Agricultor da localidade hondurenha de Alauca planta milho em seu terreno. A agricultura representa 20% do PIB em alguns países e a mudança climática pode ter efeitos nocivos sobre ela. Foto: Neil Palmer/Ciat

Ambiente

Sociedade centro-americana pede proteção para sua agricultura na COP 20


por Diego Arguedas Ortiz, da IPS

[caption id="attachment_125392" align="aligncenter" width="529"] Agricultor da localidade hondurenha de Alauca planta milho em seu terreno. A agricultura representa 20% do PIB em alguns países e a mudança climática pode ter efeitos nocivos sobre ela. Foto: Neil Palmer/Ciat[/caption]     São José, Costa Rica, 25/11/2014 – Preocupadas pelo efeito negativo da mudança climática na agricultura, na água e na segurança das comunidades, as organizações sociais da América Central exigem que seus governos deem prioridade a esses temas nas negociações climáticas da 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática. Durante os meses prévios à COP 20, a sociedade civil centro-americana se reuniu mais de uma vez para chegar a um consenso sobre sua posição em adaptação e perdas e danos. Esses são, junto com a mitigação, os pilares das negociações que acontecerão em Lima nos 12 primeiros dias de dezembro, e de onde deve sair o rascunho de um novo tratado sobre mudança climática, que deve ser assinado um ano mais tarde, na COP 21 que acontecerá em Paris. “As organizações centro-americanas que trabalham sobre justiça climática, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável procuram compartilhar informação e estabelecer uma posição comum”, disse à IPS a oficial de mudança climática do Centro Humboldt da Nicarágua, Tania Guillén. Esse consenso, em uma das regiões do mundo mais vulneráveis ao aquecimento global, servirá “para pedir aos governos que seus posicionamentos sejam semelhantes aos da sociedade civil”, explicou a representante da organização que é líder na área de pesquisa e do ativismo no tema. Esse esforço para obter um diálogo centro-americano, afirmou Guillén, “garantirá que a adaptação seja um pilar do novo acordo e haja um bom ambiente para isso”. A ativista enfatizou que o outro pilar que interessa demais à região é o de perdas e danos, com o qual se busca atender e remediar os efeitos negativos da mudança climática que já são sofridos por países centro-americanos. “Há estudos indicando que investimos 10% do PIB para nos recuperarmos do Mitch, que foi quase o ponto de partida da gestão de risco na região”, apontou Guillén, se referindo ao furacão que açoitou a América Central em 1998. Esses dois grandes eixos temáticos dominam as agências das redes centro-americanas que buscam soluções para a mudança climática, como a Aliança Centro-Americana pela Resiliência, a Concertação Regional para a Gestão do Risco e o Fórum Centro-Americano Vulnerável. Essas organizações assinaram, no dia 14, a declaração do II Encontro Centro-Americano sobre Perdas e Danos pela Mudança Climática, quando ativistas de toda a região se focaram no estresse hídrico, na segurança alimentar e nos riscos que a população enfrenta. [caption id="attachment_125393" align="aligncenter" width="529"] O agricultor costarriquenho José Alberto Chacón cultiva feijão em área em forma de degraus, para controlar as correntes de água que causam a erosão do solo de sua pequena propriedade em Pacayas, nas ladeiras do vulcão de Irazú. É uma fórmula para adaptar-se à mudança climática. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS[/caption]   Uma de suas demandas é que os sete governos da região consigam, durante a COP 20, “promover a declaração da América Central como uma região altamente vulnerável diante dos efeitos da mudança climática”. A mesma exigência partiu do V Encontro Regional América Central Vulnerável, Unida pela Vida, realizado em setembro. Uma nova reunião prévia à COP 20 acontecerá amanhã em Honduras. As demandas da sociedade civil têm como apoio diversos estudos sobre a fragilidade climática do istmo centro-americano, situado entre dois oceanos. No informe A Economia da Mudança Climática na América Central, publicado em 2012 pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) afirma que a região perderá ao menos 11% de suas precipitações até 2100. Este ano, um informe do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) confirmou a previsão. Os possíveis efeitos da mudança climática sobre a agricultura centro-americana também são devastadores. A Cepal estima que, continuando o aquecimento global no ritmo atual, o istmo centro-americano sofrerá impactos negativos em sua produção agropecuária, que provocariam uma perda de quase 19% do PIB da área. Assim, as organizações da sociedade civil exigem dos governos e do Sistema de Integração Centro-Americano (Sica) uma posição mais firme em adaptação à mudança climática. Porém, são desenvolvidos projetos para diminuir os efeitos negativos do aquecimento global na região. Na Costa Rica, o Centro Agronômico Tropical e de Pesquisa e Ensino (Catie) trabalha junto com as autoridades locais para desenvolver um plano de manejo de bacias. Uma delas é a do rio Barranca, que desemboca no Oceano Pacífico após banhar uma zona agrícola de grande importância. “Estamos desenvolvendo um plano-piloto para a bacia e damos importância especial aos cenários de variabilidade e mudança climática que podemos prever para o futuro”, pontuou à IPS a coordenadora do programa para o Catie, Laura Benegas. O mesmo centro de pesquisa desenvolve um ambicioso programa de proteção e melhoria de sementes, para garantir a segurança alimentar do país durante o século 21. A contraparte governamental das organizações sociais regionais, o Sica, é presidido atualmente por Belize, cujo governo garantiu que a mudança climática estará entre suas prioridades de gestão. Entretanto, as organizações têm dúvidas sobre como conseguirão traduzir suas posições nas estratégias de cada delegação governamental. “Tampouco há incidência da sociedade civil no posicionamento oficial que se leva porque não existem mecanismos e porque muitos setores da sociedade civil ainda demoram em dar o passo”, apontou à IPS a costarriquenha Alejandra Granados, presidente da organização CO2.cr. A América Central conta com a vantagem, com vistas à COP de Lima, de a Costa Rica presidir atualmente a Aliança Independente da América Latina e do Caribe, integrada por países de renda média que defendem uma iniciativa sobre adaptação dentro da Convenção. Guatemala e Panamá também estão no grupo, junto com Colômbia, Chile e o anfitrião Peru. Durante a Cúpula sobre o Clima, realizada dia 23 de setembro na sede das Nações Unidas em Nova York, os países centro-americanos se comprometeram a tornar ainda mais verdes suas economias. A Costa Rica confirmou seu compromisso de ser carbono neutro até 2021, a Nicarágua prometeu continuar seu investimento em energias renováveis e a Guatemala se propõe a reflorestar 3,9 milhões de hectares entre 2016 e 2020. Entretanto, a região tem pouca responsabilidade pelo aquecimento global. Enquanto China e Estados Unidos respondem por cerca de 20% cada um pelas emissões globais de gases-estufa, os seis países centro-americanos são responsáveis por apenas 0,8% dessa liberação. Por contraste, segundo o índice de risco global da organização GermanWatch, três nações da região estão entre as dez mais afetadas pela mudança climática entre 1993 e 2012. Honduras ocupa o primeiro lugar entre os mais afetados, Nicarágua o quarto e Guatemala o décimo. Além disso, El Salvador está na 13ª posição, Belize na 22ª, Costa Rica na 66ª e Panamá na 103ª. Envolverde/IPS
Detalhe da capa o livro Degrowht: A Vocabulary for a New Era.

Economia

O decrescimento busca se redefinir


por Justin Hyatt, da IPS

[caption id="attachment_125388" align="aligncenter" width="550"] Detalhe da capa o livro Degrowht: A Vocabulary for a New Era.[/caption]   Budapeste/Barcelona, 25/11/2014 – Um novo livro recoloca o decrescimento como alternativa aos defeitos do desenvolvimento sustentável, percorrendo sua história e comparando definições. Qualquer um que tenha assistido a Quarta Conferência Internacional sobre Decrescimento, na cidade alemã de Leipzig, notou rapidamente que ninguém estava fazendo uma ode ao desenvolvimento sustentável. No entanto, o desenvolvimento por si só e tudo o que traz consigo ocuparam o centro das atenções, enquanto cerca de três mil participantes e oradores debatiam sobre as tendências atuais nas áreas de ambiente, política, economia e justiça social. Como pode não ficar claro de imediato o motivo de uma multidão que promove os princípios ecológicos pedir o fim do desenvolvimento sustentável durante a conferência realizada em Leipzig em setembro, se tornam necessários alguns esclarecimentos. Os movimentos sociais evoluíram e atravessam períodos de transformação. Quando o termo “desenvolvimento sustentável” começou a ser usado, nas décadas de 1970 e 1980, apoiou a presunção de que os princípios ambientais gerais e os limites geológicos mínimos deveriam ser respeitados na hora de se abordar o desenvolvimento. O conceito de “desenvolvimento sustentável” rapidamente ganhou aceitação em grande escala. A Comissão das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável é apenas uma das muitas agências (inter)governamentais ou verticais criadas nas três últimas décadas para incluir objetivos ambientais em seus planos e suas políticas. Porém, segundo Federico Demaria, membro da organização Research & Degrowth em Barcelona, a ideia do desenvolvimento sustentável se baseia em um falso consenso. Ao se desconstruí-la, descobre-se que continua se tratando do desenvolvimento, “e é aí que se instala o problema”, explicou à IPS. “Desenvolvimento” é uma má palavra nos círculos favoráveis ao decrescimento. De uma posição estratégica do realismo econômico, o desenvolvimento está inexplicavelmente conectado ao crescimento econômico. Porém, os promotores do decrescimento creem firmemente que o crescimento econômico não cumpre o que promete: maior bem-estar humano. “Daí nos encontrarmos em um lugar no qual precisamo abordar os defeitos do desenvolvimento sustentável de uma nova perspectiva”, destacou Demaria. Foi com a esperança de fazer precisamente isso que Demaria, Giorgos Kallis e Giacomo D’Alisa escreveram o livro Degrowth: A Vocabulary for a New Era (Decrescimento: Vocabulário Para Uma Nova Era), que acaba de ser publicado pela editora Routledge. Além de aportar várias definições, o livro percorre os antecedentes históricos do movimento pelo decrescimento. Conta que nos anos 1970, quando foram publicados livros como The Limits to Growth (Os Limites Para o Crescimento), de Dennis e Donella Meadows, não se falava de outra coisa que não fossem os limites dos recursos. Agora, no que se pode considerar uma segunda etapa, saltam ao primeiro plano as críticas à ideia hegemônica do desenvolvimento sustentável. Foi Serge Latouche, antropólogo econômico, que definiu o desenvolvimento sustentável como um oximoro. O fez em A Bas Le Développement Durable! Vive a Décroissance Conviviale! (Abaixo o Desenvolvimento Sustentável. Longa Vida ao Decrescimento Amigável), em uma conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), realizada em 2002 em Paris. Latouche e outros começaram a dar forma ao movimento francês, que se autodenominou “décroissance” e depois se expandiu para outros países, chamando-se “decrescita” na Itália e “decrescimento” na Espanha. Por volta de 2010 foi cunhado o termo em inglês “degrowht”. Embora em Leipzig se tenha questionado o nome do movimento, Latouche e Demaria afirmam que a palavra “decrescimento” é a que melhor define o principal objetivo: a abolição do crescimento econômico como objetivo social. Talvez seja François Schneider, outro pioneiro desse postulado, quem tenha proporcionado a definição mais exata do decrescimento, apontando-o como “a redução equitativa da produção e do consumo que reduzirá o processamento de energia e matérias-primas das sociedades”. Segundo os autores do novo livro, o objetivo de tudo isso não é simplesmente ter uma sociedade que possa se ajeitar com menos, mas se reorganizar de maneira diferente e com uma qualidade distinta. Embora ninguém possa prever quando e como ocorrerá a transição para o decrescimento, Demaria ressaltou que já há exemplos em marcha, como o Movimento Social Bem Viver na América do Sul. Ele e outros esperam que, após a conferência de Leipzig, o ambientalismo seja repolitizado. “Quando decidirmos que não temos medo de falar sobre as plenas implicações do desenvolvimento, sejam econômicas, sociais ou políticas, começaremos a ver que é uma realidade utópica pensar que nossas sociedades podem se basear no crescimento econômico para sempre”, ressaltou Demaria. “O decrescimento, por contraste, realmente oferece o sentido mais comum de todos”, acrescentou. Envolverde/IPS
Cheia do rio Madeira, atinge a BR 364. Foto: Secom/Acre/Fotos Públicas

Ambiente

Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira: a marcha forçada sobre os territórios


por Redação do IHU On-Line

[caption id="attachment_125364" align="alignright" width="350"] Foto: www.franciscanosmapi.org.br[/caption] “O licenciamento do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira é um fio que nos leva até o processo decisório do capitalismo brasileiro, que se internacionaliza subalternamente, mas se internacionaliza”, frisa o sociólogo Luis Fernando Novoa Garzon. As cheias do rio Madeira e os impactos gerados à população de Rondônia por conta das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio recolocam o projeto neodesenvolvimentista do país em discussão e demonstram que o “Brasil funciona como uma espécie de extensão da política industrial chinesa e, por isso, cumpre a função que convém claramente a uma ordem internacional dada, a qual o BRICS procura expressar”, adverte Luis Fernando Novoa Garzon à IHU On-Line. Na entrevista a seguir, concedida por telefone, o sociólogo explica as razões que levam o governo brasileiro a investir na atual política energética baseada, essencialmente, na construção de hidrelétricas. Segundo ele, “o projeto dessas hidrelétricas era uma espécie de síntese empresarial que se escorava no governo Lula, e esse pacto empresarial se traduziria, no final, em um pacto social de mais crescimento e mais emprego em troca de territórios livres de impedimentos. Ocorre que nesses territórios estão os rios, os minérios, o petróleo”. Para ele, a política brasileira está “não só entregando recursos que podemos utilizar de formas diferenciadas de acordo com os padrões tecnológicos que adquirimos, mas perdendo lotes e blocos inteiros por décadas; essa é a grande questão”. Garzon esclarece ainda que “todos os instrumentos governamentais e internacionais, aos quais o governo brasileiro vem se submetendo, impõem essa marcha forçada sobre os territórios em processo de acumulação por espoliação”. Contudo, adverte, o discurso político se apropriou do conceito de sustentabilidade, e enfatiza a geração de novos empregos por conta dos empreendimentos, levando a um processo de “despolitização” de parte da população atingida. “Por isso, a população perde a referência de longo prazo, referência dos interesses que estão em jogo. Um governo oriundo das lutas populares como o PT, deveria, no mínimo, colocar o tema em discussão para que pudéssemos debater”, frisa. Luis Fernando Novoa Garzon é graduado em Ciências Sociais e mestre em Ciências Políticas pela Universidade de Campinas - Unicamp. Atualmente é professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Rondônia - UNIR. É membro da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais. Confira a entrevista. IHU On-Line - Que relações estabelece entre a cheia histórica de 2014 no rio Madeira e as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau? Luis Fernando Novoa Garzon – As cheias do Madeira foram uma espécie de “fresta”, de grande fissura em um modelo de apropriação acelerada dos rios Amazônicos como fontes de geração energética monopolisticamente definidas. No Brasil se trata a Amazônia como o planeta das águas, por conta da sua grande capacidade de reservar e de disponibilizar água, mas, por trás desse discurso, se permitem expansões desordenadas das fronteiras econômicas, de acordo com a disponibilidade da região. A fronteira mineral, por exemplo, prosseguiu e radicaliza a sua marcha territórios adentro em toda Amazônia, e o mesmo se repete com a fronteira elétrica. O que é mais cínico nessa construção é que a Amazônia já tinha passado por um ciclo que foi considerado desastroso nacional e internacionalmente. Depois disso, era possível imaginar que nós, brasileiros democratas, não permitiríamos que crimes e atrocidades iguais aos da ditadura e crimes ambientais pudessem se repetir. Mas o Madeira mostra que se repetiu a atrocidade. O mesmo método da ditadura militar é reproduzido agora em um discurso democrático e participativo e produz os mesmos efeitos desastrosos sobre os mesmos segmentos. A solução final é recriada em constante e eterno retorno. As soluções finais são recriadas, especialmente num país que quer se especializar em apropriação e processamento de recursos naturais. Modelo neodesenvolvimentista Há um financiamento em todos os níveis, em todas as esferas, ou seja, uma política deliberada sobre os desastres do neodesenvolvimentismo, independente de qual segmento político e de que alianças intercapitalistas e interempresariais esse segmento faria. O modelo neodesenvolvimentista é um modelo matricial que nos foi dado por uma trajetória de acoplamento, que vem a partir dos anos 1990 do mercado internacional de forma passiva, seja no arranjo mais hemisférico em um determinado período, isto é, norte-americano, seja em um processo mais planetário, mais subalternizado, com ramificações na América do Sul, África e Brasil. Nesse sentido, o Brasil funciona como uma espécie de extensão da política industrial chinesa e, por isso, cumpre a função que convém claramente a uma ordem internacional dada, a qual o BRICS procura expressar. Ou seja, trata-se de uma ordem em que o Brasil é um espelho. Esse é o modelo chinês, que a China contrapõe ao velho imperialismo norte-americano, que vem sofrendo reveses nos últimos decênios da decadência europeia. É muito triste ver o Brasil ser jogado de um lado para outro. É lamentável ver exatamente o fracasso de um Brasil que poderia ter sido. Então, em horas de desastres, como das cheias deste ano, temos de apontar esse modelo ao invés de fazer de conta que ele não existe, como tentam demonstrar os acordos internos. Que acordos são esses que impedem que se verifique com isenção e rigor aquilo que produziu enormes e irreversíveis danos a regiões consideradas, no discurso, regiões estratégicas de interesse nacional, de grande valia, de diversidade, de preservação? IHU On-Line – Importante essa contextualização. Mas é possível afirmar que o complexo hidrelétrico teve alguma influência direta nas cheias por conta de alguma influência ambiental? Luis Fernando Novoa Garzon – Essa contextualização que faço é para demonstrar que os estudos feitos para que fossem aprovados os empreendimentos do Madeira partiam de um planejamento econômico stricto sensu, o qual o governo Lula precisava demonstrar para os investidores — muito hábeis em investir em infraestrutura. Isso porque a infraestrutura é a pauta geral, ou seja, todas as frações do capital têm interesse em infraestrutura, porque ela é o “tiro de largada” que permite a construção de estradas, portos, aeroportos, ferrovias, hidrelétricas. Assim, o território brasileiro fica à disposição das apostas daqueles que estão nesse mercado e querem ocupar novas fronteiras no setor de matéria-prima. Infelizmente, o Brasil é especializado em produtos primários, em converter biomas em elementos sintetizáveis e convertidos em mercadoria, em converter comunidades. As hidrelétricas do Madeira foram uma espécie de sacrifício, porque há tempo estamos tentando demonstrar como é falsa a tentativa de construir as hidrelétricas, porque os estudos técnicos não resistiam a uma avaliação minimamente rigorosa. Internacionalização O projeto dessas hidrelétricas era uma espécie de síntese empresarial que se escorava no governo Lula, e esse pacto empresarial se traduziria, no final, em um pacto social de mais crescimento e mais emprego em troca de territórios livres de impedimentos. Ocorre que nesses territórios estão os rios, os minérios, o petróleo. Ou seja, nós estamos não só entregando recursos que podemos utilizar de formas diferenciadas de acordo com os padrões tecnológicos que adquirimos, mas estamos perdendo lotes e blocos inteiros por décadas; essa é a grande questão. O licenciamento do Madeira é um fio que nos leva até o processo decisório do capitalismo brasileiro que se internacionaliza subalternamente, mas se internacionaliza. Quem está em Jirau? A Suez, uma multinacional francesa, e a Odebrecht, a maior multinacional brasileira. Portanto, o Complexo do Madeira demonstra o desastre social, ambiental e financeiro de um pacto econômico político que ruiu e certamente está se repactuando. A questão é que no final das contas quem paga pelos custos e pelos ajustes desses pactos que são feitos e refeitos é a população, que foi desconsiderada desde o início do projeto. Ou seja, nós não temos os seguros que os senhores investidores do projeto têm. As populações que viviam em volta do Rio Madeira, no Brasil e na Bolívia, estão tendo de reconstruir suas vidas de uma forma absolutamente radical: elas têm de conviver em áreas urbanas com suas famílias, em situação de absoluta vulnerabilidade, para usar um termo aceitável. IHU On-Line - Como o senhor avalia a reeleição da presidente Dilma tendo em vista tais projetos hidrelétricos? Luis Fernando Novoa Garzon – As hidrelétricas estão sendo construídas num contexto de despolitização e de apropriação capitalista em bloco. Nas audiências públicas, representantes do governo diziam que as usinas eram sinônimo de empregos. Por isso, a população perde a referência de longo prazo, referência dos interesses que estão em jogo. Um governo oriundo das lutas populares como o PT, deveria, no mínimo, colocar o tema em discussão para que pudéssemos debater. Então, o governo da presidente Dilma demonstra um enorme desejo de manter o sacrifício inicial feito pelo primeiro governo Lula, de estabelecer esse pacto neoliberal existente, que estava entrando em crise no final do governo de Fernando Henrique, em troca de ter maior margem para ampliar políticas sociais. Foi feita uma combinação que foi eficiente enquanto durou o ciclo de commodities. IHU On-Line - O secretário geral da presidência, Gilberto Carvalho, deu uma declaração pós-eleições dizendo que o governo não vai abrir mão do complexo hidrelétrico do Tapajós. Como vê essas declarações? Luis Fernando Garzon – É triste. O Banco do BRICS coloca a infraestrutura como prioridade de seus investimentos e aportes. O Brasil também colocou o BNDES como suporte prioritário de seus programas de infraestrutura: o PAC3 e o programa integrado de logística. Então, todos os instrumentos governamentais e internacionais, aos quais o governo brasileiro vem se submetendo, impõem essa marcha forçada sobre os territórios em processo de acumulação por espoliação. O Brasil virou especialista nisso. IHU On-Line - O projeto energético brasileiro está diretamente ligado ao BRICS, ou seja, é uma condição do BRICS? Luis Fernando Novoa Garzon – É uma condição da China, primeiramente. Quando falamos BRICS, estamos diante do único país capaz de se contrapor à potência hegemônica dos Estados Unidos. Então, é como se nós estivéssemos no vazio da primazia norte-americana no final dos anos 1990 na região. Em Porto Velho estamos vivendo uma grande sobra: o que fazer com os 40 mil homens que vieram construir as usinas? Não se pensa nas consequências, é como se injetasse fatores de desorganização social e territorial e deixasse que esses fatores aumentassem. No final, se repete a história da colonização de Rondônia: despejaram imigrantes do Centro-Sul em Rondônia e deixaram que a região se tornasse o estado que mais devastou a floresta Amazônica na história e, por isso, hoje lidera o ranking de queimadas. Nesse sentido, o Complexo do Rio Madeira reitera essa história trágica de ocupação de fronteiras com um discurso de participação e de sustentabilidade. IHU On-Line – É possível estimar quantas pessoas foram prejudicadas por causa das cheias deste ano? Luis Fernando Novoa Garzon – Nós fizemos uma contabilidade que apontou, em Rondônia, mais de 50 mil pessoas afetadas. Nem todas foram afetadas pela água, mas pelo isolamento, e não tiveram condições de permanecer no local. A defesa civil fez um cálculo muito restrito e uma matemática muito medíocre. Em Rondônia as cheias atingiram três regiões do estado, a fronteira com a Bolívia e a região de Porto Velho. Então, a Defesa Civil cumpriu com esse papel vergonhoso de converter os afetados em desabrigados. Aquele que é afetado pelo modelo econômico vira, nas mãos do Estado, agora um desabrigado, objeto de atenção e de ajuda humanitária. De imediato, foram retiradas três mil famílias, as quais são reconhecidas oficialmente pelos estudos, mas há um cálculo que se multiplica, apontando pessoas que não foram contabilizadas. Por isso, nossa avaliação é de que em torno de 10 mil pessoas foram impactadas diretamente pelas hidrelétricas, e as cheias multiplicaram esse número para 50 mil. Isso significa que boa parte dessa segunda contabilidade tem a ver com a primeira, e que justamente os que já foram inicialmente afetados pelas hidrelétricas, foram novamente afetados. E aqueles que estavam sob restrição, sob diminuição de suas atividades produtivas relacionadas ao rio, não são reconhecidos como atingidos. Implicações ambientais Estão barrando um enorme rio, que tem múltiplas vinculações com outros biomas, com culturas, com cidades, e esse barramento não é calculado nesses termos integrais. Calcula-se apenas aquilo que pode ser o dano mais agudo, que tem de ser sanado e tratado da forma como a defesa civil tratou, por exemplo. Então isso despolitiza as pessoas. Tudo isso indica que existe um modelo de incorporação rápida da Amazônia, o qual tem a ver com a posição do Brasil em relação ao desenvolvimento. Por isso rediscutir a Amazônia é discutir a ponta do sistema que o Brasil adotou. Estamos diante de um processo que procura tornar invisíveis os laços de poder: os fios de decisão se tornam invisíveis e com isso fica muito simples inviabilizar aqueles atores coletivos que tinham saber sobre seu território e que poderiam transmitir o conhecimento tradicional. Mas a ciência brasileira também chancelou esse modelo. IHU On-Line - Quais são as evidências de que há elevados níveis de assoreamento no rio Madeira e que isso pode resultar em uma cheia de proporções similares no próximo ano? Luis Fernando Novoa Garzon – Essa situação é preocupante em relação aos próximos anos. Já nos indicaram que existe assoreamento no rio. Estudos foram realizados, mas ainda não foram divulgados. Os movimentos sociais de Rondônia e a academia independente dos laboratórios dos pesquisadores fazem uma reivindicação para que estudos sejam feitos e divulgados. De todo modo, não se trata de discutir centímetros ou metros e taxas máximas de recorrência ou taxas mínimas de recorrência. Trata-se de tentar entender que há um saber acumulado, chamado “saber tradicional por convenção”, que percebeu uma mudança na dinâmica das cheias. Mas isso não deve ser de interesse dos senhores engenheiros, da Empresa Brasileira de Pesquisa Energética, do Ministério de Minas de Energia, que têm interesses mais urgentes, como estamos vendo nas recentes investigações policiais. Então, discutir planejamento territorial de forma democrática com um grupo que tem práticas similares a grupos de crime organizado é muito difícil. Nós lidamos com Camargo Corrêa de um lado e Odebrecht do outro. Então, dá para se ter uma ideia do que vai acontecer. * Publicado originalmente no site IHU On-Line.
Paisagem - Marajoara

Ambiente

Regularização fundiária e implantação do Manejo Florestal avançam em Portel/PA


por Sávio de Tarso, da Envolverde

[caption id="attachment_125309" align="aligncenter" width="550"] Paisagem - Marajoara[/caption]   MPE-PA articula audiência com apoio do IEB e realiza encontro entre comunitários e órgãos estaduais para buscar soluções. Uma nova etapa no desenvolvimento da economia agroextrativista sustentável do município paraense de Portel começou na última semana de setembro. Um grupo de comunitários foi recebido pela promotora Eliane Moreira, do Ministério Público Estadual (MPE-PA), em audiência que teve o propósito de dar continuidade ao inquérito civil sobre os conflitos fundiários nas glebas Acangatá, Alto Camarapi, Joana Peres II, Jacaré-Puru e Acuti Pereira – processo do qual já participaram 524 pessoas. Na audiência, cerca de 50 comunitários expuseram a situação das famílias de Portel e apresentaram uma série de reivindicações – que demandam soluções urgentes – relacionadas à precariedade da situação agrária e ambiental na região. Articulada pelo MPE-PA com o apoio do IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil, a audiência teve como resultado concreto o agendamento de uma série de atividades destinadas a criar um Plano de Ação que, depois de validado, vai compor um Termo de Compromisso entre as organizações envolvidas na implementação do Manejo Florestal Familiar e Comunitário no município. Participaram desse arranjo representantes do Iterpa – Instituto de Terras do Pará, do Ideflor – Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará, e da Sema – Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Representantes das associações agroextrativistas das cinco glebas, os comunitários apresentaram extensa pauta de queixas e reivindicações: ausência do Estado em Portel, apropriação de terras por grileiros, ameaças de madeireiros ilegais, lentidão e falta de informações para a implantação do Projeto de Assentamento Estadual Agroextrativista (Peaex), e principalmente o moroso processo de regularização fundiária. A presidente do Sindicado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Portel, Gracionice Correia, apontou como prioridade “a necessidade de regularização das terras destinadas para as comunidades” para avançar com os Peaex. A situação fundiária passou a ter um reordenamento a partir de 30 de outubro de 2012, quando o governo do Pará editou o decreto 579, que destinou para uso sustentável das comunidades tradicionais de Portel 250 mil hectares de terra em cinco glebas – antes consideradas devolutas porque eram de jurisdição do Estado, mas não tinham sido arrecadadas. Apesar dessa evolução institucional, nesse território ainda operam empresas amparadas por contratos celebrados com base na Lei Federal de 2006, que autorizou a exploração de florestas públicas, mediante pagamento ao Estado, desde que tivessem um plano de manejo a ser executado num período transitório. São os chamados “contratos de transição”. ”Era para esses contratos serem implementados em dois anos, a partir de 2006, mas foram aditivados pelas empresas em procedimentos formais, solicitando a extensão do prazo” – conta Manuel Amaral, coordenador do escritório regional Belém do IEB. “Só há dois anos, fundamentados por um dispositivo legal conjunto do Instituto Florestal com a Secretaria de Meio Ambiente, os órgaõs de fomento, controle e fiscalização passaram a negar novos prazos.” [caption id="attachment_125310" align="aligncenter" width="550"] Promotora Eliane Moreira[/caption]   “Portel é a região de maior concentração desses contratos de transição, que são cerca de 35 no Estado, e por conta disso passou a ser uma área prioritária de atuação do Ideflor, no sentido de apoiar as comunidades tradicionais” – explica Daniel Francês, técnico do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará. Já em 2011 foi realizado um diagnóstico rural participativo, que identificou as demandas das populações locais. “O decreto de 2012, assinado pelo governador, destinou essas terras para uso apenas das comunidades em quatro modalidades: caça e pesca de subsistência; extrativismo vegetal; manejo florestal comunitário e familiar; e agricultura de subsistência de transição agroecológica.” Pistolagem Mesmo depois do decreto, a atividade das empresas prossegue, alimentando conflitos na região. “É um conflito muito grande porque elas ocupam o solo, ocupam a terra de uma determinada forma para se instalarem, mas o que elas querem é só tirar a riqueza que existe, a matéria-prima, a madeira” – afirma Gracionice. “As empresas acabam levando tudo; não fica nada dentro das áreas, até o solo torna-se impróprio para produção agrícola.” O próprio Ministério Público Estadual mencionou dados do Imazon – Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, que identificou um aumento de 17% na exploração madeireira não autorizada em Portel, no período de agosto de 2011 a julho de 2012. A violência é outra consequência desse avanço da extração ilegal. “Eu vivo numa lista de pessoas ameaçadas dentro dessas áreas” – denunciou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. “Nós temos muitos companheiros que foram expulsos das áreas, já sofreram muita ameaça, e até mortes de comunitários ribeirinhos.” Além de ser “muito frequente essa questão de pistolagem”, segundo ela, “estão forçando a população a assinar um termo de acordo desistindo de uma ação civil pública” já em andamento, visando a recuperação do direito de posse das famílias desalojadas por grileiros. Os conflitos se potencializam também nos pedidos de regularização fundiária que chegam ao Iterpa – Instituto de Terras do Pará. O representante do Instituto na reunião com os comunitários, Max Ney, informou que foram identificados 79 processos solicitando a regularização, mas ressalvou que “boa parte desses pedidos é feita em termos de especulação”. A promotora Eliane Moreira, que conduziu a reunião entre os órgãos governamentais e os comunitários, advertiu que o Iterpa deve “arquivar pedidos que não se destinam ao uso comunitário” como determina o decreto, porque “qualquer regularização sem essa finalidade é ilegal e alimenta o conflito”. Durante a primeira parte da reunião, foram prontamente resolvidas dificuldades de ordem burocrática, como a formalização de ofício com os termos apropriados para a regularização das glebas, relativamente à modalidade de uso da terra que interessa aos fundiários. O requerimento de criação do Peaex na gleba Alto Camarapi é o único que havia sido apresentado ao Iterpa, em dezembro de 2013. Mas não caminhou no Instituto porque tinha erros. Devidamente redigido e encaminhado pelo Sindicato, foi mais tarde entregue diretamente ao presidente do Iterpa, Alberto Lamarão, que depois participou da reunião com os comunitários. Ele se comprometeu a cumprir prazos curtos para fazer o processo avançar aceleradamente. [caption id="attachment_125311" align="aligncenter" width="550"] Auditório do Ministério Público Estadual do Pará[/caption]   Além do compromisso de cobrar o cumprimento desses prazos, a promotora informou que foram estabelecidos mecanismos para “verificação das pessoas que estão utilizando essas áreas, ou se fazendo passar por proprietários, sem ter a documentação da terra”. Um importante resultado do encontro, segundo ela, é que “vai se iniciar – por parte da Sema, do Ideflor e do Iterpa – um pente fino na situação jurídica para clarificar as situações e dar estabilidade para as comunidades”. “É absolutamente necessário que os órgãos de controle e fiscalização ambiental, especialmente da atividade florestal, estabeleçam um plano de retirada das empresas, mediante acordo ou instrumento que venha a ser estabelecido” – disse Manuel Amaral, ao destacar a importância de “passar uma régua nos acordos que foram firmados antes do decreto de arrecadação dessas glebas pelo Estado e destinação para uso comunitário”. O estabelecimento desse novo patamar não significa, necessariamente, a exclusão integral das empresas que atuam na indústria florestal. “Mas dentro de uma relação justa com a comunidade legalmente detentora dos direitos de exploração florestal” – ressalva Daniel Francês. “Até hoje não tem nada que normatize isso. A gente, na verdade, quer evitar a situação de a comunidade ser utilizada como fachada para a empresa continuar atuando. A comunidade pode até outorgar à empresa a exploração toda, mas ela tem que ter o domínio, o controle do processo todo, entender a cadeia produtiva, saber quanto vale uma árvore em pé, quanto vale uma tora de madeira, pra que ela não aceite mais R$ 10 por uma árvore em pé, quando ela desdobrada custa R$ 3 mil o metro cúbico. É o que infelizmente acontece hoje.”  Manejo é a chave A estabilização institucional que se espera a partir da regularização fundiária e ambiental não vai encontrar os comunitários despreparados para a implantação do Manejo Florestal Comunitário nas quatro glebas de Portel. De dois anos para cá, as organizações parceiras – entre elas o IEB em convênio com o Ideflor – trataram de “capacitar as comunidades para as ações de gestão, inventário florestal, e todas as etapas relacionadas à implementação do plano de manejo”, segundo Amaral. Daniel Francês acrescenta que em 2013, em parceria com a Prefeitura de Portel e o Iterpa, o Ideflor “apoiou outras iniciativas no município: o cadastramento das famílias, feito em convênio com o sindicato – que coordenou esse trabalho –, e a elaboração dos planos de uso da terra”. Além disso, “nas áreas já alteradas, a ideia é apoiar essas comunidades para trabalhar outra perspectiva de agricultura, abandonando o convencional uso do fogo, que degrada o ambiente”. O técnico em gestão florestal disse ainda que “o Ideflor tem um projeto de implantação de sistemas agroflorestais, também com viveiros de mudas”. A presidente do Sindicato, Gracionice Correia, incluiu a aprovação e licenciamento dos planos de manejo elaborados pelas comunidades ribeirinhas entre as pautas emergenciais de reivindicações.  “Nós não queremos mais ser lesados nos nossos direitos, nas nossas riquezas, que só as grandes empresas levam e a população acaba olhando passar a riqueza e fica sem nada” – protestou. Para Manuel Amaral, são emblemáticos os passos que estão sendo dados em Portel para a regularização fundiária e a implantação do Manejo Florestal Comunitário e Familiar.  “Cabe uma mudança de cultura para a Amazônia, na qual as empresas e a sociedade em geral passem a olhar os recursos naturais como aquilo que a floresta pode oferecer de forma sustentável, agregando mais valor ao produto no mercado” – explicou. “Essa mudança ocorre a partir do momento em que você faz a ruptura da oferta em abundância, que hoje é ilegal, e muitas vezes imoral, para oferecer produtos legalizados mediante plano de manejo e com outra diferenciação, por exemplo, de apelo comercial – que é a manutenção da floresta em pé, algo que está embutido na estratégia desenvolvida junto às comunidades de Portel.” [caption id="attachment_125312" align="aligncenter" width="550"] Coordenador do escritório regional Belém do IEB, Manuel Amaral.[/caption]   Encaminhamentos O diretor geral Thiago Novaes esclareceu que não cabe ao Ideflor atuar diretamente na regularização fundiária. “Apenas para facilitar o processo de regularização fundiária, foram encaminhados ao Iterpa os elementos técnicos que produzimos: memorial descritivo, relatório de georreferenciamento da área, alguns pontos estratégicos, o cadastramento das comunidades que nós fizemos no Diagnóstico Participativo, uma espécie de Censo que tem muita informação qualitativa em relação ao uso da terra por eles, o número de famílias, as atividades que praticam” – explicou. “Nós elaboramos também, com participação dos comunitários, um plano de uso local que estabeleceu todas as zonas e as atividades que podem ser praticadas nas glebas. Foi solicitado ao Iterpa o reconhecimento desse plano de uso, para agilizar o processo de regularização de forma técnica. Esse é um documento exigido no processo.” [caption id="attachment_125313" align="aligncenter" width="550"] Secretária adjunta da Sema, Hildemberg Cruz; Thiago Novaes, diretor do Ideflor; e Promotora Eliane Moreira.[/caption]   Três semanas depois da reunião no MPE, o secretário-adjunto do Meio Ambiente, Hildemberg da Silva Cruz, informou que não existe nenhum processo de licenciamento ambiental identificado no levantamento que a promotora Eliane Moreira solicitou. A Sema identificou 25 registros provisórios no CAR – Cadastro Ambiental Rural: “Dezessete declararam no CAR que têm posse, mas não têm documento de título, de matrícula. Nesse caso, em tese já é passível de cancelamento, porque ali é uma terra pública. A única coisa que poderia não cancelar o cadastro, é se ele tivesse matrícula, então tem que verificar se existe título para aquela matrícula. Os outros oito têm matrícula declarada”. Toda a documentação dos cadastros foi encaminhada ao Iterpa, para verificação de regularidade. Outra solicitação do MPE foi a apresentação de toda a documentação referente aos contratos de transição eventualmente existentes em Portel, incluindo cópia do mandado de segurança que obrigou a Sema a autorizar contratos mesmo depois do período transitório de dois anos previsto na Lei Federal de 2006. “Nós juntamos essa documentação porque o MPE quer entrar com ação civil contra essas empresas que estão lá” – disse Hildemberg Cruz. Novaes, do Ideflor, confirmou que “desde o início de 2013 não houve nenhum contrato de transição novo, nada foi assinado. Encerrou-se no dia 27 de setembro a vigência do último contrato. Agora estamos na fase burocrática de verificar se existe alguma pendência no relatório técnico, alguma inadimplência. Se houver, vamos tomar as medidas administrativas cabíveis; se não houver, formalizar e publicar a finalização dos contratos”. Foi suspenso também, atendendo à recomendação do MPE, o processo de licenciamento prévio do plano de manejo encaminhado pela Assintex – uma associação de comunidades sediada em Portel. “Nós encaminhamos uma cópia integral do processo para a promotora” — acrescentou Hildemberg Cruz. “Naquela área só tem esse pedido de comunidades. Os outros processos são de empresas, aqueles que têm decisão judicial.” O secretário-adjunto disse acreditar que “essa atuação do MP, além de pedir a regularização pelo Iterpa, permite ao Ideflor finalizar a questão do ordenamento de gestão, e por parte da Sema encaminhar o licenciamento – tudo isso vai permitir que os órgãos estaduais consigam efetivar aquela área para uso das comunidades”. É com essa perspectiva que trabalha o Ideflor. “Nosso passo adiante é a elaboração do plano de manejo, apoiando tecnicamente, subsidiando as comunidades” – disse Thiago Novaes.


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Corredor do terceiro andar do prédio principal do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), construído em 2010 na Ilha da Cidade Universitária. Ao lado, miniatura de plataforma marítima de extração petroleira. Foto: Mario Osava/IPS

Petróleo salgado impulsiona desenvolvimento tecnológico no Brasil

[caption id="attachment_125334" align="aligncenter" width="529"] Corredor do terceiro andar do prédio principal do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), construído em 2010 na Ilha da Cidade Universitária. Ao lado, miniatura de plataforma marítima de extração petroleira. Foto: Mario Osava/IPS[/caption]   Rio de Janeiro, Brasil, 24/11/2014 – O petróleo de águas marítimas profundas, o mais abundante no Brasil, impõe custos que geram benefícios. Sua extração incentiva o desenvolvimento tecnológico e industrial, exigindo equipamentos e técnicas de produção cada dia mais complexos. Um desafio é a água que acompanha o petróleo, cuja proporção cresce com a idade do poço, tirando sua produtividade, ao ocupar uma parte cada dia maior da capacidade de transporte e processamento das instalações produtivas. “Há dois anos temos um separador de água e petróleo que opera a dois mil metros de profundidade. Essa água, com o tempo, pode chegar a 80% do volume extraído, por isso é necessário separá-la no fundo para não sobrecarregar a plataforma”, explicou Oscar Chamberlain, gerente na área de abastecimento e bicombustíveis do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes). O Rio de Janeiro se transformou em um polo de conhecimento e inovações em petróleo oceânico, graças a este centro, que conta com 227 laboratórios e mais de oito mil equipamentos, e um parque tecnológico onde já se instalaram 52 instituições, incluindo 12 grandes grupos transnacionais. A Ilha da Cidade Universitária, mais conhecida como Fundão, é o epicentro dessa transformação. Trata-se do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), perto do aeroporto internacional da cidade, conhecida mundialmente por suas praias e seu carnaval. Para tudo isso contribuiu decisivamente a descoberta pela Petrobras, a partir de 2006, de grandes reservas localizadas mais de cinco mil metros abaixo da superfície do Oceano Atlântico e sob uma camada de dois mil metros de sal, ampliando a riqueza e os desafios petroleiros do Brasil. Essas reservas, conhecidas como pré-sal, estão a pelo menos 250 quilômetros da costa do sudeste do país, o que apresenta especiais dificuldades logísticas. “Já não há barreiras tecnológicas para a produção de petróleo na camada pré-sal. Foram superados todos os desafios identificados, relacionados com distância, profundidade e complexidade em razão da camada de sal e reservas constituídas de carbonatos”, explicou à IPS o gerente-geral de Engenharia de Poços da Petrobras, Luis Felipe Rego. Isso permite que, apenas oito anos após sua descoberta, o pré-sal forneça 23% da produção da Petrobras no Brasil, que em outubro alcançou a média diária de 2,58 milhões de barris de petróleo equivalentes, incluindo gás natural. Mas a batalha permanente para baixar custos impulsiona a fazer todo o possível no fundo, com sistemas submarinos que exigem eletrificação, robôs e serviços de manutenção remota, em um ambiente corrosivo, de temperaturas muito variáveis e de alta pressão, destacou Chamberlain, um nicaraguense que está há 30 anos na empresa. A corrosão é uma ameaça em todo o processo, até a refinaria onde o petróleo pode danificar equipamentos se antes não for retirado o excesso de sal. O Cenpes foi fundado em 1963, quando a Petrobras, estatal criada para procurar hidrocarbonos e reduzir as importações das quais o Brasil dependia, completava dez anos. Hoje executa 862 projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) a cargo de seus 1.930 funcionários, 36% deles com doutorado e mestrado. “O trabalho desse pessoal fez da Petrobras a empresa brasileira que mais registra patentes no Brasil e no exterior. Só em 2013, foram 56 novas solicitações”, disse à IPS o gerente-executivo do Cenpes, André Cordeiro. O investimento da Petrobras em P&D, administrado pelo Cenpes, aumentou 7,8 vezes durante este século. Sua média anual foi de US$ 160 milhões no triênio 2001-2003, e saltou para US$ 1,243 bilhão nos três últimos anos, com efeitos disseminadores. “Contamos atualmente com a colaboração de 122 universidades e institutos de pesquisa brasileiros, organizados em 49 redes temáticas, um modelo que incentivou as associações entre a Petrobras e o meio acadêmico em temas estratégicos da área de petróleo e gás”, explicou Cordeiro. [caption id="attachment_125335" align="aligncenter" width="540"] Edifício circular, com laboratórios e escritórios do Cenpes, instalado em 1973 na Ilha da Cidade Universitária. Ao fundo o Complexo de Favelas da Maré e a Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. BR é o símbolo da Petrobras, da qual o Cenpes é o braço de pesquisa e desenvolvimento. Foto: Mario Osava/IPS[/caption]   A colaboração mais estreita se intensifica há 46 anos com o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisas em Engenharia (Coppe) da UFRJ, que também funciona como incubadora de empresas de base tecnológica. Por exemplo, a Ambidados, que surgiu nesse âmbito em 2006, oferece dados e análises ambientais às petroleiras. Com apenas 11 funcionários em sua sede no Parque Tecnológico da UFRJ, criou suas próprias boias e aparelhos para monitorar ventos, marés, correntes marítimas e chuvas que afetam operações oceânicas. “Também estudamos o relevo do fundo do mar, a temperatura da água em diferentes profundidades, sua salinidade e quantidade de algas”, informou à IPS o oceanógrafo Leonardo Kuniyoshi. Compõem o Parque Tecnológico atual outras 31 pequenas e médias empresas, sete laboratórios e centros de P&D de líderes mundiais de serviços e equipamentos petroleiros, como as transnacionais Schlumberger, FMC Technologies e Halliburton, que acaba de adquirir a Baker Hughes, outra gigante do setor também presente na Ilha Universitária. A norte-americana e diversificada GE inaugurou seu novo Centro de Pesquisas Global no parque no dia 13 deste mês, unindo-se a outras transnacionais alheias ao petróleo, como a indústria de cosméticos L’Oreal e a cervejaria Ambev. “É fascinante essa convivência entre indústrias distintas. A conjunção de conhecimentos variados constitui a riqueza do Parque Tecnológico que gerará inovações”, afirmou seu diretor, Mauricio Guedes. Isso também requer “juntar empresas e universidade em um só ambiente, para gerar conhecimentos que resultem em produtos e serviços, porque sem negócios a tecnologia e o conhecimento se perdem”, acrescentou. A área está planejada para receber 200 empresas em seus 350 mil metros quadrados na ponta sudeste da Ilha que pertence à UFRJ. A área era inundável e precisou ser aterrada antes da inauguração do Parque em 2003. Cem mil caminhões de terra e entulho em quatro anos elevaram o solo em dois metros, explicou Guedes. A atração de grandes atores internacionais, como o Grupo BG (antes British Gas) ou a alemã Siemens, decolou de fato após a comprovação de que o pré-sal pode colocar o Brasil entre os grandes produtores e exportadores de hidrocarbonos. A lista compreende empresas de tecnologia da informação que não se limitam a serviços ao setor petroleiro. É o caso da EMC2, que instalou no parque da UFRJ “o primeiro centro de pesquisa fora dos Estados Unidos”, segundo Karin Breitman, sua cientista-chefe local. O futuro do Parque Tecnológico e a pesquisa associada a hidrocarbonos tem seu futuro assegurado no Brasil. Os contratos para explorar jazidas de petróleo exigem que as concessionárias apliquem 1% de seu lucro em P&D. Isso representa cerca de US$ 12 bilhões nos próximos dez anos. “O binômio de desafios tecnológicos e recursos para enfrentá-los promete êxitos”, afirmou Guedes. Além de maior produtividade petroleira, essas pesquisas contribuem para o desenvolvimento de outros setores, com conhecimentos oceanográficos, ambientais e tecnologias de uso múltiplo, acrescentou Guedes. Um exemplo é a câmara hiperbárica, de pressão interna controlada em águas profundas, usada para gerar eletricidade a partir das ondas do mar, em uma central desenvolvida pela Coppe. Novos materiais, novas matérias-primas e soluções energéticas surgirão do fundo do mar, ressaltou. Envolverde/IPS


por Mario Osava, da IPS
Especialistas latino-americanos em transparência e dados abertos participam de um debate durante o Encontro Regional das Américas da Aliança para o Governo Aberto, realizado na capital da Costa Rica. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS

Desigualdade latino-americana: para sanar é preciso transparência… e algo mais

[caption id="attachment_125326" align="aligncenter" width="529"] Especialistas latino-americanos em transparência e dados abertos participam de um debate durante o Encontro Regional das Américas da Aliança para o Governo Aberto, realizado na capital da Costa Rica. Foto: Diego Arguedas Ortiz/IPS[/caption]   São José, Costa Rica, 24/11/2014 – A transparência política e os dados abertos como uma política pública precisam de um ingrediente ativo para conseguir uma mudança social que modere a desigualdade na América Latina: a participação da sociedade civil, segundo especialistas regionais consultados pela IPS. Esse é o elo entre os dados abertos e a transformação da sociedade que democratiza o acesso a direitos e oportunidades, disseram ativistas e representantes governamentais que trabalham para democratizar o acesso à informação e aos processos públicos na região. Durante o Encontro Regional das Américas da Aliança para o Governo Aberto, realizado nos dias 18 e 19, em São José, capital da Costa Rica, especialistas em transparência insistiram em uma ideia uma e outra vez: somente a sociedade civil empoderada poderá transformar a informação pura em uma democracia melhor. “Apenas abrir um dado nunca mudou a realidade de ninguém, nem reduziu a brecha da desigualdade. Somente abrir um dado por si só não faz isso. Milagres não existem”, ressaltou à IPS o coordenador da Iniciativa Latino-Americana de Dados Abertos, Fabrizio Scrollini. O que acontece, afirmou, “é que com determinada política existe um conjunto de ações paralelas que podem ser grandes facilitadoras desses processos de empoderamento” das sociedades regionais. Scrollini insistiu em afirmar que a integração da cidadania permite converter um simples avanço tecnológico, como uma plataforma ou um site de informação estatal, em uma ferramenta de mudança social. A mudança se constrói na base e com as pessoas, destacou. E deu como exemplo o projeto uruguaio Por Mi Barrio (Por Meu Bairro), que permite aos habitantes da capital, Montevidéu, informar problemas em sua comunidade, desde buracos e lixo amontoado até problemas de iluminação pública, que são recebidos imediatamente pela administração da cidade. Para conseguir isso, o governo municipal permitiu, pela primeira vez, que os desenvolvedores, um grupo da sociedade civil, fizessem a integração ao seu sistema informatizado. “Isso aproxima o governo de todos os setores da população. Estamos realizando painéis em todos os bairros para informar a respeito”, detalhou à IPS o uruguaio Fernando Uval. A ênfase “é dada especialmente aos que menos acesso têm à tecnologia, para que possam relatar problemas de seu bairro e melhorar sua condição de vida”, explicou esse representante da organização Dados Abertos, Transparência e Acesso à Informação (Data), impulsionadora do Por Mi Barrio. Segundo os especialistas, a chave é fazer dos dados abertos e das políticas públicas de transparência um meio para conseguir mudança social, e não um fim em si mesmos. Além disso, se fosse aberta toda a informação em tempo real, as políticas públicas e a resposta da sociedade diante da problemática social poderiam ser mais acertadas. “Se tivéssemos um formato totalmente aberto para a informação governamental, para que um especialista em política possa saber onde está a desigualdade – mediante o índice de Gini que a mede, por exemplo – e combiná-la com dados relacionados a crescimento econômico ou populacional, poderíamos tomar melhores decisões”, pontuou à IPS a salvadorenha Iris Palma, diretora da organização não governamental DatosElSalvador, dedicada a liberar informação pública em El Salvador. Os dados abertos são informação pública liberada de modo a permitir a outras pessoas se apropriarem deles para construir coisas, em formatos que possam tornar simples o seu manejo. Por exemplo, se um economista fosse pedir a informação de um censo, seria mais útil para ele na versão digital, para analisá-los com modelos e programas estatísticos, em lugar de recebê-los apenas em versão impressa. No caso do conceito de governo aberto, este determina que a administração pública seja transparente, dê fácil acesso à informação, preste contas aos cidadãos e os integre à tomada de decisões. Na região mais desigual do mundo, e sujeita durante décadas a regimes autoritários, o conceito de um governo participativo é relativamente recente. “Passamos de Estados e governos que operavam com o segredo como lógica para uma mudança radical, com a abertura como lógica”, explicou Scrollini. “Isso mostra novos desafios, porque a informação deve ser usada e para isso devem existir políticas que ajudem a que seja usada e é preciso empoderar as pessoas para fazê-lo”, acrescentou. Apesar disso, a sociedade civil latino-americana está tirando proveito do conceito. Os cidadãos do México, por exemplo, podem consultar onde é usado seu dinheiro mediante o programa Orçamento Aberto. No âmbito regional, a Rede Latino-Americana para a Transparência Legislativa integra esforços de vigilância de Congressos em nove países da região. Na Costa Rica alguns empreendedores na faixa dos 20 anos de idade pegaram dados públicos do Ministério da Economia para criar um aplicativo para telefone inteligente chamado Economize Mais, que ajuda a tomar decisões na hora de fazer as compras no supermercado. “No tema de governo aberto, a América Latina e o Caribe estão um passo adiante e na dianteira em todo o mundo”, afirmou Alejandra Naser, pesquisadora da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), que realizou um painel sobre governo aberto durante o encontro continental. “Precisamente, essa é a razão pela qual queremos reforçar isso com ferramentas para os tomadores de decisões”, acrescentou. O desafio é exatamente como integrar os cidadãos a esses processos. Scrollini desconfia da tecnologia como único caminho para os dados abertos e convida a repensar as velhas ferramentas de consulta social, como painéis ou reuniões de vizinhos, para identificar como pode ser incorporada a visão da sociedade civil no desenho dessas políticas. Outros métodos buscam integrar grupos da população, que depois possam gerar um uso maior por parte de outros setores sociais.: desde sessões para as quais se convida esses grupos a trabalharem com dados até programas de fundo com os usuários do futuro. “Trabalhamos ativamente em ‘hackatones’ (encontros para o desenvolvimento colaborativo de programas), para que os jornalistas se envolvam, porque estes vão liderar o envolvimento da sociedade”, disse Cristiana Zubilega, diretora-executiva adjunta da governamental Agência de Governo Eletrônico e Sociedade da Informação, do Uruguai. Ao mesmo tempo, explicou que “trabalhamos com a academia para formar os estudantes no manejo de dados”. Por sua vez, a cooperação internacional, grande financiadora desses programas na região, destaca que é fundamental apoiar grupos da sociedade civil que já têm caminho trilhado e podem servir como ponta de lança. “Apoiamos organizações que possam traduzir a informação em termos compreensíveis para a sociedade, mostrando como ela pode se envolver e que a disponibilidade de informação é sua competência”, explicou Ana Sofia Ruiz, oficial do Programa para a América Central do Instituto Humanista de Cooperação de Países em Desenvolvimento (Hivos). “Procuramos aproximar isso das pessoas para que se envolvam”, afirmou à IPS a representante dessa organização não governamental holandesa, que financia projetos como Ojo al Voto (Olho no Voto), uma iniciativa costarriquenha que forneceu informação independente durante as eleições presidenciais e legislativas deste ano. Agora, o Hivos pretende servir de observatório do trabalho parlamentar na Assembleia Legislativa da Costa Rica. Envolverde/IPS


por Diego Arguedas Ortiz, da IPS
O complexto é formado por 3 parques que deverão entrar gradualmente em operação. Foto: Elisa Homem de Mello

Usina eólica é inaugurada no Rio Grande do Norte

[caption id="attachment_125377" align="aligncenter" width="550"] O complexto é formado por 3 parques que deverão entrar gradualmente em operação. Foto: Elisa Homem de Mello[/caption]   Primeiro parque da empresa no Brasil localiza-se em Areia Branca/RN e tem capacidade de gerar 90MW de energia elétrica. Foram investidos R$ 400 milhões e gerados cerca de 700 empregos diretos na região A Voltalia Energia do Brasil, empresa produtora de energia elétrica a partir de fontes renováveis (eólica, solar, hídrica e biomassa), inaugura a usina de energia eólica de Areia Branca/RN, formada por 3 parques que deverão entrar gradualmente em operação. Os parques eólicos UEE Carcará I, UEE Carcará II e UEE Terral serão os primeiros parques da empresa Voltalia gerando energia no Brasil, exatamente no estado de maior potencial eólico do país. Eles representam um investimento total de aproximadamente R$ 400 milhões e são provenientes do leilão realizado pela ANEEL em 2011. Com uma capacidade instalada de 90 MW (são 30 aerogeradores com uma potencia unitária de 3MW cada), a geração de energia dos três empreendimentos é suficiente para atender aproximadamente 183 mil famílias. “O Estado do Rio Grande do Norte foi escolhido porque está entre as regiões brasileiras de maior potencial eólico, principalmente em áreas próximas ao litoral, como Areia Branca. O projeto localiza-se em área plana, próxima à costa e com bons acessos, o que facilita a logística. Além disso, a proximidade do ponto de conexão mantém os custos de investimentos em infraestrutura elétrica em patamares aceitáveis”, explica Robert Klein, diretor geral da Voltalia Energia do Brasil. Com investimento no RN na ordem de R$ 1,8 bilhão, a empresa já iniciou a construção de quatro outros parques localizados no município vizinho (Serra do Mel, a cerca de 4km de distância dos parques de Areia Branca). Essas usinas, frutos de uma parceria com a CHESF e a ENCALSO têm início de operação prevista para janeiro de 2016, com um potencial energético instalado de 93MW.Além destes parques, no Leilão de Energia A-5, ocorrido em 2013, a Voltalia vendeu a energia que será produzida por outros quatro parques eólicos, também localizados no município de Serra do Mel, para suprimento em 2018.A Voltalia desenvolve ainda outros projetos na região nos municípios de São Miguel do Gostoso e Touros, ambos no Rio Grande do Norte. “O Brasil, com  sistemática dos leilões, aliado ao forte potencial de regime de ventos, mostrou para o mundo que é possível chegar a preços de energia eólica no patamar das fontes convencionais. Alguns países europeus e outros no mundo já adotaram modelos de leilões parecidos e o resultado mostra que as energias renováveis estão dependendo cada vez menos de subsídios dando perspectivas favoráveis para o futuro”, conta Robert Klein. Durante o Coquetel de Inauguração com os administradores do Grupo, a Governadora do RN, RosalbaCiarlini, filiada ao partido dos Democratas, entregou a licença de operação para os parques de Areia Branca e a licença de instalação para os parques de São Miguel do Gostoso. "Sempre iremos apoiar os investimentos em energia limpa, que nos proporciona desenvolvimento, justiça social e cidadania de maneira sustentável", esclareceu a Chefe do Executivo. Também estiveram presentes as Prefeitas de Areia Branca, Luana Bruno (PMDB) e de São Miguel do Gostoso, Fátima Neri (PMDB). A cerimônia também contou com a presença do Secretário Chefe do Gabinete Civil, Carlos Augusto Rosado, do Secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico, Silvio Torquato e do Secretário de Comunicação Social, Paulo Araújo. Benefícios  Destaca-se o aumento de oportunidade de emprego, melhoria na infraestrutura derivada da construção e operação e diversificação das atividades econômicas regionais, com a geração de vagas qualificadas. Informações da empresa apontam para geração de aproximadamente 700 empregos diretos durante as obra dos parques eólicos de Areia Branca e a mesma quantidade de empregos indiretos. "Além de gerar energia limpa, a Voltalia tem o compromisso social, gerando emprego e renda para região, e ambiental, contribuindo com a preservação do meio ambiente", disse o Diretor da Voltalia no Brasil, Robert Klein. Há também pagamento referente aos arrendamentos de terras que é feito diretamente aos proprietários das áreas, representando geração e injeção de renda por no mínimo 20 anos. Outros benefícios alcançados graças ao desenvolvimento da produção de energia eólica são a regularização fundiária e as averbações das reservas legais, conforme determina o Código Florestal Brasileiro. (Envolverde)


por Elisa Homem de Mello, da Envolverde
Foto: Amil Vitale / Oxfam

Mudanças climáticas dificultam redução da pobreza, aponta relatório

[caption id="attachment_125351" align="aligncenter" width="450"] As recentes emissões [de gases de efeito estufa] criaram um curso inevitável para o aquecimento nas próximas duas décadas. Foto: Norman Isaac[/caption]    O Banco Mundial considera que as mudanças climáticas estão dificultando a redução da pobreza no mundo, colocando em risco a subsistência de milhões de pessoas. É o que aponta relatório divulgado no domingo, 23 de novembro, pela instituição. Para o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, o documento "confirma o que os cientistas vêm dizendo: as recentes emissões [de gases de efeito estufa] criaram um curso inevitável para o aquecimento nas próximas duas décadas, o que afetará mais os pobres e vulneráveis". O relatório informa que os impactos das mudanças climáticas, tais como eventos de calor extremo, podem ser inevitáveis, uma vez que o sistema atmosférico da Terra está 1,5 grau Celsius acima dos níveis registrados em meados da era pré-industrial e que, mesmo que hoje se tomem medidas de mitigação muito ambiciosas, os impactos não vão ser alterados. "As mudanças climáticas estão afetando as pessoas em todo o mundo, prejudicando lavouras e litorais e colocam em risco a segurança da água", destaca o relatório intitulado Turn Down the Heat: Confronting the New Climate Normal (Diminua o Calor: Enfrentando o Novo Clima Atual). "Essas mudanças tornam mais difícil reduzir a pobreza e colocam em risco a subsistência de milhões de pessoas". * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Foto: Shutterstock

Jovens ganham comitê em ministério para debater políticas públicas ambientais

[caption id="attachment_124050" align="aligncenter" width="550"] Objetivo é engajar os jovens no debate de políticas públicas ambientais. Foto: Shutterstock[/caption]   O Ministério do Meio Ambiente (MMA) instituiu o Comitê Interno de Juventude, por meio da portaria nº 412, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (19/11). A proposta do comitê é subsidiar as políticas públicas ambientais relacionadas aos direitos da juventude à sustentabilidade e ao meio ambiente. O comitê tem como competências formular, executar e monitorar ações de juventude e meio ambiente; subsidiar órgãos e comitês gestores ligados ao tema; articular e integrar as agendas de juventude, além de estabelecer o diálogo permanente com organizações públicas e privadas para promover a efetividade das ações relacionadas aos jovens e o meio ambiente. Participam do comitê, além de representantes das secretarias do MMA, representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade, do Serviço Florestal Brasileiro (SBF), da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A coordenação do comitê será da feita pelo departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental do MMA. Direito à Sustentabilidade A coordenadora da juventude do MMA, Marccella Berte, destaca que o comitê é um espaço dentro do Ministério que permitirá integrar ainda mais a agenda da juventude e meio ambiente, avançar na transversalidade do tema na agenda ambiental e fortalecer a política pública de juventude e meio ambiente. Marccella Berte, que participou nesta quarta-feira (19/11), em Manaus, da oficina de construção do Plano Nacional de Juventude, cujo debate foi centrado no direito da juventude à sustentabilidade e ao meio ambiente, afirma que a juventude brasileira vem ampliando sua participação ao longo dos anos na formulação de políticas públicas voltadas ao público jovem e a dimensão ambiental é uma delas. “Por isso o Ministério deve estar preparado para esse diálogo”, reforça. A oficina realizada nesta semana faz parte de uma série que vem acontecendo pelo país. Estiveram presentes diversos movimentos e organizações de juventude que discutem o tema ambiental direta ou indiretamente. O objetivo é dialogar com jovens da sociedade civil para construir o texto base do Plano, que será tema da III Conferência Nacional de Juventude, prevista para acontecer em 2015. A proposta é estabelecer metas para que os governos federal, estadual e municipal cumpram a política juvenil em um período de dez anos, conforme prevê o Plano Nacional de Juventude. Trata-se de um projeto de lei (Nº. 4530/04), que determina um conjunto de políticas públicas e medidas que beneficiam os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. Confira a portaria completa no DOU. * Com informações da Secretaria Nacional da Juventude./ Edição: Vicente Tardin. ** Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.


por Tinna Oliveira, do MMA*
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Quarto episódio da série Linhas já está no ar

[caption id="attachment_125338" align="aligncenter" width="550"] Wemelly Barroso Souza, 13 anos, vive em Sobrado, uma das 12 comunidades isoladas do Amazonas atendidas pelo projeto piloto de miniusinas solares do Programa Luz para Todos. Foto: © Greenpeace/Carol Quintanilha[/caption]   Vídeo mostra a vida em uma comunidade do Amazonas abastecida por energia solar. “A melhor coisa de ter eletricidade, para mim, é a água gelada. Poder tomar um copo de água bem fresquinha no meio de um dia de trabalho duro na roça”, confidencia Isabel Teixeira Queiroz, 51 anos, uma das fundadoras da comunidade Sobrado, no Amazonas. A “água gelada”, possível graças a instalação de um sistema isolado de energia solar na comunidade, em 2012, não passa de uma trivialidade na vida de quem mora nos grandes centros urbanos. Mas para os milhares de brasileiros que vivem em áreas remotas da Amazônia, é uma realidade longínqua. A comunidade de Sobrado localiza-se em uma das 400 ilhas do Parque Nacional das Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. Para chegar até lá, as linhas de transmissão precisariam vencer rios caudalosos, matas fechadas e contar com eventos meteorológicos com grande potencial de destruição, como chuvas e tempestades elétricas. Tudo isso torna a rede convencional impraticável na região. Em toda a Amazônia existem aproximadamente 2 mil famílias sem acesso a energia elétrica. Mas isso pode mudar, com iniciativas como a que está sendo aplicada em Sobrado, com miniusinas de geração fotovoltaica, que oferecem uma energia segura, constante e de baixo impacto ambiental e social. “No ano passado não teve aula de noite, porque não tinha energia. Este ano os adultos começaram a estudar nesse horário e meu pai, que mal sabia escrever o próprio nome, já está aprendendo a ler”, conta Wemelly Barroso Souza, 13 anos. É pelos olhos e fala de Wemilly, uma jovem sonhadora e apaixonada por sua pequena ilha, que conhecemos a realidade de sua comunidade. Algo muito parecido com o que acontece com outros tantos ribeirinhos onde, graças a energia elétrica, a população tem agora acesso ao conhecimento. Através da internet, do rádio e da televisão, a comunidade se mantém informada do que acontece no resto do mundo e ganha o direito de se sentir parte dele. Veja o epsódio 4 da série Linhas: * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Redação do Greenpeace
Na Escola Municipal Darthesy Novaes Caminha as atividades na horta utilizam os alimentos na merenda escolar. Foto: © Thaís Alves

Escolas em Campo Grande (MS) criam espaços e práticas sustentáveis

[caption id="attachment_125373" align="aligncenter" width="550"] Na Escola Municipal Darthesy Novaes Caminha as atividades na horta utilizam os alimentos na merenda escolar. Foto: © Thaís Alves[/caption]   Em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, a criação de espaços e de práticas sustentáveis em escolas públicas municipais já é uma realidade. Estudantes, professores, funcionários e, ainda, comunidade desenvolvem atividades em 11 escolas de acordo com o Programa Escolas Sustentáveis e Com-Vidas, do Ministério da Educação (MEC), que tem o objetivo de estimular a criação de espaços educadores e sustentáveis nas escolas públicas. O WWF-Brasil, por meio do Programa Cerrado Pantanal, apoiou a formação de cursos para os professores que atualmente desenvolvem as atividades. A especialização integra a política pública fundamentada na qualificação de currículos escolares, em alterações no espaço físico das escolas e na gestão ambiental. Segundo Cristiane Miranda Gondim, da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande, as escolas tem autonomia para desenvolver as atividades. “O governo tem o papel de orientar, por meio das diretrizes. O trabalho é bem visto e aceito”. Espaço de transformação O “Revitalizando minha escola: transformando e aprendendo”, projeto executado na Escola Municipal Vanderlei Rosa de Oliveira, conta com espaços verdes dentro da instituição, construção de hortas, iniciação científica, gincanas e monitores ambientais, entre outras iniciativas, que envolvem 1722 alunos. “Trabalhar o coletivo une as crianças, os pais e a comunidade. É um trabalho contínuo que não pode parar. Trabalhamos a pegada ecológica, o consumo consciente e a sustentabilidade. Os conteúdos são inseridos dentro das disciplinas ministradas em sala de aula, laboratórios de ciências e no dia a dia da escola. É interdisciplinar”, comentou a diretora da escola, Ângela Maria Faustino Santos. A professora Rosiane de Morais, explicou que os espaços são utilizados por todas as turmas e de diversas disciplinas. Foi elaborado um cronograma de atividades que envolvem as atividades e práticas sustentáveis e divididas entre as turmas. “Um exemplo são os alunos do 9° ano que puderam participar da feira de ciências promovida pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Os projetos são de iniciação científica”. Experiência no campo As atividades da Escola Municipal Darthesy Novaes Caminha incluem reaproveitamento de materiais, fabricação de inseticida natural (criado no laboratório de ciência), composteira e horta com alimentos que são utilizados na merenda escolar. A escola está situada na zona rural de Campo Grande e há troca de conhecimentos entre professores, alunos e pais. “Temos a experiência da comunidade do campo e a oportunidade de ensinar para os que ainda não conhecem os saberes da terra”, contou a diretora Osmarina Souza Aragão. Para Terezinha Martins, analista de conservação do WWF-Brasil, as instituições de ensino podem se tornar incubadoras de mudanças concretas na sociedade. “Para uma escola ser sustentável é preciso ter esse sentimento dentro das pessoas. Às vezes nem é a estrutura o primeiro foco, mas saber agregar e aproximar”, destacou. Professora Cidinha Cerca de 900 alunos da Escola Municipal Elizio Ramirez Vieira também trabalham com atividades sustentáveis como, por exemplo, arborização, voluntariado, horta e plantio de mudas. Na escola, os trabalhos tiveram início e eram coordenados pela professora Maria Aparecida da Silva Gonçalves, mais conhecida como professora Cidinha. Ela faleceu na última semana, no dia 12 de novembro, vítima de um acidente de carro. No final do mês de outubro, Cidinha concedeu uma entrevista para a equipe de comunicação do WWF-Brasil. Na ocasião, ela mostrou a escola e mencionou que a cada 15 dias uma turma é eleita para cuidar da manutenção da horta. Os alimentos colhidos são distribuídos entre os alunos. Ela se despediu da equipe com um sorriso no rosto e afirmando que o mais importante no processo de construção das escolas sustentáveis era a troca de experiências e poder dividir conhecimento. “Tem muita energia positiva em trabalhar com esses alunos. Aqui produzimos horta, viveiros experimentais e, ainda, replantio de mudas nativas ao redor da nascente de um rio, localizado dentro da área da escola. Também geramos adubo orgânico e inseticida natural que é usado na nossa horta”, explicou a professora. * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Thaís Alves, do WWF Brasil

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vaso garrafas002 Recicle seu jardim

Foto: Reprodução/ limaoflor.wordpress.com

O destino do lixo doméstico é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade. A quantidade de detrito produzido é muito superior à capacidade de processamento do mesmo, contribuindo para o aumento da poluição da água, do ar e do solo. Por isso, reciclar é tão importante. A reciclagem é uma maneira de ajudar a preservar o meio ambiente. Ela colabora para a diminuição do volume de resíduos nos aterros sanitários, protegendo os solos e os lençóis freáticos (água pouco profunda); e transforma lixo em matéria-prima, aumentando a vida útil dos materiais e evitando que mais detritos sejam produzidos desnecessariamente. Reciclar é reaproveitar produtos e utensílios que normalmente iriam ser jogados fora e dar a eles uma nova funcionalidade. Qualquer parte de uma casa permite a reutilização de materiais, inclusive o jardim, que, após receber esses itens, acaba ficando mais bonito, charmoso e principalmente sustentável. O reaproveitamento de recipientes para o cultivo de plantas é uma das formas de praticar a reciclagem e, consequentemente, a sustentabilidade, que a cada dia ganha mais adeptos. Baldes, chaleiras, xícaras, jarras, bacias e outros objetos podem ser transformados em belos vasos de plantas. No entanto, para utilizá-los, é preciso tomar alguns cuidados:  
  • Lavar muito bem as vasilhas, eliminando qualquer vestígio de elementos tóxicos (ferrugem, produtos químicos como cloro, ácidos e detergentes), para que as plantas não sejam contaminadas.
  • Impermeabilizar a parte interna de cada recipiente, aplicando uma camada de tinta ou revestimento impermeabilizante. Com esse procedimento, a durabilidade do vaso aumentará e também evitará que qualquer produto químico do utensílio possa contaminar a planta.
  • Optar por materiais resistentes, que suportem bem as mudanças climáticas e que não absorvam muito calor, pois isso pode ressecar a terra e matar a flor. Caso vá utilizar recipientes metálicos, escolha plantas com maior resistência à temperatura e à falta de umidade.
  • Observar o tamanho da planta e de sua raiz. Aquelas que têm raízes maiores e mais fortes devem ser plantadas em recipientes grandes e resistentes. Já as plantas com raízes mais finas podem ser cultivadas em jarras, utensílios de vidro e de outros materiais mais delicados.
  Em todos os casos, é preciso encontrar a melhor maneira de reproduzir as condições naturais de crescimento de cada planta. Toda espécie tem sua necessidade específica de água, portanto, é interessante escolher o recipiente de acordo com as necessidades de cada variedade. Flores como as orquídeas exigem pouquíssimas regas e obtém sua cota de água proveniente do ar, logo são mais fáceis de monitorar. Já as margaridas precisam de regas constantes e solo úmido, sem estar encharcado, e exigem um cuidado maior. *A Giuliana Flores está há mais de 20 anos no mercado e é líder em vendas de flores pela internet.- www.giulianaflores.com.br
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
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