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Cop20lima

EXCLUSIVO – Pachauri apoia eólica marítima e alerta para eventos extremos


por Sávio de Tarso, da Envolverde

Na segunda parte da entrevista exclusiva à Envolverde, concedida no final da COP20, o líder dos cientistas do IPCC – Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, Rajendra Pachauri, comentou a proposta brasileira para destravar as negociações visando um acordo global, a intensificação dos eventos extremos no Brasil e a política do atual governo relacionada às energias limpas para reduzir o impacto das mudanças climáticas. Veja o vídeo, uma produção colaborativa da Envolverde com apoio da urucum.tv, ViraçãoEducomunicação e Engajamundo, que teve a coordenadora Raquel Rosenberg como entrevistadora em Lima.
Desmatamento em área de Mata Atlântica. Foto: Wellington Pedro/Imprensa MG (29/05/2014)

Ambiente

Cidades do Piauí e Minas lideram desmatamento na Mata Atlântica


por Redação da SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) lançam nesta quarta-feira (17/12) os dados mais recentes sobre a situação dos 3.429 municípios da Mata Atlântica, com um ranking encabeçado por cidades do Piauí e Minas Gerais. Segundo o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, a cidade de Manoel Emídio (PI), com 3.134 hectares (ha), lidera o ranking no período entre 2012 e 2013. No total geral, o desmatamento teve alta de 9% em relação ao período anterior (2011-2012). O estudo, com patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan, apresenta ainda um consolidado dos últimos 13 anos. Entre 2000 e 2013, Jequitinhonha (MG) foi a campeã de desmatamento, com 8.685 hectares, seguida pela também mineira Águas Vermelhas (6.231 ha) e pela catarinense Itaiópolis (5.639 ha). [caption id="attachment_127005" align="aligncenter" width="580"] Segundo o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, Manoel Emídio (PI) foi responsável por 13% da supressão do bioma do País no período 2012-2013, com 3.134 hectares.[/caption]   De acordo com o levantamento, cinco dos 10 municípios que mais desmataram a Mata Atlântica no Brasil no período 2012-2013 ficam em Minas Gerais – Estado que liderou o ranking do desmatamento por 5 anos consecutivos, conforme divulgado em maio pela SOS Mata Atlântica e pelo INPE. No Piauí, a cidade de Alvorada do Gurguéia desmatou 2.491 ha no mesmo período, o que a coloca em 2º lugar no ranking nacional. O Estado, porém, também possui os dois municípios mais conservados do Brasil (Tamboril do Piauí e Guaribas), ambos com 96% de vegetação natural, que abrigam parte do Parque Nacional da Serra das Confusões, uma importante Unidade de Conservação da região. Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, ressalta a ligação entre a alta verificada nas cidades de Manoel Emídio e Alvorada do Gurguéia e o aumento da produção agrícola no Piauí, que subiu 135,3% no último ano e duplicou as áreas desmatadas de Mata Atlântica. “Este crescimento tem sido um forte motivo de preocupação. Começamos a monitorar o Piauí no ano passado, e ele já entrou no ranking dos maiores desmatadores. Este é um alerta ao Governo do Estado, às prefeituras e ao Ministério Público local para verificar e intensificar a fiscalização na região”, afirma. Com base em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8, o Atlas da Mata Atlântica, que monitora o bioma há 28 anos, utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para avaliar os remanescentes florestais acima de 3 hectares (ha). Algumas regiões, porém, tiveram a captação de imagens via satélite prejudicada em razão da cobertura de nuvens. Uma das mais afetadas é o Nordeste, onde em Estados como a Paraíba não foi possível verificar a ocorrência de supressão da vegetação nativa. “No período 2010-2011, o território do Estado da Paraíba apresentava índices elevados de cobertura por nuvens. Em 2011-2012, só 10% desse território apresentava-se sem nuvens e 11% estava parcialmente coberto. Já em 2012-2013, mapeamos 36% do Estado, sendo que 18% estava parcialmente coberto e 45% sem imagens”, explica Flavio Ponzoni, pesquisador e coordenador do Atlas pelo INPE. Planos municipais da Mata Atlântica Os municípios têm de fazer sua parte na proteção da floresta mais ameaçada do Brasil e uma das principais formas de contribuir é através da elaboração e implementação dos Planos Municipais da Mata Atlântica. Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, explica que o plano traz benefícios para a gestão ambiental e o planejamento do município. “Quando o município faz o mapeamento das áreas verdes e indica como elas serão administradas – por exemplo, se vão virar um parque ou uma área de proteção ambiental – fica muito mais fácil conduzir processos como o de licenciamento de empreendimentos. Além disso, é uma legislação que coloca o município muito mais próximo do cidadão, porque também estamos falando em qualidade de vida”, afirma ele. Confira os rankings nacionais: Além da lista nacional, os rankings estão também divididos pelos 17 Estados situados na área do domínio da Mata Atlântica: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Segundo dados do IBGE, no Brasil são mais de 145 milhões de habitantes vivendo em 3.429 municípios com Mata Atlântica. Os mapas e a lista completa dos municípios brasileiros avaliados estão disponíveis aqui. * Publicado originalmente no site SOS Mata Atlântica.
Cerca de 200 índios participaram de manifestação nesta terça-feira (16 de dezembro), na frente na Câmara dos deputados. O grupo foi reprimido com truculência pela Polícia. Foto: Luana Luizy/CIMI

Sociedade

PEC 215 e o atropelo de direitos


por Redação do Greenpeace Brasil

[caption id="attachment_127013" align="aligncenter" width="580"] Cerca de 200 índios participaram de manifestação nesta terça-feira (16 de dezembro), na frente na Câmara dos deputados. O grupo foi reprimido com truculência pela Polícia. Foto: Luana Luizy/CIMI[/caption]   Em meio a manifestações populares e prisões arbitrárias, votação da PEC 215 é novamente adiada e pode acontecer nesta quarta-feira. Repressão policial, spray de pimenta, detenção de manifestantes e promessas não cumpridas. Foi em meio a este cenário que, nesta terça-feira 16 de dezembro, a bancada ruralista tentou realizar uma nova reunião da Comissão Especial da Câmara para votar a PEC 215, que pretende transferir do Poder Executivo para o Congresso Nacional a atribuição de oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas. Assim como aconteceu na semana passada, indígenas e representantes de organizações da sociedade civil foram impedidos pelos seguranças do Congresso de entrar na “Casa do povo” e tiveram que assistir do lado de fora seu destino ser traçado por parlamentares cujos interesses nada tem a ver com a preservação socioambiental. A reunião ordinária da comissão, marcada para as 14h desta terça, foi cancelada ainda pela manhã. Mas, no início da tarde, a bancada ruralista tentou realizar uma sessão extraordinária, a exemplo do que houve na semana passada. O grupo a favor da PEC tem utilizado a dissimulação para passar o projeto sem a presença das lideranças indígenas e representantes da sociedade civil. Os ruralistas correm contra o tempo: se não aprovarem a PEC 215 até o fim da legislatura atual, o projeto será arquivado. Para colocar o projeto em pauta, os deputados se valeram de estratégias escusas, como trancar lideranças indígenas e representantes de organizações civis na sala da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara. Foi o que aconteceu na manhã desta terça, quando ao menos 20 pessoas que debatiam o tema foram impedidas de deixar o local por seguranças da Casa. A privação do direito de ir e vir nos corredores da Câmara aconteceu enquanto a bancada ruralista articulava uma reunião forçada, no plenário 13 do Legislativo. Mas o grupo teve o golpe frustrado pelo presidente da Comissão, Afonso Florence (PT-BA), que não aceitou o pedido para a nova sessão. Com a negativa, a requisição foi parar com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), que deverá decidir, até amanhã de manhã, se aceita ou não a questão de ordem encaminhada pelos ruralistas para realizar uma nova reunião da Comissão Especial da PEC 215, à revelia do presidente da Comissão. Pimenta nos olhos dos outros Enquanto as articulações a favor da PEC 215 aconteciam do lado de dentro da Câmara, um grupo com aproximadamente 200 índios foram impedidos de entrar no Congresso. A Policia Militar, a tropa de choque e a Polícia Legislativa foram chamadas para conter os manifestantes mobilizados contra a PEC 215 e a portaria do anexo 2 transformou-se em uma praça de guerra, com repressão violenta e o uso de gás de pimenta, que se espalhou por todo o salão de entrada. “O que acontece hoje é um verdadeiro absurdo e um retrocesso ao exercício da democracia. Pois como se vota uma matéria que vai decidir a vida dos povos indígenas e os verdadeiros interessados não podem sequer assistir?”, questiona Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos indígenas do Brasil (Apib). Depois do enfrentamento, um grupo de índios foi seguido pela Polícia Militar e quatro deles foram detidos de forma arbitrária, assim que desembarcaram na frente do Ministério da Justiça para conversar com o ministro Eduardo Cardozo sobre as violações dos direitos dos povos indígenas. No início da noite o ônibus que levava um grupo com aproximadamente 40 indígenas de volta para o alojamento foi interceptado por um batalhão da PM, que aguardava a passagem do veículo na rodovia BR–040, que liga Brasília a Valparaíso. Na ocasião outros dois índios foram detidos pela polícia. “Hoje de manhã ouvimos os militares dizerem que iriam inaugurar os novos coletes (a prova de balas), o que prova que esse tipo de orientação vem de cima. Temos um Congresso Nacional totalmente sitiado, que usa estratégias de guerrilha para impedir a entrada de qualquer cidadão que se aproxime. Isso é muito grave para um país que se diz democrático”, afirma Sônia. Votação pode ocorrer nesta quarta-feira Caso o presidente da Câmara aceite a questão de ordem encaminhada pelos ruralistas, a Comissão pode se reunir para votar o projeto amanhã. O projeto traz uma ampla gama de exceções ao direito de posse e usufruto das terras por parte dos povos indígenas, além de inviabilizar novas demarcações e legalizar a invasão, a posse e a exploração de Terras Indígenas já demarcadas. O projeto transfere, ainda, do Executivo para o Legislativo a prerrogativa de aprovar a oficialização de TIs, UCs e territórios quilombolas e adota a data de promulgação da Constituição (5/10/1988) como “marco temporal” para comprovar a posse indígena. Ou seja: a comunidade teria direito à terra apenas se puder demonstrar que ocupava o território nessa data. Se aprovada, a PEC 215 pode representar um dos maiores golpes políticos já arquitetados contra a sobrevivência das populações tradicionais e do próprio meio ambiente, já que Terras Indígenas e demais áreas protegidas são comprovadamente um dos mecanismos mais eficientes para manter as florestas em pé. Envie um e-mail pedindo a rejeição da PEC 215 para o presidente da Câmara, Henrique Alves, e ao presidente da Comissão Especial da PEC 215, Afonso Florence. Endereços de e-mail: dep.afonsoflorence@camara.leg.br, dep.henriqueeduardoalves@camara.leg.br Texto sugerido: Prezado presidente da Câmara, Henrique Alves, e presidente da Comissão Especial da PEC 215, Afonso Florence, Venho através desta mensagem expressar minha indignação e repúdio às ofensivas contra os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais que tomam força no Congresso Nacional atualmente, especialmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215. Esta proposta poderá ser aprovada nesta semana, conforme planeja a bancada ruralista após as manobras realizadas na Câmara dos Deputados na semana passada, que ferem o próprio regimento da Câmara dos Deputados. É de amplo conhecimento da sociedade que se a prerrogativa da demarcação de terras indígenas, da titulação de territórios quilombolas e da criação de unidades de conservação passar para o Congresso Nacional haverá uma total paralisação na criação destas áreas no Brasil. Além disso, o parecer desta PEC autoriza a revisão das terras indígenas que já estão demarcadas, o que coloca em risco aautonomia e a própria vida de todos os povos indígenas do Brasil. Entendo que a PEC 215 é uma afronta aos direitos constitucionais conquistados com muito esforço e sofrimento pelos povos e comunidades tradicionais e que esta proposta significa a morte dos seus modos de vida, já que sem os seus territórios eles não têm condição de serem indígenas e quilombolas. Também é fundamental que os senhores considerem o fato de que a Justiça Federal do Mato Grosso decidiu enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o processo que investiga possível envolvimento do deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), na compra de um parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e de seu colega Nílson Leitão (PSDB-MT), vice-presidente da Comissão Especial que analisa esta PEC, na invasão da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, no Mato Grosso. Escutas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal identificaram um possível esquema de produtores rurais do nordeste do Mato Grosso para pagar R$ 30 mil a um lobista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para elaborar parecer sobre a PEC. Desse modo, dada a gravidade dos fatos aqui elencados, peço que os senhores façam todo o esforço no sentido de rejeitarem definitivamente esta PEC 215. Atenciosamente. * Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.
Foto: Naypong / Fotolia.com

Educação

Como preparar alunos para o século 21


por Redação do Porvir

Saiba o que são e como desenvolver competências socioemocionais a partir de experiências e recomendações construídas por especialistas Mais exercícios, mais repetição e mais testes podem até resultar em uma nota maior, mas não prepararão o aluno de forma integral e, muito menos, darão conta de desenvolver todas as competências que ele necessita para enfrentar os desafios do século 21. Enquanto o mundo abre espaço e cobra que os jovens sejam protagonistas de seu próprio desenvolvimento e de suas comunidades, o ensino tradicional ainda responde com modelos criados para atender demandas antigas. A realidade é que o ser humano é definitivamente complexo e, para desenvolvê-lo de maneira completa, é necessário incorporar estratégias de aprendizagem mais flexíveis e abrangentes. Uma das saídas para reconectar o indivíduo ao mundo onde vive passa pelo desenvolvimento de competências socioemocionais. Nesse processo, tanto crianças como adultos aprendem a colocar em prática as melhores atitudes e habilidades para controlar emoções, alcançar objetivos, demonstrar empatia, manter relações sociais positivas e tomar decisões de maneira responsável, entre outros. Uma abordagem como essa pode ajudar, por exemplo, na elaboração de práticas pedagógicas mais justas e eficazes, além de explicar por que crianças de um mesmo meio social vão trilhar um caminho mais positivo na vida, enquanto outras, não. Longe de ser um modismo, a preocupação com o desenvolvimento dessas características sempre foi objetivo da educação e precisa ser entendido como um processo de formação integral, que não se restringe à transmissão de conteúdos. Então o que muda? Para que consiga alcançar esse propósito, a inclusão de competências socioemocionais na educação precisa ser intencional. “A gente está falando de uma mudança de cultura, de compreensão de vida, do que a gente acredita que é o ser humano, o conhecimento, a aprendizagem e de qual é o papel da escola”, explica Anita Abed, consultora da UNESCO (organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura). “O conhecimento em si deve ser amplamente significativo e prazeroso, algo da ordem socioemocional”, diz. A nova visão não implica em deixar de lado o grupo de competências conhecidas como cognitivas (interpretar, refletir, pensar abstratamente, generalizar aprendizados), até porque elas estão relacionadas estreitamente com as socioemocionais. Pesquisas revelam que alunos que têm competências socioemocionais mais desenvolvidas apresentam maior facilidade de aprender os conteúdos acadêmicos. No livro “Uma questão de caráter” (Intrínseca, 272 págs), o escritor e jornalista americano Paul Tough vai além, e coloca que o sucesso no meio universitário não está ligado ao bom desempenho na escola, mas sim à manifestação de características como otimismo, resiliência e rapidez na socialização. O livro ainda explica que competências socioemocionais não são inatas e fixas: “elas são habilidades que você pode aprender; são habilidades que você pode praticar; e são habilidades que você pode ensinar”, seja no ambiente escolar ou dentro de casa. Confira o conteúdo completo no site Porvir!


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A hora e a vez de extinguir o trabalho precário na Amazônia

[caption id="attachment_126785" align="alignleft" width="380"] a extração da madeira nativa e o extrativismo do açaí estão entre os trabalhos mais perigosos do Brasil e os mais concentradores de renda.[/caption] O maior problema social da Amazônia é o trabalho precário. Este drama, velado e epidêmico, de muitos matizes e subterfúgios, que se arrasta por 400 anos, tem forte impacto na vida de todos amazônidas. Explica porque a Amazônia não deixou o período colonial, reverbera a escravidão, a vassalagem e a exploração da criança e do adolescente. Em boa medida, o trabalho precário qualifica a perniciosidade do motor da economia local – da pilhagem social e ambiental. O prosseguir da alta concentração de renda e poder gera o caos social, os índices educacionais sofríveis, a baixa rentabilidade e produtividade, e o desmanche dos recursos naturais estão associados a este modo de tratar o trabalho. A Amazônia Rural é, de longe, a campeã brasileira do trabalho precário. Atividades empreendidas no espaço rural, como a pecuária bovina, o garimpo, a extração da madeira nativa e o extrativismo do açaí estão entre os trabalhos mais perigosos do Brasil e os mais concentradores de renda. A desatenção da autoridade pública, ainda controlada por este estamento do poder rural, agrava esta questão. Daí as práticas persistirem, como a subnotificação, como a praga que assola a Amazônia Rural. Não se pode mais aceitar o desleixo do IBGE e dos demais órgãos públicos federais e estaduais perante a obrigação de registrar, com as estatísticas e informações confiáveis, a nossa ruralidade. Seu desinteresse esconde o envolvimento de milhões de pessoas no trabalho precário, com altíssima incidência de acidentes de trabalho, a presença ululante do trabalho infantil, e a pecha do análogo a escravidão, e o impacto direto na qualidade de vida da maior parte das pessoas do meio rural. A sociedade, seja no âmbito regional ou nacional, ainda não se questionou, abertamente, – o que é trabalho precário na Amazônia? Quais os limites entre o aprendizado e o trabalho para as crianças e jovens na agricultura familiar? Por que práticas abolidas em outras regiões do país, e dessangram o trabalhador, na Amazônia são permitidas? Enfim, por que o tema do trabalho precário é tão invisível e ausente no debate regional? Em dezembro último, um evento pioneiro do Tribunal Regional do Pará e Amapá (TRT8), com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), UNICEF e Instituto Peabiru discutiu amplamente o Trabalho Precário na Amazônia Rural. Primeiramente, a partir de uma busca em qualquer ferramenta de busca na internet, fica claro que as únicas menções que relacionam “Amazônia” e “trabalho precário” se referem ao evento em questão, cujos registros estão disponíveis no web-site www.amazoniatrabalhoprecario.org.br. Em verdade, espaço virtual criado pelos parceiros do evento (TRT-8, MPF, Instituto Peabiru e outros para reportar sobre a questão e repositar documentos relevantes). O que mais surpreende é o discurso de quem diz não enfrentar a questão, por argumentar que se trata de algo cultural ou de somenos importância – sempre foi assim! Ou o horripilante argumento: “melhor criança trabalhando que na rua”. De outro lado, está o desinteresse perverso e omissivo de enfrentamento do tema, seja na própria região, seja   nos outros Brasis – consumidores, investidores, formadores de opinião e decisores. Quem consome o produto amazônico a baixo preço– carne bovina, açaí, pescado, minério, madeira ou energia elétrica – não quer saber como este se apresenta a seu uso, se vem temperado de grilhões da escravidão, salpicado de suor infantil, assoma-se aos riscos do trabalho inseguro, ou defumado pela queimada da floresta. [caption id="attachment_126917" align="alignright" width="380"] Transporte de açaí. Foto: Alan Kardek[/caption] Se a problemática for o serviço socioambiental que a Amazônia presta a outras regiões, como é o caso da umidade carreada pelos rios voadores ao Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, este serviço sai de graça. Se for um produto associado ao conhecimento tradicional associado a sua biodiversidade, raramente assim se o reconhece pelo valor deste trabalho. É hora de afirmar, com todas as letras, que é o trabalho precário o que torna o preço do produto da Amazônia tão irrisório ou simplesmente sem valor. A baixa taxação, que resultaria em provimento de recurso público, também resulta desta mesma depreciação de seu valor. Daí a Amazônia vender produtos preciosos e únicos por migalhas porque não incorpora o trabalho em sua verdadeira dimensão. A madeira sai da mata sem valoração, o minério sai da mina sem emissão de nota fiscal e daí por diante... Não se incorpora o seu valor cultural, o custo do serviço ambiental, do impacto socioambiental e os demais atributos que o economista denomina de “externalidade”. Diante deste quadro de depreciação do valor de tudo que é amazônico, como nos convencermos de seu impacto socioambiental e econômico às presentes e futuras gerações? Será preciso imprimir em cada produto amazônico uma tarja de advertência como nos cigarros? – “O Ministério do Meio Ambiente adverte – 2/3 das áreas desmatadas da Amazônia viraram pasto pra criar boi”; ou, “O Ministério da Indústria e Comércio adverte – 80% da madeira da Amazônia é ilegal”; ou, ainda, “O IBAMA adverte – menos de 3% das multas que aplicamos são pagas”! A quem pretende comemorar os 4 séculos da Amazônia colonial – que interrompeu um processo histórico de 100 séculos –; primeiro há que se reconhecer de quem é o suor que forma sua economia, erige seu patrimônio urbano, empreende a derrubada da mata e constrói suas mega-usinas, seus negócios, e atende as necessidades públicas e privadas. É preciso convencer-se que só se eliminam os mais graves problemas sociais decorrentes das desigualdades sociais – a prostituição infantil, a violência contra a mulher, contra o jovem, contra o índio e contra o quilombola, o desmatamento, a destruição das florestas e rios –, se a economia da pecuária bovina, do garimpo, da extração madeireira e das grandes empreendimentos cumprirem a lei; ou seja, se esta economia erradicar o trabalho precário. Parece óbvio, mas não é. O desprezo pela lei, a corrupção, a ausência do estado, a baixa mobilização da sociedade civil local, a leniência com o patrimônio público, amoldam as distorções socioeconômicas que se estabeleceu na Amazônia. É preciso relacionar o trabalho precário à questão ambiental, hoje tratado de forma estanque; relacionar à violência, às injustiças sociais. Tem gente que ainda perde tempo discutindo índices de desmatamento, de poluição das águas, do lixo, quando tudo isto é consequência da falta de acesso a direitos básicos, da falta de vez e voz para a maior parte das comunidades, especialmente as rurais, entre as quais a precarização do trabalho é a questão central. Trabalho sustentável é miragem no deserto da Amazônia. Conversa pra boi dormir Vejam o caso da pecuária. Nós, Amazônidas, abrimos as porteiras para que o Brasil (e o mundo) trocasse a floresta pelo boi. Como somos ingênuos! Que emprego e renda isto gera? Que distribuição de renda? E impostos? São resultados deprimentes, que merecem outro momento a aprofundar. Município pecuário é sinônimo de pobreza. Em menos de 50 anos, aceitamos que o Brasil transferisse 1/3 de seu rebanho para a região – 80 milhões de cabeças. Mais bois que em toda Europa. Pior, este êxodo prossegue. E, por quê? Porque há impunidade, porque o trabalho precário é aceito. Porque na Amazônia ainda vale a invasão de terras públicas, terras indígenas, territórios quilombolas, vale desmatar, queimar, pilhar o patrimônio dos recursos naturais – os solos, os produtos florestais, impera a lei do mais forte. Na maioria das propriedades (de todas as dimensões), quem é braçal e lida com o gado, o peão, tem acesso a poucos direitos; em muita parte é trabalho informal, desvalorizado. Ganha-se pouco, arrisca-se muito. No evento mencionado, a representante do Ministério do Trabalho e Emprego rememorou as estatísticas de que a pecuária é a campeã de acidentes no campo, o trabalho mais perigoso que há. Isto merece muita atenção. A pecuária amazônica, especialmente a paraense, é a campeão nacional de trabalho análogo à escravidão. De 2003 a 2013 o setor como um todo teve 11.648 trabalhadores resgatados, a maior parte no Pará (INPACTO, 2014). Se considerada apenas a área destruída da maior floresta tropical do planeta para a criação de boi, isto alcança mais de 52 milhões de hectares, algo como 13% da Amazônia apenas em pasto. Parece pouco, mas representa uma área superior à soma das superfícies dos estados do Santa Catarina, Paraná e São Paulo. E, desmatados para que? Para o brasileiro ter um bife um pouquinho mais barato. É isto que o brasileiro quer? Se continuarmos com a nossa displicência no cumprimento da lei, e a porteira escancarada, a Amazônia será um imenso curral, para onde o Brasil sonha transferir mais de 200 milhões de cabeças de gado nos próximos 20 anos. Por trás desta boiada está o maior contingente de mão de obra no meio rural. São, pelo menos, 500 mil micro-pecuaristas (um universo de 2 milhões de pessoas) distribuídos em todos os cerca de 800 municípios da região; além de outros 10 mil médios e grandes pecuaristas, com quem está a maior parte das terras e do rebanho, e onde estão a quase totalidade das causas trabalhistas e daqueles resgatados em trabalho análogo à escravidão. Ao invés de tornar a pecuária um setor da moderno e socialmente justo, o Brasil empurra a ineficiência e informalidade de relações e ilegalidade para a Amazônia, como se fora a pecuária o parasita que suga o Brasil rural. É o Brasil precário que vence e achincalha todos os brasileiros. Hoje nos divertimos em camuflar o setor pecuário bovino com a pátina de adjetivos – pecuária verde, pecuária sustentável ou outros nomes criativos. O único adjetivo que cabe ao setor é pecuária precária. E, se a sociedade não se mobilizar a exigir mudanças, dificilmente se avançará, pois a precariedade também está no setor de processamento de carnes que crescentemente se transfere para a região, um dos que mais apresenta causas trabalhistas (vide documentário “Carne, Osso”, do Repórter Brasil). O consumidor precisa saber o custo social da carne que consome, exigir responsabilidade social, fiscal e trabalhista. E, onde tem trabalho precário tem violência. Qual o pior município do Brasil para uma mulher viver? Onde há mais mulheres assassinadas? Paragominas! Sim, o Mapa da Violência 2012, baseado nos dados do Ministério da Saúde, aponta que o município verde, o município modelo no Pará, é campeão deste triste indicador social. Das 100 cidades mais violentas, além de Paragominas, entre as cerca de oito mil cidades do Brasil, seis estão no Pará – Ananindeua, Tucuruí, Redenção, São Félix do Xingu, Novo Repartimento e Barcarena. Fora Ananindeua e Barcarena, as demais são sedes de municípios pecuários. São Felix do Xingu é o município com mais boi do Brasil, 2,1 milhões de cabeças, cerca de 1% do rebanho brasileiro e 100 mil habitantes, ou seja, cerca de 21 bois a cada habitante. Outros municípios estariam nesta lista de violência se a coleta de estatísticas não fosse tão falha. Neste pódio estaria municípios como Itaituba, ponto de apoio a dezenas de milhares de garimpeiros ilegais do Tapajós, onde 36 mulheres foram estupradas em 2013. No Pará, as estatísticas oficiais apontam que o estado tem 37,7 estupros por 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional (25 para 100 mil habitantes)(Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 8o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2014). [caption id="attachment_75901" align="alignright" width="259"] Foto: Tiago Jara/Ibama[/caption] A madeira e o carvão No setor madeireiro e carvoeiro a situação não é muito diferente. Distintamente da pecuária, onde há centenas de milhares de empreendimentos, no setor madeireiro há alguns poucos milhares de unidades beneficiadoras (serrarias, fábricas etc.), o que, esperava-se, ser mais fácil de controlar, uma vez que estas unidades são um gargalo para onde afunila a produção. No entanto, como este é um setor que movimento grandes volumes de recursos e gera-se valores de forma muito rápida, são sucessivas as denúncia de corrupção e atividade ilegal. O próprio IBAMA, o órgão fiscalizador federal e os estaduais, têm grande dificuldade em desmantelar esta indústria ilegal e informam que a maior parte da produção é ilegal. Se a autoridade é falha, o consumidor também é pouco exigente. Seja ele público, da iniciativa privada ou familiar, tanto quanto à procedência como ao trabalho precário relacionado à madeira. Aliás, o consumidor brasileiro apresenta-se pouco exigente diante de qualquer produto, seja o produto agrícola, seja a carne bovina onde, inclusive, arrisca sua saúde (daí a maior parte da carne oferecida aos amazônidas ser clandestina). Na mesma linha, está a questão do carvão vegetal, sabidamente uma das atividades mais degradantes, na qual, frequentemente, flagra-se o trabalho infantil. O carvão é, depois da pecuária, o segundo setor em que mais se flagrou trabalho escravo – com 3.215 trabalhadores libertados entre 2003 e 2013. Um dos maiores desafios refere-se à terceirização da produção para a agricultura familiar, ou seja, o atravessador passa a comprar o carvão de famílias que realizam o trabalho (corte e queima nos fornos). Seu risco diminui, e este transfere a precariedade do trabalho ao produtor rural. Diante de limitadas oportunidades econômicas, muitas famílias se submetem a este trabalho degradante em troca de uma pequena renda. Trata-se de atividade intimamente relacionada à pecuária bovina extensiva, especialmente de médias e grandes propriedades, na medida que estas, coniventes com este processo, “liberam” as suas pastagens e capoeiras para que delas se retirem as árvores mortas e caídas, ou mesmo, pratiquem o micro-desmatamento, invisível ao satélite. Um dos mercados do carvão é o setor de ferro gusa que, mesmo duramente atingido por utilizar carvão ilegal, ainda gera preocupação, pois sabe-se que as áreas plantadas com florestas energéticas de eucalipto ainda são insuficientes para atende-los. O mercado urbano e doméstico, nada desprezível, prossegue expandindo, sob baixíssima fiscalização e inclui tanto a lenha como o carvão presentes no churrasco do fim de semana, ou no teu pãozinho ou na tua pizza. Novamente, as externalidades não são contabilizadas. O Agronegócio Se a pecuária bovina nos últimos 50 anos se apresentou como o tsunami que derruba toda árvore que vê pela frente, a segunda onda do agronegócio se configura como ainda mais avassaladora e perversa. Tanto por ser capital intensiva, como por expulsar a pecuária para dentro da floresta. O pecuarista, capitalizado, prossegue na expansão da fronteira pioneira, invadindo terra pública, ou seguindo para regiões onde a fiscalização é menor – para o interflúvio Tocantins – Xingu, ou para a região da BR-163 (Rodovia Cuiabá-Santarém). A soja e outras culturas anuais de sequeiro, como o milho; o arroz nas várzeas; a palma (dendê); o eucalipto e, mesmo, o açaí plantado dominam o investimento no campo e, em poucas décadas, juntamente com a pecuária consorciada, serão os maiores empregadores no meio rural, direta e indiretamente. Sucede que este avanço do agronegócio, inclusive sobre terras públicas ou sobre regiões de alta insegurança fundiária, como o Nordeste Paraense e o Baixo Tocantins, é monitorado de forma insuficiente. A política nacional de biocombustivel, por exemplo, vem gerando inúmeras denúncias sobre a precariedade do trabalho na cadeia da palma, especialmente por terceirizar o risco para a agricultura familiar e deixar neste elo da cadeia de produção o trabalho precário. A situação se agrava, ainda mais, diante da insegurança fundiária e o atraso no reconhecimento da destinação pública das terras (terras indígenas, quilombolas, áreas de populações tradicionais (convertidas em assentamentos agroextrativistas, reservas de desenvolvimento sustentável ou reservas extrativistas) ou de unidades de conservação). Três novos fatores precisam ser considerados com a expansão do agronegócio que tem impacto no trabalho precário – a) o alto volume de uso do agrotóxico, raramente presente até então; b) o aumento da escala da migração, especialmente de jovens homens, solteiros e de baixa qualificação profissional, competindo com os moradores locais, geralmente de baixa qualificação; e c) a competição por recursos naturais (florestais, pesqueiros, acesso a água, acesso a terra para a segurança alimentar. Diante do baixo conhecimento dos direitos cidadãos por parte de povos e comunidades tradicionais, por agricultores familiares e novos migrantes, é preciso muita cautela, especialmente na esfera trabalhista, para que a exploração do trabalhador avance. [caption id="attachment_125435" align="alignleft" width="380"] Área desmatada para plantio de soja na Amazônia. Foto: Greenpeace/Daniel Beltra[/caption] Este é o caso do plantio de arroz em frágeis ecossistemas do Marajó, em que empresários, mesmo proibidos de expandir suas culturas sem o devido licenciamento, expandem-na; mesmo proibidos de voar com suas avionetas lançando agrotóxicos, o fazem, em claro desrespeito a ordens judiciais. E sua chegada, em uma região em que há 16 quilombos não demarcados gera enorme conflito. A expansão da soja, questão mais crítica no Mato Grosso e Rondônia, está sem controle. A moratória da soja não está funcionando. Aliás, em lugares como a Calha Norte (municípios ao norte do Rio Amazonas no Pará), o Amapá, o Maranhão, esta nunca funcionou. Ali, avança, impunemente, sobre terras de ribeirinhos e quilombolas. Grandes obras moram no meio rural Ao mesmo tempo que avança o agronegócio, a Amazônia se transforma num dos maiores canteiros de obras do Planeta. Estas obras, e sua infraestrutura, viabilizam  a logística e outros fatores críticos ao agronegócio. Poucos atentam para o fato que a maioria destas obras ocorre no meio rural, ou o afeta duramente. São hidrelétricas, estradas, ferrovias, portos, linhas de transmissão de energia, gasodutos etc. A lista é enorme; há mais de 300 obras previstas para a Amazônia nas próximas duas décadas, inclusive em países amazônicos vizinhos. Somente a bacia do Rio Tapajós espera 14 portos de soja e 42 hidrelétricas de diversos portes, 6 das quais de grande porte, como a de São Luis do Tapajós, prevista para 8 mil MW. Com uma carteira de investimento de R$ 1 trilhão, e mobilização entre 100 mil a 200 mil operários simultaneamente, o impacto das grandes obras no meio rural é ignorado. Se os Estudos de Impacto Ambiental & Relatórios de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) exigem pareceres de órgãos como a FUNAI (indígenas), o IPHAN (apenas para a arqueologia) ou o IBAMA e ICMBIO (ambiental), Fundação Palmares (quilombolas), estes deveriam exigir o Estudo de Impacto Social e Cultural. Deveriam avaliar o impacto sobre o trabalho precário, especialmente sobre o meio rural. Basta observar os impactos de Belo Monte no meio rural de toda a região da Transamazônica próxima a Altamira, para saber do que estamos falando. O verdadeiro impacto destes grandes empreendimentos não é apenas a obra, que dura pouco e, sim, o abrir a porteira das terras públicas para a grilagem, o garimpo, o roubo de madeira, a invasão de terras indígenas, quilombolas e de povos e comunidades tradicionais. Na década de 1980, quando a Companhia Vale do Rio Doce, então estatal, implantou a mineração de ferro na Serra Norte, em Carajás, hoje Parauapebas, expôs mais de 20 milhões de hectares ao longo dos 892 km da Estrada de Ferro Carajás e estradas de rodagem associadas, a um furioso processo de desmatamento, queimadas e conflito fundiário. A abertura da Serra Sul, em Canaã dos Carajás, a duplicação da ferrovia e novos investimentos minerais na região significa um novo ciclo mineral ainda maior que o primeiro. Este processo, portanto, que está longe de terminar, se hoje afeta mais de 100 mil pessoas de povos e comunidades tradicionais, deverá ter impacto ainda maior. A vida destas comunidades foi modificada não pela mineração e sim por aqueles que invadiram as terras e instalaram as suas fazendas de pecuária e, atualmente, de soja. Quem paga esta conta? Certamente, não é o minério de ferro, produto que, como se sabe, poucos impostos e taxas recolhe, nem a pecuária bovina, tão beneficiada pelo fisco. Se estes setores são insuficientemente tributados e geram trabalho precário e poucos benefícios aos moradores locais, algo está errado. A partir desta experiência, será que incorporamos estes aprendizados aos grandes empreendimentos que se iniciam ou se expandem na Amazônia? Agricultura familiar e populações extrativistas O outro grande desafio relacionado ao trabalho precário é compreender a natureza da agricultura familiar. Na agricultura familiar e no extrativismo (florestal e dos recursos aquáticos) as pessoas são, ao mesmo tempo, pescadores, extratores, caçadores, agricultores e artesãos. Desde muito cedo, aprendem a subir no açaizeiro, a remar, a ralar mandioca, a caçar, a pescar... Na Amazônia estamos falando de 4 milhões de pessoas que se enquadram nesta categoria, e demandam por atenção especial. Até hoje, a legislação trabalhista brasileira ainda não compreendeu a complexidade da agricultura familiar e o extrativismo tradicional. A legislação trabalhista brasileira está mais afeita ao urbano, pouco observou a precariedade do trabalho rural, especialmente diante do agronegócio e terceirização do risco em diversos setores. Na tradicional agricultura da mandioca, por exemplo, a família inteira participa em todo o processo – do menorzinho aos aposentados. Não é raro ver crianças de cinco a seis anos pelando a mandioca, atividades que chocam quem não se depara com o fato regularmente. Alguns perguntam – como este aprenderá? Mas, a questão mais relevante é: para a criança e o jovem, qual o limite entre o aprendizado e o trabalho? É necessário o trabalho infantil se há adultos capazes de realizá-lo? Na coleta dos frutos do açaí não é diferente. Se o peconheiro (apanhador de açaí) não subir no açaizeiro bem jovem, mais velho não o fará. Isto nunca foi tratado com a atenção que merece. Em depoimentos de crianças em sua terra natal, o Rio Canaticu, em Curralinho, no Marajó, colhidos por Nazaré Sá de Oliveira, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Pará, destacam-se: a) “Eu apanho açaí̧́ porque preciso de dinheiro para comprar as coisas para mim e pros meus irmãos”; b) “nas árvores finas só pode subir criança pois não aguentam os adultos”; e c) “tenho que deixar apanhado cinco rasas de açaí para poder ir para a aula”. Sucede que a forte demanda por açaí resulta em um novo fenômeno, da feita que na safra, estima-se que de 200 mil a 500 mil jovens entre dez e dezessete anos subam diariamente nos açaizeiros. Estes números precisam ser pesquisados com urgência, pois se comparados às estatísticas oficiais, o trabalho infantil na Amazônia está completamente defasado (ou melhor, nunca foi mensurado com cuidado). A Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD) assevera que há 357,8 mil crianças entre 7 e 17 anos trabalhando, 49% em atividades agrícolas, ou seja, cerca de 175 mil em atividades agrícolas. Será que se considerou a coleta do açaí neste número? Dificilmente, novamente o IBGE precisa ir a campo rever seus números. Pior, as estatísticas informam que o trabalho infantil diminuiu (teria diminuído 13,4% na década de 2000), quando sabemos, pela prática, que em setores como o do extrativismo ele aumentou. Atente-se para o fato de que o único Equipamento de Proteção Individual (EPI) destes peconheiros é um surrado calção, eventualmente, uma camisa, e o terçado (facão), geralmente sem bainha, enfiado no calção ou na boca, e a peconha (tipóia), feita de folha da árvore em que o peconheiro apóia os pés. Os riscos que estes jovens se expõem são enormes – escorregões, quebra das árvores, animais peçonhentos, abelhas, inclusive porque, vez ou outra, saltam de uma árvore a outra. E isto sem falar de como o cansaço afeta o desempenho escolar, ou de como esforços físicos em determinadas posições, como a de subir nas árvores resulta em pernas arqueadas, por exemplo. Em outro depoimento, disponível no web-site referido, o conhecido médico ortopedista, Dr. Guataçara Gabriel, chefe do SAMU (atendimento de emergência) de um dos principais hospitais de Belém, o Hospital Metropolitano, informa que 16 a 18% das lesões na coluna que chegam a Belém relacionam-se a queda de açaizeiros. Ele informa que esta estatística não existia antes de haver o resgate por helicóptero atendendo o Marajó. E que o problema não é apenas a queda, mas a inadequação da locomoção do acidentado, tão ou mais prejudicial que a própria queda. Vassalos modernos Outra questão que precisa ser exposta publicamente e extirpada na Amazônia é a figura do grileiro de terras públicas, que cobra “meia” ou “ameia” (metade da renda do que se produz) de populações tradicionais que ali vivem há gerações. Há outras variações de nome e tipologia, como o arrendamento, sociedade ou parceria, que continuam tão precárias quanto a ameia. Trata-se de uma prática medieval comumente realizada por quem se diz proprietário de terras e de rios. Estes controlam o acesso as cursos d’água, instalam porteiras em rios e estradas e armam-se de vigilantes. Em geral ocupam terras públicas, e passam a cobrar o que denominam de “ameia” de quem lhe presta serviço ou de seus vizinhos. De uma forma simplificada, tudo que o trabalhador rural produzir, seja seu vizinho ou apenas um trabalhador temporário, deve ser dividido entre o “falso” proprietário e o trabalhador, sem direito trabalhista algum. Esta prática medieval, verdadeira vassalagem e, na maioria das vezes, sobre terras públicas, ainda se apresenta bastante comum nos estados amazônicos, o que precariza ainda mais a relação trabalhista. Ao pousarem de compadres e protetores, o que estes ocupantes da terra estão fazendo é fugir das obrigações trabalhistas e terceirizar o risco. Uma parte significativa da coleta da madeira, do açaí, da pesca do camarão e do pescado e outros tipos de extrativismo e, mesmo, de agricultura familiar, encontra-se sob este tipo de contrato precário de trabalho. No Pará a “ameia” está presente nas regiões de ocupação mais tradicional, como o Marajó, o Baixo Tocantins e o Baixo Amazonas. Pode-se prever que pelo menos 1/3 do açaí coletado esteja sob este regime de contrato precário, senão mais. Só no Marajó, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e o Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (INCRA) libertaram cerca de 25 mil famílias do pagamento de ameia; seja assentando-as em Projetos de Assentamento Agroextrativista (PAEs) ou, em parceria com o ICMBIO, em unidades de conservação de uso sustentável (Reservas Extrativistas (Resex) e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS)). Mas falta muito, pois, só no Marajó há pelo menos 15 mil famílias fora do amparo legal, especialmente nas áreas dos campos alagados, que são terras públicas federais, ilegalmente ocupadas. [caption id="attachment_105104" align="alignleft" width="380"] Foto: Reprodução/Internet[/caption] Trabalho Domestico no Meio Rural Este é o tema menos tratado no mundo do trabalho. Ele se refere, principalmente, a meninas, e que trabalham, muitas vezes, desde os oito e nove anos. O PNAD precisa revisar o dado de que há 139,5 mil meninas jovens, entre 7 e 17 anos, em trabalho doméstico rural na Amazônia. Isto porque, se nos basearmos no dado do Censo de 2010, que no estado do Pará 21,3% dos jovens entre 10 e 17 anos do meio rural estão ocupados, a situação deve ser ainda mais crítica. Em alguns municípios do Pará, como Oeiras e Anapu, mais de 30% das crianças estão ocupadas (trabalhando)(IBGE, 2010). Certamente, seria possível seguir discorrendo sobre outras questões relacionadas ao mundo rural, como o emprego precário na pesca artesanal, de outros produtos do extrativismo, como o babaçu, e de outras práticas, porém, esta breve apresentação, demonstra a urgência de priorizar o trabalho precário na Amazônia Rural. Os muitos desafios Entre os muitos desafios a enfrentar, apontamos alguns, entre os quais aqueles sugeridos por minha colega, Ida Pietrikovsky, do UNICEF: a) “Tribunais de Justiça do Estado e do Trabalho juntos, trabalhando para dar coesão e prioridade aos processos em tramitação sobre os casos de trabalho infantil”; e b) “repensar o sistema de educação no campo, revendo o Plano Decenal de Educação”. Em relação a esta última questão,  Nazaré Sá de Oliveira propõe “a educação integral e o ensino técnico como elementos fundamentais para diminuição do trabalho infantil entre adolescentes de 14 a 17 anos”. Isto porque esta afirma: “o trabalho de crianças pobres reproduz e aprofunda a desigualdade social, na medida que prejudica o desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social na infância”. A representante do UNICEF propõe, outrossim, como estratégias transformadoras: a) Propor estratégias e desenvolver campanhas para mudança da cultura que estabelece que “trabalhar é bom para a criança”; b) Rearticular os Fóruns de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil; c) Responsabilizar as empresas nas cadeias produtivas estando estas livre do trabalho infantil; d) Melhoria na oferta de uma educação do campo de qualidade; e e) Envolver as famílias e os adolescentes na busca por respostas. Além disto, a partir do que se analisou no presente artigo, é preciso atacar 6 frentes, a saber: Estabelecer como obrigatório o Estudo de Impacto Social Quaisquer empreendimento de porte deve apresentar, além do EIA-RIMA, um Estudo de Impacto Social que observe atentamente o trabalho precário. Está na hora da sociedade realizar uma profunda mudança no que entende por estudos de impacto. Hoje se analisa as questões de forma estanque – indicadores ambientais isolados dos sociais e dos econômicos. Ademais, é preciso construir indicadores com a própria sociedade local, com as partes interessadas. Estes indicadores precisam fazer sentido para a comunidade e devem ser por ela monitorados e avaliados. Monitorar a precarização do trabalho nos contratos de “ameia” É preciso um monitoramento severo dos contratos de ameia, a imensa maioria dos quais, informais e verbais. Somente um mutirão do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Ministério Público do Trabalho (MPT), região por região e, com forte apoio da sociedade civil organizada, será capaz de identificar e extirpar esta prática ilegal e medieval, que suga o sangue do trabalhador e de sua família e é importante responsável pelo trabalho precário. Uma das formas de coibir estes contratos seria a sua exposição pública, como ocorre com a Lista Suja do Trabalho Escravo, criada pelo MTE e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Fortalecer o PETI e realizar campanhas sobre o trabalho infantil Para Nazaré Sá de Oliveira, “a pesquisa (PNAD) não consegue cobrir todas as áreas onde ocorre o Trabalho Infantil e a própria família e sociedade não reconhecem os perigos deste crime”. Desta forma, um dos mecanismos de controle, seria realizar campanhas, associadas a outras políticas publicas, como o aumento da fiscalização para o combate ao trabalho infantil, além da aplicação de multas e outras medidas severas. Além disto, todos os especialistas apontam que é preciso fortalecer a capacidade de agir do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), do Governo Federal. Realizar campanhas ao consumidor relacionando o trabalho precário e o custo socioambiental dos produtos É preciso repensar a maneira de enxergar o valor dos produtos. Se o consumidor não for alertado para relacionar o trabalho precário ao que consome, dificilmente compreenderá as relações ocultas que governam a geração de renda na região e, dificilmente avançaremos. É a pressão do consumidor que exigirá a carne bovina de qualidade, o carvão honesto, o açaí somente com trabalho adulto. Se conhecemos que um quilo de carne bovina custa 14 toneladas de dióxido de carbono (CO2), 15 toneladas de água e toneladas de outros gases, porque não temos direito de saber quanto de trabalho precário tem em cada quilo de carne ou outro produto rural? Prosseguir no combate ao Trabalho escravo Se o combate ao trabalho escravo mostra resultados, é preciso prosseguir e aprofundar esta ação, especialmente garantindo ao MTE e MPF condições para realizar suas vistorias, que devem ser associadas, como estes mesmos órgãos manifestam, com ações de caráter ambiental (IBAMA, SEMA) e de outros órgãos (FUNAI e outros). Estamos longe de resolver o problema, Monitoramento do trabalho precário no agronegócio É preciso criar um observatório permanente de monitoramento do trabalho precário no agronegócio, especialmente na pecuária e na soja, setores que respondem pela maior parte do impacto e do emprego. E este monitoramento só funcionará se contar com a participação ativa dos representantes da iniciativa privada do próprio setor. Neste sentido, é preciso observar o trabalho da FUNDACENTRO em São Paulo, que realizou cuidadosa análise coletiva do trabalho em setores como a da cana de açúcar e do abacaxi (vide o web-site mencionado neste artigo). Esta análise apresenta as bases para ocorrer o trabalho sustentável, e que permite aos órgãos públicos monitorar o negócio privado. Isto permitirá, por exemplo, orientar termos de ajuste de conduta (TAC) com setores do agronegócio, como aquele que se propõe para o setor da palma, pelo Ministério Público Estadual. Este TAC pode ser um modelo para como conduzir com o setor da pecuária, do açaí e outros. Certamente, além destas 6 frentes de ação, outras se apresentam como importantes, o que fica para um outro momento de discussão. ___________________________ Para concluir este artigo, proponho a questão levantada por Nazaré Sá de Oliveira – É possível articular o desenvolvimento da região sem envolver a mão de obra de Crianças e Adolescentes? * João Meirelles Filho é diretor do Instituto Peabiru, organização da sociedade civil com sede em Belém, Pará. Este artigo resulta da contribuição ao evento “Amazônia Rural Trabalho Precário”, realizado em Belém, Pará, entre 4 e 5 de dezembro de 2014, coordenado pelo Tribunal Regional do Trabalho TRT8.


por João Meirelles Filho*
agricultura

Comissão de Mudanças Climáticas aprova relatório anual com incentivo à agricultura de baixo carbono

[caption id="attachment_126996" align="aligncenter" width="580"] Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado[/caption]   Em reunião na tarde desta terça-feira (16), a Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) aprovou o relatório de suas atividades ao longo do ano de 2014. O destaque do texto foram as várias menções ao potencial da agricultura como setor que mais pode contribuir para a redução das emissões de gás carbono no Brasil. O relatório, do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), contém quatro conclusões principais. Uma delas apresenta medidas que a comissão entende necessárias para expandir o programa do governo federal voltado para a agricultura de baixo carbono, chamado de Plano ABC: maior assistência técnica aos produtores, financiamentos facilitados, simplificação do sistema de crédito e melhor divulgação. Segundo Raupp, deve ser tarefa da comissão a partir de 2015 seguir de perto a gestão do programa. — A agricultura é um dos setores com maior potencial de mitigação, e é fundamental que a CMMC acompanhe e incentive a disseminação do Plano ABC — ressaltou. O texto de Raupp também aponta a necessidade de mudanças no sistema energético nacional, com maior estímulo a fontes renováveis e à geração de pequeno porte; e o aprimoramento do uso do solo, tanto no ambiente rural (controle do desmatamento, recuperação de áreas degradadas e de bacias hidrográficas) quanto no urbano (melhor preparação para desastres naturais, planos de contingência, infraestrutura adequada. O relatório menciona a Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída em 2009, que julga adequada, sem necessidade de revisão. No entanto, Raupp afirma que é necessário monitorar a implementação da medida, em especial a evolução da participação de diferentes setores da economia nas emissões de carbono. O senador aponta a indústria e os transportes como setores cujas emissões tendem a crescer. 'Moeda do clima' e tributação verde O texto aprovado pela comissão faz referência ainda à ideia de se criar um ativo financeiro que consolide o reconhecimento do valor socioeconômico da redução de emissões de carbono. Nessa proposta, o cumprimento de metas de redução de emissões seria convertido em uma “moeda do clima”. — Ela seria utilizada para adquirir produtos, serviços e tecnologias certificados para reduzir emissões, gerando um círculo virtuoso no fortalecimento de uma economia de baixo carbono — explicou Raupp. O presidente da CMMC, deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ), idealizador do modelo, argumentou que a adoção dessa medida colocaria o Brasil na vanguarda da questão climática global. Sirkis também sugeriu a criação de um imposto ambiental sobre as emissões. — É necessário taxar o carbono. Mas é preciso que essa taxação seja compensada pela redução de outros tributos, incidentes sobre o trabalho e o investimento, que são social e ambientalmente regressivos — argumentou. Sirkis também destacou a participação da delegação da CMMC, chefiada por ele próprio, na COP 20, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Lima, no Peru, entre 1º e 12 de dezembro. * Publicado originalmente no site Agência Senado.


por Guilherme Oliveira, da Agência Senado
Mico-Leão-Dourado. Foto: © WWF-Brasil / Marcela Beltrão

Parceria histórica pela conservação do mico-leão-dourado

[caption id="attachment_126901" align="aligncenter" width="524"] Mico-Leão-Dourado. Foto: © WWF-Brasil / Marcela Beltrão[/caption]   Na década de 1980, estimou-se que haviam apenas 200 micos-leões-dourados na natureza. O trabalho para evitar a extinção desse simpático primata foi uma das primeiras ações da rede WWF no Brasil. “Hoje, segundo o último censo publicado pela Associação Mico Leão Dourado (AMLD), podemos apresentar uma contagem 16 vezes maior do que foi constatado 30 anos atrás, cerca de 3200 indivíduos”, comenta Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil. Essa marca é fruto de vários projetos desenvolvidos em prol da espécie. Um deles é uma parceria entre o WWF-Brasil e a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) retomada em 2012. Juntas, elas executam ações conservacionistas, projetos de educação ambiental com formação de professores e multiplicadores nos municípios do entorno do habitat da espécie, campanhas e atividades de mobilização. Centro de Visitantes no Rio de Janeiro Hoje (16), foi reinaugurado o Centro Educativo da Reserva Biológica de Poço das Antas/ICMBio, em Silva Jardim. O objetivo é ter um espaço no coração da Mata Atlântica fluminense - morada natural do primata - para exposições interativas com mapas, imagens, vídeos e textos informativos que acrescentem à experiência e à consciência ambiental do visitante. O local contará também com uma mostra permanente, realizada com apoio da ONG Garupa e do WWF-Brasil, chamada “A Mata Atlântica e o mico-leão-dourado”, com fotografias de Haroldo Palo Junior. “A realização da exposição faz parte do conjunto de ações do Programa Mata Atlântica com conservação de espécies, que além do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), trabalha pela conservação do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e da onça pintada (Panthera onca), com apoio da empresa Ferrero Rocher”, destaca Daniel Venturi, analista do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil. Engajamento e educação ambiental à distância Nos últimos anos, outra atividade desenvolvida por essa parceria foi a capacitação de mais de 40 professores e multiplicadores nos municípios do entorno onde o primata habita, pelo projeto “Redescobrindo a Mata Atlântica”. Essa iniciativa fortaleceu as ações de educação ambiental no bioma e permitiu semear informações sobre a floresta tropical do outro lado do oceano. "Estamos escrevendo para lhes pedir para tentar salvar a floresta tropical". O pedido foi feito por alunos de educação primária da Inglaterra para o WWF-Brasil. Mudança climática, desmatamento e povos tradicionais desalojados foram as preocupações dos alunos, que enviaram nove cartas ao WWF-Brasil. “Estamos zangados por estarem destruindo as florestas tropicais”, dizia um dos alunos. Os problemas ambientais foram trabalhados na escola Warren Road Primary School, com a participação de crianças de sete a oito anos. “As cartas foram encaminhadas para a Associação Mico-Leão-Dourado, ONG parceira do WWF-Brasil, a fim de serem usadas em um projeto de educação ambiental na Escola Municipal Patrick Marchon Portal, no município Casimiro de Abreu (RJ). Lá, as crianças leram as cartas traduzidas e escreveram aos alunos ingleses. "Olá, querida Hannah, pois é, o Brasil está realmente sendo desmatado (...), mas ainda existem muitas árvores em extinção e animais, mico-leão-dourado, ararajuba, arara-azul”, escreveu uma das alunas. A professora Cintia Muzy Brito que coordenou as respostas enviadas pelos estudantes brasileiros foi capacitada pelo projeto “Redescobrindo a Mata Atlântica”. Ela também escreveu uma carta à professora inglesa, com informações sobre a flora brasileira e sua formação na área de educação ambiental. "O homem é a maior ameaça à natureza no mundo, não raciocinando seus atos e sendo imprudente a todo momento, visando somente a realização do hoje, deixando de pensar no amanhã, pois se soubessem utilizar os recursos da natureza sem destrui-la e também repondo a ela o que retiram, seria um desenvolvimento sustentável", explica. Nos últimos anos, o WWF-Brasil apoiou projetos de educação ambiental da AMLD e, para Venturi, essa parceria permite formar multiplicadores locais para incentivar os adultos e jovens a valorizarem a Mata Atlântica e aparticiparem de ações para a proteção da floresta cada vez mais. “Esse trabalho em rede e ações de engajamento da sociedade proporcionam o ‘pensar globalmente e agir localmente’, essencial para a proteção e a conservação do planeta e das futuras gerações”, conclui. * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Redação do WWF Brasil
Ações para proteção do Parque Nacional Guaricana serão um dos focos das discussões do evento em Florianópolis (SC).
Foto: Emerson Oliveira

Entidades paranaenses apresentam resultados de pesquisas em unidades de conservação

[caption id="attachment_127001" align="alignleft" width="360"] Ações para proteção do Parque Nacional Guaricana serão um dos focos das discussões do evento em Florianópolis (SC).Foto: Emerson Oliveira[/caption] Encontro pretende mostrar ao poder público ações práticas e efetivas para garantir a conservação e o uso público adequados dessas áreas Na próxima quinta-feira (18), instituições paranaenses irão se reunir com representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão que administra as unidades de conservação brasileiras, para apresentar resultados de estudos científicos no litoral e serra do mar paranaense. O objetivo do evento é oferecer subsídios técnicos para que o governo possa implementar políticas públicas que garantam a proteção da biodiversidade da região, além de ordenarem atividades de uso público, manejo e atividades econômicas no entorno das áreas. Durante o encontro, que acontece em Florianópolis (SC), na Coordenação Regional da Região Sul do ICMBio, ações para quatro unidades de conservação (UC) serão discutidas: Parque Nacional (Parna) Guaricana, Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, Parque Nacional do Superagüi e Reserva Biológica (Rebio) de Bom Jesus. Essas unidades de conservação foram escolhidas porque possuem projetos que foram apoiados pela Fundação Grupo Boticário, que podem orientar ações efetivas do poder público, além de terem potencial para beneficiar as comunidades do entorno, especialmente com o turismo. “Queremos que a população se beneficie com as UCs, não apenas com os serviços ambientais que elas geram, mas também as aproveitando para o turismo, que é um dos objetivos dos parques nacionais”, comenta Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição responsável pela articulação entre o governo e as instituições de pesquisa e conservação. Dentre os serviços ambientais que a população já se beneficia dessas áreas protegidas estão o fornecimento de água, manutenção de polinizadores, contenção de solos e encostas, proteção contra eventos climáticos extremos e a regulação do clima. Geração de conhecimento para políticas públicas De acordo com as pesquisas apoiadas pela Fundação Grupo Boticário e que serão apresentadas no evento, cada uma das unidades de conservação selecionadas tem necessidades específicas de ações que as protejam e que serão sugeridas ao ICMBio. É o caso do Parna das Ilhas dos Currais, que foi criado em 2013 e precisa que seu Plano de Manejo (documento que ordena o uso da UC) seja elaborado. Já no Parna do Superagüi são necessárias ações de fiscalização e conservação do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), espécie que é endêmica da região que abrange os litorais paranaense e sul de São Paulo e está ameaçada de extinção. Também será discutida a delimitação da zona de amortecimento do parque. Essa área tem por objetivo proteger a UC do efeito de borda, onde as atividades econômicas que podem causar impactos negativos às unidades precisam ser controladas. Apesar de esse Parque Nacional já ser bastante visitado por turistas, ele também não possui Plano de Manejo e, com isso, essa visitação ainda não é regulamentada. Na Rebio Bom Jesus, as indicações são a elaboração desse mesmo documento, sua delimitação geográfica e a disponibilização de equipe em número adequado para ações de fiscalização. Já no recém-criado Parna Guaricana, para que seja conservado de modo adequado, é necessário elaborar o Plano de Manejo e disponibilizar infraestrutura física e de pessoal para que a região possa estabelecer um turismo adequado. Para viabilizar isso tudo as instituições também se apresentarão como parceiras para a execução destas atividades nesta unidade e nas demais a serem discutidas. O encontro é uma realização da Fundação Grupo Boticário em parceria com a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), o Mater Natura Instituto de Estudos Ambientais e a Associação Mar Brasil.


por Fundação Grupo Boticário
Indígenas protestam em frente a isolamento da polícia

Indígenas são reprimidos em protesto contra a PEC 215 na Câmara e seis são presos pela polícia

Até a noite de ontem, cinco índios permaneciam presos. Manifestantes afirmam que foram agredidos por policiais Indígenas foram reprimidos, no final da manhã de ontem, numa das entradas da Câmara dos Deputados quando manifestavam-se contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que está para ser votada na comissão especial que a analisa. Houve confusão e a polícia usou spray de pimenta. Manifestantes relataram que foram agredidos. [caption id="attachment_126971" align="aligncenter" width="580"] Indígenas protestam em frente a isolamento da polícia[/caption]   A PEC pretende transferir do governo federal para o Congresso a prerrogativa de oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas. Se aprovada, significará a paralisação definitiva da formalização dessas áreas. O projeto pode ser votado nesta quarta (17/12) na comissão especial que o analisa na Câmara. O colegiado é dominado pela bancada ruralista, que tem usado manobras regimentais para tentar avançar na tramitação da PEC (saiba mais). [caption id="attachment_126972" align="alignleft" width="360"] Houve confusão entre policiais e indígenas, que foram impedidos de acessar o Congresso[/caption] No início da tarde de ontem, em frente ao Ministério da Justiça, a polícia prendeu quatro indígenas que estavam num grupo que pretendia ser ouvido pelo ministro José Eduardo Cardozo. “Ficamos o tempo todo na porta da Câmara. Quando saímos de lá fomos surpreendidos com carros da PM. Já foram puxando os indígenas e jogando as lideranças no carro. Chutaram nosso cocar e nos xingaram. Disseram que iríamos pagar pelo suposto ferimento de alguns policiais. É triste presenciarmos isso sem sabermos o real motivo. É um grande esquema para sujar nossa imagem”, afirma a liderança Nilton Pataxó, presente no momento da prisão dos quatro indígenas, no Ministério da Justiça. Quando tentou registrar a ação da Polícia Militar, o assessor de comunicação do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Rafael Nakamura, teve seu aparelho celular apreendido. Os policiais apontaram armas enquanto dirigiam ofensas aos indígenas. No início da noite, mais dois índios foram presos quando os dois ônibus que levavam os manifestantes do Congresso até o centro de formação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em Luziânia (GO), foram seguidos e parados na estrada. Todos os passageiros dos ônibus que os levavam foram obrigados a descer dos veículos e revistados pelos policiais. Cerca de 50 policiais fortemente armados, além de uma dezena de viaturas, participaram da operação. [caption id="attachment_126973" align="alignright" width="380"] Indígenas são revistados por policiais em ação em rodovia em que dois deles foram presos[/caption] Até o meio da noite, seguiam detidos Cleriston Tupinambá, Tucuri Santos Pataxó Alessandro Terena, Claudenir Terena e Idalino Kaingand. David Martim Guarani foi liberado por volta das 22h. Segundo os policiais que conduziram a operação, os presos estão sendo acusados de “tentativa de homicídio”. Chamou a atenção, ontem, durante todo o dia, o forte e numeroso aparato policial mobilizado para impedir a entrada de manifestantes no Congresso. Logo no início da manhã, o acesso a todas as entradas do prédio foi barrado para qualquer pessoa que não os funcionários, sob ordem da presidência da Câmara. Um grande efetivo de policiais e seguranças foi mobilizado. Até mesmo parlamentares foram impedidos de entrar com convidados (veja abaixo galeria de fotos). * Com informações do Cimi e CTI. ** Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental.


por Oswaldo Braga de Souza, do ISA*
floresta

Comissão aprova política para valorizar produtos e serviços da floresta

O Projeto de Lei (PL 6729/13) que cria uma política para valorizar produtos e serviços feitos na floresta foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. A Política Nacional de Estímulo à Agregação de Valor e Consolidação de Mercado dos Produtos e Serviços da Floresta – como será denominada a lei se aprovada – visa estimular o uso sustentável de recursos naturais e incentivar a diversificação industrial. O texto, de autoria do deputado Sérgio Brito (PSD-BA), prevê a criação de instrumentos como incentivos fiscais, financeiros e de crédito de assistência técnica durante o ciclo produtivo. Segundo o projeto, a política terá princípios como a proteção dos ecossistemas, da água, do solo da biodiversidade e dos valores culturais e sociais relacionados à produção desse tipo de mercadoria e vai fomentar o uso sustentável de recursos naturais. O relator do projeto na comissão, deputado Márcio Macêdo (PT-SE), acredita que o País tem amadurecido nesta questão. Ele diz que a proposta vai se somar às políticas atuais de agricultura orgânica e familiar e a outros projetos em discussão, como o projeto (PL 7735/14) que aguarda votação em Plenário e que muda as regras de exploração do patrimônio genético. "É importante que a floresta seja incorporada às vidas das pessoas para ser defendida. É importante ter um mercado que possa dar valoração aos produtos que são extraídos da floresta, mantendo a floresta de pé. Eu acho que esse projeto de lei pode somar e formar um grande mercado que possa sustentar as famílias que sobrevivem desse tipo de atividade mantendo a proteção aos recursos naturais." Cadeias de comercialização O autor da proposta ressalta pesquisa realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) sobre as cadeias de comercialização dos principais produtos florestais não madeireiros no Estado, como plantas medicinais, extratos, frutas, sementes, cipós, cortiças, fibras, resinas, taninos e óleos. A pesquisa surpreende pela variedade e quantidade e pelo aumento da demanda desses produtos nos últimos anos. Mostra também que há pouca informação sobre as estruturas de produção e comercialização. Brito atribui a desvalorização desses recursos e desses conhecimentos ao alto valor acrescentado ao produto ao longo da produção. Comunidades tradicionais Pelo menos 50 comunidades tradicionais amazônicas têm usado, como parte da renda familiar, uma técnica de origem indígena aliada ao conhecimento acadêmico que transforma o látex de seringueira em uma borracha especial usada na produção de diversos materiais, como bolsas, mantas, embalagens, tapetes, camisetas e até telhas. Desde 2002, o projeto Encauchados de Vegetais, é desenvolvido por uma instituição de parceria entre essas comunidades e pesquisadores, o Polo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Poloprobio). Ele é desenvolvido em aldeias indígenas – como as dos Kaxinawá e dos Shanenawá -, em reservas extrativistas e outros tipos de comunidades. A média do rendimento da produção do encauchado é de cerca de R$30 mil por mês. Natural do Paraná, o ecologista Francisco Samonek é um dos fundadores do polo. Ele estuda a borracha amazônica há mais de 20 anos e constata que a comercialização e a tecnologia para a produção são uns dos maiores desafios para o projeto. "Nós estamos na Amazônia, as distâncias são grandes e as dificuldades de gerar produtos de boa qualidade no meio da floresta são grandes também. Algumas iniciativas na área de ciências têm gerado produtos em parcerias com outras instituições e aí acaba saindo. No caso da borracha, a gente tem buscado aprimorar a qualidade para que o mercado possa aceitar como produto de boa qualidade." Samonek comenta que o polo, que existe há 16 anos, já recebeu impulsos financeiros de alguns prêmios, como o da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2007, e o Prêmio Equatorial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em 2008. Para ele, as políticas públicas para o setor, como as políticas de incentivo à agricultura familiar, são apenas o "ponta-pé inicial" e precisam ser aprimoradas. Exportação proibida A proposta garante a participação de governos estaduais, de institutos de pesquisa, do setor privado, da sociedade civil organizada e das comunidades tradicionais para gerir a política. E para agregar valor aos produtos brasileiros, a política florestal proíbe exportação para beneficiamento de espécies classificadas como estratégicas ou relevantes, quando houver tecnologia e capacidade produtiva no Brasil. Para Samonek, apenas a proibição da exportação de matérias-primas não será eficiente se não vier aliada ao estímulo da produção de tecnologia. O ecologista critica que há pouco incentivo à produção científica na região, pois elas estão centralizadas no Sudeste e no Sul, e também critica os centros universitários que muito investem em estudo, mas pouco em produzir novas invenções e conhecimentos. "Quando você proíbe de sair uma matéria-prima, tudo bem. Acho que é importante agregar valor à base e a gente defende isso desde o início. O nosso trabalho é exatamente esse. Mas tem que investir em tecnologia, porque não adianta você proibir simplesmente, e não fazer a outra ponta: de gerar conhecimento para que o produtor tenha acesso a esse conhecimento", diz. Tramitação A proposta, que já foi aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Íntegra da proposta: PL-6729/2013 PL-7735/2014 * Edição: Regina Céli Assumpção. ** Publicado originalmente no site Agência Câmara.


por Emily Almeida, da Agência Câmara
Foto: Banco Mundial/John Hogg

Comissão da ONU lança iniciativa para reduzir níveis de amônia na atmosfera

[caption id="attachment_126979" align="alignleft" width="350"] Foto: Banco Mundial/John Hogg[/caption] Unece informou que a agricultura é maior fonte das emissões do gás na Europa; substância química representa grande ameaça à saúde humana. A Comissão Econômica da ONU para a Europa, Unece, lançou uma iniciativa para reduzir os níveis de amônia na atmosfera. Segundo o órgão, a maior fonte das emissões de amônia, também conhecida por NH3, é a agricultura. A substância é obtida através da decomposição de matéria orgânica, como as fezes dos animais, e de fertilizantes com base em nitrogênio mineral. Setor Agrícola Em 2012, o setor agrícola foi responsável por 88,4% das emissões de amônia na região da Unece, excluindo Canadá e Estados Unidos, que também fazem parte da comissão, mesmo não estando na Europa. Os especialistas alertam que essas emissões representam uma ameaça à saúde humana e podem causar problemas no coração e doenças respiratórias. A amônia pode gerar também perda da biodiversidade em vários ecossistemas. A Unece adotou nesta quinta-feira uma nova norma para ajudar os países a reduzir as emissões na agricultura. Propostas Entre as propostas da agência estão o manejo do ciclo de nitrogênio na região, novas técnicas de alimentação dos animais e medidas para reduzir as emissões geradas pela decomposição orgânica. Os especialistas sugerem ainda técnicas para armazenar e espalhar esterco pela área de cultivo, como também, mostram como utilizar sistemas de baixa emissão de gases e medidas para limitar as emissões de amônia geradas pelo uso de fertilizantes minerais. * Publicado originalmente pela Rádio ONU.


por Edgard Júnior, da Rádio ONU
Pleno Sol já comercializou 150 unidades do forno solar. Fotos: Divulgação

Empresa criada dentro de universidade faz sucesso com a produção de forno solar

[caption id="attachment_127017" align="aligncenter" width="450"] Pleno Sol já comercializou 150 unidades do forno solar. Fotos: Divulgação[/caption]   Uma empresa criada dentro da Universidade Metodista de Piracicaba, no interior de São Paulo, fabrica fornos que funcionam à base de energia solar. Hoje, a Pleno Sol anda com as próprias pernas e já produziu 150 unidades para clientes de todo o Brasil. "O forno solar permite a economia de recursos naturais. Mais importante: funciona para o preparo de alimentos em locais onde não há recursos naturais, como o semiárido brasileiro ou a África", explicou Nicolau Bussolati, fundador da Pleno Sol, ao PME Estadão. [caption id="attachment_127018" align="aligncenter" width="450"] Nicolau Bussolati, fundador da empresa[/caption]   Segundo a empresa, o forno "permite o máximo aproveitamento da energia solar independentemente do horário, época do ano ou região", além de ser potente, versátil e durável. Antes restrita aos laboratórios de universidades, a biotecnologia ganha cada vez mais espaço fora do ambiente acadêmico, graças a sua capacidade de solucionar uma gama de problemas sociais. "Questões ambientais têm chamado a atenção de empreendedores para o desenvolvimento de produtos e serviços que resolvam desafios enfrentados pelas cidades", destacou André Viola Ferreira, líder de mercados estratégicos da Ernst & Young. Assista ao vídeo sobre o projeto: * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD

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