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Notícias

ONU define rascunho dos 10 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável


por Redação do Jornal da Saúde

[caption id="attachment_87614" align="alignleft" width="300" caption="Foto: http://www.ecodesenvolvimento.org/"][/caption] Proposta ficará aberta para consulta pública até amanhã, 22 de maio. Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentaram um documento que define os dez Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O texto ainda é um rascunho de metas que devem ser alcançadas a partir de 2015. A proposta foi desenhada por um grupo internacional de especialistas de diversas áreas e ficará aberta para consulta pública até o dia 22 no site www.unsdsn.org/resources/draft-report-public-consultation. As sugestões poderão ser incorporadas em um texto que será analisado pela Assembleia Geral da ONU, em setembro deste ano. A definição dessas metas era esperada como resultado da conferência do Rio no ano passado. O documento parte das diretrizes do texto da Rio+20 e, assim como ele, traz objetivos bem genéricos. Os objetivos devem entrar em vigor a partir de 2015 porque é quando termina o prazo para serem atingidos os objetivos do desenvolvimento do milênio, estabelecidos pela ONU. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentáveis sugeridos pelos especialistas: 1 – Fim da pobreza extrema e da fome – Erradicar a pobreza e dar poder aos cidadãos para que sejam produtivos; reduzir a desigualdade, aumentar a renda e a nutrição de pessoas mais pobres; reduzir a pressão ambiental que, em parte, é impulsionada pela pobreza; 2 – Alcançar o desenvolvimento global – Auxiliar todos os países no desenvolvimento econômico; oferecer oportunidades de crescimento e investimento às nações pobres e fortalecer a inclusão social; promover a sustentabilidade ambiental, aliada ao “direito de se desenvolver” dos países; 3 – Garantir um aprendizado eficaz às crianças e jovens – Criar oportunidades de trabalho e subsistência a pessoas de todas as idades; elevar o ensino sobre o desenvolvimento sustentável, para criar uma geração de líderes inovadores e que pensem nas causas ambientais; 4 – Alcançar a igualdade de gêneros, inclusão social e direitos humanos - Mobilizar e dar poder a todos os membros da sociedade para que ocorra o desenvolvimento econômico; incluir as populações que vivem em florestas e que, devido à exclusão delas na sociedade, acabam causando danos ambientais; 5 – Alcançar o bem-estar e garantir a saúde em todas as idades – São pré-requisitos para alcançar a erradicação da pobreza e o desenvolvimento econômico; são temas centrais para promover a igualdade social e de gêneros; são garantidos por meio de ações políticas que combatem a poluição do ar, da água e agentes resultantes do desenvolvimento sustentável; 6 – Melhorar os sistemas agrícolas e aumentar a prosperidade rural - Elevar o uso de técnicas agrícolas para reduzir a pobreza e o combate à fome, além de promover o crescimento econômico; melhorar a vida dos pequenos agricultores; reduzir a pressão de sistemas agrícolas em ecossistemas, reduzir as emissões de gases-estufa e as altas taxas dos ciclos de nitrogênio e fósforo provenientes da agricultura; 7 – Capacitar as cidades, tornando-as inclusivas, produtivas e resistentes – Acelerar o uso de tecnologias nas cidades, produzindo empregos e reduzindo a pobreza; aumentar a inclusão social nas áreas urbanas com a redução de moradores de favelas e criação de empregos decentes; equipar as cidades para manter o ar e a água limpos, usar de forma eficiente o solo, e aumentar a prevenção contra desastres naturais; 8 – Controlar a mudança climática e garantir energia limpa a todos – Aumentar investimentos a curto prazo e procurar oportunidades de “crescimento econômico verde” – incluindo a implantação de matrizes energéticas renováveis; evitar danos às populações que ainda vivem na pobreza; 9 – Serviços ambientais, biodiversidade e gerenciamento dos recursos naturais – Valorar serviços ambientais, aliando a proteção do meio ambiente e a manutenção do crescimento econômico; evitar o colapso ambiental, que pode afetar a vida dos mais pobres; 10 – 1Transformar a governança para o desenvolvimento sustentável – Adequar o poder público e a iniciativa privada ao desenvolvimento sustentável; adequar o desenvolvimento financeiro para erradicar a pobreza extrema; transformar políticas públicas para beneficiar o clima e a questão ambiental. * Publicado originalmente no Jornal da Saúde e retirado do site Conass.
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Economia

A simplificação da discussão econômica


por Luis Nassif*

[caption id="attachment_87575" align="alignleft" width="260" caption="Foto: informacaoeconomiacritica.blogspot.com.br/"][/caption] O que assusta é que esse tipo de simplificação permeia toda a discussão jornalística. Esta semana estive na Faculdade de Economia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e na Faculdade de Jornalismo da Fundação Casper Líbero. Nos dois eventos, discutindo a mesma questão: os rumos do jornalismo econômico e das discussões econômicas pela mídia. Um dos pontos que chama a questão é a maneira como se desenvolve uma teoria econômica. Primeiro, alguns princípios, novas formas de articular as diversas prioridades. Depois esses princípios se transformam quase em slogans, em objetivos únicos que passam a ser brandidos por jornalistas ou economistas de papel. *** A economia é uma ciência humana, que se baseia em alguns princípios, sim, posto que ciência, mas que permite uma variedade de caminhos alternativos para se atingir o que se pretende seja seu objetivo: o de proporcionar o desenvolvimento sustentável do país, com geração de bem estar para seu povo. *** Em muitos aspectos o organismo econômico é similar ao humano. Um médico jamais poderá analisar uma infecção sem levar em conta o equilíbrio do organismo como um todo. Caso contrário, ministrará altas doses de antibiótico que até poderão conter a infecção, mas comprometerão outros órgãos do paciente. *** O grande desafio da política econômica consiste em administrar questões simultâneas, muitas vezes conflitantes, Há que se permitir o desenvolvimento da economia, mas sem pressionar a inflação. Há que se controlar a inflação, mas sem comprometer drasticamente o emprego e o crescimento. E ainda tem que administrar conflitos temporais. Há que se garantir o bem estar presente, mas sem comprometer a estabilidade futura. Tudo isso exigindo escolhas, gradações. Em geral, a maior ou menor ênfase em determinadas prioridades reflete questões objetivas de interesses de setores influentes. *** É isso que explica análises que enatizam exclusivamente um problema, em detrimento dos demais. Imagina-se sempre a economia com um único problema, que precisa ser atacada com a bala de prata, pouco importando as consequências sobre os demais fatores. Por exemplo, dia desses, o colunista de um jornal econômico mencionava o grande “equívoco” do Banco Central, ao combater a inflação. O “equívoco” consistia em ter promovido uma desvalorização do real, que passou de R$ 1,70 a R$ 2,00 no ano. Nas cotações atuais, a produção interna está sendo arrasada pela China. Os últimos indicadores apontam para um crescimento do faturamento da indústria de máquinas, e uma redução da produção. Em outras palavras, cada vez mais o industrial importa equipamentos e revende, em lugar de produzir internamente. Faz isso por não conseguir competir com o importado. Ao mesmo tempo, há uma dinâmica de crescimento do déficit em contas correntes que já induz analistas a prever a próximo crise cambial dentro de dois ou três anos. O que estaria ocorrendo se o dólar tivesse permanecido em R$ 1,70? O Pibinho de 2012 teria sido negativo. O rombo das contas externas teria sido mais agudo. Provavelmente a esta altura do campeonato, todo o mercado já estaria pressionando o câmbio e, em lugar desse carnaval sobre o tomate, a mídia estaria deblaterando sobre problemas concretos, de perspectivas de crise cambial. E o que o país teria ganhado com o câmbio em R$ 1,70. Segundo o trabalho mencionado pelo jornalista, a inflação anual teria sido 0,6 ponto menor. O que assusta é que esse tipo de simplificação permeia toda a discussão jornalística. * Luis Nassif é jornalista econômico e editor do site http://www.advivo.com.br/luisnassif– lnassif2011@bol.com.br. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.
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Economia

Prosperidade econômica sem crescimento: é possível?


por Marcus Eduardo de Oliveira*

Vivemos sob a era da publicidade (atualmente esse segmento é o segundo maior orçamento mundial depois da indústria de armamentos) que cria o desejo de consumir, consubstanciada pelo método da obsolescência programada dos produtos feitos para durarem pouco, forçando assim junto aos consumidores a incidência de novas compras. Com isso, a sociedade de consumo cria cada vez mais demandas sobre bens de alta futilidade e "vende” à ideia de que a felicidade é fruto da aquisição material. É assim que a economia de mercado, grosso modo, vive: criando deliberadamente necessidades artificiais. Para manter esse "modelo”, o "modus economicus” emprega o meio mais usual: expande o crescimento da economia, promovendo a maximização do consumo, pouco se importando se essa maximização está apoiada na predação e na pilhagem das bases da natureza. Esse é o paradigma econômico dominante que transformou a natureza em fonte de lucro. Diante disso, algumas indagações se apresentam como pertinentes: i) É possível quebrar a espinha dorsal desse paradigma?; ii) É possível fazer uma economia prosperar sem passar pela etapa do crescimento, sem produzir mais bens e serviços?; iii) É factível melhorar o padrão médio de vida da sociedade desfrutando de um equilíbrio ecológico com justiça social sem necessariamente passar pelo aumento do estoque de produtos à disposição do mercado de consumo? Respostas a essas inquirições passam, primeiramente, pela necessidade em entender que a economia é limitada pelos ecossistemas. Portanto, há limites para o crescimento, uma vez que a Terra não é capaz de sustentar elevadas produções físicas além das consideradas normais e, crescer, nesse caso, se configura numa condição de destruição ambiental. Contudo, se concordarmos com a prédica dos economistas convencionais de que os recursos naturais são meras ocorrências de externalidades, que todo e qualquer impacto na natureza em decorrência da atividade produtiva expansiva é uma questão tão somente de ordem periférica e que a inovação tecnológica, num belo dia qualquer, suprirá a atual limitação natural, crescer, nesse caso, é a única receita viável para se alcançar elevados padrões de bem-estar e de melhoria acentuada das condições de vida. De toda sorte, o debate está posto à mesa. De um lado, os economistas ecológicos pontuam continuamente que os serviços ecossistêmicos não tem capacidade de sustentar a vida nesse ritmo avassalador de consumo, pois as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, o esgotamento dos recursos naturais estão a caminho da exaustão. Quem está desse lado do debate pensa a economia no seio da biosfera e se posiciona de forma contrária ao crescimento sem limites, uma vez que isso é potencialmente emissor de gases que aquecem ainda mais o planeta, fruto do desrespeito aos limites biofísicos do meio ambiente, desfigurando assim o semblante da natureza e comprometendo sobremaneira a qualidade de vida humana. Desse lado do debate há o entendimento de que a capacidade de regeneração dos ecossistemas é limitada frente à atividade humana abusiva. Quem está do outro lado defende que em breve será praticado com eficiência o uso dos recursos, preservando -e não destruindo- a riqueza natural. Para os que acreditam nisso, é justamente o crescimento econômico, vindo da inovação e de tecnologias avançadas, que fará a prosperidade aumentar e, uma vez ultrapassada as fronteiras ecossistêmicas, nada acontecerá de mais grave ao conjunto da vida social. São muitos os temas mais candentes presente nesse debate: crescimento x desenvolvimento; prosperidade x degradação ambiental; economia equilibrada x ambiente natural desfigurado; necessidades ecológicas x atividade econômica expansiva. Especificamente quanto ao primeiro confronto (crescimento versus desenvolvimento) somos partidários da ideia de que crescimento não significa (e nunca significou) desenvolvimento. Crescimento é a expansão das bases físicas da economia (fazer mais), o que significa aumentar a pressão sobre os recursos naturais, ao passo que desenvolvimento é assegurar e possibilitar substanciais melhorias nas condições de vida das pessoas (viver melhor). O primeiro conceito -como é natural supor- se prende ao lado quantitativo; já o segundo se refere ao aspecto qualitativo. Pois bem. Esses dados são corroborados pelos estudos recentes que indicam que a economia global tem hoje cinco vezes o tamanho de meio século atrás. Continuando com esse ritmo de produção, no ano de 2100 terá 80 vezes esse tamanho. O fato mais proeminente, contudo, é que lamentavelmente esse exagerado crescimento econômico atingido até agora distribuiu pessimamente os recursos – além de dilapidar o planeta. Atualmente, um quinto da população mundial recebe meros 2% da renda global. Assim, a ideia de prosperar socialmente não encontra fundamento no princípio do crescimento econômico; de um crescimento dilapidador dos recursos naturais e da qualidade de vida. Prosperar socialmente não pode então estar vinculado à ideia do crescimento da economia a partir do alcance de mais bens e serviços. Logo, não é o crescimento econômico que determina a prosperidade, até mesmo porque a distribuição nunca é feita de forma equitativa. O erro está localizado em dois aspectos: na produção excessiva e no consumo desigual. Ao menos dois renomados especialistas fazem coro à essa ideia e constantemente tem recomendado modelos econômicos e estilos de vida que priorizam o lado qualitativo. Peter Victor, o primeiro deles, é o autor de Managing Without Growth . Ao estudar o modelo de desenvolvimento para o Canadá, exposto nessa obra, no decorrer dos próximos 30 anos, Victor assegura que é possível prosperar sem crescer. De que forma? Criando um modelo econômico que seja capaz de equilibrar a capacidade produtiva da economia com o nível de gastos para que haja pleno emprego, sem necessariamente manter a economia expandindo ao longo do tempo. O que o modelo faz é empregar os benefícios de um aumento de produtividade na forma de mais lazer – vida melhor. Nas palavras de Victor: "Assim, podemos nos tornar mais produtivos sem ter de produzir mais, apenas trabalhar menos. Desde que haja distribuição, é possível ter muito menos desigualdade, sem crescimento”. Outro renomado especialista nesse assunto é Tim Jackson, autor de Prosperity without Growth - Economics for a Finite Planet para quem "os dias de gastar dinheiro que não temos em coisas das quais não precisamos para impressionar as pessoas com as quais não nos importamos chegaram ao fim”. Jackson afirma que "o mais importante é procurar viver bem, e não viver com mais”. Nas palavras de Jackson "(...) viver bem está ligado à nutrição, a moradias decentes, ao acesso a serviços de boa qualidade, a comunidades estáveis, a empregos satisfatórios. A prosperidade, em qualquer sentido da palavra, transcende as preocupações materiais. Ela reside em nosso amor por nossas famílias, ao apoio de nossos amigos e à força de nossas comunidades, à nossa capacidade de participar totalmente na vida da sociedade, em uma sensação de sentido e razão para nossas vidas”. Pelo exposto, o debate continua candente. Que possa do confronto dessas ideias emergir soluções capazes de assegurar qualidade de vida a todos nós e ao planeta. * Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana - Cuba. ** Publicado originalmente no site Adital.
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Economia

A seca e o Bolsa Família


por Evaristo Eduardo de Miranda*

[caption id="attachment_87620" align="alignleft" width="300" caption="Fotoo: blogs.diariodepernambuco.com.b"][/caption] A atual seca no Nordeste apresenta uma intensidade equivalente à ocorrida entre 1982 e 1984. Há trinta anos não acontecia uma seca com tal amplitude no Semiárido. Eu morei em Petrolina (PE) e trabalhei como pesquisador em todo o sertão através da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), entre 1980 e 1988. Vivi de perto a dura realidade dos períodos de seca. Contudo, agora, uma combinação virtuosa de diversas ações sociais está obtendo um resultado inédito na proteção dos mais pobres frente aos impactos de dois anos de estiagem. Mais de 10 milhões de pessoas em cerca de 1.300 municípios estão atingidas pela seca. Ao contrário do que ocorria no passado, não aconteceram ondas de saques, nem deslocamentos de flagelados, nem a organização de frentes de trabalho pelo governo, nem a invasão de cidades ou ataques a armazéns em busca de comida. Não há campanhas na televisão para arrecadar alimentos para as vítimas da estiagem. Antes, tudo isso acontecia, até em secas de menor intensidade. Cerca de 1,2 milhões de pessoas foram alistadas em frentes de trabalho em 1999! Hoje não. Por quê? O Programa Bolsa Família está garantindo a alimentação de quase todas as famílias no Semiárido nordestino. Com esses recursos financeiros, as pessoas adquirem alimentos básicos no comércio local. Com o Bolsa Família e face ao risco climático, houve uma redução significativa da área cultivada, sobretudo em encostas e situações mais secas. Com isso, a Caatinga se recuperou em regiões da fronteira entre Ceará, Paraíba e Pernambuco. Talvez o Bolsa Família esteja ajudando mais na recuperação da Caatinga do que muitas políticas e iniciativas ambientais e ambientalistas! E há uma sinergia do Bolsa Família com outros programas como a construção de mais meio milhão de cisternas entre 2003 e 2013. Elas vieram somar-se ao programa inicial de implantação de cisternas rurais da Cáritas Brasileira e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A água das chuvas é recolhida nos telhados das construções, passa por um filtro e é armazenada numa cisterna de alvenaria, protegida da contaminação e da luz. É água de qualidade para o uso das famílias, ao lado da casa. O fornecimento de água de qualidade para a população rural e nas pequenas cidades foi ampliado pelo Programa Água para Todos e pela interligação de adutoras. E é complementado por outras ações como a Bolsa Estiagem, o crédito emergencial, os leilões de milho, a recuperação de poços, a consolidação de polos de irrigação e as ações estruturantes (construções de adutoras e novos sistemas de abastecimento). Existe um Comitê Integrado de Combate à Seca. A coordenação do emprego de carros pipa para fornecer água para o consumo humano não é local, é do Exército. Os carros pipa ganharam eficiência, pois enchem cisternas e não apenas latões. A cisterna torna-se uma reserva de água, inclusive para vizinhos. Mais de 400.000 cisternas estão cadastradas e georreferenciadas, o que aprimora seu uso e a implantação de novos equipamentos. São mais de 4.000 caminhões mobilizados na distribuição de água, embora eles ainda só atendam 50% dos municípios em risco climático. Entre 2001 a 2011, a renda no Nordeste cresceu 73% enquanto, no Sudeste, a taxa foi de 46%. O aumento da renda e da segurança alimentar no Semiárido nordestino é um fato novo, aliado à redução da incidência de enfermidades, graças ao acesso à água potável e ao trabalho da Pastoral da Criança. Situações seculares de dominação estão sendo rompidas e poucos avaliam o alcance social e político desse novo cenário. Quem mais sofre com a estiagem são os rebanhos, sobretudo os dos médios e grandes produtores. Matérias televisivas mostram o gado morrendo e o prejuízo de agricultores. Forragem não se compra em supermercado, como arroz e feijão, com os recursos de programas sociais. Medidas emergenciais como distribuir milho e cana-de-açúcar para forragem são caras e difíceis de realizar. Não há como atender milhões de agricultores espalhados por centenas de milhares de quilômetros quadrados. A solução está na mudança progressiva dos atuais sistemas de criação de animais. Como no inverno em países temperados, o período seco exige a formação de estoques de forragem sob a forma de feno, silagem ou em áreas preservadas do acesso animal. A Embrapa, as universidades e os sistemas estaduais de pesquisa desenvolveram diversas alternativas para garantir ou complementar a alimentação dos rebanhos no período seco. Existem plantas forrageiras resistentes à seca, tecnologias e suplementos para ampliar a digestibilidade do material seco consumido pelos rebanhos e diversas alternativas com árvores e arbustos forrageiros, nativos e exóticos. Alguns produtores já utilizam essas técnicas. Sua adoção mais ampla depende de uma política eficaz de inclusão produtiva, de difusão tecnológica e de assistência técnica, hoje inexistente. A cisterna rural, no pior ano de seca, armazena água suficiente para as necessidades da família. Da mesma forma, outras tecnologias da pesquisa agropecuária podem garantir água aos animais. E até para as culturas, na chamada irrigação de salvação ou cisterna calçadão, por exemplo. Está na hora de inovar em matéria de tecnologia agrícola no Semiárido. E repensar o sistema de assistência técnica aos produtores rurais. O crescimento da renda e da organização dos produtores permite imaginar novos cenários para redução da pobreza rural no sertão. Está demonstrado: a renda rural depende muito mais de tecnologia do que da terra. O futuro está na incorporação de novas técnicas agrícolas e na inserção dos agricultores em cadeias produtivas rentáveis, como ocorreu em quase todo o país. Como dizia o cangaceiro Corisco: “O futuro fica em cima do futuro, e não embaixo do passado”. * Evaristo Eduardo de Miranda é agrônomo, Doutor em Ecologia, pesquisador da EMBRAPA. ** Publicado originalmente no site Eco21.


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n1

Caminhos práticos para decisões de conferências internacionais

Brasília – Quase um ano depois da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, lideranças de governos e de organizações da sociedade civil ligadas ao meio ambiente começam a discutir hoje (21), em Brasília, alternativas para tirar do papel metas que combinam desenvolvimento econômico, ambiental e social em todo o planeta. Os participantes da 12a edição do Encontro Verde das Américas terão dois dias para apontar caminhos mais práticos para os acordos diplomáticos e as decisões tomadas em conferências internacionais, como a que ocorreu no Rio de Janeiro em junho do ano passado. As palestras e discussões previstas para o evento devem resultar em uma carta com as reivindicações e as recomendações que os participantes considerarem mais relevantes. Depois de consolidado, o documento Carta Verde das Américas será entregue a autoridades e organizações brasileiras e de outros países que atuam na área. Toda a discussão, que ocorrerá nas salas e corredores do Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, será marcado pelo relato de experiências como a da indústria turística mexicana e portuguesa, da evolução de políticas ambientais adotadas pela Indonésia, pelo Quênia, por Cuba e pela Costa Rica, e pela agenda de adaptação às mudanças climáticas implantada na Malásia e na Noruega. A expectativa é que outras iniciativas de menor proporção e mais locais sejam apresentadas para que os participantes do encontro consigam definir estratégias mais eficazes para a adoção de práticas sustentáveis pelas diferentes economias do mundo. Autoridades brasileiras foram convidadas para resgatar a memória da Rio+20, reforçando as metas estipuladas na conferência, e para mostrar como os termos de ajustamento de conduta, conhecidos como TAC, adotados no Brasil, estão dando bons resultados na solução de impasses ambientais envolvendo comunidades tradicionais, grandes empresas e governos, por exemplo. Os brasileiros também vão apontar as dificuldades na gestão de resíduos sólidos e os desafios e potencialidades das unidades de conservação no país. O encontro, que começará com a entrega de um prêmio a uma personalidade ou instituição que se destacou nos últimos meses por adotar medidas em busca da sustentabilidade, será seguido por uma discussão em torno do futuro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca). O secretário-geral da organização, Robby Ramlakhan, pretende destacar a importância da cooperação para a integração amazônica, que envolve a Bolívia, o Brasil, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Peru, Suriname e a Venezuela. O grupo tem buscado alternativas financeiras para viabilizar projetos importantes na região. A Otca conta apenas com recursos de países como a Alemanha para o esforço de manter projetos de conservação e desenvolvimento em andamento na floresta amazônica formada pelo território dos oito países. * Edição: Graça Adjuto ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Carolina Gonçalves, da Agência Brasil
A construção de uma represa no Rio Makong não agrada o Vietnã e o Camboja. Foto: Skawimp/SXC

Países asiáticos podem entrar em guerra por água

[caption id="attachment_87583" align="alignleft" width="300" caption="A construção de uma represa no Rio Makong não agrada o Vietnã e o Camboja. Foto: Skawimp/SXC"][/caption] Os países asiáticos estão preocupados com as consequências sociais e econômicas que a escassez de água pode gerar. Em reunião entre autoridades da região Ásia-Pacífico foi feito um alerta sobre possíveis guerras por água. Há anos é cogitada a possibilidade de no futuro a disputa por água potável acontecer. Na região central e sudoeste do continente asiático essa previsão está perto de se tornar realidade. A dificuldade no acesso à água e as medidas e mudanças aplicadas em alguns países geraram desconforto em seus vizinhos. Esta é a situação que ocorre com a proposta de construção de uma represa no Rio Mekong, que passa por áreas pertencentes à China, Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã. A obra tem sido bastante polêmica e o Vietnã e o Camboja não estão muito dispostos a aceitar facilmente a mudança, devido aos impactos que ela poderia causar na indústria agrícola e pesqueira. Muitos fatores têm contribuído para que o acesso à água de qualidade se torne cada vez mais difícil. Além da ação direta humana, com a urbanização, industrialização e agricultura, também existe a contribuição das mudanças climáticas, para dificultar ainda mais a situação das comunidades locais. O alerta sobre uma possível guerra por recursos foi feito pela primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, durante a reunião Água Ásia-Pacífico. Na ocasião outras autoridades presentes também defenderam a criação de um grupo de trabalho para a prevenção de desastres naturais, com o objetivo de agregar conhecimento técnico e elevar a segurança hídrica. * Com informações da AFP. ** Publicado originalmente no site CicloVivo.  


por Redação CicloVivo
A tornadic thunderstorm approaches near South Haven

Influência das mudanças climáticas nos tornados ainda gera dúvidas

Tragédia que atingiu Oklahoma cria um novo debate, mas climatologistas não conseguem apontar qual a real ligação entre tornados e o aquecimento global. Os moradores do estado norte-americano de Oklahoma presenciaram nesta segunda-feira (20) o que está sendo chamado de o maior tornado já registrado na América do Norte, com mais de três quilômetros de diâmetro. A tragédia resultou em pelo menos 91 fatalidades, centenas de feridos e milhares de desabrigados. Quando um evento climático dessa magnitude ocorre, é claro que as pessoas tendem a pensar no aquecimento global e suas consequências. Porém, a ciência ainda não consegue explicar a relação do aumento das temperaturas causado pelas emissões de gases do efeito estufa e os tornados. “Com um planeta aquecido, a energia na atmosfera aumenta, mas o gradiente do vento [Wind shear] diminui. Então temos um ingrediente dos tornados subindo e outro descendo”, explicou Harold Books, climatologista da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). A própria NOAA, uma entidade que já divulgou dezenas de estudos reconhecendo a realidade das mudanças climáticas, apresenta números que mostram que a frequência de tornados tem oscilado sem um padrão claro. Nos últimos 12 meses, por exemplo, teriam sido 197 deles, a menor quantidade para o período desde 1954. Em sua conta no Twitter, Marshall Shepherd, presidente da Sociedade Meteorológica Americana, escreveu: “As mudanças climáticas são reais, mas não podemos diluir a questão neste momento. Não há relação com tornados.” Na semana passada, um levantamento com quase 12 mil artigos científicos mostrou que 97,1% dos estudos que abordam as causas do aquecimento global apontam que a principal responsabilidade recai sobre as ações humanas. Se essa imensa maioria dos cientistas estiver correta, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estamos nos encaminhando para um planeta climaticamente mais intenso, onde eventos extremos ficarão mais fortes e frequentes. Assim, alguns pesquisadores afirmam que não aproveitar esse momento de comoção para refletir sobre o aquecimento global é um erro. “É irresponsável não mencionar as mudanças climáticas. O meio ambiente no qual todas essas tempestades e tornados se formam está se transformando devido à influência humana”, declarou Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR). Cientistas também defendem mais investimentos em sistemas de monitoramento e previsão, assim como em mais estudos sobre como as mudanças climáticas estão afetando os tornados. “Nossa base de dados para medir mudanças de longo prazo nos tornados é horrível, realmente não sabemos como esses eventos podem estar se transformando”, disse Jeff Masters, diretor de meteorologia do portal Weather Underground. “Precisamos de computadores maiores e melhores modelos. Mas o que realmente precisamos é de tempo. Não temos ainda uma resposta, porém isso não significa que não estamos pensando nesse assunto”, completou Michael Wehner, do Laboratório Nacional de Lawrence na Universidade de Berkeley. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
n4

Vegetação é restaurada com semeadura direta e adubação verde

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pesquisa utiliza semeadura direta de espécies arbustivas e adubação verde como estratégia de sombreamento para restauração de áreas degradadas. Desenvolvido no programa de Pós-graduação em Recursos Florestais pela engenheira florestal colombiana Diana Carolina Vásquez Castro, o estudo avaliou possibilidades de redução de custos da restauração, que são elevados quando o método adotado é o de plantio total de mudas. “Este projeto procurou testar o uso da técnica de semeadura direta indicada como uma técnica complementar ao plantio de mudas visando à diminuição dos custos de implantação e manutenção de projetos”, afirma Diana. O estudo foi feito em duas áreas de Preservação Permanente (APPs), localizadas na Usina São Manoel, em São Manoel, e na Usina São João, em Araras, ambas no interior de São Paulo. “A proposta foi criar um ambiente sombreado com espécies de recobrimento no curto prazo e com duração longa, para inibir o crescimento de espécies competidoras, principalmente gramíneas africanas e potencializar o desenvolvimento de espécies de diversidade, que são introduzidas no interior desse ambiente sombreado pela recobridoras”, diz a agrônoma. Segundo Diana, de início fora feita a semeadura direta das espécies de adubação verde, como o fedegoso e o feijão guandu, visando o rápido recobrimento inicial das APPs degradadas. Adubação verde Como estratégia de minimizar a presença de plantas daninhas na entrelinha, um dos tratamentos foi testar o uso da semeadura direta de uma espécie de adubação verde e de longevidade longa, que é a leucena, conta. ”Essa espécie, apesar da grande contribuição para a restauração dos processos de recuperação do solo, é fortemente invasora e por isso seu desenvolvimento foi controlado para que ela não chegasse a florescer até seu total sombreamento, que resultava na sua eliminação”. De acordo com a pesquisa, foram obtidos no campo, dados de diâmetro, altura, cobertura de copa, cobertura de gramínea, mortalidade, área basal e densidade final. Os resultados mostraram que não houve diferença estatística entre o plantio de restauração convencional e o uso de semeadura direta para recobrimento. No entanto, foi verificado que, com o uso de semeadura direta, os custos de operações de plantio semi-mecanizado e de replantio são reduzidos pela metade. “O método consorciado semeadura direta em covas de espécies de recobrimento e de adubação verde com o plantio de mudas de espécies de diversidade mostrou-se uma alternativa economicamente mais vantajosa, na medida que não aumentou o número necessário de manutenções, reduziu o número de mudas de espécies de diversidade, além de baixar os custos das operações de plantio e replantio”. O processo de restauração florestal de áreas degradadas enfrenta obstáculos referentes à sustentabilidade temporal das áreas restauradas, do uso adequado de espécies nativas regionais e principalmente de custos elevados desses projetos de restauração. A pesquisa de Diana, realizada no Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF) da Esalq, integra o projeto “Restauração Ecológica de Florestas Ciliares, de Florestas de Produção e de Fragmentos Florestais Degradados (em APP e RL), com Elevada Diversidade, com Base na Ecologia de Restauração de Ecossistemas de Referência”. O objetivo é desenvolver e testar metodologias para superar essas dificuldades. Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto tem supervisão de Ricardo Ribeiro Rodrigues, coordenador do LERF, e agrega mais 30 pesquisadores. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Caio Albuquerque, da Agência USP
A tecnologia pode reduzir os impactos ambientais dos aterros sanitários, principal forma de tratamento utilizada no Brasil. Foto: Agência Brasil

Brasil estuda geração de energia elétrica a partir de resíduos sólidos urbanos

[caption id="attachment_87626" align="alignleft" width="300" caption="A tecnologia pode reduzir os impactos ambientais dos aterros sanitários, principal forma de tratamento utilizada no Brasil. Foto: Agência Brasil"][/caption] Representantes do governo federal e do setor privado se reuniram na última quinta-feira (16), em São Paulo (SP), para debater a viabilidade técnica e econômica da implantação de uma usina de geração de energia elétrica a partir da incineração de resíduos sólidos urbanos – tecnologia conhecida como mass burning. As discussões foram baseadas em dados iniciais de um estudo contratado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que mostra como esse tipo de tecnologia é usado em outros países, o possível modelo de negócio nacional e o arcabouço legal necessário. Um dos pontos cruciais do debate é o custo de instalação e manutenção do empreendimento. “Uma usina como essa tem capacidade para, através da incineração, converter os resíduos em vapor, por onde é gerada a energia elétrica. Além disso, ela opera com filtros destinados ao tratamento dos gases efluentes da combustão, antes que eles sejam dispersos na atmosfera. Segundo o estudo, realizado pela Proema Engenharia e Serviços Ltda, toda a estrutura envolve um investimento estimado em 140 milhões de euros, além do custo de manutenção, que pode ficar em 29 milhões por ano”, conta Junia Motta, coordenadora da Área de Química da ABDI. Por outro lado, frente aos altos custos desse tipo de recuperação energética estão os impactos ambientais dos aterros sanitários, principal forma de tratamento utilizada no Brasil e que envolve alto risco de contaminação do solo no longo prazo. “O grande destaque do projeto que estamos desenvolvendo aqui é a definição de um modelo técnico-econômico que torne viável a instalação de uma usina de mass burning no Brasil. Por meio do estudo e da colaboração de diversas instâncias envolvidas, estamos adequando esse objetivo à realidade do país e, com isso, tornando-o possível”, afirma o gerente de projetos da ABDI, Miguel Nery. A versão final do documento deve ser apresentada em julho, mas empresas como Braskem, Foz do Brasil/Odebrecht, Foxx e Proema já estão inseridas no debate e participaram do encontro. Também estiveram presentes representantes do Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida), da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) e da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP). Entre os dados mostrados no evento está o crescente uso do mass burning em países como Estados Unidos, Portugal, Inglaterra, França e, principalmente, Alemanha. “Vemos que essas nações promovem cada vez mais a incineração, ainda que também realizem outros tipos de tratamento de resíduos, como reciclagem, compostagem e aterros sanitários. A Alemanha se destaca por promover os mass burning desde 1965 – em 2009, o país já tinha cerca de 70 usinas – e por já não possuir aterros, seguindo a diretriz da Comissão Europeia de eliminar todos os aterros sanitários até 2020”, descreve Maria Helena Orth, diretora da Proema. * Publicado originalmente no site CicloVivo.


por Redação CicloVivo
O desmatamento é a principal adversidade enfrentada pelas aves. Foto: Marcelo Casal Jr./ABr

Bioma Amazônico tem 15 novas espécies de aves

[caption id="attachment_87594" align="alignleft" width="300" caption="O desmatamento é a principal adversidade enfrentada pelas aves. Foto: Marcelo Casal Jr./ABr"][/caption] O bioma amazônico acaba de revelar 15 novas espécies de aves ao mundo. Segundo o Fundo de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), os ornitólogos¹ não apresentavam de uma só vez, numa mesma obra, uma quantidade numerosa de aves brasileiras desconhecidas desde 1871, quando foi publicado o livro Zur Ornithologie Brasiliens, do austríaco August von Pelzeln (1825-1891), no qual foram descritas 40 espécies de aves coletadas pelo naturalista Johann Natterer (1787-1843), também austríaco. Um dos participantes da pesquisa, o ornitólogo Mario Cohn-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) falou da surpresa provocada pela biodiversidade da região. "A Amazônia realmente tem uma diversidade grande. Mesmo tendo um dos grupos de aves mais conhecidos, descobrir novas espécies ‘debaixo do nosso nariz’ chama a atenção para a riqueza da floresta", destacou ao G1. De acordo com a pesquisa, 11 espécies são exclusivas no Brasil, enquanto quatro podem também ser encontradas no Peru e na Bolívia. Em terras brasileiras, as aves listadas estão presentes no sul da Amazônia, no Pará, no Acre, em trechos de Rondônia e do Mato Grosso. Para afirmarem que se tratam de 15 novas espécies no bioma amazônico, os cientistas reuniram dados de trabalhos anteriores, fizeram comparações genéticas e morfológicas. Os artigos científicos sobre as descobertas no Amazonas serão relatadas em um volume especial da publicação Handbook of the birds the world, a ser lançado ao final de junho ou no início de julho. Riscos para gralha Em junho de 2012, o EcoD publicou uma matéria relatando um levantamento feito pela União Internacional para a Conservação da Natureza(IUCN) e a ONG BirdLife International. A pesquisa apontava o desmatamento como fator de risco para a extinção de cerca de cem espécies da Amazônia. Este estudo mais recente mostra a gralha canção-da-campina como exemplo dessa vulnerabilidade. A gralha vive em uma área de campina amazônica, entre os rios Madeira e Purus, ao sul de Manaus, Amazonas. O ornitólogo Mario Cohn-Haft, do Inpa, teve contato a primeira vez com a ave durante uma expedição, em 1988, mas agora que conseguiu fazer a análise completa, descobriu as suscetibilidades da ave, que está ameaçada, pois seu habitat (terrenos naturalmente savanizados) é de interesse da agricultura e da pecuária. Outras ameaças citadas pelo cientista são a proximidade da área com a rodovia federal BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau em Rondônia, além da expansão agropecuária e atividades mineradoras em municípios como Humaitá e Boca do Acre, ainda no Amazonas. O papel das aves As aves têm papel importante na natureza, segundo o si Consciência com Ciência, elas se alimentam de pragas e controlam a população de insetos. Também são consideradas excelentes polinizadoras, pois ajudam na reprodução sexuada das plantas, garantindo a variabilidade genética de espécies de vegetais. Assim, a extinção de uma espécie animal pode também recair sobre o vegetal. Além disso, as aves são "agricultoras", pois deixam cair as sementes do que consomem, principalmente pelas fezes, o que também ajuda na adubação. Os trabalhos que resultaram no encontro dessas 15 novas espécies foram feitos por cientistas e estudantes de pós-graduação da Universidade São Paulo, do Inpa, além do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém (PA), e do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania, dos Estados Unidos. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
Vista do santuário de al-Qatrawani, uma parada no caminho sufi na aldeia de Atara, na Cisjordânia. Foto: Jillian Kestler-D’Amours/IPS

Caminhadas conectam os palestinos com seu passado

[caption id="attachment_87548" align="aligncenter" width="500" caption="Vista do santuário de al-Qatrawani, uma parada no caminho sufi na aldeia de Atara, na Cisjordânia. Foto: Jillian Kestler-D’Amours/IPS"][/caption]   Deir Ghassaneh, Palestina, 21/5/2013 – Entre as árvores emerge uma cúpula de cor terracota, localizada sobre uma antiga casa de pedra, usada há séculos para orações. Ao longe se vê os verdes vales e as colinas do centro da Cisjordânia. Este santuário, conhecido como Al-Khawass, fica a 540 metros de altitude, na aldeia palestina de Deir Ghassaneh. É uma das várias paradas ao longo do caminho sufi, que começa no vale abaixo e faz visitantes e moradores do lugar voltarem aos tempos em que o sufismo, uma forma mística do Islã, estava generalizado na área. “Quero que os estrangeiros conheçam a cultura palestina, nossa cultura. E quero que os palestinos sejam tenazes nisto. Este é o lar de vocês. Orgulhem-se da terra, da pátria”, disse Rafat Jamil, diretor de trajetos e guia da Associação Rozana. Com sede em Birzeit, perto de Ramalá, esta entidade trabalha para restaurar edifícios históricos palestinos, bem como para fortalecer o patrimônio cultural palestino. A organização também criou três rotas sufis no centro e no norte da Cisjordânia. Os participantes destas excursões de um dia veem cerca de cinco santuários ao longo desses caminhos e apreciam a paisagem do lugar. Indicadores pintados com as cores da bandeira palestina (vermelho, verde e branco) e localizados a cada 30/40 metros avisam aos turistas que estão no caminho certo. A Cisjordânia tem aproximadamente 600 santuários sufis, entre eles alguns com 800 anos, segundo Jamil. Muitos foram construídos quando o Sultanato Mameluco e o Império Otomano governavam a antiga Palestina. “Há uma luta em torno da história. Para os israelenses nada é palestino, somente judeu e israelense. A ideia é que as pessoas conversem sobre a história da Palestina e que queiram ver santuários e casas antigas, dos períodos romano e otomano”, explicou Jamil à IPS. “Os israelenses afirmam que toda cultura daqui é deles”, acrescentou, ressaltando que, no entanto, quando os turistas se aproximam “veem algo mais”. O turismo alternativo na Palestina não é um fenômeno novo. Dezenas de organizações lideram rotas na Cisjordânia e em Jerusalém, que incluem viagens “políticas” durante o dia, estadias em casas de famílias palestinas, colheita de azeitona e festivais de arte e patrimônio cultural. Mas a gradual expansão e o desenvolvimento das rotas para caminhadas nos territórios ocupados é algo que os palestinos esperam que atraia tanto turistas quanto apoio internacional. “Queremos trazer turistas para áreas onde nunca estiveram, e gerar um bom impacto econômico na comunidade”, disse Michel Awad, diretor-executivo e cofundador do Centro Siraj, uma operadora de turismo sem fins lucrativos com sede em Beit Sahour, perto de Belém. Se mais pessoas passassem mais tempo nos territórios palestinos, “partiriam com uma compreensão real da causa palestina e se tornariam promotores da justiça em seus países”, acrescentou. O Centro Siraj organiza trajetos a pé ou de bicicleta, bem como excursões políticas para visitantes internacionais por toda a Cisjordânia. Estas incluem a chamada Rota da Natividade, que serpenteia de Nazaré a Belém, e que, acredita-se, segue a viagem feita por José e Maria antes do nascimento de Jesus, ou os caminhos do patriarca Abraão, que incluem 170 quilômetros desde Naplusa até Hebrón. Awad contou à IPS que os operadores turísticos israelenses manejam a maioria dos percursos de peregrinos religiosos – todo um negócio na Terra Santa –, embora estes invadam áreas palestinas. Frequentemente, os turistas visitam locais sagrados em Belém e voltam à noite para hotéis administrados por israelenses em Jerusalém, por exemplo. Desta forma, o turismo baseado na comunidade é uma alternativa a estes itinerários religiosos e fortalece os palestinos. Israel não pode competir, porque estes trajetos implicam muito mais que uma caminhada, detalhou Awad. “Trata-se de conhecer a comunidade e as famílias. É totalmente diferente”, ressaltou. Os conselhos de aldeias e povoados palestinos fornecem insumos e orientação para as caminhadas do Centro Siraj, e com regularidade as famílias recebem participantes para almoços ou pernoite em suas casas. As famílias que preparam essas refeições durante as excursões semanais, por exemplo, recebem 40 shekels (US$ 10) para cada convidado. “Nosso objetivo é criar na Palestina um novo turismo baseado em experiências que permitam aos viajantes viver a hospitalidade palestina e conhecer muitas paisagens. Queremos criar um novo tipo de turismo que esteja em contato com as comunidades locais e que gere benefícios diretos para as áreas rurais”, pontuou Awad. Entre janeiro e junho de 2012, foram realizadas cerca de 3,5 milhões de visitas a locais turísticos nos territórios palestinos ocupados, segundo o Escritório Central Palestino de Estatísticas, a maioria na região de Belém. No entanto, realizar excursões na Palestina vai além de gerar turismo. “Nos encanta a paisagem: as pedras, as árvores, tudo. É um sopro de ar fresco, literalmente”, disse Bassam Al Mohor, fotógrafo e membro do grupo excursionista Shat-ha, com sede em Ramalá. Toda sexta-feira essa entidade organiza passeios por diferentes áreas da Cisjordânia, e ocasionalmente a lugares dentro de Israel, da Jordânia ou de outros países. Os trajetos não são complicados, são gratuitos e geralmente duram desde as primeiras horas da manhã até o começo da tarde. A organização tende a se centrar em palestinos da área, embora os visitantes internacionais sejam bem-vindos, já que busca conectar os palestinos urbanos com os rurais, fortalecendo os vínculos entre o povo e sua pátria. “A paisagem na Cisjordânia está diminuindo, desaparecendo, morrendo lentamente. E isso se deve principalmente à ocupação. Se nos aproximamos das colônias israelenses corremos o risco de sermos atacados. É realmente triste ver que caminhos, pelos quais fazíamos lindas caminhadas, repentinamente ficaram fora de nossos limites”, disse Mohor. “Porém, quando se caminha e se vê antigas casas de pedra ou varandas ou povoados antigos, a primeira coisa que chama a atenção é esse patrimônio. Não sabíamos que a natureza pode ser assim. É possível se perder nisto”, acrescentou Mohor. Envolverde/IPS


por Jillian Kestler-D’Amours, da IPS
Um alegre desfile encerrou em Ciego de Ávila a VI Jornada Cubana Contra a Homofobia. Foto: Jorge Luis Baños /IPS

Pequenos passos em favor dos direitos sexuais em Cuba

[caption id="attachment_87554" align="aligncenter" width="500" caption="Um alegre desfile encerrou em Ciego de Ávila a VI Jornada Cubana Contra a Homofobia. Foto: Jorge Luis Baños /IPS"][/caption]   Ciego de Ávila, Cuba, 21/5/2013 – Os grupos de lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais (LGBTI) de Cuba obtêm avanços em temas como a mudança de nome de pessoas transgênero não operadas e mantêm sua luta pelo direito à união legal. Pela primeira vez, desde 1997, uma transexual feminina que não se submeteu à cirurgia de adequação genital obteve este ano um documento de identificação com o nome de sua escolha e uma foto refletindo sua identidade de gênero, contou à IPS o advogado Manuel Vázquez, do estatal Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex). “Vamos continuar apoiando mudanças de nome e pretendemos que este tipo de trâmite seja comum”, acrescentou o responsável pela área jurídica do Cenesex, um serviço de assessoria legal que identifica a família e o local de trabalho como os espaços onde mais são violados os direitos das pessoas que não são heterossexuais. Até agora, mulheres e homens transexuais tinham que se apresentar nos Escritórios da Carteira de Identidade, vinculados à polícia, fotografias onde sua imagem correspondesse com a aparência tradicional que se espera do sexo marcado em seus documentos. Assim, um transgênero feminino deveria aparecer como um homem na foto. Somente em 1997 o Cenesex conseguiu implementar alguns acordos entre os ministérios do Interior e da Justiça para trocar os nomes e as fotos da carteira de identidade de 13 pessoas trans não operadas, sem que fossem modificados outros documentos do Registro Civil, como a data de nascimento. Por sua vez, as pessoas beneficiadas por uma cirurgia de adequação genital, realizada gratuita e sistematicamente no país desde 2008, podem modificar suas carteiras de identidade por via judicial. Em Cuba foram feitas 19 cirurgias desse tipo, duas delas em transexuais masculinos, segundo o Cenesex. “Agora, qualquer pessoa trans não operada tem liberdade para iniciar este tipo de processo (mudança de nome) e ganhar graças a este antecedente”, destacou Vázquez. Adela Hernández, a única deputada transgênero da Assembleia Municipal do Poder Popular (instância local do parlamento unicameral cubano), revelou à IPS que já começou os trâmites para modificar sua carteira de identidade, durante ss atividades da VI Jornada Cubana Contra a Homofobia, que acontece ao longo deste mês. Esta enfermeira do município de Caibarién, na província de Villa Clara, teve que se registrar para a candidatura nas eleições realizadas em outubro e novembro de 2012 com o nome de José Agustín Hernández e com uma foto onde aparece muito diferente da mulher que ganhou a maioria dos votos de sua circunscrição. Hernández é uma das convidadas especiais da atual edição de um programa de atividades educacionais, culturais e, também pela primeira vez, esportivas, que anualmente, desde 2008, o Cenesex realiza por ocasião do Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia, em 17 de maio. Nesta ocasião as atividades centrais se desenvolveram entre 14 e 17 deste mês na cidade de Ciego de Ávila, 434 quilômetros a leste de Havana. No encerramento, um enorme e festivo desfile cruzou a central rua Libertad, onde se via as bandeiras multicoloridas do movimento LGBTI e a de Cuba. Mariela, uma mãe de 36 anos, se aproximou com seu bebê de nove meses para ver a manifestação. “Não participei da jornada, mas não sou contra”, contou à IPS. “Estas atividades fazem com que a família conheça sobre diversidade sexual, se respeite mais e as crianças e os jovens se desenvolvam melhor”, acrescentou. Entretanto, outras pessoas ainda se opõem à campanha pelo respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero, que durante todo o ano o Cenesex desenvolve, com seu momento culminante em maio, cujo programa este ano está dedicado às famílias. A diretora desse organismo, Mariela Castro Espín, afirmou que “o mais difícil é mudar a mentalidade das pessoas”, em um país ainda muito machista e homofóbico. Na verdade, até a década de 1990, Cuba punia “a ostentação pública da homossexualidade”. Por isso os grupos LGBTI e o Cenesex intensificam desde 2012 seu ativismo em favor do reconhecimento dos direitos sexuais como direitos humanos neste país, que ainda não tem uma lei específica que condene a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. O parlamento continua sem examinar o projeto do novo Código de Família, promovido desde 2008 pela não governamental Federação de Mulheres Cubanas e por outras instituições. Este projeto busca atualizar o Código vigente desde 1975, para que, entre outros aspectos, se reconheça a união legal entre pessoas do mesmo sexo. Na América Latina, apenas Argentina e Uruguai permitem o casamento homossexual, além do Distrito Federal do México, sede da capital do país, e três Estados mexicanos. No Brasil vigora a união civil, com quase os mesmos direitos que o matrimônio, e, no dia 14, o Conselho Nacional de Justiça determinou aos cartórios que realizem o casamento de casais homossexuais. Vázquez considera necessária a aprovação da união legal e apoia a proposta de criar em Cuba uma lei ou decreto-lei de identidade de gênero, defendida por vários juristas e ativistas. Enquanto isso acontece, este advogado de 26 anos traça como estratégia capacitar mais juristas sobre como aproveitar a legislação cubana atual em casos de vulneração de direitos de pessoas LGBTI. “As pessoas também precisam ser corajosas e denunciar esses crime”, acrescentou Vázquez, ao informar sobre a realização, na cidade de Santiago de Cuba, do primeiro painel deste tipo para profissionais da justiça. Além disso, o Cenesex pretende replicar em outros territórios os serviços de assessoria jurídica. “Não existe uma lei sobre os direitos dos homossexuais. Fala-se de forma muito geral”, lamentou Raquel Fernández, da Rede de Lésbicas Atenea, de Ciego de Ávila. A violência intrafamiliar e o pouco acesso a moradia ou emprego devido à homofobia figuram entre as limitações que as lésbicas mais sofrem, enfatizou Raquel à IPS. Envolverde/IPS


por Ivet González, da IPS

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