Foto: Alex Silveira/WWF Brasil

Ambiente

O relatório que mudou a Amazônia de lugar


por Júlio Ottoboni*

[caption id="attachment_100175" align="aligncenter" width="450"] Foto: Alex Silveira/WWF Brasil[/caption]   A região de maior desenvolvimento econômico da América do Sul seria um imenso deserto sem a floresta amazônica e a Cordilheira dos Andes. Inclui-se nesta área abaixo do equador toda a faixa entre os paralelos 20 a 30, que corresponde ao Sudeste, Sul e grande parte do Centro-Oeste do Brasil, além de porções consideráveis do Paraguai e o norte da Argentina, além de incluir toda a Bacia do Rio Prata. O desmatamento da maior floresta tropical do mundo levaria a essa região, que produz 70% do Produto Interno Bruto (PIB) desta porção continental, ao imenso risco de tornar-se inabitável por falta de água. Um imenso deserto, escassez hídrica, calor calcinante, falência do modelo econômico, empobrecimento irreversível dos habitantes, populações inteiras flageladas, conflitos sociais, fome generalizada, violência em larga escala, cidades sendo abandonadas e o caos instaurado na porção mais rica e próspera da América Latina. Longe de ser ficção, essa é uma possibilidade plausível e que já pode estar em curso e seus efeitos já sentidos desde o final do ano passado. Apesar da gravidade, essa ainda não é a principal conclusão do recém divulgado Relatório de Avaliação Científica “O Futuro Climático da Amazônia”, desenvolvido pelo cientista Antonio Donato Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entretanto, é uma informação que alarmou desde o meio científico, passando por empresários, governos até os  habitantes da região afetada pela mais severa estiagem de que a meteorologia brasileira tem registro no sudeste brasileiro, particularmente em São Paulo. O impacto desta e de outras tantas informações contidas 42 páginas do relatório mudou a Amazônia de lugar, a tirou da faixa do equador, no Norte do Brasil e dos outros oito países pan-amazônicos, e a inseriu definitivamente como um ser planetário de crucial para vida como conhecemos na Terra. E que teve coragem de dizer claramente que “pelas evidencias de alterações, o futuro climático da Amazônia já chegou”. E são sombrios, muito mais do que o meio científico supunha. A maior floresta tropical do planeta pode desaparecer. Essa nova posição geopolítica e universalizada da floresta está, em muito, vinculada a credibilidade de quem formulou o trabalho para a Articulación Regional Amazônica (ARA), entidade formada pelos países pan-amazônicos. Atualmente, o engenheiro agrônomo e doutor de biogeoquímica planetária pela University of New Hampshire, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Antonio Nobre, é o mais respeitado especialista em sistemas amazônicos e reverenciado até mesmo colegas de grandes instituições internacionais, algo difícil de galgar no meio científico. “Acabou o tempo, não posso afirmar que já ultrapassamos o ponto de não retorno. O que dá para falar é que a situação é terminal, na UTI e meu dei conta quando li os trabalhos dos colegas. Não dá para cortar mais nenhuma árvore. Eu mesmo já tinha dito que a situação era gravíssima, mas as pessoas não conseguem modificar seus comportamentos pela falta de identificar o fator de risco. O conforto ambiental treinou o cérebro desta gente para acreditar de que não se precisa fazer nada, que a natureza controla tudo e São Pedro está aí para enviar a chuva, que não vai ter problema. Tenho uma convicção, para mudar isso é necessário termos um desastre, infelizmente não tem outra forma para elas despertarem”, comentou o cientista. Para essas conclusões foram lidos e analisados 200 trabalhos científicos transdisciplinares, como o estudo que foi publicado há menos de dois anos na Revista Nature, no qual se mostra que os ventos que passam sobre uma floresta  provocam até 60% mais chuvas que os que vem pelo oceano. O volume de dados gerados nas pesquisas sobre a Amazônia era de tal magnitude que Antonio Nobre reconhece ser praticamente impossível alguém dominar todo conhecido produzido, inclusive por sua diversidade. Isto criou uma dificuldade inerente ao processo e que cria mais barreiras que caminhos.  E sobram críticas até para a estrutura do conhecimento científico, cada vez mais estratificado e hermético. “ A ciência se organizou de uma maneira muito fragmentária. Fazer um trabalho como o que eu fiz é preciso ter muita coragem, é muito difícil até para mim que sou cientista, pois você acaba tendo que entrar em diversas áreas e precisa dominar os detalhes”, afirma com uma sinceridade crua, sem meias palavras. Sem medo de vulgarizar a ciência Temores como críticas de seus pares por ‘vulgarizar a ciência’, como os mais conservadores tratam o papel da popularização do conhecimento científico não faz o menor sentido. Antonio Nobre a enfrentar esses e outros desafios, não como um Quixote moderno e lancetar moinhos de ventos, mas quebrar de vez paradigmas que imobilizaram , pelas mais diversas razões e interesses, ações práticas para estagnar o desmatamento amazônico. É a fala dos que reconhecem a urgência e tem pressa em conseguir eco no que identificou. Ao concluir o relatório,  Antonio Nobre fez questão a afirmar  seu trabalho é  voltado para o leigo, para a sociedade e não para os seus pares ou mesmo autoridades. Sua função agora é divulgar ao máximo a necessidade de mudança, a quebra de paradigmas forjados ao longo de centenas de anos e criar ‘um esforço para a guerra do bem’ para preservar o que resta da floresta amazônica. Em seu relatório ele abre a ‘caixa de Pandora’ da Amazônia e a sacode para que não sobre nenhum segredo em seu fundo. Entre as cinco verdades desvendadas. O primeiro deles, a floresta mantém úmido o ar em movimento, o que leva chuva para o continente adentro. O segundo: A formação de chuvas abundantes em ar limpo só é possível pelas árvores emitirem substâncias voláteis que condensação o vapor d’água. Terceiro segredo: a sobrevivência da Amazônia a cataclismos climáticos e sua competência em sustentar um ciclo hidrológico mesmo em condições desfavoráveis se dá a Bomba Biótica. Quarto: a porção meridional da América do Sul não ser desértica se deve a exportação de umidade pelos rios aéreos. E quinto e último: a região amazônica e oceanos próximos não criam condições para furacões e tornados, além de outros extremos climáticos, por distribuir e dissipara a energia dos ventos. Para ele, falar com a sociedade é a melhor maneira de se criar uma nova ordem preservacionista, da qual a classe política está a margem. Antonio Nobre crê que esse segmento foi julgado e condenado pela própria sociedade. Os dados científicos e as assessorias necessárias sempre estiveram a disposição das autoridades de nada valeram, mesmo que a quase totalidade das pesquisas ou é financiada integralmente ou tem dinheiro público. E o uso deste conhecimento é ignorado pelos locatários do poder, muitas vezes até sob a desculpa que existe dificuldade em se compreender as pesquisas e seu vocabulário hermético. Isso não passaria de uma desculpa com o propósito de manter o mesmo status quo das relações vigentes. “O júri popular já condenou as nossas autoridades por procrastinação e negligência, poderiam ter exigido como fizeram com o INPE sobre o desmatamento, que criou vários mecanismos de vigilância e de aferição,  e que estamos perdendo graças ao novo Código Florestal que anistiou os desmatadores e o desmatamento está novamente explodindo.  O que estou pedindo nesta relatório é o mínimo minimorum , não temos mais opção, nós temos essa capacidade de reverter o quadro, como foi feito em poucas semanas para salvar diversos bancos privados com trilhões de dólares”, ressalta. Produtora de vapor e chuva Uma árvore grande pode evaporar mais de 1 mil litros de água por dia. Estima-se que a floresta toda, cerca de  5,5 milhões de km² que restaram, consiga ainda proezas inimagináveis. Para se ter uma ideia da dimensão da evaporação no território florestal, o volume diário do Rio Amazonas atinge 17  trilhões de litros. Enquanto a vegetação lança à atmosfera 20  trilhões de litros por dia em moléculas de água. Algo, inclusive, já cientificamente comprovado, ser maior que o próprio índice de vapor de água existente  na mesma faixa no Oceano Atlântico. Um dia da energia despendida nesta evaporação - que forma as nuvens e auxilia na circulação atmosférica - representa o esforço feito pela Usina de Itaipu, em carga plena, durante 145 anos. E pensar que no ano de 1500 esse volume de evaporação em toda porção sul continental e suas florestas intactas chegavam aos expressivos 25 trilhões de litros diários. Hoje, mesmo com a Mata Atlântica reduzida a 10% de seu tamanho original, na faixa equatorial americana cerca de 22 trilhões são levados a atmosfera todos os dias. Na floresta, um metro quadrado alcança no dossel até 10 metros quadrados, o que dá esse índice fantástico de evaporação, como “geiser” com tronco, raízes profundas, galhos e folhas. Enquanto no oceano, um metro quadrado corresponderá ao mesmo volume evaporado. O termo oceano verde veio dos estudos feitos pelo experimento que reuniu o mundo cientifico debruçado na Amazônia, o LBA. Isso se deu ao baixíssimo índice de poeira existente na baixa troposfera, um nível semelhante ao registrado nos oceanos. Entretanto, sem aerossóis, que são partículas em suspensão, não há formação de gotas de chuva. Por isso que os oceanos tendem a aridez.  O que levou a outra descoberta fantástica.  A inteligência da floresta resolveu a questão. Ela passou a emitir gases aromáticos que são capazes de induzir as chuvas. Em outro processo, gases nocivos são retirados do ar também por mecanismos de autorregulação ambiental produzidos pelas árvores. O conceito de ‘ bomba biótica’, surgido pelos cientistas Anastassia Makarieva e Victor Gorshkov, ambos pertencentes ao núcleo de pesquisas do Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo, na Rússia, em colaboração com Antonio Nobre, do Inpa, mostra que quando a evaporação gera um fluxo de vapor - maior inclusive que do  rio Amazonas -  a pressão atmosférica na Floresta Amazônica cai. Isso cria uma aceleração que "suga" os ventos alísios vindos do Oceano Atlântico  e carregados de umidade. Esse efeito é semelhante ao de uma bomba de água, cuja função é puxar os ventos úmidos do oceano para adentrarem à bacia Amazônica.  Sem a floresta isso não ocorre e as chuvas desaparecem. O conjunto de árvores atuam em sintonia, como um ar-condicionado e produzem um rio suspenso de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão atmosférica da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. Algo, segundo Antonio Nobre, que desafio tanto modelos climáticos como o senso comum. Neste bombeamento biótico de umidade se cria uma correia transportadora. As árvores imensas e antigas têm enraizamento profundo, que buscam água a mais de 20 metros até 40 metros abaixo do solo, num rico lençol freático. E traz essa água estocada no oceano de água doce, retroalimentado toda vez que chove. Rios Aéreos Outra novidade são os ‘rios aéreos’, um sistema capaz de transportar imensas quantidades de água em forma de vapor e provocar chuvas em grande parte do porção mais austral do América do Sul. A faixa dos desertos existente no hemisfério sul do planeta atravessa enormes áreas continentais, como os desertos australianos de Great Sendy, Gibson e Great Victoria, na plataforma africana surgem as áreas desertificadas da Namíbia e do Kalahari e na América do Sul, o do Atacama. Sem qualquer coincidência, ambos desertos africanos, inclusive em expansão, estão alinhados frontalmente, dentro das margens latitudinais, com as regiões de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O que leva aos cientistas suporem que somente uma combinação de fatores envolvendo a Amazônia tornaram essa área próspera, com um regime de chuvas estabelecido e florestas, e não um deserto inóspito. “Fiz esse relatório sobre a Amazônia e não sobre São Paulo, apesar de ter ligação. Não seria algo totalmente impensável que essa região seria desértica se não fosse a circulação do ar úmido que sobe da floresta, bate nos Andes e acaba vindo para o sudeste. Essa é a única referência que eu faço. Mas num sistema autorregulado, você só percebe o dano quando ele entra em colapso. Como o sistema tem uma capacidade muito grande de absorver abusos, durante as últimas décadas tínhamos um certo conforto. Só que chegamos agora no nível de saturação”, reforça. Além do Brasil, também são afetados por esse sistema, oriundo da Floresta Amazônica, os territórios da Bolívia, Paraguai e parte da Argentina. Isso ocorrer  principalmente nos meses de verão, de novembro a março. E é justamente nesse período que chegam ao início destas latitudes médias os fluxos dos chamados rios aéreos. As frentes frias que procedem do sul do continente e chegam nessas regiões em outros períodos do ano, sendo massas de ar frio que transportam pouca umidade. “Isso foi comprovado pelo pesquisador Enéas Salati, o pioneiro sobre reciclagem da umidade na Amazônia. Ele e o aviador Gerard Moss, perseguiram o caminho deste rio aéreo em meados dos anos 2000. Coletas de chuvas no Rio de Janeiro mostram que as águas vinham também do interior do continente e haviam passado pela Amazônia. Constatou-se  em estudos, como o de Dominick Spracklen e seus colaboradores, que a floresta é a cabeceira dos mananciais aéreos da maior parte das chuvas na América do Sul”, salientou. Impactos atuais e futuros O volume de desmatamento e suas proporções colossais, que além de se tornar o maior biocídio (no sentido lato da palavra, exterminar a vida)  de ação antrópica na história do planeta, os efeitos e impactos desta destruição são sentidos em diversos pontos do país. Se antes da destruição se dizia que na região amazônica havia duas estações, a úmida e a mais úmida. Depois com o avanço do desmatamento temos agora uma estação seca pronunciada e a estação úmida diminuindo progressivamente. “Não resta a menor dúvida de que os impactos do desmatamento e da degradação florestal, além de seus efeitos associados, já afetam a chuva próxima e distante da Amazônia. Já causa efeitos hoje e prometer ser ainda mais severos no futuro, a ponto de que a única opção responsável é agir vigorosamente no combate às causas. Como ação principal impõe-se a universalização e facilitação de acesso às descobertas científicas, que podem reduzir a pressão da principal causa do desmatamento: a ignorância”, observou Antonio Nobre. Formada há 400 milhões de anos, a Amazônia primordial nasceu de organismos que saíram do oceano e vieram para a terra. O tapete multicolorido, estruturado e vivo, além de extremamente rico em organismo prosperou. Dentro das folhas ainda existem condições semelhantes às da origem marinha. O processo que trouxe a floresta continental e seus habitantes se formou nos últimos 50 milhões de anos. O cientista calcula que a ocupação da Amazônia já destruiu nas últimas quatro décadas, cerca de 42 bilhões de árvores, ou seja, 7 árvores para cada habitante da Terra. São mais de 2 mil árvores por minuto, de forma ininterrupta.  Na somatória entre desmatamento e a degradação - áreas verdes, mas inutilizadas -, a destruição da Amazônia alcança mais de 2 milhões de km². Se contabilizar apenas o desmatamento até 2013 se chegará a marca 763 mil km², área equivalente ao território de três estados de São Paulo. Em área degradada, mais 1,2 milhão de km². Detalhe, isso somente no Brasil. Para se ter noção, entre mais de 200 países apenas 13 deles tem uma área maior que a devastada. A porção brasileira da floresta já pode aniquilado 29,44% da cobertura original e somada ao corte-raso, o percentual alcança os 47, 34% de todo complexo impactado diretamente por atividade humana desestabilizadora do clima.   A física peculiar gerada pela floresta e que está alterando os modelos climáticos que envolvem a Amazônia, também revelam um novo ponto de saturação e de conversão para o reequilíbrio ambiental. Com a remoção de 40% da floresta denominada ‘oceano verde’ poderá se deflagrar a transição em larga escala para ao equilíbrio de savana, liquidando com o tempo até a porções de mata que não tenham sido alvo da ação dos desmatadores. O relatório mostra que o nível atual de degradação teria perturbado a floresta remanescente em variados graus e afeta adicionalmente mais de 20% da cobertura original.  As secas em áreas avizinhadas, combinadas com outras vetores, acabam por reduzir a capacidade regenerativa da floresta. O primeiro e principal desses fatores  é o próprio desmatamento. “ Sem floresta, desaparecem todos os seus serviços para o clima, o que, por sua vez, afeta a parte de mata que restou. Remover florestas quebra a bomba biótica de umidade, debilitando a capacidade de importar ar úmido e chuvas para a região. No processo de remoção com queima, a fumaça e a fuligem causam pane no mecanismo de nucleação  de nuvens, criando nuvens poluídas e dissipativas que não produzem chuvas”, concluiu. Esforço de Guerra Esta hipótese levantada por Antonio Nobre cria uma situação inusitada e nova neste momento. Ela indica que somente proteger o que sobrar da cobertura vegetal não impedira seu desaparecimento. As consequências, por força da mudança climática criada neste cenário, trará um novo equilíbrio. E sob essa nova ótica, o cientista questiona as políticas adotadas, pois se apenas prevalecer a preocupar na manutenção de uma porção intacta será totalmente ineficiente. A necessidade é restabelecer o todo e com o máximo de urgência. “Eu digo o quanto tempo ainda temos: nenhum! Acabou-se o prazo para negligência e procrastinação em relação ao desmatamento. Eu não saberia dizer se já passamos do ponto de não-retorno, isso ninguém sabe, pois trata-se de algo altamente complexo, mas se percebe claramente que estamos as margens deste desastre climático. Mas quero crer que temos ainda a oportunidade de mudar de curso, para isso ocorrer é necessário  um "esforço de guerra". O documento traz explicito a urgência dentro das atividades para se reverter o quadro trágico que se manifesta, o esclarecimento da sociedade como o combate incisivo ao desmatamento. Mas somente zerar o desmatamento para ontem não é suficiente. Pois está em curso a cobrança pela natureza de um déficit ambiental.  Outro ponto destacado é a premência em se replantar e restaurar as florestas por todo o país, principalmente a Amazônica. Como Antonio Nobre define, “essa é a melhor apólice de seguro que podemos comprar”. Ao contrário que os céticos e os empresários do agronegócio argumentam, a recuperação da Amazônia não passa pela segregação da  agricultura e outras atividades econômicas nas zonas rurais. Todas elas podem ser otimizadas, aumentando sua capacidade produtiva e liberando espaço para o reflorestamento com espécies nativas. Pois as áreas abandonadas na região são também enormes e essa atividade econômica precisa de água e é abastecida pela floresta. Os empresários do agronegócio, hoje o principal esteio da balança comercial do país e que recebe especial atenção do governo federal, ainda contam com a vantagem de terem ao alcance das mãos e da boa vontade a tecnologia e conhecimento para essa guinada. Basta procurarem a Embrapa e conhecerão diversos estudos sobre como intensificar a produção pecuária e agrária, reduzindo a demanda por novas áreas. A desertificação decorrente do desmatamento progressivo, prevista pela teoria da bomba biótica, aniquilaria tudo, inclusive a maioria das atividades humanas na Amazônia e a própria mata entraria em colapso, num  ação irreversível, dando espaço inclusive para que a biomassa ressecada existente no solo fosse condutora de imensos incêndios. “O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinham que ter parado com o desmatamento há 10 anos. E parar agora não resolve mais. Agora só se resolve com uma ação de guerra, um combate para e pelo o bem da floresta e das pessoas. São anos de abusos que estão sendo respondidos agora, a natureza está apresentando a conta”, observou o cientista, um tanto pessimista quanto a capacidade de reação natural amazônica num futuro próximo. Como a maior parte da água que irriga a porção produtiva na America do Sul meridional é oriunda das florestas da Amazônia, o futuro clima do continente a previsão é que no futuro todo essa região  poderia secar consideravelmente Num quadro extremo, ela chegaria a se assemelhar o estado climático da Austrália. O país tem um imenso deserto interior e é cercado em uma parte por locais úmidos nas proximidades da costa oceânica. No caso do Brasil, se daria o mesmo processo. Uma pequena faixa costeira, como ocorre hoje no Nordeste, teria condições de abrigar vegetação e um clima menos hostil. Entretanto, algumas centenas de metros adentro o flagelo da seca e de terras estéreis pelo Sol calcinante. Isto tomaria o território nacional de norte a sul, num processo de desertificação irremediável. Apesar do relatório não apresentar quais são os maiores devastadores da floresta, segundo Um estudo realizado pelo Instituto do Meio-Ambiente de Estocolmo, Suécia, o ranking é composto por grandes pecuaristas, com 70% da destruição, seguido pelos cultivadores de soja, tantos pequenos como médios proprietários, com 10% e os restantes 20% estão distribuídos em exploradores ilegais de madeira e outros cultivos e atividades ligadas a terra, como grilagem. * Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, pós graduado em jornalismo científico. Tem 29 anos de profissão, atuou em diversos jornais e revistas, tem cursos de ‘Águas Atmosféricas”, “ Mudanças Climáticas”, “Magnetismo Terrestre” entre outros. Foi professor universitário no primeiro curso de jornalismo do mundo com orientação pedagógica para jornalismo científico, na Univap, entre 2002 e 2003.
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Ambiente

Governos entram em acordo sobre negociações climáticas para Paris 2015


por Redação do Instituto Ethos

O Geneva Climate Change Talks foi concluído de forma bem-sucedida, preparando o texto da negociação para o acordo a ser assinado na COP 21. Um novo passo foi dado na direção das negociações para um novo acordo climático global, depois de um encontro de sete dias, em Genebra, no início deste mês, envolvendo a participação de 194 países. O encontro Geneva Climate Change Talks foi concluído de forma bem-sucedida, preparando o texto da negociação para o acordo que deverá ser assinado na COP 21, em dezembro de 2015, em Paris, para entrar em vigor a partir de 2020. Na reunião de Genebra, os delegados dos 194 países decidiram continuar o esforço iniciado durante a COP 20, em Lima, no final de 2014, quando se produziram elementos para o texto de negociação, conhecido como Lima Call for Climate Action. “Estou muito confiante diante do espírito construtivo e da velocidade com que os negociadores trabalharam durante esta última semana”, relatou Christiana Figueres, secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). “Agora temos um texto formal de negociação, que contempla as posições e preocupações de todos os países. O rascunho de Lima (Lima Draft) transformou-se assim num texto para negociação elaborado com a participação de todos os países”, adicionou ela. O texto resultante do encontro contempla os temas principais para o novo acordo, tais como mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação. Os delegados trabalharam com afinco para identificar as principais escolhas de seus países, afirmar suas posições e adicionar opções mais objetivas ao texto. “O documento foi construído com grande transparência. Isso significa que, embora longo, permite que os países acessem facilmente as posições uns dos outros”, disse Figueres. O texto para negociação está disponível no site da UNFCCC e em breve será traduzido e publicado nas línguas oficiais da ONU. Depois disso, o documento será enviado oficialmente pela UNFCCC às principais capitais do mundo, ainda neste primeiro semestre de 2015. “Com isso, cumprimos o calendário internacionalmente aceito para se chegar a um possível tratado, já que estaremos alertando as principais cidades do mundo para o fato de que um possível acordo legalmente vinculante poderá ser realizado em Paris. Isso não garante que ele se concretize, mas facilita as condições para essa possibilidade”, explicou Figueres. “Com relação à natureza legal do acordo, ela só será esclarecida mais para o final do ano”, concluiu. Enquanto o texto para negociação é comunicado ao mundo, sua bem-sucedida construção dá início a um ano de intensas negociações na direção do novo acordo. O próximo passo para os negociadores será o de reduzir as opções disponíveis no texto atual e chegar a um consenso sobre seu conteúdo final. O trabalho formal e as negociações em torno do texto continuarão na Conferência sobre Mudança do Clima que se realizará em Bonn, em junho de 2015, e em outras duas sessões formais, também em Bonn (a primeira entre 31 agosto e 4 de setembro e a segunda de 19 a 23 de outubro). Além disso, reuniões em nível ministerial a serem realizadas ao longo deste ano incluirão o tema das mudanças climáticas em suas agendas, o que contribuirá para uma convergência em relação às principais escolhas políticas. Esses eventos serão o Major Economies Forum (MEF), o Petersberg Climate Dialogue e a African Ministerial Conference of the Environment. Proposta brasileira O Fórum Clima, cuja secretaria executiva é realizada pelo Instituto Ethos, está engajando ativamente as empresas do grupo na proposta brasileira para o novo acordo climático a ser assinado em Paris. O grupo vem atuando com o tema desde 2014, por meio da participação na consulta pública realizada pelo Itamaraty em novembro e também com a promoção de um encontro de empresas durante a COP 20, em Lima. Além disso, o Fórum Clima promoveu em 2014 reuniões e seminários, com a participação de representantes dos ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Meio Ambiente (MMA), para discutir os principais elementos que o Brasil deveria levar para a mesa de negociações em Lima e em Paris. O próximo encontro do grupo, em 24 de fevereiro, irá focar na construção de um texto reforçando os principais elementos de uma nova carta sobre mudanças climáticas. O evento contará com a presença de Carlos Rittl, do Observatório do Clima, e do especialista Tasso Azevedo, que trarão elementos para melhorar os termos da carta atual. Os interessados em participar do Fórum Clima devem enviar uma mensagem para secretaria.clima@ethos.org.br. * Com informações da UN Climate Change Newsroom. ** Publicado originalmente no site Instituto Ethos.
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Sociedade

ONU convoca jovens para participar de Conselho que debate rumos das cidades


por Redação do Portal Aprendiz

[caption id="attachment_101875" align="aligncenter" width="540"] Foto: http://www.shutterstock.com/[/caption]   O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) está convocando jovens de todo o mundo para participar do Conselho Consultivo da Juventude no período entre 2015 e 2017. O Conselho tem a intenção de envolver a juventude no debate sobre questões que influenciam as cidades, e oferece um espaço para os jovens darem suas opiniões e ajudarem a assessorar a ONU-Habitat em temas relacionados ao desenvolvimento urbano e à urbanização sustentável. Serão escolhidos 12 jovens – seis homens e seis mulheres – de cada região do mundo (África, Europa, América Latina, América do Norte, Caribe, Ásia Pacífico e Ásia Ocidental). A ONU-Habitat ainda designou três jovens observadores: um que representará os portadores de necessidades especiais, outro procedente de assentamento informal e um assessor externo. Os candidatos têm até o dia 2/3 para se inscrever. Eles devem ter entre 18 e 32 anos, ser membros de organizações de jovens e ter domínio do inglês. Quando selecionados, os membros do Conselho deverão assistir as reuniões indicadas pela ONU-Habitat e, a cada quatro meses, apresentar relatórios. Clique aqui para realizar a inscrição. Para mais informações ou consulta, os candidatos devem escrever para yab@unhabitat.org * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
Camponeses do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra reclamam contra concentração de terras no Brasil, durante ato de apoio à ocupação parcial da Agropecuária Santa Mônica, a 150 quilômetros de Brasília, no dia 21. Foto: Cortesia do MST

Inter Press Service - Reportagens

Brasil não é país para os sem terra em tempos de Dilma


por Fabíola Ortiz, da IPS

[caption id="attachment_129820" align="aligncenter" width="540"] Camponeses do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra reclamam contra concentração de terras no Brasil, durante ato de apoio à ocupação parcial da Agropecuária Santa Mônica, a 150 quilômetros de Brasília, no dia 21. Foto: Cortesia do MST[/caption]   Rio de Janeiro, Brasil, 25/2/2015 – O Brasil se mantém como um dos países do mundo com maior concentração de terras e cerca de 200 mil camponeses continuam sem ter uma área para cultivar, em um problema que o primeiro governo da presidente Dilma Rousseff fez muito pouco para aliviar. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) realizou um balanço dos fatos ocorridos no período 2011-2014, que mostra que nesse quadriênio aconteceram os piores indicadores em matéria de reforma agrária dos últimos 20 anos, disse à IPS Isolete Wichinieski, uma de suas coordenadoras. “Historicamente, existe alta concentração de terras no Brasil”, afirmou, mas o preocupante é que, durante o primeiro mandato de Dilma, “a terra se concentrou ainda mais”. “Houve uma redução dos números de novos assentamentos rurais ou de titulação de territórios indígenas e de quilombos (comunidades de descendentes de escravos africanos), sendo que, por outro lado, aumentou o investimento no agronegócio”, assegurou Wichnieski. Os movimentos sociais alimentavam a esperança de que Dilma, do esquerdista Partido dos Trabalhadores, como seu antecessor, Luis Inácio Lula da Silva (2003-2011), tomasse a democratização da terra como bandeira. Mas a política econômica de seu governo se voltou para os incentivos à agroindústria, à mineração e a grandes projetos de infraestrutura. Segundo o documento da CPT, no primeiro mandato de Dilma foram assentadas 103.746 famílias, o que resulta um dado enganoso, porque 73% delas correspondem a processos que já estavam em andamento antes e haviam sido quantificadas em anos anteriores. Se forem computadas apenas as novas famílias assentadas em novas áreas, o número cai para 28 mil. Em particular, durante 2014, o governo reconhece ter regularizado apenas 6.289 famílias, um número considerado insignificante pela CPT. A partir de 1995 foi dado um renovado impulso à reforma agrária, com um Ministério especial vinculado à Presidência e outros instrumentos legais, em grande parte forjados por pressão em todo o país do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Como resultado, no mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) foram assentadas 540.704 famílias, número que subiu para 614.088 nos dois mandatos de Lula, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que afirma que neste século foram criados 9.128 assentamentos rurais. [caption id="attachment_129821" align="aligncenter" width="540"] Parte do acampamento Dom Tomás Balduíno, com suas barracas na margem do rio que atravessa a Agropecuária Santa Mônica e os primeiros cultivos semeados nos 400 hectares ocupados por camponeses brasileiros sem terra. Foto: Cortesia do MST[/caption]   Para que a reforma agrária seja efetiva, argumenta a CPT, é preciso criar novos assentamentos e reduzir a concentração da propriedade rural nesse país de 202 milhões de pessoas. Mas não se acredita que Dilma avançará nessa direção, admitiu Wichinieski. A questão da reforma agrária não fez parte da campanha eleitoral que levou a presidente à reeleição em outubro e a nova composição do governo inclui nomes da bancada ruralista do Congresso, como são definidos os parlamentares vinculados ao poderoso setor do agronegócio. A ministra da Agricultura é a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu. Em uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, no dia 5 deste mês, surpreendeu ao assegurar que já não há latifúndios no Brasil. “Kátia Abreu tem visões retrógradas sobre a agricultura, nega a existência do trabalho forçado no campo, não se preocupa pela preservação do ambiente e argumenta a favor do uso intensivo de agroquímicos na produção de alimentos”, criticou Wichinieski. O conflito pela terra se intensifica, de acordo com a CPT, ao vincular-se com a expansão da pecuária e das monoculturas, como soja, cana-de-açúcar, milho e algodão, e onde há um alto componente especulativo no manejo dos grandes latifúndios, com fortes ligações com os políticos. Esse parece ser o caso da fazenda Agropecuária Santa Mônica, de mais de 20 mil hectares, a 150 quilômetros de Brasília, no Estado de Goiás e ocupada parcialmente pelo MST. A propriedade, qualificada pelas autoridades como produtiva, pertence ao senador Eunício Oliveira, o político com maior número de bens registrados no Brasil, entre os que aspiraram governar algum Estado nas últimas eleições. No Senado, Oliveira lidera o PMDB, principal aliado legislativo de Dilma. Também foi ministro das Comunicações de Lula no biênio 2004-2005 e no ano passado perdeu as eleições para governador do Estado do Ceará. [caption id="attachment_129822" align="aligncenter" width="512"] Os ocupantes de 400 hectares do latifúndio de Santa Mônica vendem seus produtos agroecológicos nos municípios vizinhos. Com eles promovem a agricultura familiar e sem pesticidas. Foto: Cortesia do MST[/caption] Valdir Misnerovicz, um dos dirigentes do MST, afirmou à IPS que essa fazenda é improdutiva e sua finalidade é a especulação. Localizada estrategicamente entre os municípios de Alexânia, Abadiânia e Corumbá, a Santa Mônica representa a maior ocupação de terra promovida pelo MST nos últimos 15 anos. Tudo começou em 31 de agosto de 2014, quando três mil famílias rumaram a pé e em 1.800 veículos para a fazenda e a ocuparam por várias horas. Desde então, mais de dois mil homens, mulheres, crianças e idosos controlam 400 hectares da propriedade e resistem em um precário acampamento, decididos a conseguir um pedaço de terra para cultivar. Essa é uma da estratégias do MST, ressaltou Misnerovicz. “Ocupamos grandes áreas improdutivas. No acampamento produzimos alimentos diversificados como hortaliças, mandioca, milho arroz, feijão e abóbora. Todas as famílias plantam alimentos saudáveis em hortas comunitárias agroecológicas e sem químicos”, acrescentou. As barracas do acampamento Dom Tomás Balduíno se amontoam na margem do rio que atravessa a propriedade, que engloba 90 parcelas de terra que foram adquiridas ao longo de duas décadas pelo senador. “No dia em que entramos, tentaram nos impedir, mas éramos milhares de pessoas. Nunca vamos armados. Nossa força é o número de camponeses que nos acompanham”, ressaltou Misnerovicz. Em novembro, um tribunal decidiu a favor do direito de recuperação por Oliveira da propriedade, que até agora está em suspenso. O dirigente confia que, apesar do risco de despejo dos camponeses, se consiga que a fazenda Santa Mônica seja expropriada para fins de reforma agrária. Misnerovicz assegurou que o próprio governo incentiva os camponeses ocupantes a prosseguirem com as negociações. “Ali seria possível, ao final de um ano, realizar o maior assentamento dos últimos tempos no Brasil. Em janeiro estivemos com a presidente Dilma, que manifestou o compromisso de um plano de metas de assentamento para famílias acampadas em todo o país”, contou Misnerovicz. O Incra evita se pronunciar sobre o caso específico, mas recordou que, por lei, “todos os bens ocupados estão impedidos de serem inspecionados para sua avaliação com vistas a destinação à reforma agrária”. O administrador da Santa Mônica, Ricardo Augusto, assegurou à IPS que a área invadida é uma propriedade agrícola onde se cultiva soja, milho e feijão. “A compra da propriedade foi registrada em cartório. O MST falta com a verdade. Defendemos uma solução negociada e pacífica. Terras produtivas e invadidas não podem ser expropriadas, e não há interesse em vender a propriedade”, destacou. Porém, João Pedro, dono de uma parcela em um município vizinho à Santa Mônica, vê de modo diferente a situação. Durante um ato em favor da ocupação, no dia 21 deste mês, nas imediações do acampamento, o camponês afirmou que as famílias acampadas buscam cumprir o que dizem as leis brasileiras: “a terra tem uma função social, e é só isso que queremos, que seja aplicada a Constituição”. Envolverde/IPS


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O racionamento está praticamente descartado, em contrapartida a conta deve de água ficar mais cara para o consumidor. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Presidente da Sabesp fala em subir a conta de água

[caption id="attachment_129893" align="alignright" width="340"] O racionamento está praticamente descartado, em contrapartida a conta deve de água ficar mais cara para o consumidor. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas[/caption] Sem o aumento da conta, a companhia não terá recursos para as obras emergenciais necessárias, afirma Jerson Kelman, o presidente da estatal O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Jerson Kelman, afirmou nesta quarta-feira 25 que, com o cenário atual, as possibilidades de rodízio de água na Grande São Paulo são "um evento de baixa probabilidade". Segundo ele, o risco está praticamente afastado devido ao estoque de água atual e ao cronograma de obras emergenciais. Kelman refere-se ao rodízio formal. Hoje os consumidores atendidos pelo Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 6 milhões de pessoas na região metropolitana, enfrentam há meses um racionamento com a redução da pressão, interrompendo o abastecimento em parte do dia. E, para garantir os recursos para as obras, a conta de água deve ficar mais cara para a população. "Por conta da falta de água, estamos vendendo muito menos água do que a população deseja consumir. Isso (a queda do lucro em função do baixo consumo) dificulta a condição da Sabesp de fazer obras emergenciais para enfrentar o período seco", explica Kelman. A previsão é de que o aumento tarifário seja autorizado após uma reunião com a diretoria da companhia em abril. Apesar das chuvas de fevereiro terem aumentado os reservatórios, a Sabesp depende de muitas variáveis para descartar a possibilidade de rodízio. Caso o cronograma de obras atrase ou o consumo da população aumente, por exemplo, um plano mais agressivo de contingenciamento deverá ser implantado. “O que posso garantir é que, se houver rodízio, a população será avisada com duas ou três semanas de antecedência", garantiu o presidente da companhia. Ao mesmo tempo, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, reafirmou o sucesso das medidas adotadas pela companhia e o governo do estado de São Paulo desde março de 2014, entre elas o programa de bônus de redução do consumo. Segundo ele, a soma dessas medidas equivale ao mesmo impacto de um rodízio de três dias sem água e dois com. Dados de fevereiro mostram 81% da população reduziu o consumo de água e escapou da multa aplicada pelo governo estadual aos ‘gastadores’. O diretor também apresentou os dados após as chuvas de fevereiro. “Neste mês as chuvas vêm aumentando os níveis a 0,25% ao dia no Cantareira”, disse Massato. Segundo ele, com as obras planejadas pelo governo do estado de São Paulo, a região metropolitana irá resistir sem maiores traumas ao período de seca de 2015. “No pior cenário possível de 2013/2014, conseguimos passar com essas obras. Trabalhamos com um cenário muito pessimista que é de 80% das chuvas de 2013/2014". Com isso, o prognóstico para este ano não é de agravamento da crise, mas segue sendo de crise. Grandes consumidores Após as revelações feitas pelo versão brasileira do jornal El País de que 500 empresas recebem descontos da Sabesp para gastarem mais água, o presidente da companhia afirmou que existe a possibilidade de rever essa prática, denominada como contratos de demanda firme. [caption id="attachment_129894" align="aligncenter" width="540"] O presidente da Sabesp (esq.) e o diretor metropolitano da companhia prestaram esclarecimentos na CPI da Câmara dos Vereadores de São Paulo, nesta quarta-feira 25. Foto: Yghor Boy[/caption]   Segundo ele, a intenção do programa era garantir a regularização do tratamento de esgoto na cidade, mas foi concebido em uma situação em que não havia falta de água e, por isso, pode ser revisto. "Das 40 grandes empresas que hoje tem seus maiores contratos de demanda firme, 33 já reduziram drasticamente seu consumo e está sendo avaliada a possibilidade de romper os contratos com as outras 7 empresas remanescentes", disse. Kelman afirmou que a companhia espera que "todas as empresas, mesmo as de demanda firme, participem do esforço coletivo de diminuir o consumo de água". Atualmente, as indústrias são responsáveis por 40% do consumo de água no estado de São Paulo. O diretor da Sabesp, Paulo Massato, negou a informação de que a tarifa paga pelas empresas com contrato de demanda firme é mais barata do que a tarifa domiciliar. "Eu posso garantir que essa tarifa industrial, em todos os contratos de demanda firme, não é maior do que a domiciliar", explica. "Hoje, a tarifa média deste 500 contratos é de R$ 7,8/m³, enquanto a tarifa residencial não passa de R$ 2,3/m³", garante Massato. O diretor também negou que políticas de incentivo ao consumo de água para grandes consumidores sigam em curso. “Os grandes consumidores terão apenas o ônus, ou seja, não podem aumentar o consumo”, disse. “Tivemos uma parceria muito forte com os grandes consumidores na redução das demandas, através da perfuração de novos poços artesianos.” Ar na rede Ao mesmo tempo constatou-se que a entrada de ar nas tubulações, decorrentes da redução da pressão da distribuição da água, não impactou 88% dos moradores da região metropolitana de São Paulo. Segundo Massato, das 5 mil reclamações de moradores registradas em janeiro, apenas em 20 casos foi constatada  que a entrada de ar na rede comprometia negativamente a medição do consumo da casa. Nestes casos foram instaladas ventosas para corrigir o problema, informou o diretor. * Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Marcelo Pellegrini, da Carta Capital
Rainbow Trading, serraria denunciada por receber madeira ilegal. Foto: © Greenpeace/Otavio Almeida

Flexibilidade da lei dificulta combate à madeira ilegal

[caption id="attachment_129899" align="aligncenter" width="540"] Rainbow Trading, serraria denunciada por receber madeira ilegal. Foto: © Greenpeace/Otavio Almeida[/caption]   Empresa denunciada por receptar madeira ilegal é liberada para comercializar enquanto está sob investigação A Rainbow Trading, serraria que receptou madeira ilegal, conforme foi revelado em investigação do Greenpeace, e que já acumula quase meio milhão de reais em multas junto aos órgãos ambientais, acaba de ser liberada pelo governo estadual do Pará para voltar a comercializar madeira. Em novembro de 2014, a empresa recebeu quatro multas da Sema-PA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará) por uma série de infrações, tais como: vender centenas de metros cúbicos de madeira ilegal, vender madeira com créditos falsos ou fraudulentos e inserir informação falsa no Sisflora, o sistema eletrônico de controle de produtos florestais do Pará. Na ocasião, a Rainbow foi obrigada a “devolver” os créditos suspeitos de ilegalidade enquanto seria investigada – uma medida cautelar para impedir que créditos ilegais sejam comercializados. No entanto, uma saída administrativa prevista em lei permite que a empresa pague uma “taxa de reposição” de valor irrisório para que possa voltar a comercializar madeira normalmente enquanto ocorre a investigação. Ou seja, agora a serrraria, que já acumula diversas infrações, está livre para comercializar por meio do mesmo sistema de controle que é acusada de ter fraudado. Isso significa que empresas como a Rainbow Trading conseguem com facilidade voltar a operar até que tenham seus processos completamente julgados, algo que pode levar anos e acaba trazendo grande insegurança ao mercado, já que, nesse meio tempo, os consumidores ficam sujeitos a comprar madeira sem garantia de origem. Desde maio de 2014 o Greenpeace vem mostrando que madeira da Amazônia, retirada sem autorização e com base na destruição da floresta, está sendo vendida livremente no Brasil e no exterior como se fosse legal. Para se ter uma ideia, de 2007 a 2012, 80% da extração de madeira ocorreu de forma ilegal no Pará e 44% no Mato Grosso. “Num setor em que a extração ilegal de madeira é regra e não exceção, a liberação da Rainbow Trading no sistema Sisflora é um atestado de permissividade e estímulo para que as serrarias continuem na ilegalidade”, afirma Marina Lacôrte, da Campanha Amazônia do Greenpeace. “Ao permitir que essas empresas sigam operando normalmente mesmo tendo valores exorbitantes em multas a serem pagas, o Estado passa um recado simples e claro: a ilegalidade compensa. E, nessa conta, quem se dá mal são os que tentam trabalhar corretamente, obrigados a competir com a ilegalidade”, completa Lacôrte. O não pagamento das multas aplicadas a quem realiza atividades ilegais é outro sério problema que alimenta a impunidade e agrava ainda mais o combate aos criminosos da floresta. Um levantamento feito com relação às empresas membro da Aimex (Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará), por exemplo, mostra que, entre 2006 e 2014, de um total aproximado de 30 milhões de reais em multas, sob diferentes status de tramitação, apenas cerca de 180 mil reais foram quitados, o equivalente a menos de 1%. Além de estimular a destruição da floresta, a impunidade provoca conflitos, violência e até a morte no campo. “A solução deve começar pela revisão de todos os planos de manejo aprovados a partir de 2006, esse é o primeiro passo para separar o joio do trigo e impedir que todo o setor pague por esses crimes”, afirma Lacôrte. O mercado começa a agir Por mais que o governo brasileiro continue ignorando o problema, a preocupação com a madeira ilegal já levou a uma série de quebra de contratos em diversos países, como Holanda, França, Suécia, Suíça e Bélgica. O caso mais recente ocorreu em Israel, onde a Home Center, maior rede varejista de produtos para construção e maior vendedora de Ipê do país, se comprometeu a parar de comercializar a madeira vinda da Amazônia brasileira e, portanto, de origem suspeita, após o Greenpeace ter exposto a ligação entre a loja e a compra de madeira ilegal. Nos últimos quatro anos, Israel foi um dos maiores importadores do mundo de Ipê, madeira nobre que é principalmente utilizada para a construção de decks. Só em 2013 o país importou cinco mil toneladas de madeira vinda da Amazônia. “Ao comprar, o mercado internacional também tem responsabilidade sobre a situação madeireira na Amazônia e a quebra de contratos é a sua resposta ao governo brasileiro de que não irá compactuar com isto. Essa resposta deveria ser ouvida, mas vem sendo ignorada tanto pelo governo federal quanto o estadual, que nada fazem para encontrar uma solução para a madeira ilegal”. * Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.


por Redação do Greenpeace
A floresta Boreal é o bioma com a maior capacidade de sequestro de carbono do mundo. Mas sua manutenção vem sendo ameaçada no Canadá, pela exploração irresponsável de madeira. Foto: © Francois Pesante/Greenpeace

Vamos salvar a floresta Boreal?

O bioma, que possui o maior potencial de estocagem de CO2 do mundo, está ameaçado no Canadá devido a atuação irresponsável de empresas como a Resolute Forest Products, que vem atuando em áreas sensíveis. [caption id="attachment_129833" align="aligncenter" width="540"] A floresta Boreal é o bioma com a maior capacidade de sequestro de carbono do mundo. Mas sua manutenção vem sendo ameaçada no Canadá, pela exploração irresponsável de madeira. Foto: © Francois Pesante/Greenpeace[/caption]   A maioria das pessoas já ouviu falar da floresta Amazônica e da urgente necessidade de garantir sua proteção, certo? Mas existem outras florestas pelo mundo que estão tão ameaçadas quanto o bioma tropical e cuja situação é menos conhecida. Esse é o caso da floresta Boreal, que está sofrendo sérios impactos neste exato momento. A floresta Boreal, que se estende ao longo de todo o hemisfério Norte do planeta, desde a América do Norte até o Japão, passando pela Rússia e pela Escandinávia, vem sendo ameaçada no Canadá por uma empresa da qual você provavelmente nunca ouviu falar: a Resolute Forest Products. Embora seu nome seja pouco conhecido no Brasil, é possível que ao menos um dos produtos da Resolute já tenha passado por suas mãos, em forma de jornais e revistas. A empresa é uma das maiores produtoras de papel, celulose e outros produtos florestais do Canadá. A Resolute tem extraído árvores em territórios de povos indígenas, sem seu consentimento, e destruído habitats críticos para as renas ameaçadas. Como se não bastasse, a empresa tem agido judicialmente contra o Greenpeace, para impedir que a organização revele o que a companhia anda fazendo na Floresta Boreal do Canadá. “Floresta Boreal” quem? A floresta Boreal ocupa uma grande faixa de terra ao norte do planeta e sua vegetação é composta por coníferas, plantas extremamente resistentes ao clima rigoroso da região, onde a temperatura oscila entre -54º e 21 °C. Entre as árvores desta classe estão os pinheiros, as sequóias e as araucárias, comuns no sul do Brasil. Devido a sua resistência e durabilidade, algumas das árvores mais antigas do mundo são desta categoria. O potencial de estocagem ou sequestro de CO2 destas plantas não se compara ao potencial de espécies tropicais. O solo do bioma, no entanto, tem um enorme potencial de sequestro, o que torna a Floresta Boreal o maior reservatório de CO2 do mundo. Para se ter uma ideia, enquanto as florestas tropicais de todo o mundo, incluindo a Amazônia, ocupam uma área de 17,6 milhões de quilômetros quadrados (Km²) e possuem capacidade para estocar 428 gigatoneladas de carbono (Gt de C), a floresta boreal, que ocupa 13,7 milhões de Km², tem capacidade para retirar da atmosfera 559 Gt de C. [caption id="attachment_129834" align="alignleft" width="340"] O Woodland Caribou, ou Rena das Montanhas, necessita de extensos territórios intactos para manter suas populações. Foto: © Markus Mauthe/Greenpeace[/caption] Além disso, o bioma abriga espécies como lebres, esquilos, raposas e linces, além de receber, todos os verões, milhares de pássaros que buscam alimentos em seus lagos recém descongelados. Neste cenário vive uma espécie que encontra-se seriamente ameaçada, o Woodland Caribou – ou Renas das Montanhas. A espécie tem sido gravemente impactada pela ação do homem, pois necessita de extensos territórios intactos para manter suas populações. Mas estas áreas vêm sendo ameaçadas pela ação de empresas como a Resolute, que exploram espécies selvagens de coníferas para a produção de papel e outros produtos. A floresta não pode se defender sozinha. Ela precisa da nossa ajuda. Então diga ao presidente da Resolute, Richard Garneau, que não vamos desaparecer. Que queremos proteger as florestas do mundo e a Resolute pode fazer sua parte preservando a floresta Boreal. Assine a petição aqui. * Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.


por Redação do Greenpeace Brasil
Foto da Usina eólica de Cerro Chato. Foto: Arquivo/Agência Brasil

Eólica é destaque em cadastro de projetos para o próximo leilão de energia

Quinhentos e vinte e um projetos de geração de energia elétrica, totalizando 18.929 megawatts (MW), cadastraram-se na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para participar do Leilão A-3, marcado para o dia 24 de julho. Os projetos ainda deverão ser habilitados para disputar o leilão, informou hoje (23) a assessoria de imprensa da EPE, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. [caption id="attachment_129844" align="aligncenter" width="580"] Foto da Usina eólica de Cerro Chato. Foto: Arquivo/Agência Brasil[/caption]   Do total de empreendimentos cadastrados, 475 são de geração eólica (dos ventos), correspondendo a uma oferta de 11.476 MW. Há 18 usinas termelétricas a gás natural (6.648 MW), 13 termelétricas a biomassa (604 MW) e 15 pequenas centrais hidrelétricas (201 MW). O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, ressaltou o fato de a energia eólica se destacar novamente nos leilões de energia. Segundo ele, isso evidencia “que esta fonte vai continuar crescendo na nossa matriz”. Ele acredita que, somando os parques já contratados e os novos projetos que serão contratados futuramente, o Brasil ganhará posição no mundo no campo da energia eólica. Os estados do Rio Grande do Norte e da Bahia lideram a oferta de geração eólica nos empreendimentos cadastrados para o Leilão A-3, com 3.100 MW e 2.471 MW, respectivamente, englobando 132 e 105 projetos. Em seguida, aparecem o Ceará, com 91 projetos (2.246 MW), e o Rio Grande do Sul, com 93 projetos (2.089 MW). Nas térmicas a gás natural, Sergipe e Rio de Janeiro lideram, com a possibilidade de receber, respectivamente, três e quatro novas usinas, com capacidade instalada total de 4.141 MW. Tolmasquim observou que a oferta de termelétricas a gás natural e a biomassa é essencial para garantir a segurança do abastecimento de energia no país. * Edição: Marcos Chagas. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Alana Gandra, da Agência Brasil
Foto: http://www.shutterstock.com/

Jornalismo sustentável: uma conta no vermelho

Alguns anos atrás, um executivo de uma grande empresa se aproximou do jornalista Vilmar Berna, um dos ícones da mídia ambiental no Brasil, e queixou-se: “Investi milhões para melhorar o desempenho ambiental da minha empresa e ninguém se importou.” A resposta de Berna saiu em forma de pergunta: “Contou para quem?” Esse é um dos dilemas do jornalismo que tem a sustentabilidade como eixo transversal. As empresas, mesmo aquelas que alegam “ter sustentabilidade no DNA”, não incorporam esses valores a seus planos de comunicação. As mídias que cobrem o cotidiano da sustentabilidade não recebem recursos para bancar suas atividades, e aquelas que recebem as verbas de publicidade de empresas comprometidas com a sustentabilidade não têm, na maioria das vezes, nenhum compromisso editorial com o assunto. Grande parte das empresas quer ver suas ações em sustentabilidade em destaque nas mesmas mídias que dão visibilidade a seus resultados econômicos. Muitas vezes esses não são canais comunicantes, ou seja, as iniciativas que agregam valor sob o ponto de vista social e ambiental não são pauta para os meios de comunicação convencionais. Pelo contrário, são poucos os editores de economia que já compreendem os valores da sustentabilidade e não tratam com desdém ações que não estão focadas no estrito resultado financeiro das empresas. O desafio de se construir cadeias de valor sustentáveis e comprometer empresas com uma economia menos predatória é, também, um desafio que passa pela forma de se comunicar a sustentabilidade, de maneira a mostrar os resultados de ações e investimentos de forma tangível, compreensível para a sociedade em geral, mas, principalmente, compreensível para os investidores, justamente aqueles que precisam acreditar nesses novos valores. É fato que nos últimos anos as pautas sobre investimentos sociais e ambientais ganharam espaço nas editorias de economia. No entanto, ainda é pouco e, na maior parte das vezes apenas são parte de “projetos especiais”. Esses espaços tendem a se ampliar, mas de forma muito lenta diante da urgência dos desafios ambientais e sociais de classe planetária. As transformações nos modelos econômicos e empresariais precisam de uma grande escala de informações, de tal maneira que sociedade, acionistas, executivos e empreendedores compreendam quais são os dilemas e como podem enfrentá-los sem comprometer a viabilidade econômica de suas organizações. [caption id="attachment_102169" align="alignright" width="340"] Foto: http://www.shutterstock.com/[/caption] Como todas as revoluções da história, a sustentabilidade também tem suas vanguardas. São líderes, empresas, organizações sociais, intelectuais e, também, meios de comunicação que vão além da estreita visão do resultado financeiro trimestral e ajudam a difundir um modelo de desenvolvimento capaz de oferecer qualidade de vida a todas as pessoas. Entre essas vanguardas estão alguns jornalistas e meios de comunicação que se dedicam à difusão de informações e conhecimentos que ajudam a estruturar uma economia sustentável. São meios que fizeram a opção por um tipo de jornalismo que não olha a realidade através de retrovisores, mas lançam o olhar à frente e ajudam a formular as questões estruturantes de uma sociedade menos desigual. Da mesma maneira que as empresas que se lançam na vanguarda da sustentabilidade, os meios de comunicação que abraçam essa pauta pagam o preço do pioneirismo e do desbravamento de mercados. Defendem bandeiras que ainda encontram muitos opositores e desinformação. São meios que abrem espaço a ideias inovadoras e a formadores de opinião que navegam contra a corrente da economia convencional. Essas publicações, entre as quais se alinham Ideia Sustentável e Agência Envolverde, além de dezenas de outras, deveriam ser canais preferenciais para o aprofundamento do debate social e econômico da sustentabilidade. No entanto, em sua grande parte, estão sufocadas pela falta de oxigênio financeiro. Financiamento à Informação Um dos debates importantes para a sociedade brasileira é como o país financia a informação jornalística oferecida à sociedade. Na maior parte das vezes, o modelo de financiamento passa pelo mercado publicitário, ou seja, anúncios de produtos ou serviços são responsáveis pelo financiamento das mídias. Essa prática é comum em diversas partes do mundo; no entanto, em muitos lugares, governos ou organizações da sociedade civil procuram gerar um equilíbrio entre informações que o público deseja e informações de que a sociedade necessita. O financiamento estrito via mercado publicitário gera distorções, principalmente porque o “anunciante” tem interesses próprios e seu objetivo é atingir o máximo de pessoas possível. Portanto, veículos que atuam com informação qualificada têm dificuldade em receber esse tipo de aporte de recursos, uma vez que atingem públicos altamente qualificados, mas em número limitado. O aporte de publicidade normalmente é feito por fatores de número de pessoas atingidas e grupos de interesse. Isso dá um alento a mídias que atuam de forma segmentada em nichos profissionais e setoriais, ou seja, setores de interesse de consumo específico. No caso dos meios de comunicação voltados para a sustentabilidade, isso não ocorre, porque não há uma demanda identificável por produtos e serviços que possa atrair a publicidade de grandes empresas. Entre os jornalistas que atuam na área de sustentabilidade, há um certo consenso sobre a necessidade de que as empresas comprometidas com um modelo de desenvolvimento menos predatório deveriam destinar um percentual de sua publicidade institucional para o fortalecimento da cobertura jornalística com foco nessa nova economia. Dessa forma haveria mais veículos e mais profissionais interessados em cobrir sustentabilidade de uma forma sistêmica. Há uma preocupação entre editores dessa área em relação à queda das verbas publicitárias aportadas nesses meios após a Rio+20, que ocorreu em junho de 2012. Essa preocupação ganha mais fôlego diante da constatação de que os próximos anos serão tempos de grandes eventos esportivos e, também, de eleições, e o cenário da comunicação deve ter esse viés. Chamar a atenção das empresas para a necessidade de financiar a informação e o conhecimento social da sustentabilidade é uma prioridade para que as transformações na economia ganhem escala. * Dal Marcondes é diretor executivo da Agência Envolverde. ** Publicado originalmente no site Ideia Sustentável, em 4 de dezembro de 2013.


por Dal Marcondes*
A epidemia de chikungunya no Caribe é atribuída, em parte, ao descarte indiscriminado de lixo, como nessa rua em Curepe, Trinidad. Isso gera as condições propícias para a reprodução do mosquito vetor da enfermidade. Foto: Jewel Fraser/IPS

Variação climática alimenta febre chikungunya no Caribe

[caption id="attachment_129885" align="aligncenter" width="540"] A epidemia de chikungunya no Caribe é atribuída, em parte, ao descarte indiscriminado de lixo, como nessa rua em Curepe, Trinidad. Isso gera as condições propícias para a reprodução do mosquito vetor da enfermidade. Foto: Jewel Fraser/IPS[/caption]   Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 26/2/2015 – Quando Jenny Gittens foi dormir em sua casa na capital de Trinidad e Tobago estava bem. Mas uma hora depois acordou com “câimbra e rigidez” atrás do joelho. Rapidamente a dor se espalhou e os dois joelhos doíam, e depois já não conseguia se movimentar, sentiu uma rigidez nos dedos, dores no peito e teve febre. Duas semanas de dor atroz, foi assim que Gittens descreveu sua experiência com a febre chikungunya. “Se tivesse que escolher entre isso e o parto, escolheria o parto”, contou à IPS esta mulher de 61 anos, mãe de dois filhos. Em poucos dias surgiu uma brotoeja que durou vários dias e dores na clavícula que a deixaram dobrada. “Não podia me endireitar. Não podia virar. Foi uma dor insuportável”, acrescentou. Não está confirmado que seu caso tenha sido chikungunya, mas os sintomas parecem com os dessa doença viral, transmitida ao ser humano por um mosquito infectado e cujo nome procede de uma língua africana e significa “dobrado de dor”. Segundo a Agência de Saúde Pública do Caribe (Carpha), até o dia 7 deste mês, foram registrados 4.485 casos confirmados e prováveis de chikungunya e cerca de 87 mil suspeitos nos 24 Estados membros desse organismo. Em todo o continente americano, salvo nos Estados Unidos, houve mais de 800 mil casos suspeitos. Também, foram registrados 21 mil casos prováveis e confirmados, aqui incluindo o país norte-americano. A enfermidade pode ser transmitida por dois mosquitos, e no Caribe o contágio ocorre por meio do Aedes aegypti, afirmou o médico Dave Chadee, entomologista e professor de saúde ambiental da Universidade das Índias Ocidentais, em San Augustine, Trinidad. Esse mal é conhecido há tempos na Ásia e na África, mas sua chegada ao Caribe ocorreu nos últimos 15 meses e se converteu em um problema grave de saúde, tanto na área insular quanto na continental. Presume-se que foi trazida à região por um visitante asiático. O professor Chadee explicou à IPS que, quando o mosquito chupa o sangue de uma pessoa infectada, ingere o vírus que se multiplica em seu sistema digestivo, vai para o sistema circulatório e da glândula salivar passa para a próxima pessoa picada. Numerosos fatores contribuíram para a rápida transmissão do vírus no Caribe, afirmou o especialista. A variação climática contribuiu para as altas temperaturas, bem como as fortes chuvas e as inundações em várias partes da região. As últimas foram as do Natal de dezembro de 2013, no Caribe oriental. Ocorre aumento do vírus na estação úmida “porque há recipientes com água e mais vetores, e as pessoas cuidam menos do ambiente por causa do clima”, disse Chadee. “No Caribe há poucas áreas onde não existem mosquitos”, pontuou Christian Hendrickson, entomologista e consultor de doenças transmitidas por vetores da Carpha. “O Aedes aegypti está muito domesticado e se reproduz onde houver pessoas que criem as condições propícias”, ressaltou. “Em geral, as temperaturas mais altas favorecem o desenvolvimento do mosquito, e a chuva facilita sua reprodução. As fortes precipitações provavelmente gerem mais mosquitos”, afirmou à IPS. A propagação da doença na região foi “bastante rápida”, acrescentou. Entretanto, “a transmissão da febre chikungunya chegou ao seu nível mais baixo na estação de maior propagação devido à redução das chuvas, mas pode mudar quando estas voltarem, entre maio e junho, pois as condições se tornarão favoráveis ao vetor”, explicou o consultor. Para mitigar a propagação do vírus “o que se pode, e se deve fazer, é manter os mosquitos em sua menor expressão para reduzir de forma drástica a possibilidade de transmissão da febre chikungunya e da dengue”, ressaltou Hendrickson. Os programas nacionais para controle de vetores e as pessoas têm a possibilidade de reduzir e eliminar os locais de reprodução de mosquitos para evitar que ocorra uma epidemia como a do ano passado, acrescentou. Por sua vez, Chadee disse que, “como aceitamos que há uma grande variabilidade climática e sabemos que depois da estação úmida se segue uma seca, o controle do vetor pode ser feito de forma intensiva no período de transmissão”. A estratégia de tratamento pré-estacional requer matar os ovos antes que a larva se multiplique rapidamente, em geral, nas duas semanas imediatamente após o início da estação chuvosa. “Assim, a população de mosquitos se mantém baixa e se quebra o intenso período de transmissão”, resumiu Chadee, que contou ter trabalhado com a febre chikungunya em ilhas do Oceano Índico, onde essa estratégia teve sucesso. Hendrickson alertou que “muitos programas dependem do uso de inseticida para matar a larva e o mosquito adulto, mas seu uso prolongado acabou diminuindo sua efetividade”. Ele é mais favorável a eliminar os locais de reprodução do mosquito, como forma de mitigar a propagação do vírus. Quanto à possibilidade de a doença se tornar endêmica no Caribe, Chadee afirmou que “é cedo para afirmar isso. Temos somente um ano de experiência com a febre chikungunya. Teremos que esperar muitos anos mais antes de estabelecer um padrão epidemiológico”. Envolverde/IPS


por Jewel Fraser, da IPS
A segurança alimentar e uma dieta balanceada para todos deve combinar com o conhecimento do sistema alimentar e do modo de vida dos povos indígenas como forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável. Foto: Fida

 

Indígenas têm a chave para uma alimentação de qualidade

[caption id="attachment_129812" align="aligncenter" width="540"] A segurança alimentar e uma dieta balanceada para todos deve combinar com o conhecimento do sistema alimentar e do modo de vida dos povos indígenas como forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável. Foto: Fida[/caption]   Roma, Itália, 25/2/2015 – Erradicar a fome e a má nutrição no século 21 já não se limita a melhorar a disponibilidade de alimentos, mas também sua qualidade. Apesar dos êxitos do sistema de alimentação mundial, cerca de 805 milhões de pessoas passam fome de forma crônica, e aproximadamente dois bilhões carecem de um ou mais micronutrientes, ao mesmo tempo em que há 2,8 bilhões de obesos, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgados em outubro. O debate sobre como superar esse desafio se polarizou com a agricultura e o comércio global se enfrentando com os sistemas locais e o conhecimento ecológico tradicional, estilos de vida atados à terra, bem como uma relação holística de dependência mútua entre as comunidades e a terra. Esse, entre outros temas, atraiu a atenção na segunda Reunião Global do Fórum dos Povos Indígenas, realizada na sede romana do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), nos dias 12 e 13 deste mês. No encontro foram debatidas soluções que combinam a necessidade de garantir a segurança alimentar e uma dieta equilibrada para todos com o conhecimento dos sistemas alimentares e do sustento das comunidades originárias como contribuição ao desenvolvimento sustentável. Segundo o presidente do Fida, Kanayo F. Nwanze, “os territórios indígenas estão entre os lugares mais diversos do ponto de vista biológico e ecológico da Terra. Só recentemente, no século 21, o resto do mundo começa a valorizar a biodiversidade, que é um valor central das sociedades originárias”. Ao ocupar quase 20% da superfície terrestre do planeta, os povos indígenas funcionam como guardiões da biodiversidade biológica. Os participantes discutiram sobre as possibilidades de os sistemas de autossustento e as práticas das comunidades indígenas para contribuir e inspirar novos enfoques de transformação do desenvolvimento sustentável e sintetizar a cultura e a identidade, sempre com base nos direitos individuais e coletivos. Também analisaram a quantidade de comunidades indígenas e ecossistemas em risco por falta de reconhecimento de seus direitos e de tratamento justo por parte de governos e corporações, pelo crescimento populacional, pela mudança climática, pelas migrações e pelos conflitos. Os participantes concordaram que a marginalização dos indígenas desvaloriza não só a importância de suas comunidades, mas também seu conhecimento agrícola e ecológico tradicional. “De forma arrogante e insolente, a humanidade cultivou a ideia de um desenvolvimento e um processo considerando que os recursos do planeta são infinitos e que a dominação humana da natureza não tem limites”, destacou Carlo Petrini, fundador do movimento internacional Slow Food em um encontro paralelo dedicado à inter-relação entre nutrição, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. “O avanço nessa ideia de progresso deixou mulheres, jovens, idosos e povos indígenas no final da fila, sem ninguém que eleve sua voz”, denunciou Petrini. “Todo o drama da realidade moderna fica descoberto: a gloriosa marcha do progresso está à beira do precipício, a atual crise é o fruto da cobiça e da ignorância”, destacou o ativista. Dirigindo-se em grande parte ao mundo rico, o Fórum se concentrou no grande número de boas práticas e na sabedoria empírica tradicional dos indígenas que merecem ser estudadas com atenção. Por exemplo, promover a agricultura e as economias locais, junto com o respeito pelas pequenas comunidades, é uma forma de reconciliar os seres humanos com a terra e a natureza. Além disso, numerosas comunidades originárias têm certos alimentos, como o milho, a inhame e o arroz silvestre, que consideram sagrados e que cultivam com práticas sustentáveis para o uso da terra e da água. No Fórum também foi mencionada a importância do papel dos sistemas de alimentação dos povos indígenas nos projetos da FAO, que gerencia o Centro para o Ambiente e a Nutrição dos Povos Indígenas (Cine), da Universidade McGill, na cidade canadense de Montreal. “Anos de trabalho documentaram os sistemas tradicionais de alimentação dos povos indígenas e seus hábitos alimentares para compreender o matriarcado e o papel das mulheres na segurança alimentar e na paz no Canadá”, destacou Harriet V. Kuhnlein, professora emérita de nutrição humana e diretora-fundadora do Cine. A especialista também compartilhou detalhes de uma das iniciativas do Cine, o Projeto Kahnawake de Prevenção do Diabetes Escolar, de três anos, e centrado em um programa de prevenção primária para os que sofrem de diabetes mellitus não insulinodependente, na comunidade mohawk, vizinha a Montreal. Entre outros objetivos, o projeto organiza atividades na comunidade, onde promove estilos de vida saudáveis, e demonstrou que “um programa de prevenção de diabetes em uma comunidade nativa é possível mediante uma pesquisa participativa que incorpore a experiência local e a cultura indígena”, explicou Kuhnlein. Os participantes do Fórum concordaram que a reintrodução de alimentos locais é essencial para alimentar o planeta. “Aqui vemos um verdadeira democracia em ação”, destacou um orador, acrescentando que é preciso um grande esforço para evitar práticas que exacerbem as consequências negativas que a produção de alimentos e o consumo têm no clima, na água e nos ecossistemas. Também foi pedido que a agenda de desenvolvimento pós-2015 garanta um ambiente saudável como um direito humano internacional garantido, e que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que substituirão os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) no final deste ano, incentivem os governos a trabalharem para políticas agrícolas que sejam compatíveis com a sustentabilidade ambiental, e que as normas comerciais sejam consistentes com a segurança alimentar. Houve consenso quanto a não serem metas fáceis de implantar e que será necessário um contexto de responsabilidade forte e de vontade de cumpri-lo, inclusive mediante o reconhecimento da responsabilidade corporativa no setor privado. Quando o mundo se prepara para a agenda de desenvolvimento pós-2015, o Fórum dos Povos Indígenas ressaltou a importância de incorporar a segurança alimentar, questões ambientais, redução da pobreza e os direitos dos povos indígenas aos novos objetivos de desenvolvimento sustentável que envolvem os cidadãos, governos, instituições acadêmicas, empresas privadas e organizações internacionais. Envolverde/IPS


por Valentina Gasbarri, da IPS
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Festival da Consciência traz palestra gratuita com o físico quântico Amit Goswami

Evento inédito acontece em 22 de março na Praça Victor Civita, com entrada franca. O 1º Festival da Consciência acontece em 22 de março, das 15h30 às 19h, na Praça Victor Civita – São Paulo/SP e teráatividades para adultos e crianças, com destaque para a palestra de Amit Goswami, PHd em física quântica, autor do bestseller “A Física da Alma” e referência mundial em estudos que visam integrar ciência e consciência. O Festival da Consciência trará a São Paulo, pela primeira vez, uma série de 10 encontros, a cada dois meses, com programação voltada à celebração, autoconhecimento e bem-estar por meio de palestras, apresentações musicais e práticas oferecidas gratuitamente para a população. Realizado pela UNUS e Virada Zen,o Festival da Consciência tem por objetivo incentivar as pessoas a estabelecer uma nova relação com a cidade e seus habitantes,por meio de uma programação que combina informação, reflexão e entretenimento, trazendo uma oportunidade diferente para o paulistano conectar-se com a metrópole, revigorar-se, cultivar a paz e celebrar entre amigos. O evento, que ocorrerá em clima de “sunsetparty”, abordará temas inéditos a cadaencontro, para mobilizar a população a favor de uma metrópole mais gentil ecelebrar a consciência, a vida e a união entre as pessoas, oferecendo ampla diversidade de informações e opiniões, estimulando o pluralismo de pensamentos. Patrocínio colaborativo:aedição de lançamento será financiada por crowdfunding, uma modalidade de patrocínio coletivo em que o cidadão pode colaborar com contribuições a partir de R$ 30,0 por meio do site Catarse. Paras colaborar, basta acessar: http://catarse.me/pt/festivaldaconsciencia. Para cada modalidade de doação, o evento oferece ao participante recompensas especiais. Programação – 22 de março: 14h00 - Abertura e inicio da atividade Infantil, ZenKidz!, meditação artística conduzida por Marcia Aftimus Johrei na praça prática de meditação coletiva conduzida por Arte de viver 30’ 15h00 Palestra sobre Ciência e Espiritualidade com o físico quântico indiano AmitGoswami 16h45 Show de Mantras com os músicos do UNUS 17h45 Apresentação musical ao pôr do sol com o DJ Vitor Kurc Serviço: 1º. Festival da Consciência - 22 de março, das 15h00 às 19h Praça Victor Civita – Rua Sumidouro, 580. Pinheiros, São Paulo/SP. Informações ao público: https://www.facebook.com/festivaldaconsciencia Sobre o UNUS: O UNUS é um movimento, uma comunidade e uma plataforma de serviços que está a serviço da realização do potencial humano e da unidade humana (humaUNity). Incentivamos pessoas e organizações a buscarem novas compreensões de si mesmas e das suas relações, com o propósito de refletir e criar novos caminhos para uma vida mais íntegra e una e serem agentes de evolução nas transformações coletivas que o mundo contemporâneo está passando. Sobre a Virada Zen: A Virada Zen será um evento gratuitodurante um fim de semanaem São Paulo que reunirá diversas atividades e conteúdos relacionados ao bem estar, cultura de paz e expansão da consciência, despertando o interesse por um modo de vida mais consciente e alegre nas grandes cidades, apresentando práticas e conhecimentos de diferentes filosofias e escolas de pensamento. A proposta daVirada Zen é contagiar as pessoas a mudar sua percepção sobre o mundo em que vivemos a partir delas mesmas.


por Redação da Envolverde

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