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Ambiente

“Tem menos água aqui que no deserto do Saara”


por Projeto 2000 e água

[caption id="attachment_112355" align="alignleft" width="277"] Sistema Cantareira. Foto: Agência Brasil. Foto: Divulgação/Sabesp[/caption] Um grupo de seis alunos de jornalismo da ECA-USP elaborou a reportagem hipermídia "2000 e água", sobre a crise hídrica de 2014 em São Paulo. O biólogo, educador ambiental e presidente da AGUA (Associação Guardiã da Água), John Emilio Garcia Tatton, falou sobre o assunto. “Tem menos água aqui que no deserto do Saara”. Para ele, toda a rede de ensino precisa ser mobilizada pelo uso racional da água. “Há muito tempo, deveriam estar sendo feitas não só campanhas, mas amplos programas de educação ambiental, da pré-escola à universidade”, defende o especialista. Apesar de definir as perdas de água do Estado como “um absurdo”, Tatton defende que a responsabilidade pelo desperdício deve ser compartilhada entre todos. “Na agricultura, por exemplo, a irrigação poderia ser realizada à noite. Imagina o quanto se perde de água por evaporação? Na indústria, a água de reuso poderia ser universalizada. Não faz sentido usar água potável e fluoretada para lavar chão de fábrica”, exemplifica. Confira a entrevista a seguir: 2000 E ÁGUA: Entre 2004 e 2013, o consumo de água nos 33 municípios abastecidos pela Sabesp aumentou em 26%, enquanto a produção cresceu apenas 9%. A estiagem no Sistema Cantareira já era prevista? JOHN EMILIO GARCIA TATTON: A grande complexidade é o aglomerado de 39 municípios, com mais de 20 milhões de pessoas em uma mesma bacia hidrográfica. Segundo a ONU, a disponibilidade hídrica abaixo de 1,5 mil metros cúbicos por habitante por ano já é considerada crítica. Na bacia do Alto Tietê este índice é de apenas 200 metros cúbicos. Tem menos água aqui que no deserto do Saara. Há muito tempo já deveriam estar sendo feitas não só campanhas, mas amplos programas de educação ambiental, da pré-escola à universidade, porque era óbvio que isso ia acontecer. A seca sofrida na bacia PCJ agravou ainda mais a situação na região que já estava poluída. Como a AGUA acredita que esse cenário possa ser contornado? A estiagem implica não só na redução da água, mas também na mudança da concentração de nutrientes nela. Devido às ações antrópicas [causadas pela ação humana] decorrentes da agricultura e da indústria, todos os mananciais nas regiões metropolitanas estão eutrofizados pelo aporte de nutrientes como o fósforo, que é o fator limitante na floração das algas. É preciso reduzir o alimento da alga. Ela se alimenta principalmente do fósforo, que tem três fontes: sabão em pó, resíduos, e o desmatamento que deixa o solo exposto e faz com que a água das chuvas leve os nutrientes ricos em fósforos para a represa. Ao mesmo tempo em que o Estado de São Paulo passou por uma estiagem, no Sul do Brasil observamos as comportas da Usina Hidrelétrica de Itaipu serem abertas. Como poderíamos amenizar esses contrastes climáticos regionais? Os extremos, enchentes e escassez, prenúncios das mudanças climáticas têm sido recorrentes. A verdade é que conseguimos alterar até o curso dos “rios voadores”, impactando não só a bacia hidrográfica, mas também a bacia aérea. As águas de março não chegaram suficientemente este ano porque desviamos as correntes aéreas, por meio de desmatamentos na Amazônia e no Mato Grosso. Isso foi decorrente do uso e ocupação do solo, incorreto e indevido, realizado pelo setor do agronegócio, que não poupa em seu caminho nem mesmo os povos da floresta. Por fim, a falta d’água em São Paulo é apenas um capítulo do filme de terror que assistiremos nos próximos anos se não mudarmos nossos paradigmas. Temos que nos engajar na preservação dos mananciais, no uso racional da água e na despoluição hídrica. O desperdício da água é um agravante para o período de crise. Como evitá-lo? Devemos trabalhar o conhecimento do ciclo de vida da água, desde a captação nos mananciais à distribuição do consumo. O governo tem que investir mais no controle das perdas de água, que ainda está acima do normal. Atualmente, mais de 25% do que é produzido é perdido. Isso é um absurdo. Mas a responsabilidade é de todos. Na agricultura, por exemplo, a irrigação poderia ser realizada à noite. Imagina o quanto se perde de água por evaporação? Na indústria, a água de reuso poderia ser universalizada, não faz sentido usar água potável e fluoretada para lavar chão de fábrica! Quanto as empresas e indústria, como incentivá-las a investirem em planejamento ambiental? Atualmente existem milhares de empresas no mundo que praticam as “compras verdes”, a coleta seletiva e a reciclagem de resíduos. Grandes corporações investiram na gestão ambiental atrelada ao seu negócio e estão inclusive ganhando mais dinheiro com isso. No estado de São Paulo, por exemplo, há dezenas de empresas adeptas ao ISE BOVESPA, índice de sustentabilidade empresarial que premia com maior rentabilidade as empresas sustentáveis. No futuro, não haverá mais espaço para a poluição e desperdício no processo de produção e consumo. A legislação ambiental estará cada vez mais restritiva e o consumidor cada vez mais exigente. Inclusive, preocupado com o trabalho escravo e a justiça social. Como funciona a legislação ambiental no Brasil para a gestão da água? Ela é eficiente? No Brasil, a gestão da água modernamente é feita por bacias hidrográficas em um sistema de gerenciamento de recursos hídricos. No Estado de São Paulo temos 22 bacias, organizadas em comitês e câmeras técnicas, onde são discutidas as necessidades e expectativas de todas as partes interessadas. Outra novidade é a cobrança pelo uso da água. Quase todos os grandes usuários já pagam pela água, assim como a própria Sabesp, as indústrias e os agricultores. O que se faz com esse dinheiro? Ele é voltado para administração da própria bacia. Essa verba é usada para obras de saneamento como a construção de estações de tratamento de água e esgoto e também para educação ambiental. Eu acredito nessa gestão. Nos comitês de bacia já se tem mais de R$ 23 milhões só para investimentos em educação ambiental. Porém, o que falta são projetos para o uso e aplicação deste recurso na conscientização e mobilização social. Não se sabe planejar, fazer, checar e avaliar projetos. Por fim, como a população pode se conscientizar de suas próprias atitudes no contexto ambiental? Toda a rede de ensino poderia estar sendo mobilizada por uma causa comum: o uso racional da água. A rede de ensino pública atende no Estado cerca de 5 milhões de alunos, por meio de 200 mil professores que são capacitados e treinados por centenas de coordenadores pedagógicos. Portanto, esses coordenadores deveriam estar bem orientados e engajados, principalmente os da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. O pessoal da Bacia Hidrográfica do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) já implementou essa estratégia e está conseguindo resultados. * Publicado originalmente no site 2000 e água.
Foto: Shutterstock

Economia

Brasil possui fraco desempenho em eficiência energética


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil

Ranking no Conselho Americano para Economia Energeticamente Eficiente avalia performance das 16 maiores economias do mundo em eficiência energética, e classifica Brasil em 15° lugar; melhores posições ficam com Alemanha e Itália  O Brasil é conhecido pelo seu alto potencial em fontes renováveis de energia, mas no quesito eficiência energética o país não parece estar indo muito bem. Os números da última Tabela de Desempenho Internacional de Eficiência Energética 2014 (The 2014 International Energy Efficiency Scorecard) não trazem um resultado muito bom para o país, que figurou na 15ª posição das 16 nações avaliadas. Ao que tudo indica, o Brasil precisará melhorar muito seu desempenho se quiser ficar entre os campeões em eficiência energética. A segunda edição do relatório do Conselho Americano para Economia Energeticamente Eficiente (ACEEE), que avaliou as 16 maiores economias do mundo, responsáveis por mais de 81% do produto interno bruto (PIB) mundial e por cerca de 71% do consumo de eletricidade, analisou 31 aspectos divididos entre performance política e quantificável, para descobrir o quão eficientemente essas economias usam energia. Os resultados indicam que alguns países estão superando significativamente outros, mas, segundo o próprio documento, a descoberta mais importante é que há oportunidades para melhoria em todas as economias observadas. A média foi de apenas 50 pontos para um total de 100, e todas as nações apresentaram fraquezas. Uma delas é o Brasil, que no geral teve uma performance fraca em relação aos demais. O país marcou apenas 30 pontos no total. Segundo a tabela de desempenho, as políticas energéticas do Brasil enfatizam a produção de renováveis, especialmente nos setores de eletricidade e transporte, tirando o foco do setor de eficiência. De acordo com o relatório, uma das áreas que mais exige melhoria no setor de eficiência energética do país é a construção residencial e comercial. Isso porque no Brasil não há um código residencial ou comercial obrigatório para eficiência energética, e padrões de equipamentos são limitados, sendo aplicados a poucos produtos. Outra área que necessita de aprimoramento é a indústria. Menos de 1% da eletricidade de seu setor industrial é gerada pela combinação de calor e energia. O documento sugere que o país teria muito a absorver de exemplos da Austrália, Espanha e França no quesito construções, e da Itália em se tratando de economia de eletricidade industrial. Mas nem todos os dados do Brasil são negativos. A tabela aponta que o país tem um setor de transportes eficiente, tendo ficado em quinto lugar nesse quesito. A economia de combustível em veículos de passageiros é forte, e o número de quilômetros rodados por pessoa é moderado. Além disso, a proporção do investimento do governo em transporte ferroviário em relação ao investimento em rodovias é maior no Brasil do que em todos os países analisados. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentou o financiamento para a construção de novas linhas férreas e para a expansão da atual rede. Também se planeja construir uma linha de trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro e melhorar a economia de combustível de veículos leves de passageiros. A campeã do mundo Se o Brasil não apresentou boa performance, o mesmo não se pode dizer da Alemanha, que ficou em primeiro lugar, com 65 pontos. Entre as ações do país para chegar a essa marca estão subsídios de até 30% para melhorias na eficiência de seus processos de fabricação através da atualização de tecnologias e equipamentos, uma meta de 20% na redução do consumo primário de energia para 2020 e de 50% para 2050 em relação aos níveis de 2008 etc. “A Alemanha é um excelente exemplo de uma nação que fez da eficiência energética uma prioridade”, elogiou Steven Nadel, diretor executivo do ACEEE. O país liderou a eficiência energética do setor industrial. Representantes do país agradeceram o reconhecimento, mas afirmaram que o país ainda tem muito a fazer nesse sentido. “Estamos muito agradecidos de que a Alemanha ocupe o primeiro lugar na análise da ACEEE. "Vemos isso como uma validação de que as medidas da Alemanha estão dando frutos em seus esforços de transição para uma economia de baixo carbono e energeticamente eficiente”, comentou Philipp Ackermann, embaixador alemão nos Estados Unidos. “Ao mesmo tempo, continuaremos a lutar por mais melhorias. A eficiência energética é o segundo pilar da transformação da Alemanha em seu sistema de energia, ao lado da expansão das fontes renováveis. Cada quilowatt-hora de eletricidade que não é consumido economiza combustíveis fósseis e evita a construção de usinas e redes de energia”, continuou Ackermann. Outros Estados que se saíram bem no relatório foram Itália (segundo lugar), União Europeia (terceira posição) e China (em quarto), tendo inclusive liderado a eficiência energética nos setores de transporte, construções e esforços nacionais, respectivamente. Já nações como México, Rússia e Estados Unidos dividiram com o Brasil os últimos lugares. “Países que usam energia mais eficientemente utilizam menos recursos para atingir as mesmas metas, reduzindo, portanto, os custos, preservando recursos naturais valiosos e ganhando uma vantagem competitiva sobre outros países”, concluiu Rachel Young, analista de pesquisa do ACEEE e uma das principais autoras do relatório. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
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Notícias

Especialistas defendem que maior consumo de água custe mais caro


por Sabrina Craide, da Agência Brasil

Em reunião realizada na Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília, na tarde de ontem (22), especialistas debateram a necessidade de adotar medidas para reduzir o consumo de água em São Paulo, por causa da situação crítica do Sistema Cantareira. A principal ideia é determinar que quem gastar mais, pague mais caro pela água. O diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, disse que é preciso adotar medidas para preservar um volume no Cantareira que permita chegar ao período de chuvas com alguma segurança. Segundo ele, houve recomendações dos técnicos para a adoção de instrumentos econômicos para reduzir a demanda, como a tarifa progressiva. “Ou seja, quem não reduzir ou quem aumentar o seu consumo teria sua tarifa aumentada significativamente”, disse. O governo de São Paulo já adotou a concessão de um bônus para quem gastar menos água, mas, segundo o diretor da ANA, a avaliação é que esse instrumento pode ser insuficiente. “A combinação desses dois instrumentos, um de premiar a economia e outro de penalizar o aumento do consumo, poderiam provocar uma redução na demanda de água na região metropolitana de São Paulo”, disse. Andreu esclareceu, no entanto, que essas medidas só podem ser tomadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), e que a ANA não tem competência para fazer recomendações à empresa. Para o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, o consumidor vai ter que fazer a sua parte, pois a situação é gravíssima. “Não parece que as pessoas entenderam a situação, tem lava rápido funcionando, pessoas jogando água nas calçadas. Temos que reduzir o máximo esse consumo, e as pessoas entendem no bolso. Algo é precioso quando é caro. O ouro é caro, a água terá que ser cara, para as pessoas entenderem”, disse. Outra ideia debatida é reduzir ainda mais o volume de água que é retirado do sistema. O volume já foi reduzido de 31 metros cúbicos (m³) por segundo para 19,7 m³ por segundo, e de acordo com Andreu, pode chegar a 14 m³ nos próximos meses, dependendo do volume de chuvas. “A quantidade de água que está chegando no reservatório é muito pequena, e a proposta é que tenha a mesma correspondência, ou seja, uma redução progressiva da retirada de água do Sistema Cantareira”, disse Andreu. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que também participou da reunião, disse que essa é a maior crise já vivida no histórico do Sistema Cantareira. Segundo ela, técnicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação apresentaram dados que mostram que a chegada do fenômeno El Niño ao país não é garantia de chuvas na região. Ela também defendeu que sejam adotadas ações para a redução do consumo, como o aumento da tarifa para quem consumir mais. “O governo de São Paulo terá que trabalhar, de acordo com o cenário de afluência de chuvas e de água, quais são as novas medidas para poder trabalhar a segurança hídrica do reservatório. A situação está se agravando, tem que tomar novas medidas”, disse. A hipótese de um racionamento de água em São Paulo, no entanto, não foi recomendada pelos especialistas que participaram da reunião. Segundo Braga, o racionamento atinge principalmente as pessoas mais pobres, porque estão nos locais mais afastados, onde a água não chega. Além disso, há risco de contaminação da água se os dutos ficarem vazios por muito tempo. A reunião, que foi convocada pela ANA, não teve a participação de representantes do governo de São Paulo. Participaram do encontro pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e representantes de organizações ambientais como SOS Mata Atlântica, WWF e The Nature Conservancy (TNC). Ontem (22), o volume de água do Sistema Cantareira caiu 0,2 ponto percentual, passando de 17%, registrado ontem (21), para 16,8% nesta terça. Recentemente, a ANA prorrogou o direito de uso do Sistema Cantareira pela Sabesp para 31 de outubro de 2015. Com a estiagem e a gradual baixa na capacidade de armazenagem, desde o dia 16 de maio, a Sabesp passou a usar a água da reserva técnica. O Sistema Cantareira é responsável pelo abastecimento de 9 milhões de consumidores atendidos pela Sabesp, em parte da capital paulista e em mais dez municípios. O sistema é alimentado por cinco bacias hidrográficas, entre as quais a do Alto Tietê. * Edição: Luana Lourenço. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.
Após um ataque aéreo israelense, jovens palestinos inspecionam o prédio onde viviam suas famílias. Foto: Khaled Alashqar/IPS

Inter Press Service - Reportagens

Gaza sob fogo: um desastre humanitário


por Khaled Alashqar, da IPS

[caption id="attachment_117324" align="aligncenter" width="529"] Após um ataque aéreo israelense, jovens palestinos inspecionam o prédio onde viviam suas famílias. Foto: Khaled Alashqar/IPS[/caption]   Gaza, Palestina, 23/7/2014 – Os 15 dias de bombardeios israelenses contra o norte de Gaza já obrigaram milhares de civis a fugirem de suas casas em busca de abrigo nas escolas coordenadas pela Agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA). Entre os mais afetados estão as crianças, que vivem com medo e em perigo constantes, segundo Sami Awaida, psiquiatra infantil do Programa de Saúde Mental de Gaza, uma organização humanitária especializada em traumatismos derivados da guerra e problemas de saúde mental. “As crianças de Gaza sofrem ansiedade, medo e insegurança, como consequência desta situação de guerra. O desafio que enfrentamos agora como profissionais da saúde mental é o “transtorno por estresse pós-traumático”, explicou Awaida à IPS. Este tipo de problema se caracteriza por sintomas específicos que surgem após a exposição a um fato estressante, extremamente traumático, que envolve um dano físico ou uma grave ameaça para a pessoa em questão. “As crianças de Gaza já sofreram duas recentes experiências violentas e traumáticas em 2009 e 2012”, recordou Awaida, se referindo às duas últimas ofensivas de Israel que deixaram mais de 1.150 mortos e milhares de feridos no território palestino. “Agora este trauma volta a gerar a dor e o choque anteriores, e também conduz a um estado mental de medo e insegurança permanente”, ressaltou. Desde o dia 7, Israel submete a Faixa de Gaza a uma forte ofensiva militar e ataca as facções palestinas em uma nova rodada de violência no Oriente Médio. O Ministério da Saúde palestino divulgou até agora o número de 230 mortos, em sua maioria famílias inteiras que morreram pelo bombardeio de suas casas, enquanto o número de feridos subiu para 2.500. Muitas das vítimas são crianças. Mas os dados de fontes situadas em Gaza indicam que as vítimas mortais já passam de meio milhão. Por outro lado, os centros sanitários sofrem grave escassez de suprimentos, equipamentos e pessoal para fazer frente à emergência. Ashraf Al Qedra, porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, apelou à comunidade internacional para que “apoie os hospitais com suprimentos médicos de urgência, pois Israel continua com seus ataques militares que deixaram mais de 800 moradias totalmente destruídas e 800 famílias desamparadas”. As forças militares israelenses foram acusadas de realizar uma política de destruição de casas palestinas e de massacre de civis desde que Israel começou sua atual ofensiva. Adnan Abu Hasna, assessor de imprensa e porta-voz da UNRWA, disse à IPS que a agência “pediu oficialmente que Israel respeite o direito internacional humanitário e a neutralidade dos civis na operação militar”. A “UNRWA insiste na necessidade de cumprir o apelo do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de cessar imediatamente a violência, devido ao crescente número de crianças e mulheres mortas pelos ataques e bombardeios de Israel sobre Gaza”, acrescentou Hasna. Assam Yunis, diretor do Centro Al Mezan para os Direitos Humanos em Gaza, falou à IPS sobre as violações aos direitos humanos e a necessidade urgente de justiça. “A situação atual é catastrófica em todos os aspectos”, afirmou. As violações dos “direitos humanos por parte de Israel são incríveis e incluem ataques contra equipes médicas e jornalistas, além de crianças e mulheres”, enfatizou Yunis. “São violações claras do direito internacional, bem como crimes de guerra. Israel deve ser considerado legalmente responsável em nível internacional”, insistiu. O analista político Ibrahim Ibrash opinou que “Israel nunca conseguirá acabar com o movimento islâmico Hamas nem com a resistência palestina de Gaza. Por outro lado, os combatentes palestinos jamais conseguirão destruir e derrotar Israel”. As consequências para os palestinos no plano interno depois de terminar o conflito militar serão essenciais, incluída a “divisão entre a população e a Autoridade Nacional Palestina. Muitos ficarão indignados com o governo, e isto, naturalmente, deixará Gaza em um estado deplorável”, acrescentou. O conflito acontece no contexto do bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, com desemprego generalizado, pobreza extrema, cortes de eletricidade, fechamento de fronteiras e passagens desde 2006, infraestrutura destruída e uma economia paralisada. Tudo isto se combina com a falta de progressos políticos na mediação entre israelenses e palestinos. Ninguém pode negar que a população civil de Gaza seja a verdadeira vítima deste conflito. Envolverde/IPS


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Lâmpadas fluorescentes compactas (CFL) com economia de energia. Foto: Anton Fomkin/cc by 2.0

México é o último e Estados Unidos está entre os piores em eficiência energética

[caption id="attachment_117328" align="aligncenter" width="529"] Lâmpadas fluorescentes compactas (CFL) com economia de energia. Foto: Anton Fomkin/cc by 2.0[/caption]   Washington Estados Unidos, 23/7/2014 – O México ocupa o último lugar em uma nova classificação sobre eficiência energética de 16 das maiores economias do mundo, na qual a Alemanha aparece em primeiro lugar e os Estados Unidos em décimo-terceiro. Ao divulgar sua classificação, o Conselho Norte-Americano por uma Economia de Energia Eficiente (ACEEE), uma organização sem fins lucrativos, considerou a ineficiência deste país “uma tremenda perda” em recursos e dinheiro. As 16 economias estudadas são Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Índia, Itália, Japão, México, Rússia e a União Europeia como bloco. A qualificação se baseou em 31 indicadores referentes a medidas de eficiência adotadas pela legislação em cada economia, bem como nos setores industrial, do transporte e da construção. “Um país que utiliza menos energia para obter os mesmos ou melhores resultados reduz seus custos e a contaminação, e gera uma economia mais forte e competitiva”, diz o informe do ACEEE. “A eficiência energética desempenha um papel na economia dos países desenvolvidos há décadas, mas a eficiência energética rentável continua sendo um recurso muito subutilizado”, acrescenta o documento. Embora a Alemanha tenha obtido maior pontuação global, com 65 em 100 pontos possíveis, e ficado em primeiro lugar no setor da “indústria”, a China se destacou na categoria “construção”, a Itália no “transporte”, e França, Itália e União Europeia empataram no item “esforço nacional”. O México ficou em último lugar, seguido por Brasil, Rússia e Estados Unidos, com o 13º lugar. Rachel Young, analista de pesquisa do ACEEE, reconheceu à IPS que o governo dos Estados Unidos adotou no último período importantes medidas para limitar as emissões de carbono, especialmente das centrais de energia existentes. Porém, recomenda que Washington “coloque em prática um objetivo nacional de poupança energética, fortaleça a elaboração de códigos de construção-modelo, apoie a educação e formação no setor industrial, e priorize a eficiência energética no transporte”. Estas medidas reduziriam as emissões, economizariam dinheiro e gerariam postos de trabalho, assegurou. Historicamente, o ACEEE se dedicou a melhorar a situação da energia nos Estados Unidos. Mas a nova classificação, divulgada no dia 17, insiste que a eficiência energética é um bom investimento ambiental e financeiro, algo que pode ser aplicado a outras economias. O Worldwatch Institute, um centro de pesquisa com sede em Washington, é uma de muitas organizações dedicadas ao desenvolvimento internacional que adotaram esse enfoque. “Acreditamos que a eficiência energética é uma das maneiras mais rápidas de os países aproveitarem ao máximo o consumo de energia”, afirmou Mark Konold, diretor de projetos do Caribe no Worldwatch. “O quilowatt/hora mais importante é aquele que não precisa ser produzido”, acrescentou Konold, em conversa com a IPS. A eficiência energética pode ser um sábio investimento econômico para governos e indivíduos por igual, citando exemplos do Caribe, da África Ocidental, América Central e América do Sul. “Sobretudo nos países insulares, que têm enormes contas de energia, a eficiência energética pode fazer muito para reduzir a carga financeira” das pessoas, pontuou Konold. “Algo tão simples como a instalação de janelas pode melhorar a eficiência dos edifícios” nesses Estados. O Worldwatch Institute e outras organizações consideram que a eficiência energética é um elemento essencial na agenda da sustentabilidade. Konold, que é coautor de um estudo recente sobre a energia sustentável na Jamaica, considera fundamental examinar o rendimento do investimento nas práticas de eficiência. Isto pode ajudar a determinar quais modelos energéticos rentáveis devem ser aplicados nas nações em desenvolvimento. Essas recomendações são particularmente relevantes devido ao crescente interesse da comunidade internacional pela eficiência. A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial, por exemplo, incentivaram a iniciativa Energia Sustentável para Todos (SE4ALL), para ajudar a “promover uma mudança de paradigma” para a sustentabilidade no Sul em desenvolvimento. Um de seus três objetivos é “duplicar a taxa mundial de melhora da eficiência energética”. “A eficiência energética é a opção de menor custo quanto à emissão de gases-estufa e de energia”, disse Nate Aden, pesquisador do World Resources Institute, um fórum de estudos com sede em Washington. “Isto é especialmente importante para os países em desenvolvimento que procuram ter acesso à energia e ao mesmo tempo enfrentar a mudança climática”, acrescentou. Parte deste novo enfoque se deve especificamente à SE4ALL, afirmou Aden, acrescentando que os outros dois objetivos da iniciativa, que consistem no acesso universal à energia e em duplicar o uso de energias renováveis, são “compatíveis e complementares” com a eficiência energética. Embora as ações da comunidade internacional sejam importantes na implantação das estratégias de eficiência energética, outros ressaltam a necessidade da mudança cultural em nível individual. “Uma grande parte desse problema é a educação e a sensibilização”, afirmou Konold. “Quando começamos a difundir a mensagem de que as pessoas podem melhorar sua própria situação é quando começamos a ver a mudança”, acrescentou. Muitos países não estão sensibilizados com relação à energia, um fenômeno que Konold exemplifica com “deixar o ar-condicionado ligado com as janelas abertas”. O pesquisador afirma que as pessoas podem fazer a diferença se adotarem mais condutas de economia de energia em suas casas. Esse sentimento é compartilhado por Young, do ACEEE, cujo informe diz que os norte-americanos consomem aproximadamente 6,8 toneladas de petróleo por pessoa. Isto coloca os Estados Unidos em penúltimo lugar em função do consumo individual de energia, superados apenas pelo Canadá, aonde chega a 7,2 toneladas. Envolverde/IPS


por Julia Hotz, da IPS
A extração predatória e ilegal de madeira alimenta a degradação florestal e o desmatamento. Foto: © Greenpeace/Marizilda Cruppe

Fraudes no setor madeireiro em evidência

[caption id="attachment_117389" align="aligncenter" width="500"] A extração predatória e ilegal de madeira alimenta a degradação florestal e o desmatamento. Foto: © Greenpeace/Marizilda Cruppe[/caption]   Em reportagem no Bom Dia Brasil, a TV Globo aborda o atual descontrole no sistema de produtos florestais na Amazônia, um assunto que tem sido amplamente anunciado pelo Greenpeace na campanha Chega de Madeira Ilegal O Bom Dia Brasil publicou na manhã de hoje uma matéria sobre uma fraude no sistema que deveria controlar o comércio de produtos florestais no Pará, responsável por causar a derrubada ilegal de mais de 60 mil hectares de floresta – uma área desmatada equivalente à metade da cidade de Belém. A reportagem destaca também a investigação de dois anos do Greenpeace no estado do Pará que revelou que o atual sistema de controle não é apenas falho, mas alimenta a degradação florestal e o desmatamento. Como consequência, a ilegalidade tomou conta do setor. Entre os anos de 2011 e 2012, cerca de 78% das áreas exploradas para a extração de madeira no Pará, que é o maior produtor da região, ocorreram de forma irregular. No Mato Grosso, segundo maior produtor, o índice foi de 54%. Conheça a campanha Chega de Madeira Ilegal Frequentemente, em vez de conter o crime, o sistema oficial é usado para ‘lavar’ madeira produzida de forma predatória e ilegal que, mais tarde, será vendida a consumidores no Brasil e no mundo como se fosse ‘legal’. "Se bem feita, a exploração de madeira pode ser um caminho pra salvar a floresta, mas, da maneira como está, acabou se tornando mais um ingrediente da destruição. Para mudar essa situação, é necessária uma urgente e profunda reforma dos sistemas de controle e do modo como se permite explorar a floresta hoje” disse Marcio Astrini, da Campanha Amazônia do Greenpeace. Esse é o momento de cobrarmos aqueles que querem governar nosso país nos próximos 4 anos para mudar essa situação. O Greenpeace está elaborando uma plataforma de propostas que será apresentada a todos os presidenciáveis incluindo as seguintes demandas: Criação do Programa Ciência na Floresta, visando promover a pesquisa e o uso de novas tecnologias para o setor madeireiro com o objetivo de tornar o país líder na exploração sustentável das florestas tropicais Realização de um zoneamento ecológico econômico para a produção madeireira na Amazônia, por meio do qual serão definidas as áreas de maior importância para a atividade e, consequentemente, os investimentos para a exploração responsável e sustentável Criação de novos processos para autorização da exploração madeireira e de um novo sistema de controle para o setor, que devem ser nacionalmente unificados, com regras claras e transparentes. Todas as informações referentes à autorização e controle da exploração florestal devem estar disponíveis publicamente e em tempo real na internet Integração dos sistemas que controlam a comercialização dos produtos madeireiros ao sistema tributário nacional Implementação da rastreabilidade dos produtos florestais desde a sua origem Coordenação de esforços para que os estados realizem e divulguem publicamente uma revisão dos planos de manejo e das licenças de operação das madeireiras Criação de marco legal que determine sanções a estados e municípios em caso de não realização da prestação de contas anual, ou de descumprimento das obrigações legais previstas na lei de gestão florestal e em seus respectivos atos legais regulatórios Reestruturação das esferas governamentais de controle do setor, incluindo a criação de um plano de investimentos Elaboração de plano de capacitação e investimentos consistentes no manejo florestal comunitário.   * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Redação do Greenpeace
Foto: ONU/Evan Schneider

Metas de desenvolvimento não podem ser revés para indígenas

[caption id="attachment_117371" align="alignleft" width="350"] Foto: ONU/Evan Schneider[/caption] Peritos disseram nessa segunda-feira que referência a indígenas não podem ficar fora do texto das novas metas; alerta foi feito após reunião em Nova York. As novas Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas não podem ser um revés para os indígenas, disse nesta segunda-feira um grupo de especialistas sobre o assunto. O pedido foi feito após reunião do Grupo de Trabalho sobre Metas de Desenvolvimento Sustentável, realizada em Nova York. O objetivo é criar um conjunto de metas a serem apresentadas à Assembleia Geral da ONU em setembro. Especialistas Segundo os especialistas em direitos humanos, povos indígenas enfrentam desafios "piores em termos de desevolvimento econômico do que setores não-indígenas da população em quase todos os países em que vivem". Mas os peritos afirmam que eles podem "contribuir de forma significativa para atingir os objetivos de desenvolvimento sustentável" por causa de seu "conhecimento tradicional de gerenciamento de recursos naturais". Rascunho O grupo notou com preocupação que todas as referências a "povos indígenas" foram apagadas do último rascunho sobre Metas de Desenvolvimento Sustentável, apesar do termo ter sido incluído em versões anteriores. Segundo os especialistas, o termo "povos indígenas" tem sido usado consistentemente na Declaração de Johanesburgo de 2012 e no documento da Rio+20 chamado "O Futuro que Queremos", além de constituições e políticas nacionais. Os peritos apelam aos países-membros da ONU no grupo de trabalho que ouçam as propostas feitas por representantes de povos indígenas neste processo. De acordo com os especialistas, "é amplamente reconhecido que os indígenas não têm recebido a atenção que merecem nos processos de desenvolvimento nacional e nos esforços para alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio". Eles disseram ainda que "as novas Metas de Desenvolvimento Sustentável apresentam uma oportunidade única de remediar estas falhas e injustiças históricas resultantes do racismo, da discriminação e da desigualdade sofridos pelos povos indígenas em todo o mundo". * Apresentação: Leda Letra. ** Publicado originalmente no site Rádio ONU.


por Laura Gelbert, da Rádio ONU
Foto: Divulgação/Internet

Fundos ambientais na Amazônia precisam melhorar governança, apontam Imazon e ICV

Todos os estados na Amazônia Legal possuem fundos ambientais ou florestais e alguns estão criando novos fundos para apoiar ações de mitigação e adaptação a mudanças climáticas. No entanto, pouco se conhece sobre o funcionamento destes fundos e sobre quais problemas devem ser evitados nos que estão sendo criados. Visando avaliar como têm sido administrados os fundos ambientais e florestais existentes na Amazônia brasileira, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e o Instituto Centro de Vida (ICV) lançaram um relatório que aponta deficiências nos onze fundos estudados, sendo a maioria deles considerada com governança fraca. A avaliação foi baseada em cinco princípios de boa governança: transparência, participação pública, coordenação, capacidade de execução e de prestação de contas para a sociedade. Imazon e ICV avaliaram fundos nos nove Estados da Amazônia Legal, que possuíam em conjunto R$ 124,9 milhões em 2012. “Selecionamos sete indicadores para avaliar a governança dos fundos e coletamos informações junto à equipe responsável nos Estados, além de dados disponíveis na internet e em relatórios de gestão, quando existentes. A partir disso, conseguimos fazer um diagnóstico da situação destes fundos em 2012. Há bastante mudanças a serem feitas para que estes fundos sejam melhor geridos e cumpram seus objetivos”, afirma Priscilla Santos, co-autora do estudo. A falta de clareza de regras de distribuição e arrecadação de recursos, além da baixa capacidade administrativa para gestão estão entre os problemas mais frequentemente encontrados. A ausência de monitoramento financeiro e de impacto da aplicação de recursos dos fundos também figura entre as falhas encontradas. Todos os fundos devem prestar contas no mínimo anualmente aos Tribunais de Contas do Estado, o que, no entanto, não estava sendo divulgado publicamente ou não ocorria. Paralelamente, alguns fundos se destacam por possuírem mecanismos em funcionamento de gestão mais participativa, como foi o caso do Fundo Estadual de Florestas no Acre; ou o Fundo do Amapá, que possuía manuais e editais bem detalhados, permitindo que vários interessados conhecessem o processo de envio de propostas para obtenção de apoio a projetos. Segundo Brenda Brito, pesquisadora do Imazon e co-autora do estudo, “os fundos ambientais estaduais podem ter um papel importante na gestão ambiental se aprimorarem sua governança. Por exemplo, podem custear estudos estratégicos de avaliação de vulnerabilidades ambientais em municípios ou apoiar projetos locais de conservação. Porém, para conseguirem captar mais recursos e usar os que já existem de forma eficaz, esses fundos precisarão ampliar a transparência de seus procedimentos e ações, viabilizar interação com sociedade civil na hora de estabelecer prioridades de apoio, alocar equipe adequada para geri-los, além de avaliar os impactos de suas ações.” Para Alice Thuault, coordenadora da Iniciativa Transparência Florestal no ICV, “os resultados deste estudo apontam lições importantes para novos fundos estaduais que estão sendo criados para apoiar ações ligadas a mudanças climáticas, sendo uma das mais importantes a necessidade de ser transparente sobre ações e regras no uso de recursos públicos.” Veja o estudo completo. * Publicado originalmente no Instituto Centro de Vida e retirado do site CarbonoBrasil.


por Instituto Centro de Vida
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Pré-COP Social pede por mudança no sistema, não no clima

A Pré-COP Social de Mudanças Climáticas, encontro que ocorreu pela primeira vez entre os dias 15 e 18 de julho na ilha caribenha de Margarita, pertencente à Venezuela, reuniu movimentos sociais e ONGs por uma maior participação da sociedade civil nos debates sobre as mudanças climáticas, mas teve um objetivo bem diferente das conferências das Nações Unidas: os participantes pediram por uma mudança no sistema político-econômico, e não no clima. O evento, promovido pela própria ONU, contou com a participação de cerca de 130 grupos ativistas da sociedade civil e especialistas. Com o tema ‘Modificar o sistema, não o clima’, a PreCOP Social buscou promover a formação de um grande movimento global que encoraje a interrupção das ações políticas e econômicas que agravam os efeitos das mudanças climáticas. A reunião também apoiou o crescimento do papel dos movimentos populares organizados na formação de um mundo multipolar e equilibrado que seja um legado para as gerações futuras, e pediu pela rejeição do conceito de crescimento verde, que encoraja um desenvolvimento através de mecanismos do mercado capitalista. Segundo alguns dos participantes, esse modelo continuará a perpetuar as desvantagens econômicas dos países em desenvolvimento. Eles também sugeriram que os países ricos deveriam focar em uma forma de transferir fundos e tecnologias sustentáveis para as nações mais pobres. O evento culminou com a apresentação da ‘Declaração de Margarita sobre as Mudanças Climáticas’, que afirma: “as causas estruturais das mudanças climáticas estão ligadas ao atual sistema capitalista hegemônico. Para combater as mudanças climáticas, é necessário mudar o sistema”. A Pré-COP Social contou com cinco mesas de trabalho em que foram discutidos os seguintes temas: impacto social das mudanças climáticas; ética climática: responsabilidades diferenciadas e capacidades respectivas; participação social na tomada de decisões; combatendo as mudanças climáticas: ação direta para a transformação; e responsabilidade norte-sul: compromissos do norte para potencializar ações no sul. Contudo, as opiniões sobre os mecanismos de mercado pró-meio ambiente parecem divididas, já que algumas ONGs declararam, por exemplo, que o REDD, que combate o desmatamento e a degradação florestal, é importante para a redução de emissões. Já outras ONGs rejeitaram a participação no encontro, afirmando que o governo venezuelano tiraria partido da reunião para fazer propaganda de seu programa político. Além disso, ativistas locais acusaram o governo de hipocrisia em relação às mudanças climáticas, alegando que, embora peça por ações climáticas mais rígidas dos países ricos, não implementa políticas climáticas em sua própria nação. “A realidade é que, longe de promover a integração de experiências dos grupos ambientais venezuelanos, tem havido ações repetidas do governo nacional contra as ONGs e seus projetos, muitas vezes complicando e mesmo impedindo suas atividades”, escreveram eles em uma declaração conjunta. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
Obras no sítio Belo Monte, em novembro de 2013

Seminário em Altamira irá debater qualidade da água de Belo Monte

O I Seminário Água, saneamento e energia: Os impactos da usina de Belo Monte no Rio Xingu irá reunir nesta quinta-feira (24) especialistas e representantes da prefeitura de Altamira (PA) para debater os impactos na qualidade da água do Rio Xingu depois que a barragem da terceira maior hidrelétrica do mundo estiver concluída. Será no auditório do campus I da Universidade Federal do Pará (UFPA), que organiza o seminário e conta com o apoio do ISA. Um dos pontos polêmicos que estão na pauta do evento diz respeito a possibilidade de o Ibama autorizar o enchimento do reservatório sem a garantia de que a qualidade da água do Rio Xingu será preservada. [caption id="attachment_117393" align="aligncenter" width="500"] Obras no sítio Belo Monte, em novembro de 2013[/caption] Atualmente, todo o esgoto da cidade é despejado no rio e a conclusão do saneamento é uma exigência do Ibama para que a Norte Energia possa receber a licença de operação e iniciar o enchimento do lago reservatório. Com metade da usina concluída, o tratamento de 100% do esgoto na cidade de Altamira é uma condição para que o rio seja barrado. Porém, não há nenhuma garantia de que as ligações domiciliares das instalações da rede de água e esgoto da cidade será feita. O desentendimento entre o consórcio Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica, a prefeitura de Altamira e a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) coloca em dúvida o compromisso de manter a qualidade da água do reservatório do Xingu. O evento é gratuito e aberto ao público. Durante a programação a população de Altamira terá a oportunidade de entender e questionar a metodologia de monitoramento da qualidade da água e suas implicações na pesca e saúde de quem vive na área impactada pela usina. Confira a programação: * Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental.


por Redação do ISA

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