presidente uruguaio, José Mujica, promulgou, em 23 de dezembro, a lei 19.172 de regulamentação da maconha, mas sua entrada em vigor ocorre este mês, deixando todo o setor sob a órbita do estatal Instituto de Regulamentação e Controle da Maconha, criado por norma de 44 artigos. Diego Cánepa, pró-secretário da Presidência uruguaia, disse à IPS que regulamentar o mercado de maconha foi uma decisão correta para seu país. IPS: O que lhe parece a Jife chamar seu país de “pirata” por legalizar o mercado da maconha? DIEGO CÁNEPA: Bem, a Jife é apenas um organismo da ONU e é apenas uma opinião. Tem um mandato especial, e esse mandato não é decidir qual enfoque cada país deve adotar. Tivemos um debate sobre a correta interpretação das convenções da ONU sobre entorpecentes. Acreditamos, e tenho a evidência que o demonstra, que nossa interpretação é correta. Seguimos o espírito original da convenção e esperamos que o passo que demos seja o adequado para criar um controle melhor do mercado da maconha em nosso país. A proibição foi um grande erro nos últimos 40 anos, por isso acreditamos que um mercado da maconha rigidamente controlado é a melhor maneira de respeitar o espírito das convenções da ONU sobre as drogas. IPS: Sentiu-se frustrado ao ouvir as pessoas de outros países dizerem que o que vocês fazem é errado, por exemplo, de países que têm um enfoque muito mais conservador em relação às drogas? DC: Respeitamos muito todas as opiniões. É um debate aberto. Não pensamos que somos donos da verdade. Escutamos com muito cuidado as opiniões de outros países, mas defendemos nosso direito soberano de fazer o que pensamos ser correto para nosso próprio país e para nosso povo. E cremos que, quanto às políticas de saúde, esta é a melhor opção para o Uruguai. Não queremos ser um modelo para outros países, simplesmente pensamos que é o melhor para nós e defenderemos nosso direito de adotar essa opção. Mas estamos abertos ao debate e pensamos que a proibição não é a resposta, e há evidências esmagadoras de que é um erro. Não queremos ter esse tipo de política. Precisamos ter o direito a explorar o enfoque diferente em relação às drogas. IPS: Se dentro de uns poucos anos vocês concluírem que a legislação não está funcionando como esperavam, ou não estão vendo os resultados que queriam em matéria de saúde publica, estariam dispostos a proibir novamente as drogas? DC: Penso que a questão é outra. Antes de tudo, uns poucos anos não são suficientes. São necessários pelo menos oito, nove ou dez anos antes de se tirar conclusões. Precisamos reunir muitas evidências ao longo de um período prolongado para entender realmente quais efeitos está tendo essa política. Se olhar a saúde pública, a violência, o consumo de drogas, todas as evidências até agora nos mostram que, ao regulamentar o mercado e tornar visível o que até agora era um mercado invisível, é possível controlar melhor esse mercado e controlar o tráfico, e então há menos violência. Penso que se isso não ocorrer em dez anos então teremos outro debate. Mas não penso que voltaremos a proibir a maconha. Necessitaremos encontrar outra resposta. IPS: Sente-se feliz quando vê que outros países fazem coisas semelhantes às que vocês fazem? Por exemplo, alguns Estados norte-americanos legalizaram a venda da maconha. DC: Na realidade, o que fizeram no Colorado é muito mais do que nós fizemos. Ali você é livre para comprar e vender o que quiser. Eles têm um modelo diferente do nosso. Nos Estados Unidos, há18 Estados onde se pode comprar maconha com fins médicos. Mas isso é um eufemismo, porque sabemos que a maioria das pessoas usa maconha não com fins terapêuticos, mas com a desculpa terapêutica. Vemos que um Estado individualmente nos Estados Unidos opera dessa forma sem que haja um controle federal sobre ela, por isso é impossível não aceitar que existe um grande debate aberto, quando há diferentes países em todo o mundo adotando posturas distintas. IPS: Pensa que outros países seguirão essa pegada e regulamentarão seus mercados de maconha? DC: Realmente, não sei, e não é nosso objetivo que ninguém nos siga ou faça o que fazemos. Não queremos ser um modelo para outros países. Respeitamos as políticas de todos os demais, mas pensamos que esse é o melhor modelo para nosso país. Envolverde/IPS


por Pavol Stracansky, da IPS
Um dos debates, na capital mexicana, durante a Primeira Reunião de Alto Nível da Aliança Global para a Cooperação Eficaz para o Desenvolvimento. Foto: Governo do México

Sociedade civil quer maior influência em nova agenda de desenvolvimento

[caption id="attachment_111632" align="aligncenter" width="529"] Um dos debates, na capital mexicana, durante a Primeira Reunião de Alto Nível da Aliança Global para a Cooperação Eficaz para o Desenvolvimento. Foto: Governo do México[/caption]   Cidade do México, México, 22/4/2014 – Melhorar a eficácia da cooperação internacional exige uma sociedade civil mais influente para negociar uma agenda de desenvolvimento que os governos do mundo deverão adotar em 2015, afirmaram seus representantes em uma reunião internacional no México. No dia 16, terminou na capital mexicana a Primeira Reunião de Alto Nível da Aliança Global para a Cooperação Eficaz para o Desenvolvimento, onde organizações da sociedade civil pediram a incorporação de um enfoque de direitos humanos no fluxo da ajuda internacional. A Aliança também cobrou, no encontro de dois dias, que na cooperação internacional seja incluído um ambiente melhor para o desempenho dessas entidades, bem como maior transparência e prestação de contas. “Há dois temas fundamentais: conservar o espaço da Aliança, complexo por sua pluralidade e diversidade de opiniões, e um monitoramento mais claro dos temas”, pontuou à IPS o diretor-executivo no México da Oxfam Internacional, Carlos Zarco. A Aliança Global, integrada por mais de cem governos e organizações não governamentais, nasceu na cidade sul-coreana de Busan, em novembro de 2011, com o objetivo de promover novos enfoques da cooperação para o desenvolvimento. Essa ajuda agora flui por novos caminhos, como o fortalecimento da cooperação Sul-Sul, a incursão das nações emergentes como doadoras e a cooperação triangular, onde um país em desenvolvimento coopera com outro, com apoio financeiro de uma nação do Norte industrial. Nesse contexto, a Organização das Nações Unidas (ONU) negocia os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a serem adotados em 2015, para prosseguir e ampliar os compromissos que a comunidade internacional assumiu em 2000 com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujas metas estão apenas parcialmente cumpridas. Três anos após Busan, “há um espaço declinante para as organizações, com medidas mais restritivas. Os governos escolhem quais consultar, há consultas públicas limitadas com a sociedade civil”, apontou à IPS a filipina Maria Theresa Lauron, representante da Rede de Investigação Ásia-Pacífico. Para Lauron, há uma tendência de restringir o acesso à informação, novas modalidades de financiamento que limitam a eficácia das organizações não governamentais e uma pressão crescente sobre as que são críticas para que se alinhem com os governos receptores. Na Primeira Reunião de Alto Nível participaram cerca de 1.500 delegados de governos, universidades, agências internacionais e da sociedade civil, que focaram em temas como mobilização de recursos nacionais para o desenvolvimento, a cooperação Sul-Sul e triangular, e a participação do setor empresarial. “Exorto para que sigam estratégias de supervisão, transparência, prestação de contas e luta contra a corrupção”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Kin-moon, ao abrir o encontro. “Necessitamos um compromisso forte para reduzir a pobreza”, insistiu, com relação ao primeiro dos ODM, que não foi alcançado. A sociedade civil critica o fato de uma porcentagem da cooperação para o desenvolvimento financiar obras de infraestrutura como grandes represas, gasodutos e estradas que violentam direitos das comunidades locais e geram conflitos nos países receptores. Os princípios estabelecidos em Busan pedem a apropriação das estratégias de desenvolvimento pelos países receptores da ajuda, a priorização dos resultados que incidam no bem-estar das pessoas, a criação de associações entre os agentes do desenvolvimento e a transparência e a responsabilidade compartilhada. Enfatizam também a necessidade de colaboração e associação entre os beneficiários da assistência, para ter mais influência no desenho das estratégias de desenvolvimento, bem como para garantir que os fundos sejam usados em projetos efetivos. O documento Um Ambiente Favorável às Organizações da Sociedade Civil: Uma Síntese de Evidência de Progresso desde Busan, analisado durante a reunião, apontou práticas que reduzem a participação social na cooperação internacional. Por exemplo, regulamentações múltiplas e pouco claras, processos caros e complexos para registrar organizações, argumentos vagos para negar o registro, criação de procedimentos legais contra ativistas críticos das políticas governamentais e bloqueio do acesso a financiamento internacional. “Os governos decidem onde as organizações podem trabalhar. Temas como direitos humanos, meio ambiente e indústrias extrativistas enfrentam ameaças. Precisamos de uma revisão de leis punitivas e um diálogo nacional entre os governos e a sociedade civil”, disse à IPS o queniano Vitalice Meja, diretor-executivo da Reality of Aid Africa. Uma mostra é a Bolívia, um dos 12 países analisados no informe geral. O Estudo-piloto Sobre Ambiente Favorável mostra que há dirigentes de organizações sociais descontentes com o próprio trabalho das ONGs, em seu papel de intermediárias na administração de recursos, e críticas governamentais por supostas interferências nos projetos. “A posição calculista de algumas ONGs, em resposta ao risco de que o atual governo as acuse de traidoras ou de se oporem ao processo de mudança, as leva a silenciar sua voz crítica”, conclui o documento, preparado por Susana Eróstegui, da União Nacional de Instituições para o Trabalho de Ação Social da Bolívia. Essas condições travam o trabalho das ONGs na agenda pós-2015. Por isso a aliança de ONGs lançou a Campanha Contínua da Sociedade Civil para o Desenvolvimento Efetivo, que a partir de agora, e até o final de 2016, reclamará seus direitos à participação nas políticas de desenvolvimento de pelo menos 50 países. O objetivo será estabelecer políticas de cooperação para o desenvolvimento claramente influenciadas pelas posturas da sociedade civil em direitos humanos, apropriação democrática e alianças inclusivas, bem como diálogo global, sub-regional e regional para impulsionar padrões internacionais para um ambiente favorável. No encontro, o presidente do México, o conservador Enrique Peña Nieto, apresentou uma estratégia de cooperação inclusiva, cujo foco, segundo a IPS averiguou, será um plano para a África a cargo da Agencia Mexicana para a Cooperação Internacional e o Desenvolvimento, buscando imitar os programas executados pelo Brasil naquele continente. Um dos novos fenômenos é que alguns países emergentes estão assumindo papéis diferentes na cooperação internacional, como Brasil, China e África do Sul. Esses atores não querem se submeter aos mesmos padrões que os doadores tradicionais do Norte industrial. “Há muitas exigências para a cooperação tradicional e nenhuma para as economias emergentes. Estas têm que aceitar padrões” na apropriação nacional, transparência, prestação de conta e no desenvolvimento inclusivo, destacou Zarco, da Oxfam. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico apresentou o documento Para uma Cooperação ao Desenvolvimento Mais Eficaz. Informe de Avanços 2014, que encontrou um cumprimento lento dos acordos de Busan e “resultados amenizados”. “É preciso fazer muito mais para transformar as práticas de cooperação e garantir a apropriação nacional de todas as iniciativas de desenvolvimento, bem como a transparência e a prestação de contas entre os associados para o desenvolvimento”, diz o documento para o qual contribuíram voluntariamente 46 países e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Envolverde/IPS


por Emilio Godoy, da IPS
Com alguns ajustes de redação, o texto votado na Câmara dos Deputados foi aprovado pelos senadores das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e Ciência e Tecnologia (CCT) GUSTAVO LIMA/Câmara dos Deputados

Marco Civil da Internet está pronto para votação no plenário do Senado

[caption id="attachment_111682" align="aligncenter" width="580"] Com alguns ajustes de redação, o texto votado na Câmara dos Deputados foi aprovado pelos senadores das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e Ciência e Tecnologia (CCT) GUSTAVO LIMA/Câmara dos Deputados[/caption]   Está pronta para votação no plenário do Senado a proposta do Marco Civil da Internet (PLC 21/2014). Com alguns ajustes de redação, o texto votado pela Câmara dos Deputados foi aprovado nesta terça-feira (22) pelos senadores das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e Ciência e Tecnologia (CCT). A matéria também precisaria passar pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), mas com a reunião de hoje cancelada, um relator ad hoc (para este caso) deve ser indicado para ler o relatório da comissão diretamente em plenário. A expectativa do governo é que o texto que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para internautas e provedores na web seja aprovado até amanhã (23), sem mudanças, no plenário do Senado. Caso isso ocorra, o Marco Civil da Internet poderá ser apresentado no evento Net Mundial, que começa amanhã (23) em São Paulo. O presidente da CCJ e relator da matéria, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), optou por rejeitar 40 das 43 emendas apresentadas ao texto. Duas foram acatadas na forma de emendas de redação. Outra foi retirada a pedido do autor. “Estamos ante um marco histórico, uma obra legislativa que não apenas preservará a natureza plural da internet como também contribuirá para o desenvolvimento nacional e de cada um dos nossos brasileiros, ao sopro do respeito aos direitos humanos e à dignidade da pessoa humana”, ressaltou. Mesmo reconhecendo o trabalho da Câmara dos Deputados, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), autor de uma das emendas de redação acatadas, ponderou que a proposta ainda merece ajustes. Ele defende, por exemplo, a supressão do Artigo 31. O dispositivo determina que "até a entrada em vigor de lei específica, a responsabilidade do provedor de aplicações de internet por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros, quando se tratar de infração a direitos de autor ou a direitos conexos, continuará a ser disciplinada pela legislação autoral vigente". “Temos um projeto de lei que garante a neutralidade da rede, estabelece regras para o Judiciário, um projeto bom, que pode ficar melhor. A supressão do Artigo 31 me parece ser imperiosa”, avaliou. A redação do Artigo 10, que trata da guarda e disponibilização dos registros de conexão e de acesso a aplicações de internet, como dados pessoais e conteúdo de comunicações privadas, foi motivo de dúvida durante a votação na CCJ. O texto original permitia o acesso aos dados cadastrais sobre qualificação pessoal, filiação e endereço, na forma da lei, pelas autoridades administrativas que detenham competência legal para a sua requisição. Vital procurou especificar a questão substituindo "autoridades administrativas" por delegado de polícia e membro do Ministério Público. Entre os principais pontos do projeto, está o Artigo 9º, que protege a neutralidade de rede, garantindo tratamento isonômico para qualquer pacote de dados, sem que o acesso ao conteúdo dependa do valor pago. A regra determina tratamento igual para todos os conteúdos que trafegam na internet. Assim, os provedores ficam proibidos de discriminar usuários conforme os serviços ou conteúdos que eles acessam - cobrando mais, por exemplo, de quem acessa vídeos ou aplicações de compartilhamento de arquivos. Outro ponto da proposta garante o direito dos usuários à privacidade , especialmente à inviolabilidade e ao sigilo das comunicações pela internet. O texto determina que as empresas desenvolvam mecanismos para garantir, por exemplo, que os e-mails só serão lidos pelos emissores e pelos destinatários da mensagem, nos moldes do que já é previsto para as tradicionais cartas de papel. “A proteção da intimidade foi devidamente contemplada em vários dispositivos, garantindo o sigilo dos dados pessoais dos nossos brasileiros com as flexibilizações já admitidas em outras situações no ordenamento jurídico, como nos casos de investigação criminal”, observou o relator no texto. O projeto também assegura proteção a dados pessoais e registros de conexão e coloca na ilegalidade a cooperação das empresas de internet com órgãos de informação estrangeiros. "Tampouco o Marco Civil da Internet negará a soberania nacional, ao deixar bem claro que a legislação brasileira deve ser respeitada por todos os provedores de conexão e de aplicações atuantes no país", conforme trecho do relatório. O Artigo 19, que limita à Justiça a decisão sobre a retirada de conteúdos, também é visto como um dos principais pontos do projeto. Atualmente, vários provedores tiram do ar textos, imagens e vídeos de páginas que hospedam, a partir de simples notificações. "A proposição não furtou do Poder Judiciário a sua importante condição de instância neutra para decidir os casos envolvendo discussões acerca dos limites da privacidade e da liberdade de expressão", acrescentou Vital do Rêgo. * Edição: Davi Oliveira. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Karine Melo, da Agência Brasil
yasuni

Destino da reserva natural Yasuní no Equador deverá passar por referendo popular

Em uma prova de que o ativismo ambiental ainda consegue conquistar vitórias, o futuro da região de Yasuní Ishpingo-Tambococha-Tiputini (ITT), no Equador, que é classificada como uma Reserva Natural da Biosfera pela UNESCO e está ameaçada pela exploração de petróleo, deverá ser decidido por uma votação popular. O referendo é resultado de uma campanha que recolheu mais de 700 mil assinaturas, 200 mil a mais do que eram necessárias para forçar uma decisão popular sobre a questão. “Foi um processo longo de seis meses de muito trabalho e esforço, mas muito bonito. Estamos emocionados de termos ultrapassado essa meta”, afirmou Antonela Calle, da ONG Yasunidos, que coordenou a campanha. As assinaturas serão agora verificadas pelo Conselho Eleitoral do Equador, que também julgará se o referendo sobre o assunto é constitucional. O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que aceitará qualquer que seja a decisão popular. Pioneirismo e decepção A história de Yasuní é uma das mais fascinantes e, até agora, tristes narrativas do ambientalismo mundial. A região é considerada como uma das mais biodiversas do planeta, com quase 600 espécies diferentes de aves e mais de 150 tipos diferentes de anfíbios. Assim, sempre ficou claro que era uma área que deveria ser protegida a todo o custo. Porém, a sombra da ameaça de exploração do petróleo pairava sobre a reserva natural, e muitos davam como inevitável a destruição de pelo menos parte da região para acessar o combustível. Em 2007, o presidente Correa parecia ter achado uma solução para o problema. Ele propôs à comunidade internacional manter a floresta intacta em troca de uma compensação financeira. O Equador estabeleceu a meta de arrecadar US$ 3,6 bilhões em 13 anos, sendo que o petróleo de Yasuní é avaliado em US$ 7 bilhões. Infelizmente, não houve interesse dos líderes mundiais, e o total levantado em cinco anos de iniciativa foi de apenas US$ 13 milhões. "O mundo falhou com o Equador (...) Não era caridade que queríamos, mas que todos cooperassem para lidar com as mudanças climáticas (...) O fator fundamental do fracasso é que o mundo é uma grande hipocrisia”, disse Correa quando declarou o fim da iniciativa. “Yasuní talvez estivesse muito à frente de nosso tempo”, completou. Assim, o destino da reserva natural parecia ser mesmo a destruição. Até que no ano passado começou a mobilização pelo referendo. Porém, mesmo se a votação decida preservar Yasuní, isso não será uma vitória completa, pois significará que o povo equatoriano não terá acesso aos recursos da exploração do petróleo que poderiam ser utilizados para melhorar a educação e saúde no país. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
Tendência mundial transforma vagas para carros em zonas de convivência para a comunidade. Foto: oaklandnet

Lei possibilita transformar vaga de carro em miniparque em São Paulo

[caption id="attachment_111668" align="alignleft" width="300"] Tendência mundial transforma vagas para carros em zonas de convivência para a comunidade. Foto: oaklandnet[/caption] Agora é lei! Os chamados parklets, uma tendência mundial que transforma vagas para carros em zonas de convivência para a comunidade, agora podem virar realidade em São Paulo. O decreto que regulamenta a medida foi assinado na quarta-feira, 16 de abril, pelo prefeito Fernando Haddad, e publicado no Diário Oficial de quinta-feira (17). Com a nova lei será possível encontrar, no lugar de uma vaga de carro, um espaço para guardar a bicicleta, tomar um banho de sol, ler um livro, se exercitar, ou ainda relaxar em meio à correria cotidiana. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode entrar com pedido junto às subprefeituras para instalar um parklet. Por iniciativa própria, a administração municipal também pode propor projetos. Popularizados em São Francisco, na Califórnia (EUA), os parklets ajudam a recuperar o espaço público para o uso coletivo e tornam ruas e bairros mais humanos e amigáveis. É a geração de espaço para pessoas, e não para carros. Por isso, sobre o asfalto cinzento, pode ser colocada uma plataforma equipada com bancos, floreiras, mesas e cadeiras, guarda-sóis, aparelhos de exercícios físicos, paraciclos ou outros elementos de mobiliário, com função de recreação ou de manifestações artísticas. Área da comunidade Por ser uma área totalmente voltada para a comunidade, um estabelecimento comercial que queira instalar um parklet em frente à sua loja, não poderá controlar o acesso à área. Ou seja, o parklet não será de uso exclusivo dos clientes. O regramento da instalação dos parklets envolverá somente vias com velocidade máxima de 40km/h e onde não haja trânsito intenso de veículos motorizados. Em alguns locais será necessária a extinção da Zona Azul, que cobra uma taxa para o estacionamento de automóveis na rua de hora em hora. Um dos locais apontados por Haddad como candidatos à alteração urbanística é a Vila Madalena, na zona oeste da cidade. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Foto: Wikimedia Commons

Pesquisa mostra que 60% dos japoneses são a favor da caça à baleia

  [caption id="attachment_102159" align="alignleft" width="300"] Foto: Wikimedia Commons[/caption] Seis em cada dez japoneses apoiam o programa de caça à baleia no país, mas apenas 14% admitem comer carne de baleia, de acordo com os resultados de uma pesquisa divulgada hoje (22). O trabalho é apresentado menos de um mês depois de o Tribunal Internacional de Justiça ter determinado o cancelamento do programa dos baleeiros japoneses na Antártica, por considerar uma atividade comercial disfarçada de missão científica com vista a contornar a lei internacional. Questionados sobre a regularidade com que comem carne de baleia, apenas 4% disseram "às vezes", enquanto outros 10% disseram fazê-lo "muito raramente". Cerca de metade dos entrevistados (48%) disse não comer "há muito tempo", enquanto 37% nunca sequer provaram. Embora não seja difícil de encontrar no Japão, a carne de baleia não é um elemento regular da dieta japonesa. A pesquisa foi feita um dia depois de o Japão ter dito que vai redesenhar a sua missão de caça à baleia na Antártica, a fim de a tornar "mais científica", e confirmado que pretende prosseguir, porém, com a atividade de investigação no Pacífico Norte, para onde devem zarpar, no próximo sábado (26), os baleeiros japoneses, iniciando a campanha anual. Além desse segundo programa de pesca científica, o Japão continua a capturar, para fins comerciais, espécies menores de cetáceos, incluindo golfinhos. * Com informações da Agência Lusa. / Edição: Graça Adjuto. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Redação da Agência Brasil*
Greenpeaceautomoveiscapa

Fiat responde a consumidores

Ao receber milhares de mensagens pedindo carros mais limpos e eficientes, montadora lista medidas que adota pelo meio ambiente. Greenpeace mantém posição: dá para ir além. Na última terça-feira, o Greenpeace lançou uma campanha desafiando Fiat, Volkswagen e Chevrolet – líderes em vendas de automóveis no Brasil – a produzir veículos que consumam menos combustível e emitam menos gases estufa. A Fiat começou a responder, por email, às milhares de pessoas que enviaram mensagens pedindo essa mudança. As demais companhias ainda não se manifestaram. No email enviado pela Fiat (íntegra abaixo), a companhia elenca várias medidas mostrando comprometimento com inovações que reduzem o impacto ambiental de seus veículos. Para exemplificar, a montadora cita um de seus carros novos que, segundo ela, emite menos CO2 que a média. A Fiat também destaca que 97,5% de seus automóveis são flex, podendo ser abastecidos com etanol. E nesse caso, sugere a empresa, o problema está resolvido, pois o combustível é 100% renovável e “praticamente neutraliza as emissões de CO2 na atmosfera com o ciclo do plantio da cana-de-açúcar”, diz a nota. O Greenpeace mantém sua posição: dá para ir além. Os novos veículos que a fabricante têm colocado no mercado brasileiro, com eficiência energética superior à média dos veículos nacionais, são a prova disso: a tecnologia não só existe como está acessível. O que o Greenpeace e os consumidores estão pedindo é que essa prática – que significa menos emissões e menos consumo de combustíveis – não seja fato isolado, mas que se torne padrão em todos os veículos produzidos pela montadora. Se a Fiat já está aplicando essas inovações tecnológicas em alguns de seus automóveis, não há motivos para que ela não se comprometa com as mesmas metas de eficiência energética europeias, alinhando toda sua frota com o que há de mais avançado em termos de redução de consumo de combustível. Quanto à adoção de motores flex, abastecidos com etanol, não se pode ignorar dois elementos: isso não significa ganho de eficiência energética – desde que foi criada, a tecnologia flex avançou pouco nesse sentido. E há impactos socioambientais inegáveis da atual produção de biocombustíveis no Brasil, como o desmatamento, o avanço sobre outras culturas alimentares e a contaminação de água e solo por fertilizantes. O investimento em eletromobilidade também pode ser uma resposta a essas questões. Enquanto esses problemas são solucionados no médio e longo prazo, medidas de eficiência energética são a melhor solução de curto prazo na redução de emissões e de consumo de combustíveis. Esperamos que a Fiat, líder em vendas de carros no Brasil, também lidere o caminho para carros mais limpos e eficientes. Leia abaixo o email enviado pela Fiat Agradecemos o envio de sua mensagem. A propósito do tema que é sua preocupação, gostaríamos de observar que a Fiat foi uma das primeiras fabricantes do país a apoiar voluntariamente o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) criado em 2009 pelo Inmetro, ao informar com transparência aos consumidores os valores de consumo de combustível de seus principais modelos e de emissão de CO2. A cada novo lançamento, a Fiat investe em tecnologias para ampliar a eficiência energética e reduzir a emissão de CO2, com resultados concretos para a qualidade do ar. O Novo Uno com motor 1.4, que recebeu nota A no PBEV 2014, emite 97,4 gramas de CO2 fóssil – valor que está abaixo da marca exigida pelo Inovar-Auto em 2017 e pelas legislações europeias vigentes, comprovando a constante evolução da Fiat por veículos cada vez mais eficientes. O Palio Fire e o Novo Fiorino, recém-lançados, também trazem importantes inovações como pneus verdes, óleo lubrificante do motor com aditivos de baixo atrito, melhorias aerodinâmicas, entre outras tecnologias e ações, com foco na redução do consumo de combustível. Atualmente, 80% dos veículos produzidos têm pneus de baixa resistência a rolamento (pneus verdes). Vale destacar que 97,5% dos veículos da marca Fiat comercializados são flex, que podem ser abastecidos com etanol – combustível 100% renovável que praticamente neutraliza as emissões de CO2 na atmosfera com o ciclo do plantio da cana-de-açúcar. Além da escolha do combustível, a manutenção dos veículos também é um importante diferencial com reflexos diretos na emissão de CO2. Velas usadas, filtro de ar sujo, pneus com calibragem fora do padrão e suspensões desalinhadas ampliam, em média, 20% do consumo de combustível. Com o objetivo de conscientizar os motoristas para os riscos da falta de manutenção, a Fiatrealiza, de forma contínua, campanhas educativas. É importante lembrar também que a Fiat foi a primeira fábrica de automóveis a conquistar a ISO 14001, em 1997, que atesta a eficácia de nosso Sistema de Gestão Ambiental. E a Fiattambém foi a primeira montadora do Brasil a conquistar a ISO 50001, de gestão da energia. Fiat Chrysler América Latina * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Redação do Greenpeace

acesse todas as notícias
Para enviar sua dica ou opinião, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Dica/Opinião

agenda

dica de
sustentabilidade

anterior | próxima
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras

imagem do dia

|
Para enviar sua imagem, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Arquivo

Observações

 
china_landscape

A paisagem com um lago e montanhas na China é uma homenagem ao Dia da Terra, comemorado neste 22 de abril. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

A pesca contribui com pelo menos US$ 10 bilhões a cada ano para as economias da África, especialmente as de Angola e Namíbia. Foto: Patrick Burnett/IPS

FAO: Priorizar o desenvolvimento sustentável da pesca e aquicultura é necessário para melhorar os níveis de segurança alimentar da América Latina e do Caribe.

Parque eólico em Tianjin, na China, que é o maior fabricante mundial de turbinas eólicas e painéis solares. Foto: Mithc Moxley/IPS

China chega a 92 GW em capacidade eólica instalada. Foto: Parque eólico em Tianjin/ Mithc Moxley/IPS

peixes_1

Aumento de CO2 na água altera comportamento dos peixes, diz estudo. Saiba mais aqui.

solarimpulse21

Avião solar tentará dar a volta ao mundo sendo abastecido apenas por energia fotovoltaica. Saiba mais aqui.

belohorizonte

Belo Horizonte entre as 10 cidades mais verdes na América Latina e no Caribe. Saiba mais aqui.

crianca

Criança na entrada de sua casa destruída em Holms, na Síria. Secretário-geral da ONU volta a pedir fim da violência. Saiba mais aqui. Foto: PMA//Abeer Etefa

indigenas

Indígenas de oito comunidades do Nordeste produzirão livros digitais. Saiba mais aqui.

horta-ecod

Em bairro suíço, moradores plantam o próprio alimento e compartilham com os vizinhos. Saiba mais aqui.

mulheres

Agências da ONU debatem metas de desenvolvimento pós-2015. Saiba mais aqui.