Enem2

Enem

As exigências feitas ao Enem são ideológicas e não técnicas


por Dennis de Oliveira*

Fernando Haddad pôs o dedo na ferida ao considerar que as exigências que alguns promotores e a Justiça têm feito ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) têm muito mais aspectos ideológicos que técnicos.Em nenhum processo seletivo, seja os vestibulares das universidades mais famosas, como os realizados pela Fuvest (USP), Vunesp (Unesp), concursos públicos realizados pela Fundação Carlos Chagas, pela própria Vunesp ou outras instituições, a maioria privadas, o Ministério Público se mobiliza para questionar critérios de correção, exigir devolução de provas para conferência, entre outros.A argumentação de que os critérios de correção são “subjetivos” é piada. Vários concursos públicos para cargos de nível superior em instituições públicas são feitos com base em questões dissertativas e até incluem redações. Ou ainda concursos para docentes em universidades que incluem “entrevistas” – os critérios não são subjetivos?E os processos seletivos para ingresso em programas de pós-graduação nas universidades que constam de redação, entrevistas e “análise de projetos”? E muitos programas de pós-graduação sequer divulgam o número de vagas e as notas dos candidatos. Em 2010, houve um processo seletivo para o programa de pós-graduação em serviço social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em que a prova “dissertativa” foi feita em um dia e dois dias depois saiu o resultado dos classificados. Impressionante a capacidade de trabalho dos docentes daquele programa que conseguem, em menos de dois dias, corrigir centenas de provas dissertativas!Enfim, se houvesse, de fato, uma preocupação do Ministério Público e da Justiça em exigir transparência dos processos seletivos, atuaria ou faria exigências em todos estes casos. Mas o que se vê é quase que uma obsessão com o Enem.Por que? Será porque ele sinaliza para uma mudança nas formas de ingresso nas universidades, acabando com os famigerados vestibulares que tanto enriquecem fundações privadas e cursinhos pré-vestibulares? Ou porque ele evidencia os problemas do ensino médio e aponta para necessidades de mudança para além do mero preparo para vestibulares? Ou ainda porque ele tem possibilitado o ingresso de estudantes de escolas públicas em universidades públicas por meio do Sisu?Enfim, toda esta “vigilância” aparente do MP, da mídia e da Justiça em relação ao Enem vai muito além da defesa do interesse público.* Dennis de Oliveira é colunista da Revista Fórum outro mundo em debate.** Publicado originalmente no Blog do Dennis de Oliveira.
Por que chapéu não segue a regra de papel? Foto: Galeria de ionaloyola/Flickr

Língua Portuguesa

Um caso interessante


por Sírio Possenti, da Carta Capital

[caption id="attachment_40573" align="alignleft" width="288" caption="Por que chapéu não segue a regra de papel? Foto: Galeria de ionaloyola/Flickr"][/caption]Durante o período de aquisição da escrita (que, às vezes, dura muito…), são comuns algumas “trocas de letras” perfeitamente explicáveis. Vou comentar uma delas, a troca entre “l” e “u”.Vejamos a troca “l / u”. Primeiro, deve-se observar que ela ocorre apenas em final de sílaba, tipicamente em palavras como mal/mau e alto/auto (nunca em palavras como uma e lua ou flanela). Ocorre também, claro, quando não existe um par (como nos primeiros exemplos). Pode-se encontrar Blumenal (por Blumenau) ou papeu (por papel).A explicação tem duas etapas: a) incorpora-se uma “teoria” da escrita baseada na relação letras e sons. A teoria não funciona sempre (como em muito, pronunciado muinto, ou em homem, pronunciado omey – com ditongo nasalizado). Mas ela funciona bastante bem em muitos casos (bala, bota, tatu, time, etc.); b) em português, na maioria das regiões, há uma vocalização do “l”, pronunciado “u”, em final de silaba (algo >augo, Brasil > brasiu, gol >gou). Acreditando um pouco na teoria da correspondência entre som e letra, acaba-se escrevendo mal por mau (e vice-versa), auto por alto (e vice-versa). Não por falta de cuidado, mas exatamente devido ao grande cuidado para não errar: falamos a palavra silenciosamente e a grafamos com base em seus sons.Um caso particularmente interessante é chapéu, eventualmente escrito chapel. Uma forma de ensinar a evitar erros de grafia, em casos assim, é aumentar, aos poucos, a consciência morfológica. Pode-se ensinar que se escreve papel com “l” no final, embora pronunciemos um “u”, porque de papel se deriva papelaria, papelão, papelucho, papelada – palavras em que o “l” reaparece (da mesma forma, de Brasil se deriva brasileiro, etc.).Acontece que, de chapéu se deriva chapelaria, chapelão, chapelete, chapelinho... Como convencer um aluno de que a grafia deve ser com “u”? Por que chapéu não segue a regra de papel? (Às vezes, crianças deveriam ser chamadas para discutir reformas ortográficas).Num caso assim, (e em todos os outros!), seria bom fazer uma pequena pesquisa – em vez de só mandar fazer. Um dicionário como o Houaiss informa que chapéu vem do latim capello, mas vira o francês chapel. Não é curioso? A palavra que deu em chapéu tem originalmente um “l” no final!Descobrem-se curiosidades interessantes, consultando um bom dicionário. Por exemplo, da mesma raiz é capelo (um chapéu usado por autoridades e religiosos), mas também capa e capuz. A relação de capuz com chapéu é quase intuitiva. A de capa é menos. Mas não esqueçamos que muitas capas têm capuz. Seria um caso de metonímia? Não seria o primeiro.PS – Dizer que os erros têm uma boa explicação não significa defender que sejam aceitos. Explicar ainda é explicar!* Publicado originalmente no site Carta Capital.
cursos-gratuitos-em-abreu-e-lima-2010-2011

Oportunidades

Extraordinárias aulas de graça


por Gilberto Dimenstein*

Alunos, pais e professores brasileiros já podem acessar gratuitamente aulas de matemática e ciências que são um sucesso nos Estados Unidos e se espalham pelo planeta.O idealizador desse projeto foi um dos personagens mais interessantes que conheci em minha passagem por Harvard. Chama-se Salman Khan, um daqueles gênios em ciências que preferiu jogar fora sua carreira bem-sucedida no mercado financeiro para ajudar a educar crianças, tornando atrativas as intricadas (e chatas) aulas de matemática.É de uma simplicidade extraordinária. Apenas uma mão na lousa e a locução do próprio Khan. O método fez sucesso e prosperou por que muita gente começou a acessar os vídeos. Um deles era Bill Gates, que usava o material para ajudar na lição de casa do filho. Daí surgiram os recursos para Salman se dedicar apenas a esse projeto.Estava ali uma possibilidade simples e barata de usar os recursos digitais para amenizar nossas carências educacionais.Considerei uma das minhas tarefas ajudar a popularizá-lo aqui no Brasil.O problema é que o material era apenas em inglês, dificultando o uso por brasileiros.A boa notícia é que esse material já começa a ser traduzido. Os primeiros vídeos, traduzidos pela Fundação Lemann, em parceria com a Intel, já estão ar.Se as escolas, pais e alunos usarem esse material vamos ter um ganho educacional.Quem é Salman Khan?Salman Khan ganhava a vida no mercado financeiro até pouco tempo. Para ajudar uma sobrinha com dificuldades nas lições de matemática, ele postou vídeos na internet. Mais simples impossível: apenas sua mão rabiscando uma lousa. Khan conseguiu transformar uma lição de casa familiar num projeto global porque teve a ajuda de outro ex-aluno de Harvard e inventor do futuro. Bill Gates, que estava usando aquelas aulas gratuitas para ensinar matemática a um filho, decidiu investir no projeto.Hoje a Khan Academy (www.khanacademy.org) é a maior sala de aula do mundo, com três milhões de alunos aprendendo ciências nas mais diversas línguas, inclusive em português. As aulas têm sido usadas tanto numa vila rural da Índia, como nos bairros abastados dos Estados Unidos e da Inglaterra.* * Gilberto Dimenstein é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, comentarista da rádio CBN, e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz.** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
EDUCATIVO1

Entrevista

Educadores revelam os desafios de ensinar fora da sala de aula


por Flávio Aquistapace, do Aprendiz

A educação acontece em diferentes lugares. Inclusive diante das descobertas propiciadas por uma obra de arte. Só este ano, em São Paulo, a exposição que celebrou os 60 anos da Fundação Bienal, a mostra “Em nome dos artistas” atendeu, via setor educativo, 50 mil pessoas (segundo noticiado pela Folha de S.Paulo em 5 de dezembro de 2011) – o equivalente a mais da metade do público total do evento.Outras grandes exposições, como o Videobrasil, ocorrido em 2011 no Sesc Belém e em outros espaços, alcançou quase um terço do seu público total graças ao setor educativo (dados da própria instituição), muitos dos quais foram visitantes que vieram com suas escolas. Para conhecer os desafios profissionais da área, conversamos com as educadoras Carolina Velasquez, Cristina Walter e Valquíria Prates, todas atuantes no setor há pelo menos dez anos.Sem um levantamento de quantos são ou uma associação que atenda às demandas da categoria, os trabalhadores do setor sabem que lidar com educação não formal em São Paulo significa, involuntariamente, militar pela estruturação na área, provando a cada dia o valor da prática educativa desenvolvida em outros espaços além da sala de aula.Dos muitos museus e instituições culturais da cidade, são poucos os que contam com um corpo fixo de educadores, ou com um setor educativo. Num momento em que a pressa parece ser a chave-mestra dos entendimentos e da comunição vigente, tirar um tempo para si e contar também com interlocutores bem preparados e abertos para o diálogo em torno da produção de arte pode significar uma valorosa transformação nas convivências – e, onde tem transformação, tem trabalho.Abaixo, as entrevistadas contam que trabalho é esse, as peculiaridades e as principais dificuldades da profissão.Quais os principais campos de atuação para o educador não formal?Museus, centros culturais e ONGs, que também têm crescido bastante em participação no mercado.Como é o trabalho do educador para arte em museus?A cada novo trabalho temos um curso que nos provê do conteúdo da exposição em que se vai trabalhar. É uma atividade permeada por muito estudo, portanto. Um educador não pode deixar nunca de pesquisar, estudar, realizar textos. Daí posteriormente existe o contato com o público, que é diário. A atuação é voltada aos interesses singulares de cada visitante, a partir dos percursos possíveis de acordo com o que cada exposição está apresentando. Transita-se pelos assuntos das exposições a partir dos interesses identificados nos próprios visitantes. Para isso, buscam-se equipes multidisciplinares, já que a atividade também o é. O que acho complicado é o formato que a profissão tem aqui no Brasil, ou em São Paulo. Trabalha-se por projeto, e dificilmente existe uma equipe fixa num determinado museu, ou centro cultural. A instabilidade é difícil, principalmente para quem está começando. É uma dificuldade posta pelo próprio mercado.Que tipo de dificuldades enfrenta o trabalhador da área?A primeira delas é não ter registro na carteira. Se você fica dois ou três meses sem trabalhar, entre uma exposição e outra, é necessário fazer a contribuição do INSS por conta própria, por exemplo. Fora 13º, férias, ou seja, não há nenhuma segurança. E todo mundo quer ter o mínimo de estabilidade. Isto vem de uma política que barateia o custo para as instituições, e assim ela pode trabalhar com “n” pessoas diferentes.O que caracteriza o trabalho com a educação não formal?Na educação não formal existe uma liberdade de criação muito grande. É um grande espaço de experimentação aplicada de diversas metodologias. Por outro lado, existe uma dificuldade muito presente para sistematizar o desenvolvimento diário conquistado na profissão, quanto às relações estabelecidas com o público ao longo das últimas décadas. Existe uma certa falta de consciência do educador como um profissional atuante. Tanto por parte dos setores mais burocráticos das instituições quanto às vezes dos próprios educadores. O conhecimento, nesta profissão, tende a ser muito segmentado, o que dificulta a apreciação dos resultados e dos objetivos consolidados.Quem são os trabalhadores da área?Inicialmente eram estudantes universitários, não necessariamente de licenciatura, que procuravam ou um estágio, ou um meio de subsistência financeira, ou ainda uma maneira de enriquecer seu repertório a partir da formação proporcionada pelas instituições previamente às mostras de arte – o assim chamado “período de formação”. É um mercado que reúne estilos muito diversos de prática, conforme o posicionamento de cada instituição. Muitos dos profissionais acabam tendo de se desdobrar tanto entre suas atividades acadêmicas, quanto de produção do próprio trabalho de arte, bem como no atendimento às escolas e ao público espontâneo em atividades voltadas à educação não formal.Quais os maiores desafios para um educador da área?Como conciliar a realização financeira com o tempo do estudo e do trabalho. São necessidades pelas quais passam os educadores que escolheram viver da sua arte – atividade simultânea adotada por muitos que trabalham também com a educação não formal. O que vem primeiro: a sua autonomia e a constituição do seu próprio saber e de sua formação, ou as demandas instituicionais a que se está atrelado? Pode ser difícil alcançar um equilíbrio quando muitas vezes é preciso lidar inclusive com a simultaneidade de empregos, acumulando jornadas de trabalho, isso em meio aos complexos deslocamentos por uma cidade como São Paulo, por exemplo.Como é o dia a dia profissional de um educador não formal?O educador não formal precisa sempre aprender de novo, a partir do contato com coisas que se colocam no cotidiano, tanto quanto ao repertório, bem como da metodologia para o trabalho. É uma atividade em que, mais que nunca, a forma do que se está ensinando é tão importante quanto o que está sendo ensinado. São ações repensadas em sua duração e procedimentos no transcorrer do caminho. Tem a ver, portanto, com como convocar para a aprendizagem, tema recorrente na educação não formal.Quais as peculiaridades da prática educativa não formal?Na educação não formal, como a gente não necessariamente está no espaço de sempre, como é o caso de uma sala de aula, a gente precisa desenvolver também maneiras diferentes de abordagem. O espaço da sala de aula já carrega décadas de pensamento sobre isso; o da educação não formal, até por ser uma coisa recente, não.Quais os principais desafios para o trabalhador da área?Por se trabalhar com contratos de trabalho com duração determinada, existe uma insegurança profissional e muitas vezes até financeira. Você pode estar no mercado de educação não formal com carteira assinada, benefícios, etc., mas em geral, o que acontece é que o mercado brasileiro para a área é caracterizado como um serviço, algo transitório, o que não deixa as pessoas terem a sensação de estabilidade. Para muita gente, isto pode ser muito bacana: você está sempre mudando. Por outro lado, você não consegue ter um trabalho continuado, com o mesmo grupo de pessoas. Tanto com relação aos seus pares, quanto àqueles que são os educandos. É um grande desafio. E para a instituição que promove a educação não formal também. É uma herança do neoliberalismo exarcebado nos anos 1990, no qual o lugar da cultura, que é o campo de atuação da educação não formal, é entendido como uma prestação de serviço, com oscilações e fragilidades, dependente de variáveis orçamentárias que não têm sustentabilidade própria. Isto acaba refletindo nas relações de trabalho. Todo esse contexto redunda num desafio maior, que é o de como se colocar politicamente dentro das instituições e do seu próprio trabalho, ou seja, quais concessões fazer e quais não, ou porquê este ou aquele formato de trabalho, com abertura para tal e tal público? É um trabalho em que se trata, acima de tudo, de uma formação política, inclusive do prórpio educador. Acaba sendo um jeito de responder a quais narrativas de vida se quer para si, e é quando se tem a possibilidade de descobrir que pouca coisa não está ao alcance da gente mesmo mudar.* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


receba nossa newsletter

email:


logo_forum_social_mundial2

Política e religião: Papo de busão!

Kinji Loaba, 23 anos, é uma jovem de cabelo curto e bem trançados, paulistana, mãe do Vitor e militante do movimento negro. Ela viajou sentada na terceira fileira do ônibus Francielle, uma embarcação nada moderna, mas de preço acessível: cada passageiro pagou R$180 reais para viajar 3.600 quilômetros. A embarcação Francielle foi fretada por pessoas ligadas a diversos movimentos sociais. No ônibus as janelas ainda abrem e o ar é condicionado com o vento. Kinji viaja ao lado do esposo Douglas e atrás do filho do casal, Vitor, de três anos, que se divertiu com as pequenas histórias criadas por ele ao ver a paisagem que passa lá fora. Ao lado do pequeno viajou a matriarca da família, Dona Maria Agostina, 84 anos, bisavó de Vitor.Kinji e toda a família pertencem à uma casa de terreiro de Candomblé. Eles vieram de São Paulo para o Fórum Social Temático, que acontece de 23 a 29 de janeiro, em Porto Alegre. Na bagagem trouxeram muitos sanduiches, água, leite para as crianças, macarrão instantâneo para o almoço e mil bituqueiras, um pequeno pote cilíndrico feito com material pré-pet para armazenar bitucas de cigarros. A família desenvolveu as "bituqueiras de bolsa" e eles vão ao Fórum apresentar e vender os exemplares confeccionados nos últimos meses.Kinji também irá ministrar uma oficina chamada "Juventude do Povo de Terreiro". Vai apresentar a jovens do Fórum Temático a pesquisa que desenvolveu sobre o movimento racial na África do Sul, nos EUA e no Brasil. Contar um pouco sobre o que estuda nos últimos anos: lições de Mandela, o Apartheid na Africa do Sul e o ativismo de Luther King.A jovem acredita que suas lições sobre a história e filosofia do movimento negro podem contribuir para que outros da sua geração possam se posicionar politicamente.Junto com os pais, que também estão em Porto Alegre, ela planeja realizar uma ação dentro da favela Farrapos. A família vai orientar a confecção de placas e "emplacar" as ruas da favela. "Só quem mora numa favela sabe a dificuldade que é você não poder receber uma carta ou uma conta em casa porque não possui um endereço de correspondência", justifica Kinji.Esta é a missão de Kinji no Fórum Social Temático 2012 e na vida: passar adiante o conhecimento que adiquiriu com os livros, filmes e debates dos quais participa. São 18 horas de viagem e uma semana de trabalho intenso pela frente. Boa sorte Kinji! (Envolverde)


por Letícia Leite, especial para a Envolverde
IMG_0060

Mãos sustentáveis

Em roda, 21 mulheres, um homem e duas crianças receberam dicas de como reaproveitar sobras de materiais para fazer artesanato e objetos utilitários e de decoração durante o Fórum Social Temático 2012.A oficina de Criação e Desing em Busca de Caminhos Sustentáveis aconteceu na terça-feira, 25 de janeiro, em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre e foi ministrada pela artista plástica e desing Mana Martins.Canoas é uma região cercada por grandes indústrias de couro e sapato. A palestrante orientou os participantes a valorizar resíduos dessas empresas que são desprezados pelas indústrias. Restos de corda, sobras de plástico e outros materiais que teriam o lixo como destino final podem ser rentáveis e ainda preservar o meio ambiente. Mana Martins explica que qualquer um pode facilmente coletar esses resíduos e começar o trabalho em casa.Na oficina, antes de mexer com os materiais, uma reflexão é proposta ao grupo. Em um pequeno pedaço de papel os participantes responderam à pergunta: o que você gostaria de fazer com as mãos por um mundo melhor? Na sequência, em um exercício criativo a artista plástica orientou a confecção de objetos. Ao final, cada participante saiu com um objeto e várias ideias de como se tornar manufatureiros de um mundo melhor.Para saber maisMana Martins é autora do livro Mana e Manuscritos, pela editora aeroplanos. Mana também é poeta e só escreve seus poemas com as mãos. Dica da artista: "Aprender é não prender". (Envolverde)Contato com a artista: manabernardes@yahoo.com.br 


por Letícia Leite, especial para a Envolverde
1

Oferenda ecológica

Dia 2 de fevereiro milhares de pessoas vão celebrar o dia de Iemanjá, lançar oferendas ao mar como presente à protetora das águas. No parque Eduardo Gomes, em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre aconteceu no última quarta-feira, 25, a oficina de barco ecológico. Um exemplo simples de como a consciência ambiental pode ser levada para as comunidades religiosas.A artesã Luciana Alfoncin ministra a oficina que propõe a confecção de barcos de oferenda feitos com materiais que se decompõem facilmente no mar. Luciana ensina como substituir madeira, pregos, plástico, fita adesiva e vidros por cola, jornal, algodão e tinta guache. Quando jogado ao mar o barco ecológico se abre e é absorvido pela água em alguns minutos, bem diferente dos barcos feitos com madeira, que podem levar anos até desaparecerem nas águas.A oficina é direcionada a fiéis, floristas que pretendem aprender a técnica para venda dos barcos em floriculturas e professores de ensino fundamental. "Nós tivemos procura de várias professoras que gostariam de utilizar a confecção dos barcos para ensinar em sala de aula a educação africana aliada à sustentabilidade e artes para as crianças", conta a pedagoga Maria Inês Pacheco, que também é diretora de projetos da Federação Afro-Umbandista e Espiritualista do Rio Grande do Sul.O movimento afro-umbandista marca forte presença no Fórum Social Temático 2012, com diversas oficinas sobre esta temática, demonstrando que espiritualidade, religião e sustentabilidade podem sim viajar no mesmo barco. (Envolverde)Para saber mais visite: www.fauers.com.br


por Letícia Leite, especial para a Envolverde
12

Cultura e Meio Ambiente no mesmo barco

Nesses tempos em que se fala tanto em sustentabilidade, existem coisas que são fundamentais, mas pouco comentadas. Uma delas é o mergulho em realidades, tribos, “configurações energéticas” completamente diferentes das que estamos acostumados a freqüentar. Convidada a palestrar no 1º Encontro Mundial das Redes de Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva, dentro da programação do Fórum Social Temático, conheci o trabalho de muitos grupos interessantes. O evento ocorreu no dia 25 de janeiro, em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre. Senti de perto a importância de como precisamos parar de falar só para nossos pares, para quem é do nosso “clube”, só para quem entende as nossas expressões, que, na prática, é onde circulam nossos interesses da fase em que atravessamos na vida.Na ocasião, abordei como os aspectos da comunicação, sustentabilidade e cultura estão interligados. Levei materiais, objetos e peças que coletei em viagens a vários estados do País durante minha trajetória de jornalista ambiental, apreciadora de artesanato criativo e genuíno. Eles serviam de exemplo para destacar como essas áreas têm relação uma com a outra. E como é preciso que as pessoas compreendam a necessidade de incorporar a comunicação em suas atividades. O planejamento, a produção adequada ao público que se pretende atingir, a divulgação, enfim, coisas que todos que lidam com estruturas, sejam de governo, da sociedade ou de empresas deveriam saber.E trocando ideias com “ponteiros de cultura”, representantes de distintas manifestações de culturais genuinamente brasileiras, deparei-me com relatos impressionantes sobre o desmantelamento dos incentivos à produção cultural brasileira. Percebi que o desmonte das conquistas da sociedade civil na área ambiental – os benefícios do coletivo, do público sobre o privado – também está sendo vivenciado pelos ativistas da Cultura Popular. Além de saudade da gestão de Gilberto Gil, os participantes revelaram que há muito pagamento de serviços atrasado, que o governo da presidenta Dilma não está honrando com os compromissos de campanha e que falta espaço para exposição de suas reivindicações.As duas gestões de Lula tiveram uma grande participação de profissionais com experiência nos movimentos sociais e organizações não governamentais, tanto na Cultura, como no Meio Ambiente. Consequentemente, isso provocou uma grande desmobilização. A saída desses representantes de suas entidades e a falta de continuidade do que estruturaram com a participação de inúmeros segmentos é algo extremamente difícil de se mensurar. Não há Estudo de Impacto que possa ser montado para denotar o que isso significa.Esses dois mundos têm muitas outras coisas em comum para conversar, se conhecer e aprender uns com os outros. A sustentabilidade está intimamente relacionada aos dois. Porém precisa ser costurada por todos protagonistas que sabem que a Mãe Natureza é a base de tudo, do modo de vida, da forma como incorporarmos proteções, do sagrado e de tanto mais.E um exemplo de como tem gente que já está colocando isso em prática está no espaço da Federação Afro-Umbandista e Espiritualista do Rio Grande do Sul no FST em Canoas. A Fauers está promovendo oficinas de como fazer barquinhos para Iemanjá de papelão. Pela primeira vez, a festa celebrada no litoral gaúcho no próximo dia 2 de fevereiro contará com uma frota biodegradável. Tudo porque, como diz o título da cartilha, também distribuída pela entidade, “a natureza é o altar de todos nós”.* Silvia Franz Marcuzzo é Jornalista.


por Silvia Franz Marcuzzo*
Coleta de resíduos florestais de madeira eucalipto utilizados no estudo.

Tratamento térmico é alternativa para destinação de resíduos

[caption id="attachment_40658" align="alignleft" width="230" caption="Coleta de resíduos florestais de madeira eucalipto utilizados no estudo."][/caption]Resíduos de eucalipto e de cana-de-açúcar, após passarem por um tratamento térmico que degrada o material, aumentam sua concentração energética. De acordo com um estudo realizado pela engenheira Juliana Rodrigues Siviéro dos Santos, o material bruto pode ser usado para gerar energia. Porém, após o tratamento, ele apresenta, além da maior concentração energética, maior durabilidade e menor umidade que o material bruto. O resíduo tratado também é mais fácil de ser transportado.“O tratamento é uma alternativa para a destinação de resíduos florestais e agroindustriais”, afirma a engenheira, que pesquisou o tema em sua dissertação de mestrado apresentada em dezembro na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba,  sob orientação do professor José Otávio Brito.As biomassas passaram por quatro tipos de tratamento: um com 250 graus Celsius (250°C) por 30 minutos; o segundo com 250°C por duas horas; outro com 280°C por 30 minutos e ainda um de 280°C por duas horas. Tanto os resíduos de eucalipto quanto de cana-de-açúcar possuem poder calorífico semelhante, com pequena vantagem para o eucalipto. “O poder calorífico, que é a quantidade de energia liberada por uma unidade de massa do material, era maior depois do tratamento térmico. E quanto maior a temperatura do tratamento, maior era também o poder calorífico”, explica a engenheira. O poder calorífico é medido em quilocalorias por quilograma (kcal/kg).Segundo Juliana, a agregação energética do tratamento térmico para o eucalipto foi maior que para o bagaço. “O maior valor encontrado foi para o eucalipto tratado a 280°C por duas horas, com 25,7% de aumento no poder calorífico. O bagaço de cana teve um ganho de até 10,2%”, conta.Os resíduos de eucalipto, da espécie Eucalyptus grandis, e de cana-de-açúcar foram escolhidos por representarem dois tipos diferentes de biomassa. “O eucalipto é um resíduo florestal, enquanto o bagaço de cana é um resíduo agroindustrial”, explica a pesquisadora. Ela também diz que o bagaço de cana bruto já é utilizado em algumas usinas para geração de energia.Os resíduos eram coletados “in natura”, isto é, em estado bruto, e eram deixados em uma estufa comum até que atingissem massa constante. Após esse período de armazenamento, eram colocados em uma estufa com sistema de aquecimento, onde era realizado o tratamento térmico com 250°C ou 280°C por 30 minutos ou duas horas.FriabilidadeOutra análise feita no trabalho foi o teste de friabilidade dos resíduos. Segundo Juliana, a friabilidade é a capacidade de a partícula diminuir seu tamanho médio, de virar pó. “É uma análise interessante pois existem técnicas de uso energético com o material pulverizado”, explica.Foram feitas classificações granulométricas, para medir o tamanho das partículas dos resíduos antes e depois do tratamento térmico. “Após o tratamento as partículas diminuíam de tamanho médio e apresentavam uma queda da resistência. Ou seja, elas apresentam bons resultados para serem utilizadas pulverizadas”, conta a pesquisadora.O trabalho foi desenvolvido dentro de um convênio da Esalq com o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Material Madeira (Lermab, sigla em francês), em Nancy (França). Com isso, algumas das análises, que necessitavam equipamentos que a Esalq não possui, foram realizadas na França.* Publicado originalmente no site da Agência USP.


por Redação Agência USP
Presidente Dilma participa do Fórum Social temático no Ginásio Gigantinho.Foto: Valter Campanato/ABr

Rio+20 deve ter metas centradas no combate à pobreza, defende Dilma

[caption id="attachment_40635" align="aligncenter" width="425" caption="Presidente Dilma participa do Fórum Social temático no Ginásio Gigantinho.Foto: Valter Campanato/ABr"][/caption]Ao fazer referência aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff defendeu na quinta-feira, 26 de janeiro, a criação de metas de desenvolvimento sustentável durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), marcada para junho, no Rio de Janeiro.Ao participar do Fórum Social Temático (FST) 2012, ela avaliou que tais metas devem estar centradas no combate à pobreza e à desigualdade. “Assumimos que é possível crescer e incluir, proteger e conservar”, explicou a presidente.Dilma relatou ser uma grande alegria poder voltar a Porto Alegre e lembrou sua participação no Fórum Social Mundial em 2001 (primeira edição do evento), quando ainda era secretária de Energia do governo do Rio Grande do Sul. “Desde então, essa cidade transformou-se em referência para todos que buscavam criar uma alternativa ao desequilíbrio da situação econômica e política global. Aqui, se firmou a ideia de que um outro mundo é possível”, destacou.Durante o discurso, a presidente ressaltou que muita coisa aconteceu nos últimos 11 anos e que a crise que vinha latente transformou-se em uma crise real desde 2008. Segundo ela, as incertezas financeiras que pairam sobre o futuro mundial dão um significado especial para a Rio+20.“Deve ser um momento importante de um processo de renovação de ideias, diferentemente das COP [Conferências das Partes]”, comparou Dilma. “Queremos que a palavra desenvolvimento apareça, de agora em diante, sempre associada à [palavra] sustentável”, completou.De acordo com Dilma, o que estará em jogo na Rio+20 é um modelo capaz de articular o crescimento e o aumento de empregos, a participação social e a ampliação de direitos, o uso sustentável e a preservação de recursos ambientais. “A tarefa que nos impõe esse fórum e a Rio+20 é desencadear o desenvolvimento, a renovação de ideias e de novos progressos absolutamente necessários para enfrentar os dias difíceis que hoje vive ampla parte da humanidade.”Por fim, a presidente avaliou que a sociedade civil e os governos progressistas, cada um em sua dimensão, podem fazer dos primeiros anos do novo milênio o anúncio de uma nova era. Para isso, segundo ela, é decisivo o fortalecimento dos laços de solidariedade e da cooperação Sul-Sul.“É essa esperança que nos une e nos mobiliza para a Rio+20 e que deve sempre nos guiar na busca de um novo modo de vida, inclusivo e sustentável, sabendo que o papel da sociedade civil será determinante para o êxito da conferência. “Tenho certeza: um outro mundo é possível. Até o Rio de Janeiro”, concluiu Dilma.Movimentos sociais criticamA presidente foi cobrada por representantes de movimentos sociais sobre questões ambientais e sociais, principalmente sobre o conceito de economia verde, tema central da Rio+20. A ideia do FST era promover um diálogo, mas o encontro acabou sendo uma sucessão de discursos, dois de representantes da sociedade civil e o de Dilma, que durou cerca de 20 minutos.O ambientalista boliviano Pablo Solon fez duras críticas ao conceito de economia verde, e alertou que o novo modelo de desenvolvimento não pode repetir padrões tradicionais, que estão levando ao esgotamento do planeta.Solon convocou a sociedade civil a fazer uma grande mobilização contra a economia verde. “Assim como vencemos a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), venceremos essa tentativa de mercantilizar e privatizar a natureza”.A sindicalista Carmem Foro, que começou o discurso elogiando o governo da presidente Dilma, cobrou demandas antigas dos movimentos sociais brasileiros, como a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, o endurecimento da legislação sobre o trabalho escravo e a ampliação da reforma agrária.Carmen também criticou o conceito de economia verde e sugeriu que a sociedade tem que se mobilizar para que a Rio+20 tenha resultados efetivos na mudança para um novo padrão de desenvolvimento. “Não vamos aceitar termos uma economia rotulada de verde, como estão pensando os capitalistas que não têm responsabilidade nenhuma com a sustentabilidade. Vamos fazer a nossa parte, e fazer isso é fazer a crítica e uma grande mobilização, durante a Rio+20, para questionar o modelo, questionar o que vai ser essa economia verde. Nossa tarefa é de articulação, mobilização do conjunto da classe trabalhadora, vamos globalizar essa luta global”.Durante o evento, grupos ambientalistas na plateia tentaram interromper os discursos com palavras de ordem pedindo o veto da presidenta ao texto do novo Código Florestal, que tramita no Congresso Nacional.* Publicado originalmente no site do EcoD.


por Redação EcoD
Marina Silva: sustentabilidade deve ser ideal de vida. Foto: Agência Brasil.

Marina Silva apela a Dilma para que vete projeto do novo Código Florestal

[caption id="attachment_40631" align="alignleft" width="250" caption="Marina Silva: sustentabilidade deve ser ideal de vida. Foto: Agência Brasil."][/caption]A ex-ministra e ambientalista participou de painel que discutiu Cidades Sustentáveis e cobrou compromisso da presidente Dilma Roussef em vetar qualquer projeto de alteração do Código Florestal que represente desmatamento e anistia a desmatadores.A ambientalista Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente no governo de Luis Inácio Lula da Silva, disse ter esperança de que a presidente Dilma Roussef vete o projeto de lei que altera o atual Código Florestal Brasileiro. Já aprovado no Senado, o projeto está em tramitação na Câmara dos Deputados e deve ser votado ainda neste ano. A manifestação de Marina Silva foi feita durante sua participação no painel Cidades Sustentáveis, nesta quarta-feira à tarde, no Fórum Social Temático, que está sendo realizado em Porto Alegre. "Estou num momento de grande preocupação com a possível aprovação do novo Código Florestal. A presidente Dilma afirmou que vetaria qualquer projeto (de alteração do Código) que representasse aumento do desmatamento e anistia para desmatadores. Se cumprir o compromisso, temos de dar sustentação a ela."Marina Silva disse que, atualmente, cerca de 50% da população mundial estão nas cidades, "que é um espaço facilitado para a resolução de problemas e não podem ser vistas apenas como um amontoado de pessoas e problemas". Ela defendeu uma sustentabilidade ética e política que seja vista como um ideal de vida. "A crise de valores que vivemos tem relação com as crises ambiental, econômica e social. O atual impasse civilizatório precisa ser resolvido com sentido de urgência e de forma coletiva."Chamando a atenção para o fato de que 75% dos resíduos são produzidos nas cidades, a ambientalista defendeu a ncessidade das pessoas reduzirem o consumo e de se trabalhar com novas fontes de energia e alternativas de mobilidade urbana que não sejam baseadas estritamente na circulação automóveis. "A política não pode ser apenas um projeto de poder, é necessário desadaptar para não se acomodar", disse a ex-senadora, que recentemente deixou o Partido Verde, ao qual havia se filiado após longo período de militância pelo PT.Para o teólogo Leonardo Boff, a sustentabilidade deve representar um novo olhar sobre a realidade e mudanças profundas. "Em geral, as empresas se dizem sustentáveis quando precisam enfrentar a ferocidade da concorrência, mas não colaboram para mudar a realidade. Um novo ensaio civilizatório deve incluir a sustentabilidade." Para ele, as resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) são insuficientes, pois são centradas no ser humano. Boff observou que as discussões sobre um novo paradigma não têm nínima repercussão em documentos oficiais da ONU. "Devemos cultivar uma relação respeitosa e não-agressiva com a natureza e tudo o que é vivo. Tudo o que vive merece existir, e tudo o que existe merece viver."Presidente do Instituto Ethos e integrante do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew explicou que a ideia que norteia a realização do Fórum Social Temático é a de tentar influenciar as decisões da Rio+20, a ser realizada em junho deste ano. "Os países não têm dado respostas adequadas aos desafios atuais. É preciso uma pressão muito grande da sociedade, na Rio+20 e em outros fóruns, para que governos não repitam fórmulas dos consensos em que se pensa muito mais no processo eleitoral e na chegada ao poder." Grajew apelou para que a Rio+20 gere processos concretos de mudanças, "a fim de evitar que seja apenas um evento de festas". Grajew também destacou a "importância vital" que as questões envolvendo as cidades devem ter na discussão sobre modelos de desenvolvimento. "Hoje, no Brasil, 84% das pessoas moram na cidades."Ao iniciar seu pronunciamento, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, fez questão de homenagear "a heroica comunidade de Pinheirinho", se referindo ao episódio em que ocupantes de uma área na cidade de São José dos Campos (SP) foram retirados à força e violência, em ação policial coordenada pelo governador paulista Geraldo Alckmin, a partir de decisão judicial que deteminava a reintegração de posse do terreno aos seus donos. Sobre as expectativas em relação à Rio+20, Frei Betto afirmou estar descrente quanto à capacidade da atual direção da ONU "em abraçar pautas consequentes". Ele defendeu que seja articulada "uma enorme mobilização" para conscientizar a sociedade sobre a importância do evento no Rio. "É preciso que se valorize o papel do Brasil como país anfitrião. Há compromissos e avanços obtidos dos governos, mas também há muita ambiguidade. Temos que transformar a Rio+20 em grande evento de mobilização social, com a presença da sociedade e de movimentos sociais e ambientais."Frei Betto sugeriu ainda que, nas eleições deste ano para prefeitos e vereadores, os cidadãos elaborem, individual ou coletivamente, uma pauta de compromissos a serem assumidos formalmente pelos candidatos e cobrados daqueles que forem eleitos. "O prefeito (de São Paulo) Gilberto Kassab, por exemplo, assinou uma lista de 223 compromissos, dos quais não cumpriu nem 20% até agora. Mas ele será cobrado por isso."* Publicado originalmente no site da  EcoAgência.


por Carlos Scomazzon, especial para a EcoAgência
5

Participantes do Fórum Social criticam Davos e Rio+20

Intelectuais criticaram Davos por não prever uma crise econômica tão longa e afirmaram que o novo erro do Fórum Econômico Mundial é não debater sobre a falta de sustentabilidade globalCríticos do capitalismo e da globalização se reuniram em diferentes encontros nesta quarta-feira, 25, em Porto Alegre e cidades da região. O evento, chamado Fórum Social Mundial, foi criado em 2011 e tem como argumento a contrariedade ao encontro econômico anual de Davos.Os participantes criticaram Davos por não prever uma crise econômica tão longa e afirmaram que o novo erro do Fórum Econômico Mundial é não debater sobre a falta de sustentabilidade global. De acordo com um dos idealizadores do encontro, Oded Grajew, a Davos está sempre atrasada: “Faz a velha filantropia” disse.Segundo os membros do evento realizado em Porto Alegre, apesar de o Fórum Econômico Mundial ter anunciado o interesse em discutir diferentes caminhos para o crescimento e desenvolvimento, as grandes potências econômicas não tomam providências para acabar com as causas dos problemas, como, por exemplo, a desigualdade social.Mesmo com o anúncio do Fórum Econômico Mundial de que quer debater neste ano caminhos diferentes para o crescimento e desenvolvimento, a crítica vinda de Porto Alegre é de que as grandes economias não agem para resolver as causas – como a desigualdade socialA presidente Dilma Rousseff participa nesta quinta-feira, 26, de dois eventos do Fórum Social Temático. O primeiro com a coordenação do encontro e logo depois com movimentos sociais. Em Canoas, o Seminário Internacional de Cidades de Periferia teve a participação do vice-presidente da organização Plaine Commune, o francês Jean Paul Le Glou, e do sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos.Segundo Le Glou, não é possível falar de sustentabilidade se as pessoas não têm consciência da importância do tema. Já Sousa criticou a demora da Europa em encontrar uma solução para a crise econômica da zona do euro: “A Europa ditou o que o mundo fazia por cinco séculos. De tanto querer ensinar, esqueceu de aprender. Só se fala em crescimento, mas um crescimento insustentável”, afirmou o sociólogo.Rio+20A expectativa para a conferência Rio+20, que irá reunir líderes mundiais em junho para debater sobre o futuro do planeta, é baixa entre os intelectuais de esquerda e ambientalistas que participam do Fórum Social Mundial.Críticas foram feitas ao documento divulgado pelas Nações Unidas que esboça a resolução que será votada na conferência. Oded Grajew afirmou que a proposta não prevê ações concretas para a redução de emissão de gases poluentes. Segundo o télogo Leornardo Boff, que participa do evento, o documento já nasceu velho: “Como está, não leva a nenhuma conclusão. São só conclamações idealistas, sem mostrar a sociedade que queremos”, declarou.Outros participantes do encontro disseram que há o risco de países desenvolvidos usarem o discurso do meio ambiente para frear o crescimento de nações emergentes como o Brasil, a China e a Índia.A ex-senadora Marina Silva cobrou da presidente Dilma o veto as mudanças no Código Florestal aprovadas pelo Congresso. Dilma prometeu em sua campanha eleitoral em 2010, vetar projetos que aumentassem o desmatamento no país.* Publicado originalmente no Estadão e retirado do site Opinião e Notícia.


por Redação Estadão

imagem do dia

|
Para enviar sua imagem, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Arquivo

Observações

 
manifestacao-forum-social-mundial-700x525-20120124

Protesto no Fórum Social Mundial 2012, liderado pelo grupo Aldea de la Paz, comprometidos a salvar as florestas e enfrentar o capitalismo. Foto: WESLEY SANTOS/AE/AE 

imagem do dia

Imagem do dia

economia-verde

16

10

13

desenhos